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S.O.T.O. – 05 de maio de 2019, São Paulo/SP

Três anos após sua primeira apresentação no Brasil, quando abriu o show do Winery Dogs, o S.O.T.O., grupo que tem como frontman o formidável Jeff Scott Soto, produtivo e incansável vocalista de bandas como Sons Of Apollo, W.E.T., Trans-Siberian Orchestra, Talisman, Takara, Eyes, Yngwie Malmsteen, Humanimal, Axel Rudi Pell, Human Clay, Soul SirkUS e muitas outras, retornou ao país. Uma curiosidade sobre essa nova turnê brasileira, que passou por Florianópolis (SC), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), foi o fato de o grupo vir nos visitar sem esperar pelo lançamento de seu novo álbum, Origami, que sairá no próximo dia 24 de maio. Pena que, dessa vez, no show de São Paulo, no qual marcamos presença, o público tenha comparecido em baixo número ao Carioca Club.

Pontual, o multinacional S.O.T.O. entrou em ação após introdução mecânica, com o americano descendente de porto-riquenhos Jeff Scott Soto acompanhado dos brasileiros BJ (guitarra, vocais e teclados) e Edu Cominato (bateria), do espanhol Jorge Salán (guitarra) e do novo integrante, o baixista americano Tony Dickinson. Eles chegaram mostrando seu hard rock de pegada moderna através de HyperMania, música que estará em Origami. Infelizmente, em certos momentos dessa, o microfone de Soto falhou. Sorte que tudo se resolveu a partir da pesada Freakshow, do álbum anterior Divak (2016), e então a qualidade de som ficou impecável. Desde o início, era evidente o entrosamento e o alto nível de performance dos músicos. Se por um lado Salán era quem comandava os solos, por outro BJ se dividia acompanhando o madrileno nas bases, adicionando teclados e, em algumas ocasiões, fazendo duos vocais com Soto. Com boa presença de palco, Dickinson mostrou-se tão seguro e competente no baixo, quanto Cominato costuma ser em seu kit de batera.

No repertório, o quinteto apresentou um set bem atrativo, constituído não apenas por músicas dos álbuns do S.O.T.O., mas também por várias outras da carreira de Jeff, incluindo de alguns de seus álbuns solo, como 21st Century, de Beautiful Mess (2008), e a ‘hardona’ Drowning, de Lost in the Translation (2004), que vieram na sequência. Apaixonado por nossa “caipirosca” (como gosta de chamar), antes de anunciar Wrath, do debut do S.O.T.O. Inside the Vertigo (2015), Jeff ergueu seu copo e o entornou após o coro da plateia com o tradicional: “vira, vira, vira, virou”. Algo muito legal nas apresentações do S.O.T.O. são os backing vocals feitos por BJ, Salán e Cominato, bem afinados, como pôde ser observado nas paradinhas das músicas Weight of the World, que é outra de Divak, e Soul Divine, também do álbum solo de Jeff Lost in the Translation. Em outra de Inside the Vertigo, The Fall, que tem uma batida modernosa que remete à The Beautiful People, do Marilyn Manson, foi legal a atuação de Soto, que na parte sinistra após o solo, cantou com olhos vendados.

Algumas surpresas estavam reservadas. A primeira foi o medley do W.E.T., formado por trechos das viciantes Watch the Fire (com ótimo duo vocal entre Jeff e BJ), Learn to Live Again e One Love, músicas que integram, respectivamente, os álbuns Earthrage (2018), Rise Up (2013) e W.E.T. (2009). O público podia até ser pequeno, no entanto, mostrava-se fiel à carreira de Jeff Scott Soto, tanto que muitos ali sabiam de cor as letras de cada música que era tocada. Antes de anunciar a faixa título de Origami, com o bom humor e simpatia que lhe são peculiares, Soto apresentou a banda, fazendo questão de ressaltar: “Temos um novo álbum chegando e estou cansado de ler na imprensa as pessoas dizerem: ‘Ei, cara, esse aqui é um novo projeto, uma nova banda solo de Soto’. Não, não, não! S.O.T.O. é “a” banda, não apenas eu, somos todos nós”, enfatizou, apontando para seus companheiros. A música seguinte – com jeito de tema de comercial da Hollywood -, foi a última da carreira solo de Jeff a ser tocada: Eyes of Love, do álbum Prism, de 2002.

Dando sequência, Jeff, Salán, BJ, Dickinson e Cominato tocaram trecho do clássico Rosanna, do Toto, com o vocalista dançando, usando uma camiseta branca com seu rosto desenhado, que ele pegou de uma pessoa da plateia. Outra surpresa no set foi o cover da bela Give in to Me, do saudoso “Rei do Pop” Michael Jackson. Depois dessa, Cyber Masquerade foi a última a representar o repertório do S.O.T.O., porém não tocada inteira, mas sim emendada com trecho de Livin’ the Life. Confesso que não curti a enrolação que rolou, com várias paradas para o público cantar durante essa música da Steel Dragon, banda fictícia do filme “Rock Star” (2001). Teria sido mais legal se tivessem tocado as novas BeLie e Detonate, de Origami, que estavam programadas, mas acabaram sendo limadas do set. Dando continuidade, o competente Jorge Salán, que tem vários álbuns solo gravados e trabalhos com nomes como Mägo de Oz, Fiona Flanagan, Avalanch, Robin Beck e James Christian (House of Lords), teve seu momento particular quando Soto se retirou do palco para tomar fôlego e bebericar mais de nossa “caipirosca”. Salán e o restante da banda tocaram a instrumental Risk, de seu terceiro álbum, Chronicles of an Evolution (2007).

Com Jeff de volta, a próxima parte do show foi especial: um medley de aproximadamente vinte minutos, só com hinos do Talisman, uma das bandas mais significativas da carreira do requisitado vocalista. Os fãs agitaram e cantaram com o S.O.T.O. trechos de Break Your Chains, Day by Day, Give Me a Sign, Colour My XTC, Dangerous, Just Between Us, Mysterious (This Time It’s Serious) e também os covers de Frozen (Madonna) e Crazy (Seal), ambos gravados pelo Talisman em seus álbuns Truth (1998) e Life (1995), respectivamente. O ponto alto desse medley aconteceu na derradeira I’ll Be Waiting, do debut Talisman (1990), que é sempre uma das músicas mais comemoradas pelos fãs de Jeff Scott Soto nos shows. Nessa, ele puxou o também vocalista Nando Fernandes (Sinistra, Hangar, Rádio Show, Cavalo Vapor, etc) da pista pra cantar com ele, e brincou quando avistou Henrique Baboom, baixista do Supla e produtor de King Bird, Salário Mínimo, Panzer, Cosmic Rover, Sioux 66 e outras, que estava próximo ao palco. Foi engraçado quando Soto chamou Baboom de “maricón de puta”, quando o viu devolvendo pela metade a caipirinha dada por BJ.

Após rápida saída estratégica do palco, Jeff Scott Soto surgiu na bateria e comandou os tambores, executando o início do hino We Will Rock You. Entretanto, o interrompeu. Foi só uma deixa para anunciar, em primeira mão: “Estarei de volta em dois meses, em julho (dia 13). Terei BJ, Edu, Baboom e Léo Mancini (Tempest, ex-Noturnall), e nós estaremos no Manifesto (Bar), fazendo um show tributo ao Queen”. Depois do informe, novamente ouviu-se os tambores da bateria. Era Cominato, executando a derradeira Stand Up and Shout, música composta por Sammy Hagar e gravada por Soto, também para o filme “Rock Star”. Ao final dessa, toda a banda se aproximou da beira do palco e, assim como no show de 2016, se despediu do público cantando, à cappella, a sacana Community Property, do Steel Panther. Fim de um ótimo e divertido show, que teve quase duas horas de duração. Mesmo com pouco público, a banda merece elogios por ter tocado com a mesma empolgação que tocaria se a casa estivesse lotada.

Ao final do show, encontrei-me com Jeff Scott Soto, que contou sobre o porquê de ter vindo tocar no Brasil, mesmo faltando poucos dias para o lançamento do novo álbum do S.O.T.O.: “Eu gostaria que o novo álbum já tivesse sido lançado, porque quero tocar o novo material dele. Mas quero que as pessoas conheçam as músicas, então, não tocamos muitas novas. Sinceramente, eu queria que, especialmente o Brasil, fosse o ponto de partida de Origami, porque é um ótimo álbum e esse é um dos meus lugares favoritos no mundo pra tocar. Quero voltar ao Brasil assim que todo mundo conhecer esse álbum”. Sobre o show realizado minutos antes, Soto também comentou: “Bem, infelizmente, não estava tão cheio como costuma estar. E eu entendo isso, porque muitas pessoas querem vir a shows do JSS. S.O.T.O. é um monstro totalmente novo, um animal novo, e eu compreendo que muitas pessoas levam tempo para entender do que se trata essa banda. Estou bem quanto a isso. Uma vez que elas perceberem sobre o que é o S.O.T.O., acho que teremos tantas pessoas quanto temos nos shows do JSS”, finalizou o atencioso vocalista.

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