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THRICE – Rio de Janeiro/RJ, 24 de agosto de 2018

Teatro Odisseia – Rio de Janeiro/RJ

Por Vitor Coutinho

Nos últimos anos temos observado e, quando possível, vivenciado a experiência de assistir a apresentações de bandas há muito tempo aguardadas. A apresentação do quarteto americano Thrice, no Teatro Odisseia, foi um exemplo perfeito disso. Bastava observar o público em geral para constatar a diversidade de pessoas: daquelas que vivenciaram o auge do post-hardcore nos anos 2000 até as que conheceram a banda já nesta fase mais madura da banda – e que também, em certa medida, têm vivenciado o amadurecimento musical não só do Thrice, como de outras bandas do mesmo nicho que paulatinamente vêm buscando novas referências e expandindo a suas sonoridades.

 

“Hurricane” foi a música escolhida para abrir o show. Principal single do último álbum da banda, “To Be Everywhere is to Be Nowhere” (2016), ela teve notável participação do público cantando o seu refrão. Logo em seguida veio “Sillhoutte”, de “The Artist in the Ambulance” (2003), o disco que é uma unanimidade entre os que curtem a banda. Para muitos dos presentes na casa, esse momento do show foi um transporte direto para o início dos anos 2000, exatamente um período muito importante para a formação musical de boa parte dos que foram ao show. Após essas duas músicas, que, por assim dizer, são uma ótima síntese do amadurecimento do Thrice, Dustin Kensrue (vocal e guitarra) agradeceu ao público e também pediu desculpas por ter demorado tanto para vir ao Brasil – Teppei Teranishi (guitarra), Eddie Breckenridge (baixo) e Riley Breckenridge (bateria) completam o grupo.

A sequência da apresentação contou com “Of Dust and Nations”, “All the World is Mad” e “Black Honey”, mostrando o ótimo entrosamento e a segurança do quarteto ao alternar momentos mais agressivos com aqueles que requerem uma construção instrumental mais minuciosa, fornecendo assim uma ambiência necessária à voz de Dustin. Esse aspecto ficou bem claro com a dobradinha “In Exile” e “Deadalus”, canções com progressões melódicas mais complexas, com um leve toque de post-rock, e que demonstraram uma afinidade e entrosamento ímpar entre os irmãos Breckenridge.

Como era de se esperar, o setlist da apresentação foi um passeio por toda a discografia, com músicas muito bem escolhidas e bem distribuídas, alternando momentos mais leves e outros mais rápidos e agressivos, como a sequência com “Hold Fast Hope” e “Stare at the Sun” que incendiou a pista. E foi como uma catarse, porque se via pessoas abraçadas aos seus amigos cantando, alguns stage divings e muitos sorrisos espalhados pela pista.

A apresentação seguiu com a ótima “Blood on the Sand” e a nova “The Grey”, single que estará no próximo álbum, “Psalms”, a ser lançado em 14 de setembro deste ano. Depois, “The Weight” e “Firebreather” demonstraram uma incrível versatilidade de Teppei, que transitou com total conforto e habilidade, fornecendo excelentes momentos atmosféricos, como o próprio fim de “Firebreather”, que contou com uma incrível participação do público no coro de desfecho da música, arrancando aplausos de Dustin.

Mais uma vez alternando nuances diferentes, a continuação do show se deu com “Death from Above”, “Yellow Belly” e “The Long Defeat”, que refletem a fase mais recente da banda, com notável amadurecimento e arranjos diversificadas. O destaque, sem dúvida, fica para a excelente “The Long Defeat”, certamente um dos melhores momentos de toda a apresentação, quando foi possível sentir todo o esmero das construções musicais do Thrice ao longo dos anos.

Depois de mais de uma hora de apresentação, a banda se retirou brevemente do palco antes de retornar para a parte final do show, tocando “The Artist in the Ambulance” e “Deadbolt”, canções da fase mais inicial da banda e que, claro, provocaram mais uma vez uma comoção geral no público, seguida de uma sensação de nostalgia. Para finalizar, “The Earth Will Shake” foi uma ótima escolha, já que alterna momentos mais etéreos e mais agressivos com o clímax tendo a dobradinha vocal entre Dustin e Eddie. Certamente, uma ótima maneira de encerrar um show tão aguardado por todos os presentes.

Uma noite que ficará guardada na memória de muitos que estavam presentes no Teatro Odisseia naquela noite de sexta-feira, dos que cantaram, se emocionaram e, mais importante, tiveram a oportunidade de assistir a uma apresentação impecável e dedicada do Thrice, que tocava pela primeira vez no Brasil.

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