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TUSKA FESTIVAL 2023

30 de junho, 01 e 02 de julho - Helsinque (FIN)

Texto e fotos Fernanda Nunes

O festival Tuska de 2023 reuniu 63 mil presentes vindos de toda a Finlândia e da Europa no fim de semana dos dias 30 de junho, 1 e 2 de julho em Helsinque (FIN), e teve a participação de muitos talentos locais, como as bandas Vansidian, Dirt, Silver Bullet, Smackbound, Foreseen e muitas outras. Ouso dizer que esse ano 80% das bandas eram finlandesas.

Tuska é um dos festivais mais urbanos e de fácil acesso que já visitei. O ponto do metrô Kalasatama te deixa bem na frente do festival, em Suvilahti. Praticamente não tem fila para entrar, pois os organizadores colocaram bandas conhecidas para tocar já desde o primeiro horário, por volta das 14h30, para que haja uma melhor distribuição do público durante todo o evento.


De cara, quando se entra no festival, avista-se a enorme tenda lilás do Tent Stage. O evento conta no total com 4 palcos: além do Tent Stage, o Radio Rock Main Stage, que é o palco principal a céu aberto, o Inferno Stage, um pouco menor, também a céu aberto, e o Tuska Kult Stage, que é o menor espaço, e conta com um bar na entrada.

O Tuska também conta com muitas outras atrações para entreter seu público, como o Tuska Expo, uma feira localizada em um prédio dentro da área do festival, que abriga expositores de produtos heavy diversos, como acessórios e livros esotéricos, roupas e acessórios de couro, barbearia, estúdio de tatuagem e piercing, workshops e uma atração que é a mais bizarra: suspensão corporal. Afora isso, tinha até sauna e jacuzzi nas dependências do festival.

Além disso, no Tuska Forum alguns dos artistas que tocaram no festival e outros influenciadores da área foram convidados para debater temas instigantes e atuais. O tema dessa edição do evento foi “vozes jovens e o futuro do metal”. Na sexta-feira (30 de junho), as bandas Galvanizer e Slash the Smile conversaram sobre como a I.A. está afetando a indústria musical e, inclusive, foi gerada uma música completa ao vivo pelo bot, com letras e arte de capa. A simpática e talentosa cantora Alissa White-Gluz, do Arch Enemy, também foi entrevistada nesse dia, lotando o espaço de fãs.

No sábado foi dia dos artistas finlandeses, abrindo com uma entrevista com a banda Turmion Kätilöt sobre inovação e autenticidade, e, em seguida, com uma conversa com o ex-baixista do Nightwish, Marco Hietala, sobre sua experiência na indústria do heavy metal.

O festival oferecia uma ampla variedade de quiosques de comida, abrangendo diferentes culinárias, como chinesa, representada pelo Bunit, famoso por seus pães Bao, e também ramen japonês, comida marroquina, tailandesa, tacos, pizza, hambúrguer e churrasco. Além disso, opções de comida vegana e vegetariana também estavam disponíveis. A faixa de preço da maioria dos pratos variava entre 14 e 16 euros. No entanto, ao se dirigir às tendas de alimentação, era preciso estar atento às gaivotas. Essas aves habilidosas e rápidas podiam literalmente roubar sua comida, mesmo que você estivesse atento!

No quesito álcool, a grande representante foi a marca Karhu (urso, em finlandês), que espalhou chalés que serviam de abrigo e descanso para os metalheads. Inclusive, um desses chalés oferecia leitura de mãos e tarô para o público mais esotérico.

Na Finlândia, é comum cobrar um depósito adicional de 1 euro em cada lata de bebida como incentivo para que as pessoas as devolvam. No Tuska, a cerveja mais barata disponível custava 9,90 euros, incluindo o valor do depósito. Ao devolver a lata vazia, os participantes recebiam de volta 1 euro. No final da noite, muitas pessoas procuravam latas abandonadas para coletá-las e receber uma graninha de volta (inclusive essa que vos escreve).

Vamos agora para a parte mais importante, as bandas…

Sexta-feira – 30/06

Cheguei ao festival quando o show do VENDED no palco Inferno estava chegando ao fim. Trata-se de uma formação nova de metalcore/metal alternativo, liderada pelo vocalista Griffin Taylor, filho de Corey Taylor do Slipknot, e conta também com o baterista Simon Crahan, filho do baterista e fundador do Slipknot. A presença carismática de Griffin no palco e a performance da banda, que já se apresentou no Knotfest Brasil e também abriu para o Bring Me the Horizon em São Paulo, conseguiram animar o público finlandês.

Por volta das 16h15, foi a vez dos finlandeses do LOST SOCIETY, grupo que eu estava ansiosamente esperando para ver ao vivo, subirem ao palco principal. O vocalista Samy Elbanna, que apareceu vestindo um casaco de pelúcia branca, exibindo suas dezenas de tatuagens, levou os fãs à loucura com seus riffs, atitude e vocais que variavam do clean, passando pelo rouco até chegar ao gutural.

A banda abriu o show com “Stitches”, que tem uma pegada bem característica do nu metal, o que imediatamente empolgou o público. Quando eles tocaram “(we are) braindead”, um mosh pit daqueles que dá gosto de ver se abriu. A banda continuou o show apresentando um groove metal moderno, que ocasionalmente flertava com o thrash metal e o nu metal. Além disso, havia pirotecnia pontuada aqui e ali, o que dominou completamente a plateia. O LOST SOCIETY encerrou sua performance de forma brilhante com “112”. Showzaço!

Com pressa, corri em direção ao Tent Stage para assistir à banda britânica de metalcore WHILE SHE SLEEPS, que também se apresentou no Brasil no ano passado. E foi uma experiência incrível! A banda entregou músicas enérgicas, carregadas de atitude, e contou com um público fiel que interagia e cantava junto. No final do show, eles convidaram algumas pessoas com o rosto pintado no estilo black metal para se juntarem a eles no palco, aumentando ainda mais a agitação. Houve um momento em que o vocalista Lawrence “Loz” Taylor pediu para que a plateia se abaixasse e, surpreendentemente, todos seguiram suas instruções, apenas para explodir em um salto coletivo assim que o refrão começou. Confesso que não conhecia tanto a banda antes do show, mas saí de lá como um grande fã.

Como muitas bandas tocaram simultaneamente em palcos diferentes, tive que fazer escolhas durante esses três dias de festival, e entre Jinjer e Sepulchral Curse às 18h15, optei por assistir aos ucranianos do JINJER e seu groove metal progressivo. A power woman e vocalista Tatiana Shmayluk abriu o show no palco principal com um discurso emocionante sobre a guerra na Ucrânia. Em seguida, mandaram “Perennial”, que foi a perfeita combinação com o discurso. A plateia estava cheia e animada, vibrando a cada canção e interação da musa do Jinjer, que é uma cantora exímia, alternando facilmente do vocal clean ao gutural. “Copycat”, “Teacher, Teacher” e “As I Boil Ice” foram algumas das músicas que não apenas empolgaram a galera, mas também deram origem a mosh pits. Vale ressaltar que o Jinjer já havia se apresentado no Tuska no ano anterior em um lotado Tent Stage. Assim, a presença no palco principal do festival mostrou o quanto a banda cresceu em popularidade.

Logo após o show fui mais uma vez correndo para o palco Inferno ver a banda sueca IMMINENCE, da qual já tinha muito ouvido falar. E me surpreendeu logo de início com seu metalcore melódico com toques de nu metal, que vai de ataques raivosos a paisagens sonoras requintadas em grande parte pelo violino tocado pelo vocalista Eddie Berg. Ele alterna vocal clean com gritos agressivos com excelência e usa um figurino tradicional com suspensórios que contrasta bastante com o estilo da banda. Músicos extremamente talentosos e sons como “Ghost”, “Erase”, “Surrender” e “Temptation” conquistaram o público e também o meu coração. Gostei demais!

 

A próxima banda que eu estava ansiosa para ver era o ARCH ENEMY, e posso dizer que eles entregaram um show impecável para metalhead nenhum botar defeito! A entrada de Daniel Erlandsson (bateria), Sharlee D’Angelo (baixo), Michael Amott e Jeff Loomis (guitarras) foi recebida com gritos e aplausos entusiasmados. No entanto, quando a diva Alissa White-Gulz correu para o palco usando um macacão azul deslumbrante e começou a cantar “Deceiver, Deceiver”, a galera foi ao delírio. E os fotógrafos também ficaram entusiasmados, pois Alissa sabe se mover e posar para as lentes com perfeição. “War Eternal” formou o maior mosh pit, enquanto “My Apocalypse” também não ficou atrás. A banda manteve o público animado durante todo o set, que mereceu levar nota 10!

Encerrando a noite, tive o prazer de assistir ao fenomenal show do GOJIRA no palco principal. Os franceses, que foram uma das atrações do Rock in Rio de 2023, proporcionaram o Tuska uma performance incrível, tanto na seleção de músicas quanto na produção visual. A escolha do repertório foi espetacular, com a banda tocando clássicos como “Stranded”, “Flying Whales”, “Silvera” e a envolvente e groovy “Amazonia”. A iluminação e os efeitos de palco foram igualmente impressionantes, com um belíssimo pôr-do-sol às 23h30, característico do solstício de verão finlandês, criando uma atmosfera inesquecível. Joe Duplantier e seus companheiros de banda merecem todos os elogios pelo show que entregaram.

Sábado – 01/07

No segundo dia do evento, às 14h30, houve um evento exclusivo para a imprensa, proporcionando um olhar privilegiado para os bastidores do festival. O diretor do Tuska, Eeka Mäkynen, guiou-nos por uma visita às diversas áreas e atrações, contando curiosidades e informações adicionais. Começamos explorando o Tuska Expo, onde encontramos vários expositores. Também tivemos a oportunidade de ter uma breve conversa com Heta Hyttinen, que atua como apresentadora do festival há 20 anos, e ela contou algumas curiosidades e perrengues que já enfrentou nessa função, como apresentar a banda errada.

 

Em seguida, pudemos dar uma espiada no show do TURMION KÄTILÖT do palco, permitindo-nos ver como é toda a organização atrás das cortinas. Por fim, nos dirigimos ao Tuska Forum, onde pudemos fazer perguntas e tirar nossas dúvidas sobre o festival.


Após o tour exclusivo da imprensa, ainda peguei o final do set dos finlandeses do Turmion Kätilöt. Com sua mistura única de black metal, incluindo pintura facial, e elementos de metal industrial e eletrônico, a banda apresentou um som cativante, com groove e cantado em finlandês. Uma banda muito boa e com um público fiel que cantava todas as músicas junto. Música empolgante, diria até dançante, que animou a plateia.

O próximo show foi o dos finlandeses do NERVEBREAK, meu primeiro no palco Kult, com um espaço pequeno e intimista, que ficou lotado! O quarteto de Espoo, perto de Helsinque, empolgou os metalheads com um groove thrash metal cheio de riffs eletrizantes, uma bateria precisa e vocais cortantes que lembram os de Dave Mustaine. Nem preciso dizer que a galera não parava de fazer mosh pit! A banda é relativamente nova, foi formada em 2020, em meio à pandemia. Quem ainda não conhece, confira!


O show seguinte foi difícil de escolher, pois tanto FINNTROLL quanto Swallow the Sun tocavam às 17h15 em seus respectivos palcos, duas bandas maravilhosas da Finlândia. Acabei me decidindo pelos Trolls, que sempre fazem os shows vestidos como duendes do mal e têm uma performance de arrasar, como os brasileiros conferiram este ano na primeira edição do Summer Breeze Brazil. Por ter amigos na banda e no festival, consegui ver a maior parte do set do palco. O Finntroll chegou cheio de energia, agitando os fãs com seu folk metal cantado em sueco. Mesmo com pequenos problemas técnicos, a galera foi à loucura com os elfos, vibrando, pulando e se divertindo nos mosh pits. Até um dinossauro inflável apareceu na curtição com os presentes, arrancando sorrisos dos músicos.

Corri para mais um show, desta vez no palco Kult, para assistir ao BOB MALMSTRÖM, uma banda sueco-finlandesa. Havia longas filas em frente ao local, que já estava lotado e impossível de acomodar todas essas pessoas. Bob Malmström é conhecida por ser a única banda de metalcore burguês do mundo, com letras em sueco e um senso de humor esnobe. Suas músicas, como “Finska är inget språk, det är ett symptom” (o finlandês não é uma língua, é um sintoma) ou “Jävla svenskar, jävla finnar” (malditos suecos, malditos finlandeses), trazem uma abordagem bem-humorada. Já se tornou tradição o frontman Kjell Simosas jogar cédulas falsas de dinheiro para a plateia durante suas apresentações. Não deixe de conferir a música nova, “Så som på Strömsö”, que fez parte do setlist no Tuska. Tenha cuidado, pois ela pode grudar em sua cabeça para sempre!

Permaneci no mesmo palco para assistir ao aguardado show do DIRT, que estava ansiosa para ver ao vivo. Esse jovem quinteto de Helsinque trouxe uma energia contagiante ao palco, deixando os fãs de metal empolgados com seu hard rock cativante e uma performance eletrizante. É fácil notar a influência de bandas como Alice in Chains e Mötley Crue na música do Dirt. O vocalista Aleksi Tiainen interage bastante com o público, chegando até mesmo a descer do palco para cantar junto com a galera durante uma música. Os guitarristas Kappe e Sebastian também se destacam na performance, rodopiando e pulando sem camisa, demonstrando uma energia inesgotável. Uma banda super promissora e com um grande futuro na cena hard rock que me conquistou, transformando-me em uma grande fã.

A próxima da minha lista foi a BUTCHER BABIES, diretamente da Califórnia, com seu groove metal e duas vocalistas poderosas e lindas, que vão do vocal clean ao gutural sem nenhum esforço. Toda a banda tem uma performance bem dinâmica e empolgante, fazendo o público vibrar junto em sons que notei influências de Slipknot e até um pouco de Pantera.

Encerrando a noite de sábado, tivemos o emocionante show de VILLE VALO, o antigo vocalista do HIM. Apesar de sua performance ser um pouco mais contida, o que combina com seu novo estilo musical, ele transborda carisma de uma maneira cativante. Foi simplesmente impossível não se encantar com toda a atmosfera criada no palco, através de um design de luzes espetacular, repleto de tons de rosa, e com a qualidade maravilhosa do som e das músicas escolhidas. Ville alternou entre canções de seu recente álbum solo, “Neon Noir”, e grandes sucessos do HIM, como “Join Me”. Estes clássicos foram cantados em uníssono por todos os headbangers presentes, independentemente da idade. A participação unânime do público criou uma conexão emocional e tornou o show ainda mais memorável. Para mim, um dos destaques do festival e uma experiência inesquecível.

Domingo – 02/07

Chegamos ao último dia do festival, em que as bandas começaram um pouco mais tarde. Cheguei por volta das 17h30 e consegui assistir à lendária XYSMA no palco Inferno. Essa foi a primeira banda de grindcore da Finlândia, formada no final dos anos 80, e que passou por várias mudanças de estilo ao longo dos anos, chegando a um stoner punk mais artístico. O show foi decente, os músicos, já com cabelos grisalhos, tocaram muito bem, mas não era exatamente o meu estilo preferido.

No palco principal, chegou a vez do THE HU, diretamente da Mongólia, que eu estava ansiosa para ver. A ideia em si era quase surreal: um grupo de guerreiros mongóis tocando heavy metal clássico com instrumentos folclóricos e cantando em mongol em um festival de metal europeu. Quando os riffs estrondosos e os poderosos vocais khoomei (uma técnica de canto gutural da Mongólia, Sibéria e Tuva) ecoaram pelos enormes alto-falantes, a multidão foi instantaneamente cativada. Eu, que estava no pit tirando fotos, até senti arrepios! A banda apresentou todos os seus sucessos, é claro, como “Wolf Totem”, “Shoog Shoog” e “Yuve Yuve Yu”. No entanto, o que realmente animou o público foi a versão cover de “Through the Never” do Metallica. Com certeza, irei explorar mais o material do The Hu após esse show impactante, que deixou uma marca tanto em mim quanto em toda a plateia.

De volta ao palco Kult, fui assistir a banda finlandesa …AND OCEANS, liderada por ninguém menos que o Matthias Lillmans, frontman do Finntroll. A banda de black metal sinfônico existe desde 1995 e fez um ótimo show, deixando a plateia bem animada e interativa.

No entanto, a honra de encerrar a edição de 2023 do Tuska recaiu sobre os grandes mestres suecos do metal gótico com um toque de pop, GHOST. O show, que contou com “Kaisarion”, “Rats”, “Faith”, “Spillways” e “Cirice”, foi simplesmente incrível em todos os aspectos. Desde o figurino cuidadosamente selecionado, como os capacetes de ficção científica que os Nameless Ghouls usavam, parecendo cabeças de insetos em estilo steampunk, até a decoração grandiosa, o espetáculo de luzes espetacular e um setlist repleto dos maiores sucessos, terminando com um bis de três músicas: “Kiss the Go-Goat”, “Dance Macabre” e “Square Hammer”, que eu e todo o resto do público cantamos a plenos pulmões. Os caras são artistas experientes e sabem criar uma mise en scène impecável que nenhum fã de metal pode contestar. De fato, o Ghost entregou uma performance memorável que ficará gravada em minha memória. O melhor show do Tuska… De longe!

O Ghost garantiu que todos saíssem do local com um largo sorriso no rosto e um gostinho de quero mais. E é isso que esperamos. Até ano que vem!

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