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STRYPER / NARNIA – 14 de setembro de 2019 – São Paulo/SP

Havia muita desconfiança do público quanto à realização desse evento, devido ao cancelamento de alguns outros shows que seriam realizados esse ano pela mesma produtora EV7 Live. Com o anúncio da desistência do Tourniquet então, que em cima da hora refugou retornar ao Brasil depois de 24 anos de sua única visita, a preocupação aumentou. Felizmente, tudo deu certo com Stryper e Narnia, que desembarcaram no país e se apresentaram em São Paulo, no último dia 14 de setembro, antes de partirem para shows no Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG). O público paulistano, formado não apenas por fãs do metal cristão, como também por muitos do hard’n’heavy secular, que apreciam a música das duas bandas independentemente da temática religiosa, compareceu em bom número à Tropical Butantã. Símbolo maior do gênero, popularizado como white metal, christian metal ou gospel rock, o Stryper nos visitou pela quinta vez, agora pela “Hystory Tour – Greatest Hits & Covers that Influenced Our Generation” – nome auto explicativo para a nova turnê da banda de Orange County, que em 2018 lançou God Damn Evil, seu nono álbum de estúdio. Já o grupo sueco Narnia, que em 2017 estreou no Brasil e aproveitou sua passagem por Belo Horizonte (MG) para gravar o álbum ao vivo We Still Believe – Made In Brazil, que chegou ao mercado no ano passado, retornou ao país, dessa vez para divulgar o recém lançado From Darkness to Light.

Após introdução mecânica, o Narnia abriu a noite mostrando seu heavy/prog com toques de hard rock, executando a pesada e visceral A Crack in the Sky. Primeiro single/clipe do novo álbum, essa música caiu muito bem para a abertura do show. Christian Liljegren Rivel (vocal), CJ Grimmark (guitarra), Jonatan Samuelson (baixo), Martin Härenstam (teclado) e Andreas “Habo” Johansson (bateria) foram exaltados pelo público, fruto da forte conexão que a banda tem estabelecido com o Brasil desde sua visita anterior, reforçada agora por estar lançando aqui os mencionados From Darkness to Light e We Still Believe – Made in Brazil, bem como seu penúltimo e homônimo álbum de estúdio, de 2016, através da parceria entre os selos Voice Music e Musik Records. Contando com ótima qualidade de som, o Narnia mandou a veloz Sail Around the World, de Course of a Generation (2009), e a cadenciada The Mission, de Long Live the King (1998), que foi o álbum mais lembrado no repertório. Na primeira pausa, o simpático e comunicativo Rivel rasgou elogios: “Sabe, as pessoas daqui, com sua paixão e coração pela música e pelo metal, é algo maravilhoso. Brasil, estamos de volta!”, vibrou.

Além do talento vocal absurdo de Rivel, frontman de bandas como DivineFire, Wisdom Call, 7Days, Audiovision e uma que gosto muito, o Golden Ressurrection, que tinha na guitarra Tommy Johansson (Sabaton), chamou bastante a atenção também as performances do empolgado Härenstam e CJ Grimmark, guitarrista de mão cheia. Dono de solos bastante melódicos e limpos, o “quase sósia” do ator Bruce Willis, lançou em 2007 seu próprio álbum, simplesmente intitulado Grimmark. Dando continuidade, a rápida I Still Believe, de Narnia, foi acompanhada nas palmas e aos coros pela plateia. Outra nova, You Are the Air that I Breathe, de viés hard rock, deixou o refrão martelando na minha cabeça. Nela, o grande destaque foi Habo, que sentou o braço na batera. Ainda sobre esse segundo single de From Darkness to Light, cabe um elogio ao Narnia, que, assim como no clipe da citada A Crack in the Sky, demonstrou ter um carinho especial pelo mercado latino-americano ao disponibilizar legendas em português e em espanhol.

Em Shelter Through the Pain, Rivel aproveitou para apresentar a banda, enquanto que Grimmark foi matador nos solos. Essa, também de Long Live…, teve uma recepção tão boa quanto Reaching for the Top, de Narnia, que começou com o refrão do hino We Will Rock You do Queen. Um momento ímpar aconteceu na balada The War that Tore the Land, outra nova, que tem uma mensagem bem forte. Contando com o vocal e o coral feminino infantil original disparado no sampler, o refrão foi um verdadeiro louvor, com banda e público cantando “aleluia” repetidas vezes, em uníssono, como um mantra. Grimmark a finalizou pondo-se de joelhos, como se estivesse agradecendo aos céus. Após mais algumas, a banda atendeu ao pedido dos fãs e tocou a própria Long Live the King, agora com Rivel trajando uma jaqueta com o nome da música (ou do disco) nas costas. Para finalizar, o quinteto mandou Inner Sanctum, de Desert Land (2000), e, com Rivel agora vestido com a camisa da Seleção Brasileira de Futebol, mais uma de Long Live…, Living Water, cópia descarada de Yngwie Malmsteen. O Narnia se despediu tendo a certeza de ter arrebanhado novos fãs, tamanha a ovação do público.

Meia hora. Foi o tempo que separou a despedida do Narnia e o início do show do Stryper. Tempo suficiente para que eu me dirigisse ao backstage e batesse um papo com o entusiasmado C.J. Grimmark, músico claramente influenciado por seus conterrâneos Yngwie Malmsteen e John Norum, músico do Europe. E ele falou da sensação de estar novamente em São Paulo: “Foram dois anos e meio desde nossa última visita e estávamos sentindo saudades daqui. Não foi nada menos do que fantástico reencontrar o público brasileiro, porque vocês são muito apaixonados. O que quero dizer é que tocar aqui é como uma grande festa”, vibrou. Sobre o ao vivo We Still Believe – Made In Brazil, o líder do Narnia relembrou: “Também foi uma noite fantástica. Era o último de oito shows que fizemos entre Brasil e Argentina. A plateia foi fantástica e o local (A Autentica) era ótimo”, finalizou. Depois dessa conversa, CJ partiu com seus companheiros para o stand de merchandising do Narnia, para confraternizar com os fãs. Enquanto conversávamos, percebi a empolgação dos músicos do Stryper, que aqueciam, se concentravam e se cumprimentavam, prontos para entrarem em ação.

De volta ao ‘front’, vi uma plateia ansiosa para conferir o Stryper, que há cinco anos não vinha ao Brasil. Muitos (inclusive este repórter) estavam na expectativa de conferir a estreia do simpático ex-baixista do Firehouse (banda de hard rock que fez muito sucesso no país na primeira metade dos anos 1990) Perry Richardson, que em 2017 assumiu a vaga de Tim Gaines, membro da formação original. Também havia muita preocupação com a saúde de Oz Fox, que optou por cumprir a turnê sul-americana ao lado de seus companheiros Richardson e os irmãos Sweet, Michael (vocal e guitarra) e Robert (bateria). Após sofrer convulsões no palco em 2018, o guitarrista foi diagnosticado com dois sérios tumores na cabeça. E o que deixou os fãs ainda mais aflitos é que, recentemente, Fox e sua esposa Annie Lobert revelaram que, apesar da varredura realizada em julho último apontar que o glioma de baixo grau na parte traseira do cérebro apresenta o mesmo tamanho (1,7 centímetro), o neuroma acústico que era de 2,2 aumentou em 0,5 em relação ao exame feito em agosto de 2018. Ao final da passagem de som, conversei rapidamente com o compenetrado e visivelmente mais magro Oz Fox. Apesar de parecer cansado, ele disse que estava bastante feliz e ansioso pelo show.

A plateia ficou eufórica quando as luzes da Tropical Butantã se apagaram e o som mecânico disparou Battle Hymn of the Republic (Glory, Glory Hallelujah). A histeria foi geral quando o Stryper surgiu no palco, principalmente Michael Sweet, que entrou depois dos outros três, arremessando uma bíblia em direção à pista. Finalizada a introdução, Michael, Oz, Perry e Robert deram início, agitando o público com a clássica Soldiers Under Command, do homônimo debut de 1985. Voltando mais ainda no tempo, revisitaram o EP The Yellow and Black Attack de 1984, com a energética Loving You. Foi um alívio ver Fox se divertindo no palco, tocando normalmente, mandando bem não só na guitarra, como nos vocais de apoio, com a mesma competência de sempre. Vale informar que, quando Michael deixou a banda em meio a turnê do álbum Against the Law (1990) em 1992, antes do Stryper encerrar as atividades os remanescentes fizeram alguns shows em trio, com Fox assumindo o microfone por um período de quatro meses, sem deixar nada a desejar ao, até então, ex-vocalista do grupo.

Antes da próxima, Michael disse que a banda estava feliz de estar de volta à São Paulo após tanto tempo e elogiou os fãs paulistanos por serem apaixonados pela música de sua banda. Perguntou também quem ali nunca tinha visto o Stryper e quem, assim como ele, sentia saudade da década de 1980, particularmente do ano de 1986, em que vocalistas e guitarristas brilhavam e as bandas apareciam na MTV. Foi o gancho para uma trinca do álbum To Hell with the Devil: Calling On You, Free e More Than A Man, essa com o guitarrista e tour manager da banda, o brasileiro Mike Kerr, que mora nos Estados Unidos e integra a banda Firstbourne. Antes, porém, Kerr, que participou de Ten, novo álbum solo de Michael Sweet, falou do prazer de estar com o Stryper e também de reencontrar alguns amigos no show. Sem entender o que foi dito, Michael brincou: “Ele falou que Robert Sweet é o melhor baterista do mundo!”. Falando em Rob, que está longe de aparentar 59 anos de idade, ele ainda toca absurdamente bem e seguiu com suas tradições: tocou com a bateria virada de lado, agitou o tempo todo e distribuiu bíblias ao público. Ainda sobre as tradições do Stryper, apesar de hoje o visual da banda ser mais discreto, continua baseado nas cores amarelo e preto, inclusive os instrumentos de corda e o microfone de Michael. Aliás, o frontman fez uso de um tablet, que estava apoiado atrás de uma placa com o número bíblico 777, para se lembrar de algumas letras.

Pena que do citado Against the Law (meu favorito), o quarteto só tocou All For One. Seria muito legal se incluíssem no set músicas como a própria Against the Law, Two Time Woman, Rock the People, Two Bodies (One Mind One Soul), Not That Kind of Guy ou até mesmo a balada Lady ou o cover Shining Star, do Earth, Wind & Fire. Uma das mais legais foi a ótima Surrender, de Soldiers Under Command. Ao final dela, Michael apresentou a banda. Foi comovente ver o quão aplaudido Oz Fox foi. Ao falar de Richardson, Sweet falou do Firehouse, largou a guitarra e anunciou a instigante All She Wrote, hit lançado em 1990 pela ex-banda do baixista, em seu homônimo debut. Sem sofrer alterações, All She Wrote ficou muito legal com o Stryper. Em sua primeira fase, o Stryper era muito conhecido também por suas baladas. A mais famosa delas, Honestly, de To Hell with the Devil, foi incluída no set (com o piano rolando no sampler e Michael ainda só no vocal) e emocionou à todos. Depois foi a vez de a banda revisitar seu álbum de sonoridade mais comercial: In God We Trust (1988). Primeiro veio a música de mesmo nome, só que na versão mais pesada, lançada em Reborn (2005) – álbum que marcou o retorno do Stryper às atividades -, e depois a contagiante e inesquecível Always There For You, um dos maiores hits da carreira.

Se até essa parte do show o Stryper havia celebrado o seu próprio passado, nas duas músicas seguintes, a pesadíssima Sorry – baseada num ‘riffão’ em que Sweet e Fox mandam ver no ‘palm-mute’ (técnica de abafar as cordas com a mão da palhetada) e com Robert sendo cavalar nos bumbos – e a não menos rígida Yahweh, música de refrão épico, mostrou um pouco de seus trabalhos mais recentes, o atual God Damn Evil e o anterior Fallen (2015), respectivamente. Pra fechar o set, uma das melhores músicas do Stryper: Sing-Along Song. Como sempre, destaca-se nela não só o refrão, que foi cantando em alto e bom som pelo público, mas também o duo vocal entre Michael e Oz, igualmente afiados na divisão de solos. Isso sem falar na performance de Robert, que aumentou o ‘punch’ nessa música de To Hell with the Devil, que, de longe, foi o álbum mais revisitado. A obscura introdução Abyss (To Hell with the Devil) rolou nas caixas de som, prenunciando o retorno de Fox, Richardson e dos Sweet, que ressurgiram no palco com The Valley, um dos carros-chefes do novo álbum. Em seguida, tocaram a aguardada To Hell with the Devil, para euforia foi geral, inclusive de Oz Fox, que não se conteve e a tocou dançando. Ao final, o público fez o tradicional coro “Olê, olê, olê, olê… Stryper, Stryper”. Em retribuição, Michael Sweet proferiu algumas palavras em nome da banda e se despediu, acompanhado de seus ‘bandmates’.

Assim que o show acabou, retornamos ao backstage e batemos um papo com a banda. Apesar de bem cansado, Fox estava sorridente e agradecido. Perry caiu na risada ao se lembrar de um fato que aconteceu horas antes do show. O auxiliar de produção da EV7, um dos membros principais da página Stryper Brasil e eu, o comparamos com o cantor Ovelha. Ele riu e cantou a versão original de More Than I Can Say, do The Crickets (banda de Buddy Holly), em cima do vídeo que lhe mostramos da versão de Te Amo, Que Mais Posso Dizer? gravada pelo cantor brasileiro. Michael Sweet nos agradeceu pela entrevista que fizemos durante a tarde, em que ele falou do riff de Soldiers Under Command, que integra a edição atual da ROADIE CREW, #248, especial sobre riffs. Por fim, seu irmão, que estava com muitas dores por ter cortado feio um dos dedos da mão enquanto tocava, deixou um recado: “Aqui é Robert Sweet do Stryper, toco bateria na banda. Tivemos uma noite incrível hoje e ainda estamos nos divertindo. Temos vários amigos aqui e os melhores fãs do mundo. Como vocês sabem amo Jesus, mas também gosto de tocar rock and roll bem alto, isso é maravilhoso e faremos até não conseguirmos mais tocar. Continuaremos na área e voltando ao Brasil cada vez mais. Amamos Jesus e amamos vocês, que são os melhores. Deus os abençoe. Nos vemos em breve!”. Amém, Robert!

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