
Por Leandro Nogueira Coppi
Fotos: Andre Santos
Neste último domingo (27), São Paulo foi palco do encontro de três bandas internacionais do metal cristão bastante conhecidas pelo público brasileiro. A maior de todas nesse segmento, o Stryper, fez seu sexto show na capital, seis anos após a última visita – desta vez com a turnê que celebra os 40 anos de carreira (na verdade, já são 42 anos… ou 45, se considerarmos os primórdios, quando a banda ainda se chamava Roxx e, posteriormente, Roxx Regime). Seus compatriotas e contemporâneos do Bride retornaram ao país apenas nove meses após sua última passagem, feita ao lado de outra banda clássica do rock cristão, o Petra (que, aliás, voltará ao Brasil em janeiro de 2026, acompanhado do Whitecross – leia as informações aqui). Já os suecos do Narnia, em sua quarta visita ao Brasil e quase dois anos após a anterior, fizeram em São Paulo seu primeiro show de 2025.
Com realização da En Hakkore Records, as três bandas deram início a uma mini-turnê brasileira que ainda passará por outras três capitais: Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ), respectivamente – na noite desta terça-feira (28), tocaram em Curitiba (PR). A abertura dos portões da Vip Station, local do show, ocorreu pouco depois das 17h. No entanto, todas as apresentações começaram religiosamente (sem trocadilhos) nos horários anunciados – ponto positivo para a produtora.
Em relação ao público, a Vip Station, que tem capacidade para 3.500 pessoas, estava bem cheia no formato em que foi utilizada. Segundo informações da produção, até duas horas antes da abertura da casa quase todos os ingressos já haviam sido vendidos. Com a bilheteria ainda disponível ao público após a abertura do recinto, é bem provável que tenha atingido ‘sold out’.
Pontualmente às 17h45, o Bride deu início ao show de forma inusitada: tocando apenas um trecho de Rattlesnake, música do álbum que, particularmente, considero o melhor da banda, o ‘hardão’ Snakes in the Playground, quinto de estúdio, lançado em 1992. Do mesmo álbum, veio a música seguinte, Would You Die For Me, que, assim como a anterior e outras, contou com as tradicionais improvisações feitas pela banda ao vivo. Formado em 1981 sob o nome Matrix por Dale Thompson (vocal) e Troy Thompson (guitarra), o grupo passou a se chamar Bride em 1986, ano do lançamento do debut Show No Mercy. Atualmente, a banda ainda conta com os dois irmãos e uma competente cozinha brasileira: o baixista pernambucano Nenel Lucena (Evocati, No Other God, ex-Throne) e o baterista paulistano Alexandre Aposan (No Other God, ex-Oficina G3).

A relação do Bride com o Brasil não se resume à camisa da seleção brasileira usada no show por Troy Thompson, que agitou bastante – é mais antiga do que isso. A estreia da banda por aqui aconteceu em 1993 (deveria ter acontecido em fevereiro de 1992), quando o grupo veio ao país em turnê do álbum mencionado, Snakes in the Playground, para se apresentar no extinto festival “S.O.S. da Vida”, realizado no estádio Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu – muito antes de Stryper e Narnia pensarem em tocar por aqui (aliás, o Narnia só viria a existir três anos depois). Dessa vez, devido a limitação de espaço por conta do praticável com o kit de Robert Sweet, do Stryper, foi engraçado ver Aposan tocando em uma das pontas do palco (assim como aconteceu com Anders Köllerfors, do Narnia) com a bateria virada de lado para o público – posição essa do instrumento que ficou mundialmente conhecida com Robert, que, ao longo da carreira, sempre tocou dessa maneira nos shows. Ou seja, foi uma noite em que nenhum baterista tocou virado de frente para o público, como estamos acostumados ver.

Prosseguindo, a música seguinte foi Beast, faixa que abre outro bom – e mais cru – álbum do Bride: Scarecrow Messiah, de 1994. Se o show do grupo em 2024 já havia sido curto – com menos de uma hora de duração -, desta vez foi ainda mais enxuto: pouco mais de meia hora. Para não desperdiçar o tempo disponível, Dale Thompson evitou interações com o público. Um pouco rechonchudo e com brancas barbas e madeixas, hoje ele está bastante diferente do jovem que se assemelhava a Jon Bon Jovi na fase dos álbuns New Jersey e Blaze of Glory. Usando apetrechos como cartola e óculos no estilo ‘steampunk’, ele cantou muito bem, embora já não conte com o mesmo alcance vocal de tempos mais distantes. Uma de suas melhores performances aconteceu em Psychedelic Super Jesus, uma das músicas mais comemoradas e cantadas pelos fãs.

Curiosamente, foi interessante ver Dale Thompson dividir o palco com o Stryper – banda da qual ele chegou a fazer parte por um curtíssimo período, quando Michael Sweet deixou o grupo após alguns shows de divulgação do álbum Against the Law (1990). Assim que Michael saiu, o Stryper realizou algumas apresentações na Alemanha e na Suécia como trio, com o guitarrista Oz Fox assumindo também os vocais. No entanto, o baterista Robert Sweet considerava essencial ter um novo frontman, e assim Dale Thompson foi chamado para a missão. Em maio de 1992, ele fez sua estreia no palco do Knotts Berry Farm, mas logo em seguida deixou a banda, que embarcou para a Escandinávia novamente como trio, antes de decidir encerrar a carreira em 1993 – decisão que duraria longos dez anos.
Atualmente divulgando seu novo álbum – o duplo e 20° de estúdio Vipers and Shadows, lançado em maio -, o Bride apresentou a inédita A Million Miles, uma faixa energética com certo toque psicodélico. Antes dessa, outra música que também foi muito bem recebida pelo público foi Everybody Knows My Name, faixa do álbum Kinetic Faith (1991), que ficou em primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos por 12 semanas consecutivas.

Para encerrar o show, o Bride reservou uma surpresa vinda direto de seu segundo álbum de estúdio, Live to Die – trabalho que soava como uma mistura de speed e thrash metal. Heroes, música que não era tocada ao vivo desde 1989, foi uma escolha assertiva, agradando em cheio os fãs da fase mais antiga e pesada da banda.
Sem fotos com o público, nem frases manjadas como “voltaremos em breve” ou “até a próxima”, o Bride se despediu do público paulistano simplesmente pirulitando do palco – e, mesmo assim, foi bastante ovacionado e aplaudido.

Como a bateria foi mantida no palco, a equipe técnica não teve muito trabalho para preparar o terreno para o Narnia, que pela segunda vez está excursionando pelo país ao lado do Stryper. Um a um, foram surgindo, respectivamente, Anders Köllerfors (bateria), Martin Härenstam (teclado), Jonatan “Jono” Samuelsson (baixo) e os fundadores Christian Rivel-Liljegren (vocal) e CJ Grimmark (guitarra) – o sósia sueco do ator americano Bruce Willis.
Nitidamente felizes por estarem de volta a um dos países onde mais se sentem em casa – e onde gravaram, logo na estreia por aqui, o álbum ao vivo We Still Believe – Made in Brazil (2018) -, os escandinavos faziam os últimos ajustes técnicos enquanto a introdução rolava no som mecânico. Reflexo dessa forte conexão com os fãs latino-americanos é o tributo lançado pela própria En Hakkore Records, intitulado Show All the World – A Latin American Tribute to Narnia, que reúne bandas do Brasil, México, Chile, Argentina e Peru. Jono (também integrante do Starmen) e Christian (Flames of Fire, The Waymaker e muitas outras) – que, assim como Troy Thompson, do Bride, também vestia uma camisa da Seleção Brasileira – chegaram filmando a reação eufórica dos fãs.

Em poucos instantes, a banda começou a mostrar o poder de seu power metal influenciado por Stratovarius, Helloween e Yngwie Malmsteen, com toques de hard rock, abrindo o set com Rebel, faixa de abertura de seu mais recente álbum, Ghost Town (2023) – cuja capa foi exibida no telão durante toda a apresentação. Esse mesmo disco foi o foco da última visita do grupo ao Brasil, quando o quinteto veio acompanhado de Rob Rock, vocalista cristão conhecido por sua carreira solo e por seus trabalhos como frontman de bandas como Impellitteri, Axel Rudi Pell, Driver, Fires of Babylon, Joshua Perahia, M.A.R.S., Warrior e Angelica.
Na primeira pausa, o sempre animado Christian declarou estar “muito feliz de estar de volta ao Brasil com o Bride e com o poderoso Stryper”. Em seguida, perguntou: “Vocês estão prontos para agitar com o Narnia? Estão prontos para agitar por Jesus Cristo?”, e anunciou No More Shadows From the Past, música que remete ao hard rock dos compatriotas suecos do Europe, presente no álbum de estreia do Narnia, Awakening, de 1997. Na sequência, vieram duas do penúltimo álbum, From Darkness to Light (2019): You Are the Air that I Breath (minha favorita do Narnia) e a não menos contagiante MNFST (abreviação de “Manifest”).

Se o Bride surpreendeu os fãs encerrando o show com Heroes, que não era tocada há décadas, o Narnia não ficou atrás e também apresentou uma novidade para o set. Christian anunciou que a banda lançará um novo álbum em 2026 e, em seguida, perguntou ao público se estavam preparados para o disco. Então, apresentou uma música inédita que fará parte do disco e que, pela primeira vez, era tocada ao vivo: Ocean Wide.
Após essa, Christian relembrou a primeira vez do Narnia no Brasil, em 2017, dizendo que não se esquece daquele momento – e se mostrou grato por isso. Também destacou que esta era a quarta visita da banda ao país. Na sequência, avisou que a próxima música era especial para ele: “É uma declaração de que morreremos e nunca voltaremos. Eu deixei o passado para trás”. Em português – assim como também cantou o refrão -, ele anunciou: “Vida longa ao rei“, em referência à faixa-título do segundo álbum de estúdio da banda, Long Live the King, de 1998. No decorrer dessa, Christian apresentou a banda, foi apresentado por Jono, e, com a música sendo tocada em volume mais baixo, conduziu o público a cantar “Vida longa ao rei”.

Já próximo do fim do show, o Narnia foi novamente acompanhado pelo público, que fez coro para a heavy/folk I Still Believe. Após Christian dizer que a banda retornará ao Brasil e fazer as considerações finais, o quinteto se despediu com Living Water, outra de Long Live the King. Foi engraçado quando nessa Christian e Jono fizeram uma dancinha desengonçada na hora do solo de CJ. Antes da tradicional foto com os músicos agachados e de costas para o público, Christian puxou coro para “Stryper” e “Jesus”, e o quinteto deixou o palco após 45 minutos de apresentação.

A partir de então, a ansiedade do público aumentou para ver a grande atração da noite: o Stryper. No início do mês, a banda informou que viria à América do Sul sem Oz Fox, por orientação médica – os profissionais recomendaram que o guitarrista evitasse compromissos extensos e fisicamente exigentes, como turnês prolongadas. Nos últimos anos, Oz passou por procedimentos cirúrgicos delicados, além de sessões de quimioterapia e radioterapia, para remover tumores no cérebro. Em maio de 2024, um exame de rotina identificou uma recidiva na mesma região, o que levou a uma nova cirurgia. Embora considerada menos invasiva, a operação ainda era necessária e acabou tirando o músico da turnê do álbum acústico To Hell with the Amps (2024). Para o lugar de Oz, o Stryper recorreu a Howie Simon – guitarrista que já trabalhou com Jeff Scott Soto, Talisman, Alcatrazz, Winger, Nelson, Tesla, Tuff, Phil Soussan, entre outros. Desde 2018, Howie tem mantido uma ligação com o Stryper, sendo chamado sempre que Oz não está apto a cumprir os compromissos da banda. Atente-se: ao final desta matéria, Howie ganhará um “destaque” à parte.

Às oito em ponto, Simon, Robert Sweet (bateria) e Perry Richardson (baixo) surgiram no palco e foram ovacionados. Com o tradicional logotipo do Stryper estampado no telão, o trio deu início à segunda versão da música In God We Trust – rebatizada com a sigla I.G.W.T. -, gravada no álbum Reborn (2005), que marcou o retorno oficial da banda às atividades após dez anos. A histeria aumentou quando o vocalista, guitarrista e principal compositor, Michael Sweet, entrou comandando o público a cantar a primeira estrofe da música, antes de executar os riffs iniciais, acompanhado de seus parceiros. Mantendo a boa forma física e vocal, além de seu talento como guitarrista (e solista principal), Michael distribuia caras, bocas e muita pose, mostrando não apenas pleno domínio de palco, mas também demonstrando, como sempre, ser um artista com uma aura diferenciada.

Com treze álbuns de estúdio de inéditas na bagagem – sendo o mais recente When We Were Kings, de 2024 – o Stryper preparou um repertório mesclado, com músicas de suas duas fases. A primeira da segunda era da banda foi Revelation, do álbum No More Hell to Pay, de 2013. Após essa, Michael falou com o público pela primeira vez e brincou ao explicar: “Nós somos o Stryper. Stryper com “Y” e não com “I”; somos Stryper e não striper”. E completou: “Quarenta e um anos… De Orange County, Califórnia. É bom estar de volta, Deus os abençoe!”. Em seguida, ele perguntou quantos ali presentes já tinham visto o Stryper ao vivo – e quantos nunca haviam assistido à banda até aquele momento.
O clima estava ótimo, mas deu uma leve “amarelada” (sem trocadilhos com as cores amarelo e preto que marcam a estética visual e instrumental da banda) quando Simon cometeu sua primeira bola fora da noite. Ele interrompeu a fala de Sweet tentando ser engraçado com o público: “Quantos aqui não entenderam o que ele disse?”, insinuando que os brasileiros talvez não entendessem inglês – e, portanto, não tivessem compreendido as perguntas do vocalista. De forma educada, mas com um sorriso também amarelo no rosto, Michael o interpelou e, em tom de brincadeira (nem tanto), lançou a tolha com a qual se secava no rosto do colega – gesto que foi imediatamente aplaudido com euforia por um público que parecia se sentir vingado do deboche. Quem não permaneceu no local após o final do show, talvez pense que há engano ou exagero no que estou reportando. Provavelmente até pensará: “Que nada, o cara sorria o tempo todo, parecia ser simpático”. Pois é, concordo: parecia…

Era interessante notar que, toda vez que Michael Sweet falava com o público, a parte loira da banda – Robert e Perry – aproveitava para brincar e interagir com a plateia por meio de gestos. Em uma dessas ocasiões, ele relembrou com bom humor os penteados que ele e seus companheiros usavam em 1986, comentando que aquela foi uma época em que a MTV ainda tocava música, e eles faziam parte da programação, chegando inclusive ao primeiro lugar durante aquele período mágico. Sua fala serviu de introdução para a adorável dobradinha de sucessos do clássico To Hell with the Devil (1986), sempre tocados em sequência: Calling on You e Free. Não houve quem não cantasse a plenos pulmões, atendendo ao pedido de Sweet.

Após a execução desses que estão entre os maiores singles do Stryper, chegou o momento que todo fã espera acontecer em um show da banda, que é quando Michael Sweet joga Bíblias para a plateia – antigamente era seu irmão, Robert, que descia da batera e ia ao centro do palco distribuir o Livro Sagrado. Exatamente por ser uma banda que nunca se limitou a tocar apenas para pessoas que seguem (ou não) a mesma religião, o Stryper ainda hoje é a banda que mais atrai o público secular. Assim sendo, até quem segue a banda única e exclusivamente pela qualidade de seu hard ‘n’ heavy, quer ter a sorte de conseguir pegar uma Bíblia em um show do Stryper para guardar de souvenir na coleção.

Depois de mais uma sequência com músicas das duas fases da banda, o Stryper infelizmente teve seu som comprometido durante a execução da faixa-título do já citado álbum No More Hell to Pay. Um ruído ensurdecedor irrompeu repentinamente pelos amplificadores e PAs. A banda ainda tentou continuar, na esperança de que a equipe técnica resolvesse o problema rapidamente. Ao perceberem que isso não aconteceria, os músicos interromperam a apresentação e deixaram o palco. Logo, um silêncio absoluto tomou conta do local. Pouco depois, a banda retornou, e Michael Sweet passou a interagir com o público enquanto orientava os companheiros a realizarem alguns testes. Com tudo resolvido, o grupo recomeçou No More Hell to Pay do início. Foi divertido ver Perry Richardson gesticulando para o público cruzar os dedos, torcendo para que não houvesse mais imprevistos.

Dali por diante, o show transcorreu tranquilamente, sem mais nenhum contratempo. A qualidade do som voltou ao nível que se mantinha antes da falha. Um dos comentários mais legais feitos por Michael Sweet aconteceu após um dos momentos em que o público entoou o tradicional coro “Olê, olê, olê, olê… Stryper, Stryper”. Depois de perguntar se todos estavam se divertindo, ele afirmou que adoraria vir ao Brasil todos os anos, pois há algo na paixão do público daqui pela música que o toca profundamente. Disse ainda que, a cada visita ao país, sente-se elevado a outro nível pela resposta do público. “É bonito de se ver e ouvir. Obrigado, gente!”.

Pulando já para a parte final do show, a banda se despediu com um de seus maiores sucessos: a música que dá nome ao álbum Soldiers Under Command, de 1985. Na volta para o bis, vieram duas das mais aguardadas de To Hell with the Devil: a cadenciada Sing-Along Song – com Howie fazendo bem o duo vocal com Sweet – e a própria To Hell with the Devil, conhecida por trazer uma das melhores e, tecnicamente, mais difíceis performances vocais de Michael Sweet. Claro que, hoje em dia, o fôlego e o alcance vocal de Michael já não são os mesmos, mas, experiente que é, ele admistra sua perfomance explorando outras variações melódicas que lhe permitem manter a qualidade sem se colocar em apuros – e sem fazer feio. Em quase uma hora e quarenta de show, nem a falha técnica durante No More Hell to Pay foi capaz de diminuir o impacto do ótimo show que a banda fez, mesmo sem a presença do sempre carismático Oz Fox. Como Michael Sweet adiantou em determinado momento da noite, entre outubro e novembro o Stryper lançará um novo álbum de estúdio – um bom motivo para que retornem ao Brasil assim que possível.

Eu poderia encerrar por aqui, mas, como disse anteriormente, falaria mais sobre Howie Simon. Tive a oportunidade de vê-lo no Brasil em 2002, quando ele acompanhou Jeff Scott Soto no show de estreia do vocalista em solo brasileiro – foram duas noites na Chopperia Orra Meu, em São Paulo. Naquela ocasião, não reparei no guitarrista mais do que enquanto ele esteve no palco. Desta vez, porém, ao lado de algumas poucas pessoas que permaneceram no local após o fim do show, presenciei um músico rude e visivelmente destemperado com quem o abordava com respeito e educação – pessoas que apenas queriam parabenizá-lo pela apresentação e dar as boas-vindas à turnê, ou, no máximo, tirar uma selfie.
Além de ignorar essas abordagens, no caso de um rapaz, chegou a deixá-lo no vácuo com a mão estendida querendo cumprimentá-lo. Mas o pior ainda estava por vir: no trajeto até a van que levaria a banda de volta ao hotel, Simon quase partiu para as vias de fato com outro rapaz, empurrando-o com o cotovelo no pescoço, enquanto despejava um verdadeiro sermão. Enquanto isso, o restante da banda – Michael, Robert e Perry – atendia os fãs com muita simpatia. Talvez eles não tenham notado o ocorrido, concentrados que estavam na interação com os fãs. Mas quem viu (inclusive este repórter) se indignou com o comportamento de Simon.

É uma pena que o Stryper – banda que, pessoalmente, costuma tratar os fãs com respeito -, na ausência do igualmente educado Oz Fox, esteja acompanhado de alguém tão despreparado emocionalmente para lidar com seus semelhantes nos bastidores. Ficou claro, inclusive, que o gesto de “como assim?” feito por Howie Simon para Michael Sweet durante o bis, no momento em que um roadie abasteceu o pedestal do microfone com palhetas (a pedido do próprio vocalista), era mesmo de reprovação, e não de brincadeira. Preocupante, pois a turnê pelo Brasil continua e, numa dessas, a banda pode acabar tendo sua imagem prejudicada por alguma outra atitude descabida do cidadão em questão. Lamentável.
No mais, tanto as bandas quanto a produção e a equipe técnica estão de parabéns por terem proporcionando um ótimo domingo ao público que compareceu à Vip Station.
*Em tempo, a equipe Roadie Crew manifesta nossas condolências aos irmãos Michael e Robert Sweet, do Stryper, que ainda estão no Brasil e, infelizmente, receberam a notícia de que o pai deles faleceu na noite desta terça-feira (28).

Stryper – setlist:
In God We Trust
Revelation
Calling on You
Free
Sorry
All For One
Always There For You
Divider
No Rest For the Wicked
No More Hell to Pay
More Than A Man
The Valley
Yahweh
Surrender
Soldiers Under Command
Sing-Along Song
To Hell with the Devil

Narnia
Rebel
No More Shadows From the Past
You Are the Air that I Breath
MNFST
Ocean Wide
Long Live the King
I Still Believe
Living Water

Bride – setlist:
Rattlesnake
Would You Die For Me
Beast
A Million Miles
Everybody Knows My Name
Scarecrow
Psychedelic Super Jesus
Heroes

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