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VENOM PRISON: NASCIDOS DO CAOS!

Budgie, Bullet For My Valentine, Skindred e Acrimony costumam ser os primeiros nomes citados quando falamos sobre o metal do País de Gales, mas é bom saber que a lista vem ‘engrossando’ ano a ano. E digo isso não apenas no sentido óbvio de que mais e mais grupos vão nascendo ao longo do tempo, mas também que essas novas bandas vão cada vez mais abraçando sonoridades mais extremas. Um bom exemplo disso é o Venom Prison, que surgiu em 2014, e aposta em uma viciosa mistura de death metal com hardcore. Depois de lançar os álbuns Animus (2016), Samsara (2019) e Primeval (2020), eles finalmente têm alcançado a atenção do grande público, com o lançamento do novíssimo Erebos. Conversamos com o guitarrista fundador Ash Gray para sabermos mais dessa história. 

Depois de lançar seus três primeiros álbuns ao lado da Prosthetic Records, vocês chegam em Erebos, com uma nova parceria com a Century Media. Imagino que começar esse ciclo com a perspectiva da sua música chegando a mais pessoas seja uma ótima sensação. 

Ash Gray: Sim, cara, com toda certeza. Quer dizer, eu não vou atirar pedras na Prosthetic, tivemos uma longa parceria com eles, que foi fundamental para nós, mas quando precisamos seguir em frente, a Century Media foi a melhor opção para nós. É como você disse, a distribuição é muito maior, é um dos principais selos de metal no mundo, então as perspectivas são ótimas. Já estamos sentindo a diferença, pois estamos fazendo muito mais entrevistas do que antes, e isso é um bom sinal. Vamos ver, estou bastante empolgado com o momento! 

Você diria que Erebos é um bom ponto de partida para aqueles que nunca antes ouviram a música do Venom Prison? 

Ash: Engraçado você perguntar isso, pois ainda ontem eu e os outros caras estávamos justamente discutindo isso… Quando começamos a trabalhar nesse disco, ainda não tínhamos a ideia de como seria, eu digo em relação a divulgação, distribuição, essas coisas. Nós apenas estávamos fazendo a nossa música, como antes, sem preocupações adicionais. Apenas queríamos fazer o melhor disco que pudéssemos nesse momento, que é a nossa abordagem normalmente. Bem, o disco ficou pronto, e muitas pessoas tem nos procurado para falar sobre a nossa música, então essa sua pergunta surgiu na nossa cabeça. ‘Será que Erebos é uma boa primeira mostra daquilo que fazemos?’ Bom, eu acredito que sim. Não vou dizer para você que é o nosso melhor álbum, isso quem deve dizer são os fãs, mas com certeza é um disco muito bom do Venom Prison, um disco que nos representa completamente, os nossos valores musicais estão nesse disco. Temos bastante brutalidade, temos algumas melodias, temos variações rítmicas, death metal, hardcore… Quer dizer, ele tem todos os elementos que um álbum nosso deveria ter, e foi produzido por uma banda mais experiente e um bocado mais competente do que antes, pois sempre procuramos nos aprimorar. É um disco do Venom Prison, e talvez ainda mais caprichado e fiel ao que desejamos do que antes, então, com certeza, podem começar por este, e se gostarem, podem mergulhar no nosso catálogo que não vão se decepcionar, ainda somos os mesmos! 

Sim, concordo totalmente com isso. Na verdade, ainda lembro de 2015, quando ouvi o EP Defy The Tyrant pela primeira vez. Logo que começou a Usurper of the Throne, senti aquela vibração única do hardcore, mergulhada no universo caótico do death metal. E essa é a sensação ao ouvir Erebos também. 

Ash: Muito obrigado, cara! Essa é uma coisa interessante, pois quando começamos a escrever novas músicas, não gostamos de sentir presos a um roteiro, como que tendo que seguir por uma única via, se é que me entende. Porém, também não queremos as coisas tão soltas assim, como se pudéssemos, de repente, virar uma outra banda. Não, nossa música deve ser livre o suficiente para ser dinâmica, mas fiel o suficiente para não ser descaracterizada. 

Erebos – Century Media – IMP

Sim, e gostaria justamente de destacar esse ‘caráter’ da sua música. Vocês trabalham com death metal e hardcore, mas em nenhum momento soam como uma banda deathcore. Quer dizer, os elementos death e hardcore soam muito claros e fortes, não é uma mistura que enfraquece ambos os lados. 

Ash: Cara, mais uma vez obrigado, que bom que percebeu isso! De fato, não somos uma banda de deathcore, nunca fomos, nem nos primeiros dias. É até engraçado ver algumas pessoas discutindo isso na internet, pois tem um monte de pessoas novas conhecendo a nossa música agora, então eles ainda não sabem o que esperar. Então, eles chegam dizendo ‘deathcore’, e nossos fãs mais antigos corrigem, ‘não, é death metal, com hardcore’ (risos gerais). É divertido cara! Bem, eu acho que essa diferença que você ressaltou vem do fato de sermos todos músicos de hardcore, todos nós antes tocávamos em bandas de hardcore. Porém, somos apaixonados por death metal, e formamos o Venom Prison para tocar death metal. É apenas o nosso ‘background’, a nossa experiência que traz o hardcore à tona. Acho que qualquer coisa que toquemos vai soar hardcore, pois é dele que viemos. 

Sim. É mais ou menos o mesmo que aconteceu com Full Blown Chaos e Sworn Enemy no passado, e que hoje também acontece com o Creeping Death. 

Ash: Sim, exato. Veja, gosto dessas bandas que você citou, e todos eles têm exatamente esse mesmo background que citei, eles são músicos de hardcore apaixonados por metal. Eles também tocaram hardcore a vida inteira, então isso transparecerá na música, querendo ou não. 

Bem, a Grã-Bretanha tem uma história incrível no hardcore punk, mas não sei como são as coisas aí no País de Gales. É semelhante ao que acontece na Inglaterra? 

Ash: Mais ou menos. Quer dizer, temos uma cena aqui, boas bandas, fãs dedicados, mas não temos os clubes icônicos e todas aquelas bandas lendárias da Inglaterra, e isso acontece porque tudo aqui é muito ‘menor’ do que na Inglaterra. O País de Gales é muito pequeno, bem diferente. Mas eu tive sorte, pois daqui onde vivo, preciso dirigir apenas meia hora e estou na Inglaterra, com acesso a todos aqueles clubes (risos). Não tenho dúvidas que essa conexão foi fundamental na minha educação musical e no que faço como músico. 

Falando nisso, como funciona o processo de composição de vocês? 

Ash: Temos um padrão um tanto solto, mas em geral ele funciona assim: as músicas nascem à partir das linhas de guitarra. Então, o processo começa comigo e Ben Thomas criando riffs e passagens, que vamos ampliando e refiando ao longo do tempo, enquanto compartilhamos ideias. Nessa parte do processo, todos os demais integrantes são integrados ao trabalho, todos estão livres para apresentar suas ideias e ‘retocar’ a composição original, e algumas das nossas melhores composições nascem desses retoques. Bem, alguns ajustes também precisam acontecer de última hora, às vezes. A questão é que todas as letras e melodias vocais são criadas pela nossa vocalista, Larissa Stupar. Ela escreve sobre os temas que aparecem na cabeça dela, com total liberdade, pois essa é a melhor forma de alcançar o máximo da performance vocal, a entrega completa que ela costuma demonstrar. 

Sim, os vocais são impressionantes, não raramente ouvimos pessoas afirmando que eles foram a porta de entrada para a música de vocês. 

Ash: Sim, exatamente. Ela tem toda essa potência vocal, é uma coisa absurda. Claro que os temas sobre os quais ela escreve tem muito a ver com o resultado que alcança, ela se relaciona pessoalmente com aquilo, usa sua emoção mais intensa na hora de dar voz àquelas letras, e isso não acontece apenas no estúdio, mas também nos palcos, isso realmente me impressiona, e não digo isso apenas por tocarmos na mesma banda. Mas, quando ela chega com as letras, em geral as músicas já estão prontas, e é aí que entram os ajustes de última hora que comentei antes. Alguns versos da voz acabam soando mais longos ou mais curtos do que o verso instrumental, então, para a música não perder coesão, alteramos o verso no instrumental. Assim garantimos músicas mais coesas, e não limitamos a paixão e a entrega que aparecem nos vocais. 

É uma ótima maneira de resolver a situação. Falando diretamente sobre as músicas, gosto da maneira como introduziram o álbum, com Born From Chaos. 

Ash: Obrigado cara! Sabe, nós queríamos uma música que soasse como uma introdução, mas que não fosse como uma dessas milhares de intros chatíssimas que ouvimos todos os dias, um monte de camadas sintetizadas intercaladas por ruídos, isso é muito clichê (risos gerais). Elaboramos então uma música de verdade, com instrumentos e voz, mas que soa diferente de tudo o que temos no álbum. Gosto das linhas de bateria, e os vocais, essa coisa meio que declamada… Era apenas uma intro, mas se tornou um destaque. 

Sim. E, para que ninguém ficasse em dúvidas sobre o som atual de vocês, Judges Of The Underworld já devolve seu som aos trilhos, ou a absoluta falta de trilhos, eu diria… 

Ash: Ah, sim, concordo plenamente (risos gerais). Essa é uma ótima música, e essa sensação de algo maníaco e desenfreado, isso veio do nosso novo baterista, Joe Bills (N.R: ex-Fallen Apollo). Não acho que alguém diria que esse é o primeiro álbum dele conosco, pois soa tão integrado à banda, ele teve ótimas ideias. Essa música é um ótimo exemplo do que falei antes, ela partiu dos riffs, mas ganhou muito com as ideias dos outros integrantes. 

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