THE GATHERING – SÃO PAULO (SP)

15 de outubro de 2026 – Audio

Por Fernando Queiroz

Fotos: André Santos

Algumas vezes, me vejo privilegiado e me sinto feliz por isso. Ver, ao meu redor, quase quatro mil pessoas igualmente privilegiadas, é algo ainda mais deleitoso. Foi essa a sensação que tive em uma plena quinta-feira, assistindo uma banda histórica, no sentido literal da palavra, tocar para uma casa cheia em São Paulo. The Gathering não voltou, infelizmente, em definitivo com sua formação clássica, mas poder vê-los com a icônica Anneke Van Giersbergen, ao menos uma vez, é exatamente isso: um privilégio – ainda mais em se tratando de uma comemoração a um disco tão icônico como é Mandylion, seu terceiro trabalho de estúdio, e aquele que, muito antes de gigantes atuais como o Nightwish despontarem, os colocou no auge nos idos de 1995.

Aqui entre nós, fiel leitor, The Gathering é uma banda subestimada. Influenciou uma imensa parte dos atuais nomes do gênero, e até de outras vertentes, mas é pouco lembrada pelo público geral; por isso, acredite quando eu digo que quem estava lá era realmente fã! Pois bem, para todos os efeitos, por esse e mais tantos motivos, podíamos ter a certeza que era um evento, no mínimo, que gerou altas expectativas. Então, consigo entender o grande público presente, embora não esperasse tanto. Um ótimo sinal, vale dizer.

“A pontualidade é a alma do negócio”. Não é exatamente essa a frase original, mas como já batemos muito aqui na tecla da pontualidade e do bom horário, que por muitas produtoras não são respeitados, a Honorsound (e outras, como a Overload, verdade seja dita) deu uma aula. Nove da noite, momento agendado para o início da apresentação, é um horário que dá tempo suficiente para uma pessoa sair do trabalho, chegar em casa, tomar um banho, se vestir e ir para o show. Melhor ainda, foi tudo respeitado com pontualidade, organização e respeito para com o público. Nota dez, até aqui.

E era o momento, finalmente, de termos o tão aguardado show. Pela primeira vez no Brasil com Anneke Van Giersbergen nos vocais, The Gathering no palco, diretamente dos Países Baixos (ou Holanda, como preferir)! Logo de cara, ao abrirem o show com Eleanor, faixa do álbum comemorado, o que ficou claro é o perfeccionismo da banda, e em especial de Anneke. Era como ouvir o disco, sem pôr nem tirar! Raramente improvisava em alguma passagem, e os próprios instrumentistas fizeram um trabalho de timbragem próximo ao que foi feito em estúdio. E assim se seguiu durante a apresentação.

Outro ponto interessante foi a presença de palco dos músicos. Embora hoje tenham um visual menos “dark”, por assim dizer – na verdade, usam roupas coloridas, e a própria vocalista tem uma certa identidade estética de “tia”, com vestimentas prateadas e douradas, bem chique –, enquanto tocavam, encarnavam as canções, pareciam voltar àqueles tempos. E isso mostra que essa reunião, mesmo que temporária, foi feita com muito amor e dedicação.

Claro, como Mandylion, reproduzido na íntegra, só tem oito faixas, embora longas, não ficaríamos só nele. Outros álbuns foram contemplados, todos da era de ouro do grupo, quando estavam definindo seu estilo único, misturando gothic metal com rock progressivo (sim, é um som bem maluco e que até hoje ninguém conseguiu fazer parecido). Tivemos músicas marcantes, como On Most Surfaces (Inuit) e a fantástica Broken Glass, além de termos sido privilegiados com duas surpresas: Liberty Bell e Third Chance; ambas não eram tocadas ao vivo desde 2007, por qualquer formação que a banda tenha tido, e nem sequer nessa turnê de reunião. Novamente, privilégio! É claro, também, que fechariam a apresentação com a clássica Saturnine, provavelmente sua música mais querida, presente no disco if_then_else, de 2000.

Se futuramente vão mudar de ideia e voltar de vez à ativa com essa formação, não dá para saber; a princípio, não, infelizmente. Mas de toda forma, foi um prazer, um privilégio e uma oportunidade única – afinal, mesmo que resolvam voltar pra valer, não será numa comemoração a esse importantíssimo álbum. Quase duas horas de show muito bem apresentado, com uma fantástica produção, tanto de som quanto de palco, e um setlist irretocável.

 

 

Setlist

Eleanor

Fear the Sea

In Motion #1

On Most Surfaces

Broken Glass

Waking Hour

Probably Built in the Fifties

Liberty Bell

Analog Park

In Motion #2

Leaves

Sand and Mercury

Strange Machines

Travel

Third Chance

Saturnine

 


?
 Clique aqui e siga o CANAL “Roadie Crew” no WhatsApp

? Clique aqui e faça parte do GRUPO da ROADIE CREW no WhatsApp

 

ANDRESANTOSMNP

 

Compartilhe:
Follow by Email
Facebook
Twitter
Youtube
Youtube
Instagram
Whatsapp
LinkedIn
Telegram

MATÉRIAS RELACIONADAS

DESTAQUES

ROADIE CREW #293
Julho/Agosto

SIGA-NOS

61,6k

59k

16,9k

1k

24,6k

Escute todos os PodCats no

PODCAST