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UNDEROATH – São Paulo (SP)

27 de janeiro de 2024 – Vip Station


Por Guilherme Góes

Fotos: Vanessa Souza

No cenário musical, há fenômenos que deixam marcas duradouras em gerações inteiras, moldando as tendências de suas respectivas épocas. Contudo, em cada nicho musical, destacam-se grupos e artistas cujas obras não apenas influenciam, mas também definem de maneira inconfundível a essência dos movimentos.

O heavy metal, estilo de abrangência global, possui uma diversidade inexplicável. No entanto, mesmo diante de sua vastidão e popularidade, não é exagero afirmar que a cena headbanger seria radicalmente diferente sem a contribuição de nomes como Iron Maiden, Metallica e Pantera, e os álbuns “The Number Of The Beast” (1982), “Master Of Puppets” (1986) e “Vulgar Display of Power” (1992). De maneira análoga, seria plausível argumentar que o punk rock teria uma sonoridade distinta sem a existência de obras emblemáticas como “Nevermind The Bollocks, Here’s The Sex Pistols” (1977), dos Sex Pistols, e “Walk Among Us” (1982), dos Misfits.

Já no início dos anos 2000, emergindo em paralelo ao emocore, despontou o screamo/post-hardcore, que acabou sendo uma das tendências musicais mais impactantes e memoráveis daquela década. Entre os expoentes notáveis dessa cena, destacam-se bandas como Alesana, The Used, Alexisonfire, A Day To Remember e, incontestavelmente, Underoath.

Fundado em 1997 em Tampa, Flórida, o grupo destacou-se por suas letras introspectivas e espirituais, aliadas a uma fusão habilidosa de elementos de metalcore, noise e música experimental. Os álbuns “They’re Only Chasing Safety” (2004) e “Define the Great Line” (2006) marcaram um ponto de virada no cenário, revolucionando a sonoridade do post-hardcore e tornando-se uma referência direta para diversas bandas ao redor do mundo. No Brasil, a influência da banda norte-americana também foi bastante expressiva, tendo impacto em grupos como Alessa, Envydust e Fresno.

Após 12 anos desde a última apresentação na cidade de São Paulo, os fãs paulistanos tiveram a oportunidade de matar a saudade do emblemático grupo no último sábado (27), no VIP Station – antiga “Nitro Night”, lendária balada de funk. Sob nova administração, o local vem expandindo seu leque de espetáculos, e agora recebe atrações de diversos segmentos musicais.

Experiência geral e shows
Ao chegar na Rua Gibraltar, era possível ver de imediato que as expectativas para a noite eram enormes. Os fãs formavam uma fila quilométrica que se estendia por diversas vias do bairro de Santo Amaro. Além disso, todos os bares locais foram tomados pelos devotos do grupo da Flórida. A cada instante, ambulantes surgiam oferecendo uma variedade de produtos não oficiais, como bottons, bandeiras e camisetas.

Por volta das 19h, as portas da casa foram oficialmente abertas ao público em geral. No entanto, neste momento, alguns contratempos foram registrados. A equipe de segurança conduziu uma revista minuciosa tanto no público quanto nos profissionais de imprensa. Alguns fotógrafos foram solicitados a abrir seus equipamentos, retirando lentes e flashes, enquanto dezenas de fãs manifestaram descontentamento ao relatar que seus pertences foram manuseados com desdém durante o processo. Sem dúvidas, a equipe da VIP Station deve melhorar neste quesito nos próximos eventos.

Com quase 30 minutos de atraso em relação ao horário oficial (possivelmente planejado para permitir que o público entrasse tranquilamente na casa de shows), a banda paulistana Gloria deu início à sessão musical. O grupo destacou um setlist bastante parecido ao apresentado durante a abertura para o NX Zero no Allianz Parque, no último mês de dezembro, começando com “Coração Codificado” (single que estará presente no próximo álbum completo) e seguindo com a clássica “Vai Pagar Por Me Conhecer”.

Antes de tocar “Voa”, o vocalista Mi Vieira anunciou que a banda está planejando uma extensa turnê com 21 apresentações em diversos estados brasileiros. No meio do show, a energia do público aumentou consideravelmente durante o bloco composto principalmente por faixas do álbum “(Re)Nascido”, incluindo “A Arte De Fazer Inimigos”, “Bicho do Mato”, “Desalmado” e “Horizontes”, esta última com a participação de Lucas Silveira, da Fresno. Como de costume, “Minha Paz” encerrou o set. Contudo, os fãs notaram a ausência de “Asas Fracas”, canção praticamente inerente aos repertórios do Gloria desde 2006.

 

Underoath
Com a casa completamente lotada, dando a impressão de superlotação, Spencer Chamberlain (vocal), Aaron Gillespie (bateria e vocal), Grant Brandell (baixo), Timothy McTague (guitarra) e Christopher Dudley (teclados) subiram ao palco com um atraso de 15 minutos, enfeitados sob uma animação com temática vintage noventista. Após uma breve saudação, os músicos deram início ao set com “Take a Breath”, faixa do último álbum “Voyeurist”, que foi recebida com entusiasmo como se fosse uma conhecida de longa data, levando toda a pista do clube a pular. Para “quebrar o gelo” logo no início, veio “Writing On The Walls”, o single mais popular do disco “Define the Great Line”, fazendo o local vibrar. Para intensificar ainda mais a experiência, o vocalista Spencer desceu até a pista, gerando um enorme moshpit e uma verdadeira onda de crowdsurfings, com fãs ansiosos para chegar perto e cantar junto ao ídolo. Após o intenso episódio, o público mandou um coro com o nome da banda, silenciado apenas pelo início dos primeiros acordes de “In Regards to Myself”, outra faixa do quinto álbum da banda.

Na sequência, a introdução de “Hallelujah”, onde Spencer canta solitariamente, proporcionou um momento de calma, diminuindo um pouco a intensidade na pista. Contudo, durante o refrão, os seguidores retomaram com força total, entoando-o mais alto do que o próprio vocalista. Aproveitando o vínculo com seus fãs, o frontman promoveu uma interação interessante durante a execução da clássica “It’s Dangerous Business Walking Out Your Front Door”, “jogando” algumas partes da música para a plateia. Neste momento, pela primeira vez na noite, foi possível apreciar com maior precisão os incríveis arranjos melódicos do baterista Aaron Gillespie – uma verdadeira marca registrada do grupo. Aliás, Aaron permaneceu em destaque em “Breathing in a New Mentality”, entregando uma introdução complexa na bateria, marcada por passagens noise/experimental.

Em sua primeira interação direta com os fãs durante o set, Spencer brincou ao perguntar quem esteve presente no show de 2012 e também quis saber quem estava assistindo Underoath pela primeira vez. Em seguida, a faixa “Illuminator” exibiu fortes influências de grindcore, com batidas blast beats extremamente rápidas. Já em “Too Bright to See, Too Loud to Hear”, o frontman incentivou os fãs a ligarem as lanternas de seus celulares, gerando um cenário de beleza ímpar. Aqui também ocorreu uma dinâmica diferenciada com o tecladista Christopher Dudley, que abandonou seu instrumento para assumir as batidas em um tambor.

Seguindo, a casa literalmente tremeu ao som de “Reinventing Your Exit”, um dos maiores hits do conjunto, entoado a plenos pulmões por todos os presentes. Mantendo a energia elevada, também veio “You’re Ever So Inviting”, outra faixa importante de “Define the Great Line”. Contudo, essa parte do bloco foi marcada por um dos momentos mais desagradáveis de todo o evento. Demonstrando despreparo e falta de familiaridade com o público do rock, a equipe de segurança da casa adotou uma postura extremamente agressiva com os fãs que se arriscavam nos crowdsurfings, empurrando com força excessiva qualquer um que tentasse se aproximar do palco. Apesar dessa cena lamentável, os presentes manteram entusiasmo na reta final do set, que contou com as canções “Down, Set, Go”, “A Moment Suspended in Time” e “A Boy Brushed Red Living in Black and White”.

Mesmo diante de alguns contratempos protagonizados pela equipe de segurança, a performance do Underoath foi excepcional. O grupo reafirmou sua relevância inigualável dentro de seu segmento, lotando uma das principais casas de shows em uma das maiores metrópoles do mundo até o último metro quadrado disponível, mesmo após quase duas décadas do auge do post hardcore.

Setlist – Gloria:
Coração Codificado
Vai Pagar Caro Por Me Conhecer
Karma
Voa
A Arte De Fazer Inimigos
A Cada Dia
Horizontes
Bicho Do Mato
Desalmado
Minha Paz

Setlist – Underoath:
Take a Breath
Writing on the Walls
In Regards to Myself
Hallelujah
It’s Dangerous Business Walking Out Your Front Door
Breathing in a New Mentality
Illuminator
Too Bright to See, Too Loud to Hear
Reinventing Your Exit
You’re Ever So Inviting
Let Go
Damn Excuses
Down, Set, Go
A Moment Suspended in Time
A Boy Brushed Red Living in Black and White

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