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TOKYO BLADE: MUDANDO PARA MELHOR

Se os que acompanham o Tokyo Blade, um dos grandes nomes revelados pela New Wave of British Heavy Metal, tinham comemorado o retorno da formação original em Unbroken (2018), agora passam a conhecer a faceta mais pesada da banda. Alan Marsh (vocal), Andy Boulton e John Wiggins (guitarras), Andy Wrighton (baixo) e Steve Pierce (bateria) pesaram a mão em Dark Revolution, o décimo álbum de estúdio, que traz riffs na escola Judas Priest e Accept. Consciente de que Tokyo Blade (1983) e Night of the Blade (1984) são sempre os mais lembrados pelos fãs, Boulton falou abertamente sobre os erros e acertos da carreira, explicou os motivos para esta nova abordagem musical e ainda nos contou sobre seus outros dois recentes projetos.

Depois de Unbroken (2018), como foi a abordagem para a criação de Dark Revolution, o disco mais pesado da banda?
Andy Boulton: Sim, Dark Revolution é um álbum mais pesado. Eu realmente não parei e decidi compor algo mais pesado, pois geralmente apenas vou criando o que tenho em mente. À medida que envelhecemos, ficamos com mais raiva em relação ao estado do mundo, à política e à disparidade entre ricos e pobres. Esses são alguns temas das letras que Alan Marsh escreve e, consequentemente, o peso da música reflete isso.

Sim, vocês lidam com raiva, frustração, temas políticos e sociais em Dark Revolution. Como está vendo todas as coisas ruins que estamos passando neste momento atual, especialmente com a pandemia?
Andy: Penso que estamos lidando com a situação da mesma maneira que todos os outros. As diferenças foram capazes de expressar, através da música, nossas frustrações com os eventos mundiais atuais e a pandemia. Não me entenda errado, eu não sou o Bono (Vox) e não estou disposto a ser chamado de o próximo Jesus. Neste caso, não são ações para mudar o mundo, pois apenas escrevemos músicas que refletem as situações atuais. Alan escreve as letras da forma dele e eu não me intrometo. Ele sente as coisas muito profundamente, em um nível muito pessoal, que também ocorre comigo quando componho. Assim, isso tende a ser refletido na música.

Quais são as vantagens e desvantagens de gravar e produzir um álbum em seu próprio estúdio?
Andy: É muito mais fácil e barato criar álbuns dessa maneira, pois os orçamentos das gravadoras hoje em dia não se estendem ao tempo em estúdio. Porém, gravar o álbum em meu home studio foi um pouco estressante, pois era o primeiro lançamento comercial que gravei. Por isso, fiquei estressado e agonizei com o resultado final (risos). Mas, por sorte, nosso engenheiro de som, Gwyn Mathias, me deu muito apoio, nos ajudou e todo mundo parece estar muito satisfeito com o resultado final.

As pessoas costumavam falar sobre o que deu errado para algumas bandas da NWOBHM, mas é preciso registrar que, nos últimos anos, muitas delas lançaram ótimos álbuns. Então, quais são os melhores momentos de sua carreira?
Andy: É difícil escolher um momento específico, já que houve muitos pontos altos na minha carreira. Mas, claro, assim como outras bandas, também tivemos azar. De fato, o Tokyo Blade teve mais do que apenas uma quota de azar. Porém, eu diria que o melhor momento foi reunir a formação original depois de tantos anos e continuar a fazer álbuns de qualidade. Tudo o que o Tokyo Blade alcançou se deve ao nosso próprio trabalho e perseverança, que acredito que tentamos resumir com o álbum Unbroken. A citação que fiz e as pessoas costumam se referir foi que o Tokyo Blade e a nossa música representam os humilhados e oprimidos. Somos uma verdadeira banda da classe trabalhadora. Nenhum de nós nasceu com uma colher de prata na boca e lutamos por anos sem gravar com apoio de gravadora ou de empresários. Não estou reclamando, estou orgulhoso pelo fato de termos conseguido tudo o que conseguimos com nosso próprio trabalho.

Mesmo produzindo e gravando material novo, como se sente em ser reconhecido apenas, ou principalmente, pelos dois primeiros álbuns da banda?
Andy: Sim, você está certo, os dois primeiros álbuns tornaram-se ícones do heavy metal britânico. Não consigo ouvi-los, porque raramente escuto os discos que gravei. Só faço isso quando estou testando mixagens e também costumo escutar no som do carro depois que um álbum é concluído. Mas, de fato, eu raramente ouço nosso material depois de finalizado. Há duas razões para isso. Veja, eu compus, toquei, gravei e mixei. Assim, como ouvi aquelas músicas umas 200 vezes, não fico com vontade de sentar e ouvi-las de novo. Em segundo lugar, minha personalidade é a de alguém que está sempre procurando a próxima coisa e, depois de fazer algo, só quero seguir em frente. Na verdade, Alan costuma me chamar de ‘Sr. Descartável’. Quando eu perguntei o que ele queria dizer com aquilo, ele me disse: ‘Você tem uma ótima ideia, mas cinco minutos depois já muda para outra coisa e fica entediado com aquela ideia que deu.’ É, acho que sou assim mesmo (risos).

Night of the Blade teve duas versões: a original, com Alan Marsh, e a outra, que acabou sendo oficialmente lançada, com Vic Wright. O estilo, a intenção e a abordagem dos vocais são muito próximos, mas acredita que se tivesse mais tempo, Vic Wright mudaria algumas linhas?
Andy: Night of the Blade foi escrito, como de costume, por mim e Alan. Nós entramos em estúdio para gravá-lo e ele foi originalmente registrado com todos os vocais e letras de Alan. A gravadora queria que mudássemos o vocalista, algo que relutamos em fazer. No entanto, éramos uma banda jovem e estávamos nas mãos deles. Sentimos que não tínhamos escolha depois que Vic foi recrutado e fizemos os shows ao lado do Mama’s Boys. Quando terminamos a turnê, entramos novamente em estúdio e Vic cantou todas as músicas que Alan havia gravado. Na época, achei que isso foi um erro e ainda penso a mesma coisa.

Muitas bandas da NWOBHM mudaram seu estilo, adotando o hard rock com uma “abordagem americana”, especialmente após o sucesso do Def Leppard, que não escondia sua intenção e nunca teve orgulho de ser chamado de heavy metal. O Tokyo Blade, por sua vez, soltou Black Hearts & Jaded Spades (1985). Se Alan Marsh ainda estivesse na banda, vocês mudariam o estilo musical de qualquer maneira?
Andy: Como falei, penso que foi um erro ter mudado de vocalista e também considero que foi uma falha ter alterado nosso direcionamento musical. Devíamos ter ficado fiéis às nossas raízes. Não somos uma banda americana e não deveríamos ter mudado para aquele território, que já estava super dominado. Assim, se Alan ainda estivesse na banda, o direcionamento continuaria o mesmo de antes. Veja, todos cometemos erros e esse é um dos que me arrependo, mas não vivo minha vida pensando em arrependimentos e quero sempre a próxima coisa.

Você sempre declarou que, em toda a sua carreira, não teve apoio das gravadoras que assinaram com a banda. Passando para os dias atuais, qual é a importância de ter uma gravadora?
Andy: Eu acredito que ainda é importante ter uma gravadora hoje em dia. Até agora, a parceria com a Dissonance Productions tem sido muito favorável, pois se trata de uma grande e influente empresa. Distribuir nossos próprios álbuns seria muito difícil, pois tenho trabalho suficiente para manter a banda funcionando, compondo, gravando e mixando. Não tenho tempo para entrar nesse setor de distribuição e coisas assim. O lado de assessoria e relações públicas deles também é muito bom. Devo ter feito pelo menos 50 entrevistas com várias revistas, sites e estações de rádio em todo o mundo para o novo álbum, que é um trabalho feito graças ao assessor da gravadora. Então, parece que desta vez pelo menos o Tokyo Blade está tendo algum apoio.

Você disse que não costuma ouvir seus próprios álbuns, mas depois de lançar seu 10º trabalho de estúdio, se tivesse que escolher dois obscuros do Tokyo Blade, quais seriam? Sim, estou falando de Blackhearts & Jaded Spades (1985), Ain’t Misbehavin’ (1987), No Remorse (1989) e Burning Down Paradise (1995).
Andy: Bem, se tivesse que escolher seriam No Remorse e Burning Down Paradise. Sendo sincero, os outros são álbuns que prefiro esquecer e alguns até me arrependo de ter feito.

O que pode dizer sobre a criação da banda The Last Renegades, com o vocalista Adrian O’Shaughnessy?
Andy: Quando gravamos o álbum Thousand Men Strong com Nick (Nicolaj Ruhnow) na banda, estávamos com 4 de 5 da formação original. Mas era impossível trabalhar com Nick, porque ele era uma espécie de diva. A última banda dele costumava chamá-lo de ‘pequeno príncipe’ e havia uma grande distância entre ele e os outros integrantes. Também não ajudava o fato de ele ser alemão, porque até para se divertir com o Tokyo Blade você precisa ter senso de humor. Naquela época, eu não achava que Alan iria querer se juntar ao Tokyo Blade e até pensei que seria um insulto perguntar isso para ele. Então, partimos em busca de outro vocalista. Pela Internet, encontramos Adrian e fizemos algumas músicas juntos apenas para ver como as coisas funcionariam. Infelizmente, na época, estávamos em turnê e Adrian não conseguiu se comprometer, pois tem uma família para sustentar. Logo depois que Alan Marsh voltou, Adrian entrou em contato comigo e me parabenizou por Unbroken. Trocamos algumas mensagens por e-mail e ele sugeriu que fizéssemos um álbum juntos. Então, compus e gravei Valley of the Kings, que saiu em agosto. É um disco que me orgulho muito. Adrian é um ótimo vocalista e fez um bom trabalho. Nós compusemos e gravamos tudo em cerca de seis meses.

O álbum do Gillen & The Villains, Legend has it …, saiu no ano passado. Que tal trabalhar novamente com Chris Gillen, que era o vocalista quando vocês tocaram no Brasil?
Andy: Diferentemente do que falei sobre o The Last Renegades, o álbum Legend has it …, com Chris Gillen, levou quase dois anos para ser finalizado, principalmente devido aos compromissos de trabalho dele. Chris não tem um estúdio em casa, como Adrian. Na verdade, Adrian é um cara fácil de trabalhar no que diz respeito à gravação, mas não fizemos nenhum show juntos. Já com Chris, é muito fácil trabalhar com ele durante as turnês, como fizemos na América do Sul, mas compor e gravar é mais difícil. Assim, este não foi um álbum fácil de fazer e não acabou do jeito que eu queria, porque um amigo dele o mixou e estragou tudo. Porém, eu o remixei recentemente porque acredito que as músicas são muito boas. Chris é um ótimo vocalista e merece ser ouvido da melhor maneira possível.

Para finalizar, fiz muitas entrevistas com músicos da NWOBHM, mas vários declararam que era apenas um termo usado para definir aquela fase e, apesar do que aconteceu com, por exemplo, o thrash metal da Bay Area, eles não eram tão próximos assim. Vindo daquela época, quais músicos ou bandas vocês eram amigos?
Andy: Bem, é óbvio que fazendo isso por 40 anos conhecemos muitas outras bandas, mas eu não diria que somos ou fomos particularmente próximos de nenhuma delas. Nos primeiros dias, o Metallica costumava ficar na casa de Andy Wrighton quando eles vinham para a Inglaterra e, às vezes, saíamos para beber com eles e os víamos em alguns festivais, onde também conhecemos muitos músicos e bandas, como Ozzy, Dio, Accept etc., mas nunca nos tornamos muito próximos de nenhuma. Eu diria que, provavelmente, a mais próxima foi o Mama’s Boys, porque foi a nossa primeira turnê e eles meio que nos colocaram sob suas asas e nos ajudaram. Para encerrar, desejo o melhor para todos e fiquem em segurança. Espero poder voltar ao seu país incrível um dia, para tocar novamente para nossos fãs antes de ficarmos muito velhos.

Site relacionado:
https://www.tokyoblade.com

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