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QUEEN: meio século da estreia que se tornou um clássico

Onde você estava há cinquenta anos? Alguns talvez já estivessem por aqui, outros provavelmente nem eram um brilho diferente nos olhares de papai e mamãe, como diria Paulo Francis. Mas a verdade é que Freddie Mercury, Brian May, John Deacon e Roger Taylor estavam naquele longínquo 1973 realizando o sonho de toda banda iniciante: lançando seu disco de estreia, que recebeu o nome da banda, Queen.

A formação que se tornou clássica se reuniu em fevereiro de 1971, quando Deacon entrou no time. Ou seja, não foi como mostrado em “Bohemian Rhapsody”, conhecido por muitos como “o filme do Queen”, o que é um erro abissal: a película estrelada por Rami Malek e lançada em 2018 não se propunha a contar a história da banda, mas sim a de Freddie Mercury – e que, apesar de algumas gafes históricas, como essa da entrada do baixista, vale a pena ser visto.

Durante esses dois anos, o quarteto ficou se apresentando em clubes e escolas, solidificando um nome que começou a despertar interesses. A primeira demo, gravada no De Lane Lea Studios e que tinha temas como Keep Yourself Alive e Jesus, foi enviada a diversas gravadoras. A única proposta veio da pequena Charisma Records, que foi recusada por ser demasiado baixa e pelo fato de a banda duvidar da capacidade do selo em fazer uma divulgação adequada.

Uma nova proposta acabou chegando: o dono do Trident Studios, Norman Sheffield, ofereceu empresariar o grupo, além de permitir que a grupo gravasse lá sem custos. Ou seja, o Queen poderia usar toda a tecnologia disponível no estúdio, o que encantou os músicos. “Aquilo era ouro em pó”, definiu Taylor tempos depois. Obviamente, a banda só poderia gravar quando o estúdio estivesse livre, o que a obrigou a trabalhar em horários, digamos, pouco ortodoxos, o que não representou qualquer tipo de problema para os músicos.

Porém, as sessões não foram exatamente tranquilas. John Anthony e Roy Thomas Baker assumiram a produção ao lado da banda e as tensões entre May e Baker não demoraram a acontecer. A banda era inexperiente, mas sabia o que queria, o que gerou vários impasses durante as sessões. Keep Yourself Alive, música que abria o disco e maior sucesso de Queen, foi objeto de enorme polêmica entre banda e Baker. Os músicos não gostaram da mixagem, chegaram até a regravar a música na íntegra, mas mesmo assim não havia meios de chegarem a um acordo. Foi quando o técnico de som Mike Stone se ofereceu para mixar e na primeira tentativa os olhos dos músicos brilharam. Depois dessa, Stone trabalhou, como técnico ou coprodutor, nos cinco álbuns seguintes do grupo. Já em relação à faixa The Night Comes Down não teve jeito: acabou sendo usada no disco a versão gravada para a primeira demo.

E, entre erros e acertos, a banda ficou boa parte do ano de 1972 cuidando da gravação e da mixagem do álbum. Uma vez pronto, havia um simples detalhe a se resolver: o Queen não tinha contrato com qualquer gravadora. A Trident agendou uma apresentação exclusiva para gravadoras no dia 6 de novembro, seguido por um show no Marquee Club em 20 de dezembro. Enfim, em março de 73 o Queen assinou com a EMI Records, o que possibilitou que o disco saísse na Grã-Bretanha em 13 de julho daquele ano – coincidentemente, o mesmo dia que, doze anos depois, se tornaria o Dia Mundial do Rock, graças à realização do “Live Aid” em Londres (Inglaterra) e na Pensilvânia (EUA). Nos EUA, Queen foi lançado em 4 dezembro seguinte.

A capa, que se tornou icônica, trazia uma foto de Mercury em cena e foi registrada por um amigo de Roger Taylor, Douglass Puddifoot. Já o encarte traz algumas curiosidades. Deacon aparece creditado como “Deacon John”, enquanto que Taylor assinava seu nome completo, Roger Meddows-Taylor. Além disso, os créditos terminavam com a frase que se tornou clássica em vários discos do Queen: “nobody played synthesizer” (ninguém tocou sintetizador). Ao contrário do que muitos pensam, essa mensagem não é uma crítica ao rock progressivo, que andava em alta na época. Acontece que a gama de efeitos que Brian May colocava em seu som levava algumas pessoas a concluírem, equivocadamente, que se tratava de um sintetizador, quando na verdade era um gênio da guitarra explorando ao máximo os recursos de seu instrumento. Isso só veio a mudar em The Game (1980), quando enfim o Queen passou a usar sintetizadores em seus trabalhos. Tempos depois, Roger Taylor explicou essa mudança: “No início, os sintetizadores eram monofônicos, quer dizer, você só conseguia tocar uma nota por vez. Mas aí surgiram os sintetizadores em que era possível montar acordes, o que os tornou muito mais úteis. Eu levei um para o estúdio, Freddie experimentou e disse: ‘Isso é bom! Vamos usar.'”

No fim das contas, o público aprovou o que ouviu: o álbum chegou ao Top 30 da parada britânica e ao Top 100 da americana, além de ter sido certificado Disco de Ouro nas duas praças. O tempo o tornou clássico, tanto que figura em várias listas do tipo “melhores discos de todos os tempos”, “discos para ouvir antes de morrer” e assemelhadas.

Mais que isso, o Queen se tornou um dos principais nomes da história do rock, tendo influenciado artistas dos mais variados gêneros musicais. Só para citar alguns, já se disseram influenciados pelo quarteto nomes como David Bowie, Lady Gaga, Katy Perry, Kurt Cobain, Dave Grohl e muitos outros.

Porém, mesmo com tudo isso, Brian May não está até hoje satisfeito com a sonoridade de Queen. Em entrevista à Total Guitar em janeiro deste ano, ele declarou que o som que está no disco “não é como a banda soava.” Segundo ele, o Trident era um estúdio muito considerado em todo o mundo, “mas o som que se extraía de lá era muito morto. Colocaram a bateria de Roger num cubículo e abafaram todas as peles. Era exatamente o oposto do que estávamos buscando.” Ele continua: “Lembro de reclamar a respeito com Baker e ele respondeu: ‘A gente arruma na mixagem’, o que obviamente não aconteceu.” Além disso, ele foi contra o que considera “excesso de overdubs” na gravação.

Mesmo assim, ele faz uma ponderação: “As músicas que estão nesse disco são muito representativas daquilo que éramos naqueles tempos. E dá pra perceber que estávamos começando a desenvolver nosso próprio estilo.”

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