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SUICIDAL ANGELS: Thrash Metal Em Tempos De Agressão

O maior nome do thrash metal da Grécia ataca com seu sétimo álbum de estúdio

Dentre as bandas de thrash metal, sempre houve uma espécie de uma linha demarcatória, que colocava de um lado as bandas mais voltadas para o som clássico do heavy metal, e aquelas que levaram a sua música até o limite máximo da fronteira com o death metal. Sadus, Demolition Hammer, Destruction, Sepultura, o final da década de 1980 e início de 1990 foram ricos nessa sonoridade, que meio que ‘adormeceu’ durante quase uma década, salvo raras (e ótimas!) exceções. O grego Suicidal Angels, liderado pelo guitarrista e vocalista Nick Melissourgos, sempre guiou sua música para estes lados, como ele nos contou. Mais do que falar, é isso que ele e seus parceiros mostram em Years Of Aggression, sétimo e mais recente álbum de estúdio da banda. Confira abaixo o que Nick tem a nos dizer sobre esses quase vinte anos de agressão thrash!

São vinte anos derramando thrash metal pelos palcos do mundo todo, uma grande conquista para uma banda nos dias atuais. Quando você olha para trás, você sente o tempo que passou, ou foi tudo rápido demais?

Nick Melissourgos: Eu diria que foi mais a segunda opção (risos). Realmente foi muito, muito rápido. Eu nem mesmo consigo acreditar que já estou com 36 anos (risos). Tudo parece realmente muito recente, quando olho para trás é como se tudo tivesse acontecido ontem. Todas essas turnês que fizemos, os palcos em que tocamos, as confusões em que nos metemos, tudo está muito fresco na minha memória, é difícil colocar uma data nos eventos para lembrar exatamente de quando foram. É por isso que costumo guardar cartazes e outras recordações das turnês que fazemos, pois assim eu posso revisitar aqui, olhar e pensar ‘porra, já passaram quinze anos’ (risos). Mas eu também posso dizer que, ao olhar para trás, para os melhores e os piores momentos, não tem nem uma única coisa que eu gostaria de mudar, mesmo dos erros mais idiotas que cometi. Tudo está e deve estar para sempre lá, pois é a soma de todas essas coisas que faz de nós quem somos hoje. Não apenas como banda, mas também como pessoas.

Com certeza. É interessante sentir essa convicção nas suas palavras. Mas acho que sempre foi assim, certo? Afinal, você começou essa banda quando tinha apenas 16 anos, certo?

Nick: Isso, em 2001, eu ainda estava na escola. E também posso dizer que foi na época em que todas as pessoas estavam dizendo que o thrash metal estava morto. Se puxar na memória, você vai perceber que fazia sentido, pois ninguém estava fazendo thrash metal. Existia apenas alguns discos sendo lançados pelos grandes nomes, as bandas não estavam surgindo aos bocados. A cena estava quebrando em pedaços.

Sim, isso foi se agravando por todos os anos noventa, ficou uma grande lacuna que era preenchida basicamente por bandas ‘festivas’ de thrash metal, que nunca foi o que realmente gostei.

Nick: Nem eu, esse não é realmente o meu tipo de coisa. Por isso eu tinha uma ideia muito clara do que queria com a música do Suicidal Angels, não era para ser uma dessas bandinhas de cerveja e festinha. Thrash metal é algo mais sério. Pelo menos, na minha vida sempre foi assim.

Entendo, eu sempre fui mais voltado para Sadus, Demolition Hammer, Devastation, Sepultura, e a cena alemã, essas coisas.

Nick: Sim, exatamente, essas são as minhas principais referências também.

Faz sentido, acho que por isso sempre identifiquei o Suicidal Angels mais com essas bandas do que com muitas outras mais proeminentes da Bay Area (EUA).

Nick: Sim, e vou ser completamente honesto com você: nós nunca nos interessamos por fazer nenhum tipo de estereótipo, nunca nos interessou. Nós começamos a tocar thrash metal simplesmente porque era isso que amávamos! Nós tocamos thrash do jeito que gostamos, e gostamos dele violento e perigoso. O meu primeiro disco de thrash foi o Show No Mercy do Slayer, e quando eu ouvi aquilo eu fiquei muito impressionado, soava terrificante e mal, e era isso que eu queria! Eu tive aquele início quase que natural, comecei ouvindo metal clássico, Iron Maiden, Judas Priest, todas essas coisas, Blind Guardian. Eu estava no começo da minha adolescência e tinham alguns garotos mais velhos na escola que curtiam metal. Eram meus amigos, claro, e eu pedi que um deles, que considerávamos o especialista, me indicasse uma banda mais pesada que tudo aquilo, algo que eu ainda não tivesse ouvido. Foi ele que me emprestou o Show No Mercy, e eu quase roubei o disco dele (risos). Eu comecei a perguntar sobre isso para ele, e então ouvi o termo thrash metal. Daí vieram Sadus e Demolition Hammer, e em seguida toda aquela coisa do death metal da velha escola.

É daí que vem essa aura mais extrema que permeia a música de vocês.

Nick: Sim, dessa mistura profunda de thrash com death metal. Mas não é só isso, nós também sempre trazemos músicas mais cadenciadas e pulsantes em nossos discos, e essa variedade também vem dos discos clássicos de death metal. Eles eram ótimos em colocar andamentos diferentes nas músicas para cativar o ouvinte.

Você diria que essa variedade de elementos é um compromisso seu com a música?

Nick: Sim, mas não é algo que eu faço de propósito. É clichê, mas é algo que nasce naturalmente, pois não é como se eu sentasse e dissesse ‘ok, agora vamos fazer uma música rápida’. É uma coisa que vem com o fluxo do momento, uma onda que vem crescendo pela alma e indo para fora, para a guitarra, etc. Eu nunca coloco nenhum tipo de pressão sobre a maneira como devemos compor, tudo tem que ser natural, pois eu sinto que se fizesse isso, tudo o que produziríamos seria uma cópia do passado, ou um tipo de padrão que todo mundo finge amar e que nós intimamente não damos a mínima. Tem que vir da alma. A música se move conforme o humor, você não está correndo o tempo todo. Não padronizamos a nossa música.

Sempre foi assim?

Nick: Sim, sempre. E continuará sendo, pode ter certeza. Vou lhe dizer uma coisa, lançamos Years Of Aggression em 2019, e se eu não sentir que tenho as músicas certas para um próximo registro, simplesmente vou esperar. Nós vamos esperar até termos as ideias certas para fazer um álbum no qual acreditamos. Sem datas, sem pressão. Essa tem sido uma constante nessa nossa caminhada de vinte anos.

Sendo assim, quando sabe que é o momento certo de começar a compor um álbum?

Nick: Eu nunca paro de compor. Da forma como escolhemos trabalhar, essa é a única maneira de funcionar. Não dá para sentar e esperar que as ideias venham, então, quando elas vêm, eu simplesmente corro para registrar as ideias.

A capa de Years Of Agression foi mais uma vez criada por Ed Repka, certo?

Nick: Ele é um artista fantástico, tem um currículo surpreendente, e eu realmente amo o estilo dele. Se você observar os trabalhos que ele fez conosco antes, e também o que ele fez para tantas outras bandas, perceberá que o traço é muito característico, você sabe que é uma arte dele, mas elas têm uma vibração diferente. É isso que me apaixona, quando ele trabalha com o Suicidal Angels, ele encapsula a essência da banda na sua arte, o que está na capa de Years Of Aggression é a essência da banda que somos!

E esse é um trabalho muito difícil, captar a essência de uma banda/álbum e converter em uma imagem estática. Vocês costumam conversar com ele antes, discutir ideias?

Nick: Usualmente tudo o que fazemos é passar para ele o nome do álbum, e talvez, apenas talvez nós demos uma dica muito pouco precisa do que queremos. Ele faz alguns rascunhos, mostra-nos, e talvez tenha alguma alteração, mas na maioria das vezes nós simplesmente olhamos e pensamos ‘que porra é essa, está incrível!’

O que você pode nos dizer sobre a música Years Of Aggression, que inclusive serviu para batizar o álbum?

Nick: Bem, ela é uma canção midtempo, baseada em bastante ‘groove’ e com camadas diferentes de vocais no refrão, pois queríamos algo ‘épico’, por assim dizer. Ela basicamente descreve a mutilação das gerações mais jovens pelas pessoas que nos entregaram o mundo nessa situação atual, o mundo em que nascemos. Parece que com tantas guerras as pessoas ficaram mais insensíveis, elas colocam seus filhos no mundo sem pensar, sem se importar, um mundo de filhos da guerra. Os pais nem explicam o que foi a guerra, não debatem, não dizem nada, nós somos jogados em um mundo que tem um monte de sujeira escondida sob o tapete e no qual estamos largados a própria sorte. Basicamente é isso.

Outra que amo é The Roof Of Rats.

Nick: Essa é uma das minhas favoritas também, tem muito groove, é um típico thrash violento, não? (risos). Infelizmente, ela tem a ver com um tema pessoal. Ela é dedicada ao meu melhor amigo de muitos anos, alguém que se mostrou ser o meu pior inimigo, alguém muito pior do que todos os outros, então, espero que ele saiba quem é.

Uma mensagem final para os seus fãs no Brasil?

Nick: Fiquem firmes naquilo que acreditam, Não se deixem ser enganados, sejam pessoas de mente e caráter forte, isso é o principal no mundo de hoje, amigos. Esperem pelo Suicidal Angels no Brasil, pois estamos loucos para tocar aí!

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