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Live Evil

WARREL DANE

John Bull Pub - Curitiba (PR), 02 de abril de 2015

Menos de um ano depois de visitar Curitiba em carreira solo, apresentando grande parte do trabalho “Praises of the war machine”, e alguns clássicos do Nevermore,  Warrel Dane voltou para a capital paranaense para inverter um pouco as coisas. Agora mais focado no trabalho da banda que o consolidou como um dos principais vocalistas da cena metal, Dane deu um verdadeiro presente para os fãs tocando na íntegra o aclamado “Dead Heart in a Dead World”, do ano 2000, um verdadeiro clássico e divisor de águas da banda de Seattle. O resultado, para o público curitibano, não foi menor do que fabuloso.

Warrel Dane está com 54 anos e isso parece não ter chegado em nenhum aspecto ao vocalista norte-americano. No palco do John Bull na quinta-feira (2 de abril), o que se viu e ouviu foi um garoto brincando de cantar. Sim! Cheio de alegria, vontade, carisma e bom humor, Dane teve que se esforçar pouco para conquistar os fãs. Se a casa não estava cheia, atraindo praticamente o mesmo público do show do ano passado, só que em local diferente, Warrel Dane e banda teve a noite toda para fazer a alegria dos fãs. E fez com muita facilidade.

A abertura da noite foi uma rasgaceira sem dó com o DevilSin. De Curitiba e fazendo um heavy metal tradicional pegado, quase chamando para o Thrash, o quarteto se divertiu a beça e o público, apesar de ainda pequeno, incentivou a banda em cada ocasião. O vocalista Kevan Gillies usa a simpatia como aliada do vocal rasgado e ativo, convidando a galera a todo instante para interagir.
Destaques para as canções New World Order e a interativa White Line Madness. Gillies deu uma surpreendente declaração ao final do show, dedicando-o para a esposa que na data completavam 35 anos de casados!  Um baita respeito para a banda que tem muita pegada no palco.

Como atração especial, Warrel Dane chegou logo depois sem rodeios. A divulgação do set list antes deixou todo mundo maluco, com a lista de músicas de Dead Heart in a Dead World de forma completa, logo de início, com toda a magia da banda norte-americana. Se já está longe do grupo consagrado, Dane chamou músicos brasileiros para a turnê e até agora tem sido bem sucedido. Os parceiros nesta empreitada são os guitarristas Johnny Moraes (Hevilan), Thiago Oliveira (Seventh Seal), o baixista Fabio Carito (Shadowside) e o baterista Marcus Dotta (Skin Culture, Hatematter).

Então se temos um disco para tocar inteiro, façamos desde o início! Que beleza de abertura com Narcosynthesis e a sequência de We Disintegrate! São das coisas que você parece que nunca terá a experiência de ver ao vivo na vida e logo percebe que está ali, à sua frente (pena que tão poucas pessoas tenham sentido a mesma emoção).

O local do show simples, palco pequeno e de baixa altura, iluminação básica deu ao público uma sensação lógica de proximidade. E bota proximidade nisso, com os fãs podendo tocar a mão de Warrel Dane que estava confortável com a situação. De chapéu, vestido com uma camisa de força, inclusive com cadeados, o vocalista interagiu, brincou com as mangas do adereço e se divertiu pra valer. Não teve medo de estender o microfone aos fãs em cada momento do show, mesmo que com letras espessas, o histórico do Nevermore é emotivo, louco, intenso e pesado. Era tudo o que os fãs queriam e precisavam.

A banda de apoio correspondeu da forma que deveria. Jeff Loomis é um extremo perfeccionista e o que a gente mais odeia é músico tentando imitar o outro. Deixem que a sintonia entre o quinteto novo que segue Dane pelo Brasil faça o seu melhor, mas sem aquela cobrança de que um milhão de notas por segundo, riffs quebrados e bateria truncada devem ser seguidos à perfeição. Apenas o som em vários momentos do show deixou a desejar, seja no vocal que sumia ou nas guitarras que também desapareciam. Coisas do mundo do metal, que não machucam ninguém.

O que deu de problema, no fundo, acaba passando pela boa vontade dos músicos. E do público também. Foi impecável e de encher os olhos a atuação de todo o ótimo “Dead Heart in a Dead World”. A pegada de “Sound of Silence”, o brilhantismo de “Believe in Nothing”, o peso de “Heart Collector” e a mágica que a música título provoca mesmo após 15 anos de seu lançamento. Foi uma atitude inovadora de Warrel Dane assumir esta turnê, e nós agradecemos muito por isso!

Mas o show estava apenas na primeira parte. Logo para o ato seguinte, mais músicas do Nevermore e o espaço para apenas uma canção solo, Messenger, bem recebida por sinal. Mas ficou claro que o Neveremore (ainda existe ou existirá?), é a base mais sólida da carreira de Warrel Dane. Não que o Sanctuary tenha menos valor, até pelo bom disco lançado recentemente, mas quando se escuta “I, Voyager”, “Sell My Heart for Stones”, “Enemies of Reallity” e a linda “Dreaming Neon Black”, que teve a participação especial da vocalista da banda curitibana Semblant. A parceria foi muito legal e cheio de graça, Warrel Dane teve uma ótima escolha para a turnê brasileira.

Encerrando o show com as pesadas “This Godless Endeavor” e “Born”, Warrel Dane encerrou sem demonstrar cansaço uma noite de vinte músicas e mais de duas horas de show. Sem frescuras de um ídolo que já viu multidões à frente e não incomodado pelo fato de sua carreira solo não atrair aquela multidão talvez desejada por organizadores, Dane cumpre bem seu papel. Canta com coragem, vontade, leva sua voz aos tons mais agudos sem muita dificuldade e se diverte. Diverte a todos que o assistem e ao mesmo tempo se permite ficar feliz com atuações bem feitas. Precisamos mais de Warrel Dane no mundo da música, mesmo aos atuais 54 anos de idade que ele tem. Se precisar, volte ano que vem Dane! Volte que estaremos lá.

Setlist:
1ª parte
Narcosynthesis
WeDisintegrate
Inside Four Walls
Evolution 169
The River Dragon Has Come
The Heart Collector
EnginesofHate
The SoundofSilence
Insignificant
Believe in Nothing
Dead Heart in a Dead World

2ª parte
I, Voyager
Dreaming Neon Black
EmptinessUnostructed
Messenger
MyAcidWords
SellMy Heart For Stones
Enemiesof Reality
ThisGodlessEndeavor
Born

 

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