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Live Evil

WELCOME TO ROCKVILLE

Metro Park, Jacksonville, FL (EUA), 30 de abril e 1º de maio de 2016

Organização, pontualidade, conforto, ótima infraestrutura e cast de primeira linha. Esses são alguns dos adjetivos que encontramos para descrever a sexta edição do “Welcome to Rockville”, realizada nos dias 30 de abril e 1º de maio. Junto com o “Fort Rock”, “Carolina Rebellion”, “Northern Invasion”, “Rockfest”, “Rock on the Range”, “Rocklahoma” e “River City Rockfest”, o “Welcome to Rockville” faz parte do que os americanos chamam de “World’s Loudest Month”, que significa uma série de festivais realizados entre abril e maio em cidades diferentes, mas basicamente contendo o mesmo cast. Como todo grande festival, os shows acontecem simultaneamente em dois palcos, o que torna praticamente impossível conferir todos. Às vezes, o obriga a escolher entre bandas que você provavelmente desejaria que tocassem em horários diferentes. Entre as bandas que pudemos acompanhar mais de perto neste primeiro dia estão Asking Alexandria, Bullet for My Valentine, Disturbed, Pop Evil, Red Sun Rising, Shinedown e Sixx:A.M.

Demoramos um pouco para chegar até o local do show e pegamos as credenciais de imprensa enquanto tocava o Lacey Sturm. Corri para o Lefty Stage para ver o Red Sun Rising. Com seu som cheio de referências a Soundgarden, Stone Temple Pilots e divulgando o full-length de estreia, “Polyester Zeal”, fizeram um set curto com apenas seis músicas. Após as tradicionais fotos durante as três primeiras músicas, fomos para a tenda de merchandising, que já tinha uma fila quilométrica. Fica a dica: se você quer pegar autógrafos das bandas do festival (90% delas faz sessão de autógrafos), chegue cedo e encare a fila, mesmo que para isso perca as duas primeiras bandas. É uma questão de tempo para que todos os itens se esgotem.

Após as compras, fomos acompanhar o Asking Alexandria. É impressionante o quanto os ingleses são populares nos Estados Unidos. Divulgando o recém-lançado “The Black”, a banda entrou com “I Won’t Give In”, que já estava na ponta da língua, já que foi lançada em 2015 para apresentar o novo vocalista Denis Stoff. Na sequencia vieram “The Death of Me” e “Here I Am” (também do último álbum). De “Reckless and Relentless” foram apresentadas “Breathless” e “To the Stage”, seguidas pela faixa título do mais recente álbum e, para finalizar, “The Final Episode (Let’s Change the Channel)”, de “Stand up and Scream”. Vamos para o próximo…

Promovendo o álbum “Venom”, os também ingleses do Bullet for My Valentine tomaram o Righty Stage com a primeira faixa, “No Way Out”, seguida de “Waking the Demon” e “4 Words (To Choke Upon)”. Como o tempo era curto, não houve espaço para delongas e atacaram com as já clássicas “The Last Fight” e “Scream Aim Fire”, encerrando o set com “Tears Don’t Fall”.

Mais uma corrida para o Metropolitan Stage para ver o sensacional Pop Evil! A abertura com “Deal with the Devil” e um som cristalino já mostraram a que a banda veio. “Lux”, “Ways to Get High” e “In Disarray” foram as únicas músicas de “Up”, mais recente trabalho, apresentadas neste show. Assim, o set teve espaço para as velharias “Torn to Pieces”, “Goodbye My Friend”, um ‘medley’ de “Last Man Standing” e “Boss’s Daughter”, “Trenches” e o encerramento com “Footsteps”. Depois, pausa nos shows para ver como estava a sessão de autógrafos do Shinedown e Disturbed. Foi o que eu disse: uma hora você tem que escolher o que quer perder pra ganhar! As bandas perdidas foram Escape the Fate e Pennywise. Porém, chegava a hora do show mais aguardado: Sixx A.M.!

A abertura com “Let’s Go”, de “Modern Vintage”, seguida de “This Is Gonna Hurt” e a nova “Rise” já mostravam uma banda extremamente entrosada e um Nikki Sixx completamente diferente dos últimos shows do Mötley Crüe. Mais uma de “Modern Vintage” (“Relief”) e a supreendente “When We Were Gods” vieram na sequência, antecipando a trinca das já clássicas “Lies of the Beautiful People”, “Stars” e o encerramento com a sensacional “Life Is Beautiful”.

Saindo de alma lavada, demos mais uma escapada para a tenda de autógrafos, dessa vez para encontrar o Sixx A.M., perdendo Bring Me The Horizon, 3 Doors Down. Após uma pausa, estávamos preparados para o que ainda estava por vir com o co-headliner do primeiro dia do festival: Disturbed! Com direito a um belo cenário e pirotecnia, nos brindaram com uma trinca de arrebentar o pescoço! Vieram “Ten Thousand Fists”, “The Game” e a nova “The Vengeful One” para provar que o hiato de cinco anos passaram voando e completamente despercebidos. E o set veio repleto de clássicos, como “Prayer”, “Liberate” e “Stupify”.

Houve dois momentos de muita emoção: quando tocaram “The Sound of Silence” (cover de Simon & Garfunkel) e na nova “The Light”, quando o vocalista David Draiman pediu para que todos erguessem seus celulares no refrão (“Sometimes darkness can show you the light…”), gerando um efeito maravilhoso na plateia. Entretanto, foi desnecessário o ‘medley’ de covers do Nine Inch Nails, U2, The Who e Rage Against the Machine (Closer / I Still Haven’t Found What I’m Looking For / Baba O’Riley / Killing in the Name). Podiam ter tocado “Stricken”, “Sons of Plunder” ou “Remember”, por exemplo. Seja como for, para finalizar vieram mais três clássicos: “Indestructible”, “Voices” e “Down With the Sickness”.

Finalmente chegava a vez do Shinedown, headliner do primeiro dia. Promovendo o mais recente álbum, “Threat to Survival”, abriram com uma trinca matadora (“Unity”, “Fly From the Inside” e “If You Only Knew”), seguida de mais “velharia”, com “Diamond Eyes”, “Cyanide Sweet Tooth Suicide”, “I’ll Follow You” e “Enemies”. As novidades vieram com “State of My Head”, “Cut the Cord” e ficaram por aí, pois o restante do set foi composto de mais clássicos, como “Second Chance”. O momento mais emocionante do show veio com o cover do Lynyrd Skynyrd para “Simple Man”. O encerramento de um show perfeito do começo ao fim, mais uma vez com um som cristalino, veio com “Sound of Madness”. E assim se encerrou o primeiro dia do “Welcome to Rockville 2016”. Ainda faltava muito pra acabar… Ainda bem!

Dia 1º de maio

No segundo dia, com muito custo e correria, conseguimos acompanhar os shows do Avatar, Sick Puppies, Sevendust, Ghost, Parkway Drive, Anthrax, Lamb of God, Megadeth, Five Finger Death Punch e Rob Zombie. A primeira foi Avatar. E os suecos chegaram com seu Metal teatral e cheio de performances do vocalista Johannes Eckerström. Agradaram de cara! Lançando o álbum “Feathers & Flesh”, entraram com “For the Swarm”, seguida de “Hail The Apocalypse”. O set foi curto, com apenas 6 músicas, mas a banda parece ter caído nas graças dos americanos.

Em seguida, uma corrida para o outro lado do festival, para o show dos australianos do Sick Puppies. O trio de “Alternative Rock” apresentou seu novo vocalista/guitarrista Bryan Scott e seu novo álbum, “Fury”. Outro setlist curto, com sons como “War”, “Cancer” e “Stick to Your Guns”, que mostrou uma banda entrosada, mas que não parece ter empolgado muito a plateia. Entretanto, todos respeitaram a banda do início ao fim do show.  Como disse anteriormente, é necessário escolher o que assistir e até o que não assistir, para guardar energia. Aproveitamos os shows do Yelawolf, We Came as Romans, P.O.D. e Issues para pegar alguns depoimentos na tenda de imprensa e nos organizar para os próximos shows: Sevendust e Ghost!

O Sevendust está em turnê do álbum “Kill the Flaw” e já entrou com a primeira música, “Thank You”, seguida de “Shine” e “Decay” (do álbum “Black Out The Sun”), a nova “Not Today”, o clássico “Praise” e finalizaram com “Face to Face”, com a participação de Joey Belladonna, do Anthrax. Mais um set curto, mas que nos deixou com aquela sensação que passou rápido demais.

O Ghost estava sofrendo com o calor da Flórida e Papa Emeritus III deixou isso bem claro. Nem por isso deixaram de fazer um show sensacional. Como o setlist também era curto, não havia espaço para erros: tocaram o que há de melhor nos três discos da banda. Abriram com a nova “From the Pinnacle to the Pit”, seguida de “Stand by Him”, “Cirice”, “Year Zero”, “Absolution” e “Mummy Dust”.

Confesso não ser muito fã e não conhecer bem o Parkway Drive, mas o último álbum, “Ire”, me chamou muito a atenção o ano passado. E a banda já entrou arregaçando com “Destroyer”, música que abre o último trabalho. Seguiram “Carrion”, “Vice Grip”, “Idols and Anchors”, “Bottom Feeder”, “Wild Eyes”, “Home Is for the Heartless” e finalizaram com “Crushed”.

Mais uma vez, nos dividimos para acompanhar dois shows imperdíveis: Anthrax e Lamb of God. O Lamb of God tocou no Righty Stage com todo cenário a que tem direito e, como esperado, entraram chutando bocas! Com um setlist composto de “Desolation”, a nova “512”, “Walk with Me in Hell”, “Ruin”, “Now You’ve Got Something to Die For” (dedicada a todos os soldados que já lutaram pelas Forças Armadas dos Estados Unidos), “Set to Fail”, “Blacken the Cursed Sun”, “Laid to Rest” e a já clássica “Redneck” a banda saiu do palco e deixou o público com aquela sensação de que podia ter mais 2 horas de show que os mosh pits e crowd surfing não diminuiriam. Perfeito!

Apesar de estar divulgando o disco “For All Kings”, o Anthrax fez um show muito mais ‘old school’. A abertura com “Caught in a Mosh” já dava mostras disso. Seguiram “Got the Time”, “Antisocial”, “Fight ‘Em ‘Til You Can’t”, as novas “Evil Twin” e “Breathing Lightning” e, para finalizar, “Indians”. Set curto, mas que agradou em cheio os fãs mais antigos da banda, que queriam ouvir os clássicos.

Mais uma pausa para recarregar as baterias e ver o show do Megadeth. Com isso, não vimos o A Day to Remeber e o Clutch. Quando foi anunciado os horários das bandas do festival, Megadeth e Lamb of God tocariam no mesmo horário. Com isso ficamos na dúvida “Com quem Chris Adler vai tocar?”. Claro que a dúvida foi desfeita quando fomos informados que o roadie de Chris faz as vezes dele quando necessário, mas não foi o caso aqui. Chris tocou com as duas bandas!

Com Kiko Loureiro e Chris Adler no time e com o álbum “Dystopia” na praça, era hora de mostrar que esse time não era sensacional só no estúdio e foi o que fizeram! O Megadeth melhorou 10000% em relação a antiga formação, sem a menor sombra de dúvidas. E que setlist!!! A abertura veio com “Hangar 18”, a nova “The Threat Is Real”, a clássica “Sweating Bullets” (que Mustaine se irritou por ter errado a letra), “Trust”, mais uma novidade com “Fatal Illusion”, “Symphony of Destruction”, a faixa título “Dystopia, “Peace Sells” e a óbvia “Holy Wars”. A qualidade dos músicos que acompanham o Sr. Mustaine é inegável. Mas por esse ter sido, talvez, o meu 12º show do Megadeth ficou claro que quem está destoando é exatamente o “patrão”. Sua habilidade nos solos já não é a mesma de outrora (perto do Kiko chega a dar pena), assim como sua voz (que convenhamos nunca foi seu forte) que já não atinge os tons um pouco mais altos, mesmo a banda tendo baixado um tom em relação as gravações originais. Se para os fãs o que importa é ter o cabeça de tudo na ativa, não importa como, então que assim seja!

E chegou a hora do co-headliner Five Finger Death Punch. É impressionante o tamanho dessa banda nos Estados Unidos! Desde o Rock on the Range do ano passado pude observar que, além do Slipknot, a maior quantidade de camisetas usadas pela galera era do FFDP. Abriram com “Lift Me Up”, que em sua versão original tem a participação de ninguém menos que Rob Halford (Judas Priest). Na sequencia vieram “Hard to See” (do album War is the Answer), “Never Enough” (do Way of the Fist) e a faixa título do último album, “Got Your Six”.

O cover de “Bad Company” (do próprio Bad Company) está para o FFDP como “Simple Man” está para o Shinedown, isto é, já pode ser considerada uma música da própria banda. O single “Jekyll and Hyde” e “Burn MF” vieram na sequência, para mostrar que a banda tem a plateia na mão.

O ritmo diminuiu com o ‘medley’ acústico de “Wrong Side of Heaven/Battle Born”. O aviso de que o show estava chegando ao fim foi com “Coming Down”, “Under and Over It” e a obrigatória “The Bleeding”. É uma questão de tempo, talvez mais um disco, para o Five Finger Death Punch se consolidar como a maior banda da nova geração nos Estados Unidos e que eles passem a ser os headliners dessa série de festivais.

E, por fim, era chegada a hora de dizer adeus ao “Welcome to Rockville” com o show do Rob Zombie. A expectativa da minha parte era grande, já que no Brasil não tivemos a oportunidade de ver um show “de verdade” no “Rock in Rio” (não dá pra considerar aqueles telões como um cenário). Mesmo sendo em um festival, Rob Zombie não economizou no cenário! O Robô, os telões sincronizados com a letra da música, pirotecnia e um som impecável foram alguns dos destaques. De cara, abriram com “Dead City Radio” e, sem intervalo, “Superbeast” e “Never Gonna Stop”.

Promovendo o novo disco, “The Electric Warlock Acid Witch Satanic Orgy Celebration Dispenser” (ele é mestre em colocar nomes gigantes e quase indecoráveis nos discos), veio “Well Everybody’s Fucking in a U.F.O.”. Dedicada às garotas da plateia “Living Dead Girl” veio na sequencia e ele foi buscar um dos maiores sucessos do White Zombie “More Human Than Human”. A próxima foi “House of 1000 Corpses” para então uma sequência meio maçante do show com duas novas (“We All Get High” e “Gore Whore”) e um solo de guitarra do exímio John 5. Quem conhece a banda sabe que depois do solo de guitarra vem “Thunder Kiss ’65”. Antes do fim vieram o cover do Grand Funk Railroad para “We’re an American Band” e o encerramento com “Dragula”.

Se tiver a oportunidade, dê um passeio no final de abril de 2017 ao norte da Flórida. Não deixe de passar por essa experiência fantástica. Boa comida, organização, som perfeito, gente educada e um cast que tão cedo não se verá no Brasil são só alguns dos motivos para isso!

 

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