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Entrevistas

TOXIC TRASH

FIDELIDADE AO METAL OITENTISTA

O Destruction resolveu sair de um hiato que durou dez anos lançando ‘All Hell Breaks Loose’ (2000), trazendo de volta o seu vocalista original, Marcel ‘Schmier’, assim como o Kreator voltava a fazer o seu autêntico Thrash Metal em ‘Violent Revolution’ (2001) –, por outro lado, o Exodus também saia de uma hibernação de doze anos com o lançamento de ‘Tempo Of The Damned’ (2004) erguendo mais uma vez a cena da ‘Bay Area’, até que o Testament resolveu aparecer com sua formação quase clássica em 2008 com ‘The Formation Of Damnation’. Acontecimentos como esses deram partida a uma nova fase para a cena ‘thrasher’ mundial que vem se fortalecendo a cada dia. A banda Toxic Trash é inclusa nesse segundo contexto e vem ativa há cinco anos. Pudemos conversar com dois de seus integrantes, o vocalista Galo ‘Blackfire’ (que teve que sair inesperadamente da entrevista) e o guitarrista Anderson ‘Ripper’ que comentou sobre os aspectos que envolvem o grupo e a cena de sua cidade, Fortaleza (CE).

Nitidamente, o Toxic Trash é uma banda que contribui para a renascença oitentista que o cenário mundial está vivendo nos últimos anos. Qual o diferencial que o grupo possui em sua música?
Anderson Ripper:
 O diferencial são as influências musicais de cada músico, pois todos nós escutamos e tocamos diferentes estilos do Metal, e isso acaba refletindo no som da banda, mas sem perder a essência do Thrash Metal, cada um coloca um pouco de si nas músicas e, principalmente, nos sons novos como você pode ver em vídeos de ensaios no ‘Youtube’. O diferencial é a mescla de nossas influências.

Fortaleza é um grande polo que ostenta a ideologia do Metal oitentista. Isso causa também controversa, infelizmente, dentro da própria cena local. Como a banda se comporta diante de pessoas que julgam esse movimento com negativas?
Anderson:
 Nós ficamos de boa, não precisamos estar entrando em discussões sobre estilo e cada um tem a opinião que quiser. O importante pra gente é saber que tem uma galera que curte e apoia o som que fazemos e o Metal feito como antigamente. Essas assim valem à pena, mas sempre estamos abertos a críticas construtivas e que nos ajude a crescer como banda.

A língua portuguesa está mais presente nas letras de bandas ‘undergrounds’. Antes existia um interesse de algumas em conquistar o público externo cantando em inglês. Você acha que está havendo uma mudança nesse direcionamento?
Anderson: 
Com certeza, as pessoas estão vendo que para fazer Metal não é só saber falar inglês, que é uma língua que se encaixa perfeitamente para o estilo, mas, eu acho que não adianta você falar inglês e não fazer um som que tenha ‘feeling’ e que chame atenção. Hoje em dia a galera sabe fazer Metal em português muito bem acabando com essa idéia que para ser bom tem quer ser em inglês.

Desde que a banda surgiu em 2009, várias formações fizeram parte do ‘casting’. Como está a estabilidade do grupo hoje?
Galo Blackfire:
 Está firme e forte! Estamos trabalhando músicas novas com esta formação que conta com Anderson e Fran ‘Mustaine’ nas guitarras, Hugo Moura no baixo e Marcus Texeira na bateria. A empolgação está a mil. Em breve entraremos em processo de gravação para lançar uma nova demo chamada ‘Templo Das sombras’.
Anderson: Estamos nos estabilizando, essa nova formação é bem entrosada e o melhor de tudo, somos todos amigos sem nenhum problema com nada – todos nós temos opinião a dar e sempre entramos em acordo.

O cenário de Fortaleza nunca teve um local definitivo para abrigar bandas undergrounds e Alguns lugares abrem espaço apenas para bandas ‘cover’. O que dizer sobre essa restrição?
Anderson:
 Infelizmente tem essa segregação quanto ao som autoral. É lamentável, não condeno a pessoa sair e ir a um local que tenha uma banda tocando o som de sua favorita e fazendo tal tributo, mas nós temos ótimas bandas com som autoral que não deixam a desejar em sua musicalidade e composições, mas também as pessoas são livres pra frequentarem o local e ouvirem o som que quiserem, mas eu particularmente fico entristecido por não ter tantos disponíveis para as bandas locais mostrarem seu trabalho autoral e, provar que, aqui também tem bandas que fazem um som de qualidade.

Como Galo falou vocês estão para lançar uma segunda demo. A primeira, ‘Mundo Doente’ de 2009, não atendeu às expectativas? O que falta para estrearem o ‘debut’?
Anderson:
 Com certeza a primeira demo atendeu às expectativas mostrando a identidade da banda, inclusive eu fui a muitos shows e bati cabeça lá embaixo (antes de fazer parte do grupo), mas tem tempo que a banda passa por formações e está começando a se firmar com essa nova. Preparamos uns sons pra demonstrar a evolução e o quanto estamos violentos – essa nova demo é para presentear a galera que há tempos espera por algo novo e, quanto ao debut, seria ótimo lançá-lo, pois estamos caminhando pra isso. Tudo custa grana e nesses tempos as condições financeiras não andam nada fáceis. Seria ótimo alguma parceria pra lançar o ‘full length’ que tanto queremos.

Fran Mustaine toca no Flagelo e Masterhead, a dezembro de 2013 o Gorewar abriu o show do Benediction em Fortaleza com você na banda. Os outros membros também têm ocupações em outros grupos?
Anderson: 
Eu tenho um projeto de Death Metal chamado On Frozen Fields com o baterista Marcus, que está caminhando e é na linha do ‘Swedish Death Metal’, usando o velho ‘Boss Hm – 2’, que dá o som característico ao estilo –, e toco na Sacrilegious Salacious e Invoking The Damnation que também são Death Metal, e Eternal Martyr (Black Metal). Quanto ao Galo ele devota a sua atenção exclusivamente para a Toxic Trash.

Resumindo, está faltando músicos de Metal no cenário de Fortaleza?
Anderson:
 A meu ver não falta. Têm muitas bandas surgindo com uma galera nova, um grande exemplo é a Berserk, banda do meu grande amigo Jardel Reis que toca no Fist Banger e é ótimo músico (N.R.: Jardel também toca no Agressive). Também tem o Wilkison Sales da Nucllewar, outra que está em fase de estúdio – e muitos outros novos músicos com bandas de som fodido. O que falta é um pouco mais de apoio para a cena se unir um pouco mais, pois aqui ainda existe muita intriga e falatórios. Na minha visão as portas se abrem com amizade e contato. Eu espero que isso acabe e que a galera se una pelo crescimento da arte e pelo underground.

Em relação a esse apoio, são poucas as produtoras de Metal em Fortaleza, mesmo assim, apesar de tantas bandas, parece existir certo monopólio na escolha dos artistas. Qual a sua visão sobre isso?
Anderson:
 Conheço todos os produtores daqui, inclusive sou amigo pessoal de Roberto Gino (N.R.: proprietário da Gino Production). Um ponto que pesa é que muitas bandas têm um som foda, mas não tem material físico e fica difícil montar um casting sem conhecê-las. Uma idéia legal seria a frequência de produtores em ensaios para acompanhar o processo de criação das bandas novas, e ver o que tem pra ser mostrado, assim aumentaria a lista de chamada para shows e participar da cena.

Voltando ao assunto musical, qual a previsão para o lançamento de ‘Templo Das Sombras’ e quantas músicas já estão prontas? A instrumental ‘Toxic Trash’, já apresentada ao vivo, será um dos títulos?
Anderson: 
Pretendemos terminar essa nova demo até junho, e ela consiste da faixa-hino, ‘Toxic Trash’, ‘Cabeças Vão Rolar’, ‘Templo Das Sombras’ e a mais violenta já feita pela banda, chamada ‘Lamia’.

Quem está trabalhando na produção?
Anderson: 
A banda toda juntamente com o grande Jorge Albuquerque (ex-Obskure) do estúdio 746. Eu já acompanho o trabalho dele há muito tempo, e é um profissional que sempre se atualiza e tem um bom ouvido – pelo fato de ele também curtir Metal se torna mais fácil e confortável trabalharmos.

Para finalizar, mande um recado aos fãs ansiosos do Toxic Trash.
Anderson: 
Continuem acreditando no underground nacional, na arte e podem esperar por muita pancadaria sonora que vamos lhes proporcionar. Estamos felizes de estar nessa cena e contribuir para o crescimento dela, sejam fieis aos seus ideais e mantenham a chama do Thrash Metal nacional acessa. Muito obrigado a todos pela amizade e o apoio ao longo de toda nossa história. ‘Thrash’, ‘Mosh’ e ‘cerveja’ para todos!

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