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VULCANO – EYE IN HELL [9,0/10]

Hellion - Nacional

Em 1986, ano em que o VULCANO lançava o seu Magnum opus Bloody Vengeance, o mundo do metal vivia uma época de profunda expansão musical e geográfica. Musicalmente, enquanto o METALLICA (com Master Of Puppets), MEGADETH (com Peace Sells… But Who’s Buying?) e SLAYER (com Reign In Blood) definiam o ápice mundial do thrash metal, novas bandas surgiam em todo o mundo, apresentavam novas fórmulas cada vez mais desafiadoras e extremas de música. QUEENSRYCHE, VOIVOD, CELTIC FROST, cada uma à sua maneira foram buscando novas maneiras de manifestar sua arte, e foi neste cenário de expansão e transformação que o VULCANO lançou o seu primeiro álbum completo de estúdio. Um álbum que desde então se tornou referência para tudo que foi produzido de mais extremo no mundo da música.

Com o passar dos anos, muita coisa mudou no horizonte do VULCANO. A formação já não é a mesma há muito tempo, apenas o guitarrista Zhema Rodero permanece desde então. E é justamente por isso que você deve compreender que muita coisa mudou no universo do VULCANO. Mas não mudou a força e a paixão genuína pela música pesada que sempre guiou as composições deste gigante do metal underground.

Como um veterano de guerra que assiste a um documentário sobre os campos de batalha em que ele lutou, ao colocarmos o novo Eye In Hell para tocar imediatamente nos sentimos envolvidos por aquela aura típica do metal dos anos 80, onde os riffs eram mais apaixonados do que racionais, onde a música – tradicional ou inovadora – era sempre encarada pelos músicos de heavy metal com a paixão de verdadeiros amantes, e não com o tédio e sufoco de uma relação de aparências.

E, se antes falamos em mudanças de formação, coube ao mais novo integrante da banda, iniciar a intempestiva jornada ao Hades. O baterista Bruno Conrado, que se juntou ao VULCANO no ano passado para substituir Arthur Von Barbarian, é o primeiro a mostrar suas cartas, seguido logo de perto pelo baixo de Carlos Diaz e pelas guitarras da dupla Gerson Fajardo e Zhema. Trazendo a ira e a raiva de um anjo caído, Luiz Carlos Louzada chega arrastando os ouvintes para um mundo de fogo e fúria, o universo típico daqueles que cravam garras afiadas nas costas dos incautos habitantes do Olimpo.

Cursed Babylon é outra daquelas que evoca o espírito oitentista, e respira thrash na mesma proporção que transpira a aura negra e suja da primeira onda do black metal. Seja na primeira parte, mais contida e thrash, ou na segunda parte, mais rápida e black, são as guitarras que comandam as ações. Logo na sequência, a banda mostra que tem mais ferramentas na sua caixa, e traz algo totalmente diferente em Evil Empire. Aliando pausas com o tradicionalíssimo ‘palm muting’, Fajardo e Zhema trazem aquele clima mórbido e mítico típico da primeira era do VENOM, tudo muito bem equilibrado por diferentes vocalizações de Louzada, que neste álbum alcança uma de suas melhores performances.

Struggling Beside Satan chega para reafirmar o cartão de visitas de Bruno Conrado, que com seu ataque rápido e direto cria o ambiente correto para os riffs em ‘reverse gallop’, bem na escola de Raining Blood que dão a tônica de uma das músicas mais legais desse novo registro. E o décimo-primeiro álbum completo de estúdio dos pioneiros do metal extremo da América do Sul ainda tem outras ótimas surpresas para os fãs da velha escola do metal: o que dizer da absurda mudança de andamento que transforma a veloz Sinister Road em um veículo ideal para os viciosos ‘circle-pits’?

Fãs de HELLHAMMER se deliciarão tanto com Sirens Of Destruction quanto fãs de EXCITER adorarão Mysteries Of The Black Book. Isso sem mencionar a tempestade black/thrash metal (com ‘tremolo picking’ e tudo!) de When The Days Falls, a intempestiva Cybernetic Beast, que soa como um tributo aos primeiros dias do metal extremo no nosso continente, ou ainda, a inesperada e ótima Inferno, que salienta ainda mais o peso e a velocidade do conjunto da obra que se desenvolve ao seu redor.

 Resumindo, Eye In Hell não é apenas uma viagem no tempo, é a prova de que o VULCANO ainda faz por merecer o seu nome dentre os gigantes que ajudaram a definir a cara da música extrema. Inspiração maior para músicos de bandas como NIFELHEIM, DESASTER, 1349, AURA NOIR, DESTRÖYER 666 e NOCTURNAL BREED, o VULCANO nunca alcançou o mainstream do metal, algo que acredito nunca ter tirado um único segundo do bom sono de Zhema Rodero. Muito ao contrário, o VULCANO chegou para reafirmar o poder da música underground, um cenário onde reina orgulhoso até os dias de hoje.

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