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THE LOW-END BASTARD: A ONE MAN BAND SEM GUITARRAS, MAS COM TODO O PESO DO CONTRABAIXO

Por Alessandro Bonassoli

Quem ouve a acompanha o lado pesado da música está acostumado aos muitos dogmas do estilo. O mais básico é que heavy metal se faz com uma banda – cujo formato convencional inclui pelo menos três integrantes. Outra regra histórica é que, seja o famoso power trio, quarteto, quinteto ou qualquer outra formação, a parte instrumental das músicas é tocada basicamente com guitarras, baixo, bateria e teclado. É proibido quebrar essa tradição? Não. Existem exemplos de artistas que fogem à essa definição, como o norueguês Morgul. Mas, convenhamos, não é algo assim tão comum. Sem a intenção explícita de mudar isso, surgiu em Jundiaí (SP) o The Low-End Bastard, projeto de Fábio Bueno, que, em meio aos muitos dias de isolamento provocados pela maldita pandemia da COVID-19, resolveu “desenferrujar” e voltar a fazer música. Não exatamente como nos tempos em que integrou as formações do Doomonic, Moriendi, Nox Eterna e Folklord. Baixista desde que se iniciou no underground, desta vez ele resolveu encarar o desafio de ser uma one man band sem o uso de guitarras. A ROADIE CREW conversou com ele para saber mais detalhes.

O álbum “Last Days Of Sanity” foi disponibilizado em streaming em 2022, mas a trilha do The Low-End Bastard iniciou antes. Quando e como começou o projeto?

Bueno – Esse é o primeiro álbum do projeto The Low-End Bastard, que foi iniciado em meados de 2021 com a ideia de ser uma one man band que faz um som pesado mesclando algumas influências do doom Metal, death metal e industrial.
O grande diferencial, a meu ver, é a questão dos instrumentos. Ou melhor, do instrumento. Fale um pouco mais sobre isso.

Bueno – Todas as composições foram gravadas utilizando apenas o contrabaixo como único instrumento de cordas, Isso ficou definido depois de vários testes com os quais consegui simular um timbre muito próximo ao de uma guitarra distorcida.

E a parte lírica? Quais são as temáticas que você explora?

Bueno – As letras, em sua maioria, falam sobre uma fase muito difícil que passei da minha vida relacionada ao estado de saúde do meu pai, relatando alguns momentos de depressão e pensamentos suicidas. Outra parte é mais de ordem política e demonstram a indignação com o governo.

Além do álbum, você já lançou quatro singles (“Lost…”, “My Images”, “Controlling Your Mind” e “One More Day Of Pain”) e dois EPs (“Fragments Of My Mind” e “Madness”). Tudo isso no último ano da pandemia e no primeiro pós-COVID e lockdowns. O período pandêmico teve algum reflexo nessa produção?

Bueno Fiquei praticamente 10 anos sem encostar no meu baixo e no início da pandemia decidi voltar a estudar o instrumento para aproveitar o tempo livre e não pirar de vez. Mas sempre tive bandas, trabalhei em estúdio, fiz PA, sempre estive envolvido com música. O disco todo foi gravado, mixado e masterizado por mim em casa nas horas vagas. A arte também foi feita por mim. Ou seja, tudo independente e lançado somente nas plataformas digitais pois estou sem grana. Até gostaria de lançar em mídia física, mas atualmente não tenho condições.

Todas essas condições acabaram te direcionando ao uso de bateria eletrônica.

Bueno – Sim, fora baixo e vocal tudo foi programado utilizando VSTI’s (Virtual Studio Technology Instrument).

A criação do projeto surgiu, digamos, por causa da pandemia ou já era uma ideia antiga?

Bueno Surgiu na pandemia. Comecei a brincar com o software de gravação e começaram a sair algumas ideias, a princípio era para ser só instrumental. Mas conversando com um amigo com quem toquei nas bandas Doomonic e Moriendi, ele me falou, “põe vocal, não faz só instrumental não.” Fiquei em dúvida, porque nunca tinha criado uma linha de vocal, nem letras, mas encarei o desafio e estou gostando do resultado.

Quais são as influências do projeto dentro do doom, industrial e death?
Bueno –
Acho que as principais bandas que nunca deixei de ouvir dentro desses estilos são Candlemass, Memento Mori, My Dying Bride, Death, Unleashed, Septic Flesh, Morbid Angel, GodFlesh, Ministry e Old Man Gloom. E tem algumas bandas mais recentes que pirei no som como o Absent in Body e o Amenra.

Você pretende se manter como “one man band” ou virar uma banda? Caso sim, já tem nomes escalados para a empreitada?

Bueno – Tenho vontade de tocar ao vivo com o projeto, mas além de não ter tempo no momento, acho que a parte mais difícil seria conseguir os equipamentos para fazer o som funcionar ao vivo. É tipo tentar simular o som do baixo do Lemmy, não vai funcionar em qualquer amplificador. Mas pretendo continuar lançando material, até já comecei a compor novas músicas para o próximo álbum.

Impossível não pensar como as facilidades da tecnologia, internet e plataformas digitais facilitaram a criação musical. Algo que, nos anos 1990, era impensável. Quando você percebeu que seria possível montar um projeto de qualidade e colocá-lo em prática?

Bueno – No momento que instalei o software no meu computador e baixei alguns plugins gratuitos, percebi que dava para fazer algo legal. A qualidade dos instrumentos virtuais de hoje é absurda, e como sempre fucei nestes tipos de softwares, foi relativamente rápido o processo de criar uma música a partir de uma brincadeira e perceber que a qualidade do produto estava bem honesta para os padrões de hoje.

Ainda sobre tecnologia, no Spotify você tem ouvintes da Finlândia, Holanda, Dinamarca e Nova Zelândia. O que isso representa? Era algo esperado? Você está recebendo contatos de ouvintes destes e outros países? Alguma repercussão na mídia especializada? 

Bueno – Isso me surpreendeu muito, porque não fiz divulgação, não investi nada. Só criei as redes sociais do projeto e postei algumas vezes. Acho que uma das plataformas que tem o melhor algoritmo é o Bandcamp, a diferença de número de plays do Bandcamp para as outras plataformas é bem grande. Tenho recebido mais contato de pessoas do Brasil mesmo e tive contato de um podcast da Argentina que se chama Ritual Sonoro.

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