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Live Evil

THERION

Clash Club, São Paulo/SP, 29 de novembro de 2015

Inusitada! Essa seria a melhor definição para uma apresentação acústica de uma banda como o Therion. Conhecido por suas orquestrações sobre bases de diferentes formas de Heavy Metal, o grupo sueco sempre (exceto por seu longínquo passado Death Metal) prezou pelo grandioso e o pomposo, o que levou-o ao reconhecimento mundial. Desta vez, o líder e maestro Christofer Johnsson voltou ao formato mais simples da música com violão, percussão e voz. Assim, a perna brasileira da turnê “Unplugged” passou por São Paulo numa noite chuvosa de domingo, 29 de novembro, trazendo Johnsson e seu time: Chiara Malvestiti, Emmie Asplund Eriksson e Thomas Vikström (vocalistas), Christian Vidal (violão clássico), Nalle “Grizzly” Påhlsson (baixo) e Johan Kullberg (bateria).

Infelizmente, o evento teve uma das piores divulgações dos últimos tempos e apenas um pequeno público se encontrava na pista da Clash Club para prestigiar a banda sueca, que subiu em palco às 20h15, iniciando o set com “Son of the Sun”, faixa do aclamado álbum “Sirius B”. Ao final dessa, Thomas fez questão de elogiar o público por fazer parte do coral da música. A sequência veio fantástica, com três músicas do excelente “Secret of the Runes”: “Ljusalfheim”, “Vanaheim” e “Nifelheim”.

Apesar da introspecção do mentor Christofer e mesmo notando a concentração de Christian, Nalle e Johan, era nítido que a banda estava animada, mesmo com o baixo público. Talvez porque o trio vocal à frente do palco assim se mostrasse, principalmente Thomas, que se comunicou por todo o show de forma bem humorada com os presentes “Abraxas” foi bem recebida, mas apenas antecedeu um dos mais belos momentos, quando durante a execução de “The Siren of the Woods” Thomas Vikström regeu o público nas subidas e descidas de tons do coral.

Duas das três partes da “Draconian Trilogy” foram executadas em versões fantásticas e em seguida, a música “Lemuria” mostrou um os momentos mais intimistas e hipnotizantes da noite. Até este instante vimos a citada animação (por vezes empolgado até demais) de Thomas, a beleza da voz forte e de lindo sotaque de Chiara, a ótima interação e performance de Emmie, a cozinha timída, mas eficiente de Nalle e Johan.  Já Christofer Johnsson mal se expressava. Sentado fazendo apenas base, foi o típico líder de banda preguiçoso, deixando todos os solos nos dedos de Christian Vidal, que foi o destaque da banda em todas essas releituras.

Mas eis que Thomas passa a bola para o maestro dar um “oi”. Tímido, o Sr. Johnsson falou de como tem sido divertido fazer essa turnê acústica, ainda mais para um público animado como é o latino. Também citou as dificuldades em fazer versões de músicas tão complexas, como a próxima do set, o hino mor da banda: “To Mega Therion”. De fato, por ser música de uma fase ainda um pouco mais “Metal” da banda, a faixa clássica do álbum “Theli” não soou tão intensa acústica quanto sua versão original, ficando na verdade muito próxima de um som Folk. Mas ainda assim foi garantia de pista cantando e agitando de forma empolgada.

Banda se despede, banda volta. E assim, tivemos para encerrar a bela “Quetzalcoatl”, com direito à dancinha sensual da vocalista Emmie. Apesar de curto (cerca de uma hora e quinze), foi um belo show, mostrando ousadia em transformar “orquestras metálicas” em “roda de fogueira”, numa oportunidade que talvez não se repita tão cedo para os fãs.

Infelizmente, ao serem publicadas imagens do show por quem o assistiu, viu-se comentários indignados de algumas pessoas nas redes sociais por não terem conhecimento algum da apresentação, causando inclusive palavras de revolta por fãs que gostariam de ter ido, o que seria bom para eles, para produtores e para o Therion. Agora é esperar a banda lançar um novo disco e voltar ao país, de preferência com algo mais denso, pesado e intimista como já fora um dia e, claro, com uma divulgação que faça jus à sua história.

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