SYMPHONY X – SÃO PAULO (SP)

20 de março de 2026 – Tokio Marine Hall

Por Fernando Queiroz

Fotos: Belmilson Santos

Trinta anos de estrada! Como o próprio Russell Allen notou, muitos ali nem sequer tinham nascido quando o Symphony X começou. E lá estavam eles em São Paulo, uma das cidades que mais recebeu a banda em sua história, comemorando essa ocasião tão especial. São trinta anos de metal progressivo que os transformaram em um dos nomes mais influentes do gênero. É verdade que são presença constante no país, e não fazia muito tempo que estiveram por aqui – a última foi em 2024 –, mas, dada a ocasião, poderíamos esperar um repertório bem diverso e passeando por toda sua trajetória. Sim, foi o que tivemos naquela cerca de uma hora e quinze minutos de show. Mas fizeram jus ao marco? Vamos ver!

O público demorou a chegar. Com a abertura das portas do Tokio Marine Hall prevista para às 20h daquela sexta-feira – um horário não muito bom, mas compreensível para o dia –, era de se esperar que, dada a grandeza da banda, já houvesse fila um pouco antes. Mas a fila era, incrivelmente, pequena. Foi bem em cima da hora que começou a ter mais movimento, e com o atraso que houve para abrirem, de cerca de dez minutos, foi se acumulando ali uma boa quantidade de pessoas. A fila andava, mas ia se “renovando” enquanto isso. Não demorou a ter uma quantidade considerável de gente no lobby da casa – em especial, pois não eram muitos que tinham interesse em ver a peculiar atração de abertura. Falaremos desse (ótimo, não tenha dúvidas) artista agora.

No horário previsto, Andy Addams e sua banda subiram ao palco para um público ainda pequeno e tímido. Um guitarrista que faz músicas instrumentais apenas, por melhor que seja, dificilmente vai conquistar um público que está no evento para ver uma banda com vocais marcantes, em especial quando se trata do vocal em questão. Mesmo assim, não fez feio, e entregou o que propunha com muito esmero para os que estavam lá. Extremamente criativo e competente, ficou aparente que suas composições são no estilo “trilha sonora”. Aliás, seu próprio estilo visual no palco tem algo “cinematográfico” ou “broadway” – em especial seu visual, com um colete que piscava luzes de neon no ritmo das músicas. Ele também soube como alegrar o público no final, fazendo um medley das músicas dos animes Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball Z, extremamente populares por aqui. Foi uma boa apresentação, mas um tanto fora de lugar. Quando esse mesmo Andy aqui esteve para abrir o show de Kiko Loureiro, no ano passado, estava em um ambiente mais propício para seu tipo de música.

Foi também no horário certo que, após um breve intervalo, as luzes se apagaram, e o Symphony X começou seu show. A comemoração de trinta anos de banda implicava, naturalmente, em um passeio por sua história e por seus nove discos de estúdio lançados até agora. Vale dizer, essa discografia é uma das poucas cuja maioria dos fãs considera não ter um trabalho realmente ruim – alguns mais bem sucedidos que outros, mas sempre mantendo um bom nível. Por isso, qualquer que fosse o setlist escolhido, ruim não teria sido.

Mas uma ocasião especial pede clássicos, e eles sabiam disso. Ótima foi a escolha, por exemplo, da abertura, com Of Sins and Shadows, uma das mais famosas de The Divine Wings of Tragedy (1996) – aliás, o disco mais contemplado da noite. Nela, Russell Allen já entrou mostrando a que veio, agitando o público e interagindo com direito a “reboladas”; mas seu forte é a voz, e é nisso que ele se sobressai. Ao longo do repertório, que realmente contemplou quase toda a carreira do grupo, com clássicos como Sea of Lies, Evolution (The Grand Design) e Smoke and Mirrors, dentre outras, ele ia do mais grave ao mais agudo com muita facilidade, sem perder o drive. A banda também estava afiada, em sua maioria. Destaque para, claro, Michael Romeo, líder e principal compositor, que é um subestimado guitar hero. Quase tudo incrível! Quase…

Porém, não foi tudo perfeito. O baterista Jason Rullo parecia estar com algumas dificuldades. Ele se embolou em algumas partes, em especial quando os pedais duplos eram mais rápidos, e em alguns momentos parecia perder um pouco o tempo. No geral, não foi algo que impactou muito a performance. Diferentemente do setlist.

Embora fosse um bom repertório e, como dissemos, contemplando a maior parte da carreira, uma comemoração de trinta anos de carreira merecia algo maior. Apenas uma hora e quinze minutos de apresentação, contando com a longa e, diga-se, de passagem, muito bem colocada e emocionante fala de Russell Allen antes do bis, logo após Nevermore. Deixaram de fora os dois primeiros discos da banda, seu homônimo debut, e The Damnation Game; o primeiro, compreensível, já que não foi Russell quem gravou, mas o segundo já era com ele, poderiam ter incluído ao menos uma se tivessem feito apenas alguns poucos minutos a mais de show – fechado magistralmente com Set the World on Fire (The Lie of Lies).

No mais, há de se dizer que essa turnê foi, para todos os efeitos, “esporádica”, já que a banda está em processo de produção e gravação de seu vindouro álbum. Dito isso, é compreensível ser um setlist em menor escala, mesmo que para os fãs isso seja um pouco decepcionante. A performance, porém, compensou e a escolha certeira das músicas, idem.

Agora, é esperar para ver o que a banda irá nos apresentar no futuro (esperamos que) próximo. O novo disco, segundo já foi falado em entrevistas, é previsto para sair esse ano, e dado o longo intervalo de onze anos desde o lançamento de Underworld, em 2015, é difícil saber que rumo tomarão. O que é certo é que será algo grande! E que passem novamente por aqui!

Setlist

Of Sins and Shadows

Sea of Lies

Out of the Ashes

The Accolade

Smoke and Mirrors

Evolution (The Grand Design)

Communion and the Oracle

Inferno (Unleash the Fire)

Nevermore

Without You

Dehumanized

Set the World on Fire (The Lie of Lies)

 

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