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Live Evil

SCORPIONS

Metropolitan - Rio de Janeiro/RJ, 10 de setembro de 2016

Cinquenta anos de carreira, 18 álbuns de estúdio e mais de cem milhões de cópias vendidos. Com um currículo assim somado aos mais de oito anos sem pisar no Rio de Janeiro, não é preciso fazer muita força para imaginar como o Scorpions incendiou o bom público presente no Metropolitan. Às 22h12 – ou seja, um pequeno atraso –, a banda entrou em cena com “Going Out With A Bang”, primeira faixa de seu trabalho mais recente, “Return To Forever” (2015), e os vários telões, dentro do palco e de cada lado dele, projetavam alto-falantes que reforçaram a força do grupo alemão ao vivo.
Juntos há 12 anos, Klaus Meine (vocal), Rudolf Schenker e Matthias Jabs (guitarra) e Pawel Maciwoda (baixo) agora têm a companhia definitiva de Mikkey Dee (ex-Motörhead e King Diamond), que vinha substituindo James Kottak, afastado por problemas de saúde, mas foi efetivado no banquinho na semana seguinte ao show carioca. E o entrosamento, que já estava nítido, ganhou com a pegada do fenomenal batera.

A ligação especial do Scorpions com o Rio começou em 1985 no Rock In Rio, o divisor de águas para o show business brasileiro, e Meine fez questão de dizer o quanto era importante para eles voltarem à cidade, cantando até mesmo a tradicional “Cidade Maravilhosa” acompanhado pelos fãs. Não deixou de ser mais um num set recheado de clássicos e que abrangeu bem a longa trajetória do maior nome alemão na história do Rock.

Destaque para o medley com pérolas dos anos 70 – “Top Of The Bill”, “Steamrock Fever”, “Speedy’s Coming” e “Catch Your Train” – que, apesar dos vários tons abaixo da afinação original, fez os saudosos fãs da fase Uli Jon Roth abrirem um sorriso. Rolou também um acústico, para o qual os músicos foram para a longa extensão do palco, ficando mais próximos do público para executarem uma sequência de baladas como “Always Somewhere”, “Eye Of The Storm” e “Send Me An Angel”.
As baladas, aliás, deram a tônica do show. O público era composto também por casais que não aparentavam curtir de fato um Rock mais pesado, e esses dançaram (sim, dançaram!) ao som do medley acústico e dos clássicos “Wind Of Change” e “Still Loving You” – explica-se: a produtora do show passou algumas semanas anteriores ao show fazendo uma promoção “compre dois ingressos e pague um”, o que certamente deve ter motivado fãs ocasionais a comparecerem para assistir àquela banda que tocou no Rock In Rio e tem duas músicas lentas bem famosas.

Porém, essa parcela do público teve de se animar com as pérolas de pegada Hard Rock, como “No One Like You”, “Big City Nights”, “Dynamite”, “Blackout”, “Make It Real” e “The Zoo”, que, de fato, agitaram bastante a noite. E logo depois de “Dynamite”, Meine pediu a atenção do público para dizer que, assim que soube da turnê pela América do Sul, Dee pediu para que tocassem algo do Motörhead. Além de uma homenagem ao saudoso e eterno Lemmy Kilmister, seria uma surpresa para os fãs brasileiros, que sempre tiveram uma conexão muito grande com sua ex-banda. Assim, o clássico “Overkill” foi executado de forma avassaladora enquanto imagens do Lemmy ganhavam os telões. A emoção tomou conta deste que vos escreve e de vários outros na plateia. A versão ficou excepcional e certamente teve a aprovação de Lemmy.

Na sequência veio o solo de Mikkey Dee, e ele merece um parágrafo à parte. Sabemos que é um dos maiores bateristas do Heavy Metal em todos os tempos, e vê-lo tocar mais uma vez, só que de um jeito que nunca esperaríamos (com o Scorpions), foi uma felicidade enorme. Visivelmente, Dee vive um grande momento: toca as músicas com uma pegada excepcional e dez do seu solo um dos melhores momentos da noite, espancando peles e pratos sem piedade. Em um efeito legal no fim, cada batida no bumbo resultava na capa de um álbum do Scorpions nos telões, até que todos os trabalhos de estúdio fossem projetados, mostrando a imponente discografia de mais de 50 anos.
O encerramento, mais do que previsto com “Rock You Like A Hurricane”, só confirmou que banda e público fizeram juntos um show inesquecível. Espero que não seja a última vez dessa grande banda no Rio de Janeiro, mas é compreensível se não tivermos uma nova oportunidade. Turnês de despedida à parte, o Scorpions está mesmo se aproximando do momento de parar. No entanto, o legado é eterno e tivemos várias oportunidades de ver esses monstros ao longo dos anos.

Set list
1. Going Out With A Bang
2. Make It Real
3. The Zoo
4. Coast To Coast
5. Top Of The Bill/Steamrock Fever/Speedy’s Coming/Catch Your Train
6. We Built This House
7. Delicate Dance
8. Always Somewhere/Eye Of The Storm/Send Me An Angel
9. Wind Of Change
10. Rock ‘n’ Roll Band
11. Dynamite
12. Overkill
13. Drum Solo
14. Blackout
15. No One Like You
16. Big City Nights
Bis
17. Still Loving You
18. Rock You Like A Hurricane

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