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SEPULTURA

O Sepultura está vivendo um momento especial e bastante significativo dentro de sua consagrada trajetória. Em 2015 o grupo realizou shows em celebração dos trinta anos de sua carreira, dentre os quais, arrisco citar o do dia 20 de junho, ocorrido na Audio Club, em São Paulo, como sendo um dos mais memoráveis entre eles. Agora, em 2016, a banda vê um dos seus álbuns clássicos, “Roots”, completar vinte anos de história. Além disso, Derrick Green, Andreas Kisser, Paulo Jr. e Eloy Casagrande, têm transmitido o clima de união, muita amizade e tranquilidade em que estão passando, e feito alguns shows enquanto preparam o novo álbum, que está confirmado ainda para este ano. Desta forma, uma espécie de mini-turnê por algumas filiais do SESC – que se encerraria no dia 10 de abril, em Itaquera -, entrou na rota de shows. Começou no dia 18 de março, onde a banda tocou na filial de Sorocaba. Já nos dias 26 e 27 foi a vez de a capital paulistana recebê-los.

E foi nessa segunda noite de show em São Paulo que a ROADIE CREW esteve presente no SESC Pompeia – mais precisamente na Comedoria, setor com capacidade para 800 pessoas -, para conferir a mais uma apresentação do Sepultura. Apesar do clima lá fora estar ameno, o local, já tomado de gente, estava absurdamente quente. Com início do show marcado para às 19h00, o Sepultura entrou pontualmente, ensandecendo seus fãs, tendo logo a clássica “Troops Of Doom” como abertura. Sem dó ou pausas para conversas, a banda não aliviou e mandou uma sequência matadora com a faixa título de seu penúlitmo álbum, “Kairos” (2011) – que cai sempre muito bem ao vivo -, e também com um dos grandes singles do influente “Chaos A.D.” (1993), “Slave New World”. Som bem alto, porém, equilibrado, energia, diversão e muito calor, davam a tônica do que conferiríamos até o final. Na primeira pausa, o simpático Derrick, com seu jeito engraçado de falar em português, avisou o público: “Vamos tocar músicas de vários discos do Sepultura, hoje à noite, pra vocês”. E então anunciou a primeira que tocariam de “Arise” (1991), “Desperate Cry”.

Aí então foi a vez de Andreas Kisser cumprimentar os fãs e se pronunciar, pegando a todos de surpresa ao falar sobre o setlist que seria tocado: “Como o Derrick falou, vamos tocar toda a história do Sepultura aqui. Mas, especialmente um disco que está fazendo 25 anos, que é o “Roots””. Após ter se confundindo, aumentando em cinco anos a idade do álbum, o guitarrista anunciou a próxima: “Vamos tocar músicas que não tocamos ontem (desse álbum), e também as que tocamos, uma delas é “Breed Apart””. Como acontece em todo show do Sepultura, Derrick tinha a sua disposição um surdo de bateria posicionado à frente do palco. E assim o vocalista aumentou a artilharia percussiva da banda, auxiliando o jovem Eloy em algumas músicas, a começar por esta. Antes de “Spit” – outra de “Roots” -, Andreas tirou onda com Paulo, que deu início à música. Vale dizer que Andreas Kisser não demonstrava cansaço, apesar do fim de semana intenso que teve. Além de ter feito este show em questão, na noite anterior, momentos antes de se apresentar com o Sepultura, o músico ainda participou como convidado do Anthrax, que fazia a abertura do aclamado show do Iron Maiden, no Allianz Parque – estádio da Sociedade Esportiva Palmeiras, que fica localizado praticamente ao lado do SESC Pompeia. Na ocasião, tocou em “Indians” e em um trecho da versão do Anthrax para “Refuse/Resist” do Sepultura.

O álbum “Dante XXI”, que também completa em 2016 dez anos de seu lançamento, não foi esquecido, embora dele só tenha sido tocada apenas a sempre presente “Convicted In Life”, que foi emendada com outra de “Kairos”, a misteriosa “Dialog”. Era hora de voltar a relembrar de “Roots”, então, de uma paulada só a banda mandou “Dusted”, “Endangered Species” – que, por engano, Kisser a apresentou dizendo que, pelo que lembrava, a música nunca havia sido tocada ao vivo, mas ela já havia sido executada na turnê do próprio álbum, vinte anos antes, assim como as seguintes, “Straighthate” e “Dictatorshit”. Antes de “Dusted”, Andreas revelou que a banda já está trabalhando no novo álbum, e adiantou que ele terá cerca de dez músicas. Também se disse bastante empolgado com o que está surgindo nessas novas músicas. No embalo, “Alemão” – como é chamado -, quase deixou escapar o título do álbum, mas se tocou a tempo e disfarçou dizendo que depois o revelaria. Essa “escorregadela” rendeu algumas risadas.

Aliás, o clima bem humorado estava estampado também no rosto de Paulo Jr., que trajava uma bela camiseta estampada pela capa do primeiro álbum do Kiss. O baixista tocou sorrindo o tempo todo, além de interagir um bocado com alguns fãs que estavam na primeira fila. Ainda sobre as questões individuais, o “monstruoso” Eloy Casagrande está para lá de adaptado aos seus companheiros. Era impressionante que, enquanto o show rolava, muitas pessoas não desviavam o olhar para o baterista, devido ao seu jeito de tocar que é carregado por bastante pegada e técnica. Estava faltando alguma música do disco mais recente, “The Mediator Between Head And Hands Must Be The Heart” (2013), e isso foi corrigido quando tocaram o single “The Vatican”. Não posso me esquecer de dizer que durante o show o ‘mosh pit’ rolou solto em vários momentos, principalmente quando os maiores clássicos eram executados. Imagine então como a pequena pista do local ficou, quando a banda mandou de uma só vez, “Beneath The Remains”, “Territory”, “Arise” e “Refuse/Resist”, que encerrou a primeira parte do show. Sim, foi insano!

Durante os intervalos, e principalmente nessa hora em que a banda saiu do palco, muitos aproveitavam para ir comprar alguma bebida, pois o calor que fazia no local beirava o insuportável. Rapidamente, Derrick, Paulo, Andreas e Eloy retomaram seus postos e a plateia começou a gritar o nome do baixista. Neste momento, Eloy tratou de puxar um ritmo mais dançante e passou a ser acompanhado por Andreas e também por Derrick, que aproveitou o embalo e ameaçou cantar o sucesso da Disco Music dos anos 70, “Freak Out”, do Le Chic. Paulo Jr. novamente foi vítima das gozações de Derrick e de Andreas, que o sacanearam por não ter nenhuma tatuagem do Sepultura. Todo mundo caiu na gargalhada com as gozações. Essa foi a deixa que evidenciou a próxima do repertório: “Sepultura Under My Skin”. Essa dá nome ao EP comemorativo de 30 anos, que a banda lançou em junho de 2015. Vale lembrar que a capa desse EP foi baseada em fotos de tatuagens do Sepultura feitas em fãs do mundo todo.

Como avisado pela banda, o álbum “Roots” seria bastante revisitado durante o set. Sendo assim, duas músicas não poderiam ficar de fora e vieram para encerrar o show. A primeira delas foi “Ratamahatta”, onde Derrick e Andreas sempre dividem os vocais. Então, o Sepultura se despediu com “Roots Bloody Roots”, um dos hinos da música pesada mundial, que começou com a introdução mecânica um pouco fora de sintonia com a banda. Nessa hora foi engraçado ver Paulo Jr. olhando e rindo para a equipe da mesa de som, que acabou não percebendo a falha. Mas tudo correu bem e sem maiores problemas. Fim de show, missão cumprida por parte da banda, e quanto ao público, todos ali saíram completamente satisfeitos com o que puderam presenciar.

No dia seguinte, o solícito Andreas Kisser atendeu a ROADIE CREW para um breve bate papo por telefone. Antecipando alguns detalhes sobre o novo álbum, e falando a respeito das comemorações dos 30 anos de carreira e também dos 20 anos de “Roots”, comentou: “Na verdade, nosso projeto principal realmente é o disco novo. Desde fevereiro, logo depois do carnaval que a gente tocou com o Angra e o Carlinhos Brown, lá em Salvador – que por sinal foi fantástico -, fomos para o estúdio e começamos a desenvolver nossas demos e as ideias. Estamos com dez ou onze temas para o próximo disco. Inclusive, já temos um nome, mas não estamos anunciando-o ainda. O disco será gravado na Suécia, com o produtor Jens Bogren, que já trabalhou com muitas bandas, inclusive Angra e Kreator, entre tantas outras. Ele é jovem e tem uma pegada muito forte e pesada. Estamos muito felizes de termos essa oportunidade de ir lá pra Suécia. Primeira vez que iremos gravar por lá. Desde o “Choas A.D.” que a gente não grava na Europa. O gravamos no País de Gales. Ir pra esse estúdio na Suécia vai ser um fator motivacional. Quanto a turnê de 30 anos, meio que ela se encerrou no ano passado. Tem algumas cidades ainda que a gente não fez e pintou umas oportunidades enquanto estamos no estúdio gravando e fazendo as demos, de fazermos alguns shows por aqui, principalmente no interior de São Paulo. Fizemos Sorocaba, esses dois do SESC Pompeia, vamos fazer ainda Campinas e também em Itaquera. Mas, como eu disse, realmente o foco é o disco novo. Sobre o show do “Roots”, ele praticamente não existe, só fizemos esses no SESC Pompeia, com algumas músicas extras desse disco, que a gente não tocava há muito tempo, e foi um algo meio exclusivo. Vamos tocar algumas músicas ainda nesses próximos shows de Itaquera e Campinas, mas não é assim um show especial de celebração ao “Roots”. Foram mais esses de São Paulo mesmo, os quais tivemos a possibilidade de fazermos dois shows seguidos e com isso conseguimos separar algumas músicas do “Roots” para incluirmos neles”.

Finalizando, Andreas comentou também os motivos que estão lhe deixando empolgado com o que está surgindo para este novo álbum: “Acho que o clima na banda está fantástico. Estamos em uma sintonia muito positiva, muito real. Fizemos dois anos de shows pelo mundo, grandes festivais, celebração de 30 anos… É um momento muito positivo. O “Mediator…” foi muito bem aceito, estamos com uma relação muito boa com a nossa gravadora, Nuclear Blast, temos uma estrutura muito organizada de empresários – tanto aqui no Brasil como fora -, fizemos mudanças importantes que deram uma melhorada fundamental nas coisas do Sepultura… Enfim, é a música… Esse é o segundo disco que estamos fazendo com o Eloy, que é um baterista que trás possibilidades fantásticas pra banda. É difícil falar muito de detalhes, porque estamos no processo. Só temos por enquanto nomes de músicas de trabalho, não há muita coisa definida ainda. É um processo que a gente está começando agora, eu e o Derrick trabalhando nas letras e tudo mais. Teremos uma música instrumental, afinal, faz tempo que não temos uma assim, algo como se fosse um tributo aos grandes instrumentais do Heavy Metal e do Rock And Roll, tipo Iron Maiden, Metallica, Rush, que têm grandes músicas instrumentais e nesse sentido fizemos uma música muito interessante para esse disco. A inspiração é como se estivéssemos escrevendo uma música para vinil, pois o vinil voltou realmente com força total. Estamos escrevendo o disco como se fosse nos velhos tempos, do limite de tempo que a gente tem pra fazer um vinil, fazendo nove ou dez músicas no máximo, pensando em uma música para abrir lado B, coisas que a gente deixou de utilizar pelo próprio formato do CD. Então, estamos colocando limite de tempo e isso está nos ajudando muito a escrever as músicas do disco. Tem música rápida pra caralho, peso, algumas melodias que o Derrick está usando também na voz… Enfim, é um disco bem diverso e acho que vai ser um dos mais pesados e técnicos da nossa história”.

SEPULTURA – setlist:
Troops Of Doom
Kairos
Slave New World
Desperate Cry
Breed Apart
Spit
Convicted In Life
Dialog
Dusted
Endangered Species
Straight Hate
Dictatorshit
The Vatican
Beneath The Remains
Territory
Arise
Refuse / Resist
Sepultura Under My Skin
Ratamahatta
Roots Bloody Roots

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