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THE SANITY DAYS

Abertura: CENTÚRIAS / ANCESTTRAL Manifesto Bar - São Paulo (SP), 12 de maio de 2013

Embora visto por alguns como um show do vocalista Steve Grimmett, a passagem do The Sanity Days pelo Brasil tinha um caráter bem mais especial aos fãs, que tiveram a oportunidade de ver e ouvir a execução do álbum “In Search Of Sanity” (1989) do Onslaught – daí o nome do grupo. A passagem por São Paulo, em show realizado no dia 12 de maio (domingo) no Manifesto Bar, ainda contou com a abertura do Centúrias e Ancesttral, escolhas acertadas em uma noite em que o tom foi dado ao som do Heavy, Speed e Thrash Metal.

O público, apenas razoável, estava realmente ansioso e o primeiro a entrar em cena, às 19h30, foi o pioneiro Centúrias. O grupo, que retomou as atividades no ano passado, conta agora com Nilton “Cachorrão” Zanelli (vocal), Ricardo Ravache (baixo) – ambos integrantes da formação que gravou o álbum “Ninja” (1988) –, Roger Vilaplana (guitarra) e Júlio Príncipe (bateria). O show começou na velocidade, com o lado Speed Metal pegando forte com “Guerra e Paz” e “Animal”. Cachorrão agradeceu o apoio dos presentes e também se lembrou do Dia das Mães. Apesar de brincar, dizendo “Centúrias é sentimento”, o lado veloz da banda seguiu com “Cidade Perdida”, tendo uma qualidade de som excelente.

Ainda que execute diversas músicas antigas de sua discografia, dos álbuns “Ninja”, “Última Noite” e faixas de “SP Metal 1”, o grupo está em processo de novas composições. Assim, tocaram a nova e também acelerada “Inúteis Palavras”, apresentada por Cachorrão como uma das que integrará o projeto “Brasil Heavy Metal” e que vem constando no set list desde o primeiro show após a retomada das atividades. “Estamos trabalhando em novas composições e esperamos poder incluí-las no set list o mais rápido possível. Queremos sentir a reação do público, mas antecipo que manteremos a pegada do Centúrias, ou seja, Heavy Metal!”, revelou Cachorrão.

O show seguiu com “Não Pense, Não Fale”, de “Última Noite”, com Cachorrão mantendo a sua tradição em sutilmente alterar uma palavra do refrão – “Vamos armar as guitarras e invadir esta festa” por “(…) invadir esta merda”. O peso da ‘cozinha’ com Ravache e Júlio impressionou, enquanto Roger Vilaplana, ex-guitarrista do Nostradamus e que tem participação na autoria de cinco faixas de “Ninja”, mandou ver em bases e solos cristalinos. A coisa ficou ainda mais quente e agitada com “Senhores da Razão”, com participação dos fãs, e com “Ninja”, que mostrou o quanto os músicos estão coesos e bem entrosados. Mantendo o pique veio “Fortes Olhos”, mais uma tendo os presentes gritando alto no coro. “Essa participação do público nas músicas é muito importante para nós, porque é o reconhecimento do trabalho e o combustível para seguirmos em frente”, disse o baixista Ricardo Ravache.

Após uma pequena pausa para água, momento em que Cachorrão brincou, dizendo “Centúrias também é saúde! Tomamos água… Agora, porque depois é outro tipo de água”, veio “Arde Como Fogo/To Hell”. Ao final, Cachorrão explicou que naquela noite não teria a já tradicional “placa”, mas mostrou a camiseta da banda com as “homenagens” de ‘No Posers’, ‘No Emo’, ‘No Tchu Tcha’… Então, como afirmou o vocalista, veio o “passado do passado” com um ‘medley’ das clássicas do “SP Metal” – “Portas Negras” e “Duas Rodas”. Depois da apresentação da banda e agradecimentos, o set foi encerrado na velocidade com “Metal Comando”. “Acredito que apesar do Steve Grimmett ter sido a atração principal, o Centúrias conseguiu mandar seu recado para o público, que esteve participativo durante o show. Gostei também do Ancesttral e o do Steve Grimmett, que dispensa apresentações. Grande noite, grandes bandas com grandes shows”, afirmou Cachorrão.

A segunda atração da noite, Ancesttral, apresentou um som muito bem equalizado desde os primeiros acordes de “Demolition Man”. A banda está tão coesa e com uma vibração tão boa no palco que dava a impressão de estarmos ouvindo o som do próprio CD “The Famous Unknown” saindo dos PA’s.

Com uma boa movimentação de palco, com os músicos de frente alternando suas posições, o show seguiu com “Lost In Myself” e a faixa título do álbum de estreia, “The Famous Unknown”. Ao final da trinca inicial, tocada no estilo Ramones, sem respiro e intervalos, o vocalista e guitarrista Alexandre Grunheidt interagiu agradecendo a presença do público: “Domingão, ao invés de ficar sentado em casa vendo ‘Faustão’, estamos aqui vendo e ouvindo Heavy Metal, que considero um programa mil vezes melhor”, disse Alexandre, que ainda destacou sua emoção ao tocar com o Centúrias.

Do EP “Bloodshed and Violence” (2012) veio a “nova que não é mais nova” e uma das melhores composições do grupo, “Trust”, com os teminhas marcantes da guitarra de Leonardo Brito. Enquanto isso, o baixista Renato Canonico mostrava sua habitual segurança e a destreza no baixo, deixando Denis Grunheidt – irmão de Alexandre e oficializado como baterista da banda – livre para espancar os tambores sem dó.

Novamente sem nenhum respiro veio “We Kill”, seguida da pesada e densa “Helleluiah”. Além das conhecidas, a banda apresentou uma nova composição, ainda sem título, que integrará o próximo álbum. Pelo visto certamente virá coisa boa, pois a música traz a essência do Thrash/Heavy do Ancesttral. O final do show veio com mais duas emendadas, a porradaria de “Bloodshed and Violence” e a energética “Feel My Hate”. “Apesar de ser um domingão de dia das mães, a vibe entre as bandas foi sensacional! Para melhorar, o som estava ótimo! Com tudo dando certo e a ajuda do público que compareceu, não podia dar outra. Sucesso!”, declarou o baixista Renato Canonico.

A atração principal não demorou muito para aparecer e, como o próprio nome sugere e não foi algo observado pelos que só pensam em “See You in Hell”, o show teve início com a ‘intro’ “Asylum”, seguida de “In Search Of Sanity”, faixa que dá nome ao único álbum gravado por Steve Grimmett com o Onslaught.

Criado apenas como um projeto pelo baterista Steve Grice e outros ex-músicos do Onslaught – Alan Jordan (guitarra) e Jase Stallard (baixo) –, o The Sanity Days se transformou em uma “banda de verdade”, que já tem músicas autorais – duas delas apresentadas em primeira mão no show – e se prepara para entrar em estúdio para registrá-las. “Eu sempre mantive contato com Steve (Grimmett) e somos amigos. O começo de tudo foi uma oferta que recebi para fazer um show em Dubai com Megadeth e Onslaught. Só que pediram para tocar músicas do ‘In Search Of Sanity’ e o vocalista Sy Keeler não queria fazer aquilo. Logo depois eu saí da banda e foi então que perguntei se Steve estaria interessado, porque seria vergonhoso perder a chance de estar num festival daquele com o Megadeth”, recorda o baterista Steve Grice.

Em contrapartida, quando esteve no Brasil para shows solo em junho de 2009 e novembro de 2010, Grimmett havia declarado que não tinha vontade de incluir músicas de “In Search Of Sanity” em seu repertório. “Eu falei isso mesmo e não queria tocar nenhuma delas porque aquilo era coisa para o Onslaught fazer, pois estava ativo. Entretanto, Steve (Grice) entrou em contato comigo e achei interessante porque, no fim das contas, fui eu que gravei aquele disco”, explica. “As músicas são boas e os fãs curtem, então aceitei o convite e agora estamos compondo um álbum. Eu gosto da vibração do Thrash e, assim como o Grim Reaper passava essa energia, eu gosto de tocar com eles nesse estilo. Estou me divertindo muito”, acrescenta o vocalista.

O The Sanity Days seguiu matando a saudade dos fãs do Thrash Metal ‘old school’ com “Shellshock”. Após o recado dado por Grimmett “não, esse aqui não é o Grim Reaper”, vieram “Blood Upon the Ice” e a semibalada “Welcome To Dying”, que teve o refrão cantado por todos. Agora sob coros de “Onslaught, Onslaught”, Grimmett afirmou o quanto gosta de estar com os brasileiros: “Vocês são demais, é por isso que gostamos de vir para cá! Vocês são loucos.” Alternando Thrash e Heavy e provando já estar estruturado e compondo material inédito, Grimmett, Alan Jordan, Jase Stallard e Steve Grice apresentaram uma das novas, intitulada “My Demon Mind”. “Se alguém filmou essa música, coloquem no YouTube”, disse o vocalista antes de apresentar a furiosa “Lightning War” e mudar a folha das “colas” que colocou no chão para não errar as letras.

Com um começo dedilhado e mais melódico para depois descambar no peso, o grupo executou mais uma das novas, “Closer To The Edge”. O lado clássico de Grimmett com o Grim Reaper entrou em cena não com o chavão máximo, mas com outra faixa título, a do terceiro álbum do finado grupo inglês: “Rock You To Hell”. O set, que já era curto, foi ainda mais enxugado com a retirada do cover de “Let There Be Rock” (AC/DC), que consta em “In Search Of Sanity”. Na realidade, Steve Grice até começou-o, mas depois parou e a banda encerrou o show com “Powerplay”.

O baterista, que já havia se apresentado no mesmo Manifesto Bar na primeira vinda do Onslaught ao país em 2009, declarou ter ficado contente pela receptividade com as músicas inéditas. “É óbvio que a banda toca muitas do ‘ In Search Of Sanity’, mas fiquei muito feliz que os fãs aprovaram as músicas novas. Eles reagiram bem! O projeto realmente teria vida curta, mas então Alan (Jordan) nos apresentou as suas ideias para músicas novas e aqui estamos”, disse. “Nós estamos considerando a possibilidade de gravar o álbum ainda este ano, pois temos três músicas novas finalizadas e cinco no total”, acrescentou.

Sobre a animosidade com sua ex-banda, Onslaught, o baterista explicou o motivo de sua saída. “Para ser honesto, muita coisa aconteceu e realmente não tenho nada de bom para falar. As pessoas agiram de modo errado, sem discutir as coisas e tomando decisões por elas”, esbravejou Grice. “Bem, nós todos temos famílias e não dava para seguir só fazendo turnês. Então, quando estava de férias com a minha família, eles agendaram três shows em festivais. Eles confirmaram que tocariam com um baterista substituto, mas não me perguntaram nada. Quem me alertou sobre isso foi Andy Sneap, que tinha visto no próprio site da banda. Eu falei que não estava sabendo de nada e entrei em contato com nosso empresário, que disse pensar que Nige (Rockett) havia me falado sobre os planos”, completou o baterista, que ironicamente formou a banda para aquele festival em Dubai com o Megadeth, mas o evento foi cancelado. “Para você ver como são as coisas! Fizemos isso para uma coisa que, no final, não aconteceu. Por sorte, nos demos bem e espero que esta reunião seja duradoura. Com vontade nós estamos e acho que a resposta dos fãs basta”, finalizou Grice.

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