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WILDERUN: SOB O VÉU DA IMAGINAÇÃO

Quando falamos do Estado norte-americano do Massachusetts, qual é a primeira coisa que vêm à sua cabeça? Os mais estudiosos talvez dirão ‘universidades’, afinal o MIT, a Boston University e a prestigiadíssima Harvard ficam lá. Os fãs de esportes também ficarão ouriçados, já que é lá que estão Boston Celtics, New England Patriots, Boston Bruins e Boston Red Sox, apenas para ficar nos mais óbvios. Mas, para o fã de rock, esta também é uma área privilegiadíssima, afinal, Aerosmith, Revocation, Killswitch Engage, Meliah Rage, Unearth e tantos outros nomes seminais provém de lá, além de uma das mais tradicionais cenas hardcore do planeta. Se a música por lá é levada tão à sério que parece existir uma cena para cada tipo de ouvinte, talvez o Wilderun seja a expressão mais perfeita do que o Estado pode oferecer, pois é absolutamente impossível classificar essa banda dentro de um único gênero. Formado em 2012, e tocando variações de metal, prog, folk e música orquestral, eles já contam com quatro álbuns completos de estúdio, cada um representando um novo mergulho musical na jornada do quarteto. O vocalista Evan Anderson Berry nos falou sobre a ideia por trás dessa imensa jornada criativa perpetrada pelo grupo.

Logo de cara, até para o ouvinte mais incidental, uma das primeiras coisas que chamam atenção na música do Wilderun é a imensa quantidade de recursos que usam em cada composição, cada música anda por muitos caminhos diferentes. Essa destreza na composição, que já era demonstrada no álbum de estreia (Olden Tales & Deathly Trails, 2012) me faz pensar que você vem de um ambiente musical. Estou certo ao supor isso?

Evan Andersson Berry: É um prazer falar com você, obrigado por essa oportunidade. A verdade é que desde muito cedo me apaixonei por música, sempre gostei da sensação que tinha ao colocar um disco para tocar e descobria alguma coisa nova, isso sempre me encantou. E eu gostava de todos os aspectos da coisa, a música em si, as artes das capas, as letras, era todo um grande conjunto de coisas que trabalhavam em favor da mesma ideia, sempre achei que era fabuloso que existissem pessoas capazes de fazer isso, ficava admirado com o nível que criatividade que isso demandava. Então, basicamente cresci em meio aos discos, absorvendo tudo o que você puder imaginar, de todos os gêneros, pois existe boa música em todos os lugares, basta procurar. Além disso, meus pais são músicos, então tocar música também é algo estava em minha casa desde que nasci. O fato de eles serem músicos também ajudou nessa minha vontade de ouvir de tudo, músicos precisam ter esse pluralismo que quiserem crescer como instrumentistas.

A guitarra foi a sua primeira paixão?

Evan: A verdade é que essa mesma atitude que tenho na hora de ouvir música, também tenho na hora de tocar música (risos). Nunca consegui me imaginar tocando apenas um instrumento, eu gostava de pensar nas possibilidades que cada um deles me dava, então fui por vários caminhos meio que ao mesmo tempo. Toquei bateria especialmente durante a minha adolescência, mas eventualmente me concentrei mais na guitarra e nos teclados, pois percebi que neles eu poderia realmente trabalhar mais nas minhas composições, fazer algo mais completo.

Bom, se já pensava em composição, é fácil pensar que já pensava em montar uma banda.

Evan: Sim, ouvir, tocar e compor música eram para mim parte do mesmo jogo, eu não concebia essas coisas como partes separadas. Acho que quis começar uma banda tão logo realmente comecei a trabalhar em minhas habilidades de composição e percebi que era capaz de fazer algo interessante. Claro que eu fiz o caminho comum por completo, cheguei a tocar em algumas bandas antes como todo mundo faz no início da carreira, mas compor rapidamente se tornou minha coisa favorita a fazer. Então, tudo ficou muito claro para mim, eu sabia que precisaria começar minha própria banda para dar vazão para todas aquelas ideias que tinha.

Bom, lembro que lá no início, vocês apareceram e foram rapidamente associados ao termo ‘folk metal’. Acho que muito rapidamente as pessoas perceberam que este não era o caso, embora existisse muito folk na música de vocês.

Evan: Eu não sei, acho que aquilo foi simplesmente uma coisa típica de início, quer dizer, você precisa começar de algum lugar, sabe? Eu e os caras tínhamos esse sonho de criar as nossas músicas e ter nossos nomes em um disco cheio da nossa própria marca, do nosso próprio caráter, mas acredito que no início da carreira você ainda não sabe muito bem qual marca é essa. Ainda precisávamos tentar tantas coisas, experimentar, ir aos poucos trilhando o caminho, um disco é pouco para realmente saber qual é a cara de uma banda. Mas é verdade que surgimos como uma banda de folk metal, esse era o plano original, pois era ali que estavam a maior parte das nossas ideias. Porém, depois de gravarmos o Olden Tales & Deathly Trails, sentimos que esse poço havia secado. Não havia mais muito que pudéssemos extrair dali, não que quiséssemos soar verdadeiros e honestos com a nossa proposta. Mas, simplesmente jogar todo o folk de lado também não era uma coisa honesta a fazer, pois todos amamos isso! Então, decidimos fazer uma versão mais americanizada de todo aquele folk metal europeu de que gostávamos, e acho que fizemos um trabalho decente nisso. Mas, de novo, não queríamos que a nossa música e a nossa carreira ficassem estritamente ligadas a isso, de uma forma que pudesse limitar a nossa criatividade em algum ponto no futuro. E parecia que isso muito rapidamente se tornaria limitante e chato, então decidimos explorar alguns territórios diferentes e ver o que poderíamos criar envolvendo todos esses elementos diferentes. Concordo com você que muito daquele som e vibração do folk metal ainda permanece em nosso som, mas tentamos incorporá-lo de uma forma que pareça nova para nós e que não canse os fãs, já que existem tantas bandas europeias há décadas firmemente estabelecidas no gênero, e das quais nós mesmos somos fãs.

Acho que isso meio que cria uma fórmula de inovação constante, que é o tipo de desafio que acaba encantando pessoas criativas. Mas também pode ser um pesadelo se você acabar perdendo todo o tempo do mundo apenas tentando decidir se uma ideia é ou não original.

Evan: Sim, entendo o que você quer dizer. Mas, não se preocupe, não cairemos nessa armadilha. Apesar de termos essa atitude de buscar sempre por algo novo e que nos empolgue, não temos nenhum tipo de ‘soberba artística’, e não vamos jogar no lixo uma boa ideia simplesmente porque ela soou parecida com algo que nós ou alguém já fez antes. Se é uma boa ideia, é uma boa ideia! Claro que não vamos fazer exatamente algo que já foi feito, mas é preciso ter equilíbrio. Você não quer ser escravo dos clássicos, mas também não parece bom ser escravo das novidades. Mudar o nome do mestre não ajuda, o que realmente queremos é a liberdade para fazer aquilo que julgamos certo para aquele momento.

Dito isso, o que uma música precisa ter para você considerá-la uma música do Wilderun?

Evan: Essa é uma boa pergunta, deixe-me pensar por um momento (N.R: Ele fica em silêncio por alguns segundos). É engraçado pensar nisso, pois, se eu substituir a nossa banda por outra, a resposta seria como dizer o que me faz ser fã ou não de uma banda, certo?

Sim, é bem por aí.

Evan: Certo, realmente é uma boa pergunta (risos). Eu não sei, diante de tudo isso que disse antes, poderia dizer que o que torna uma música em algo nosso é a liberdade que temos para escrever, mas essa resposta seria completamente vazia, afinal, liberdade é uma postura na hora de criar, e não um elemento da música. Bem, temos muita mistura na nossa música, tem folk, progressivo, metal, coisas mais sinfônicas, mas existe uma coisa que sempre está lá, não importa por qual caminho estejamos seguindo: sempre existe um sentimento épico. Sempre. Então, acho que é isso, quando estamos compondo uma música, sabemos que ela serve para o Wilderun quando ela passa esse sentimento de algo épico. Sem esse sentimento, não acho que poderia escrever uma música para essa banda.

Bem, pelo nome da banda, deduzo que você também tem interesse em Literatura.

Evan: Sim, e está certo mais uma vez. O nome Wilderun vem de um livro de fantasia chamado As Pedras Élficas de Shannara (N.R: ‘The Elfstones of Shannara’, no original. A obra foi lançada em 1982 pelo escritor estadunidense Terry Brooks, e é o primeiro volume da Trilogia de Shannara). É o nome de uma floresta escura e ameaçadora no mundo de Shannara. Mas, sendo bastante sincero com você, não há ligação entre o livro e a banda, apenas senti que era uma palavra legal, soava muito bem (risos). E considerando que a música da Wilderun sempre despertou uma sensação muito ‘selvagem’ para nós, atmosfericamente falando parecia apropriado.

Então, não existe nenhum conceito definido para o aspecto lírico de vocês?

Evan: Não, nada muito claro. Gostamos de ter liberdade para criar neste aspecto também, então nunca quisemos amarrar as nossas letras a um conceito, embora essa seja uma ideia tentadora e aguce a minha inspiração. Acho que poderíamos fazer algumas coisas boas se fossemos por esse caminho, mas quanto tempo iria durar até se tornar algo cansativo? Na hora de criarmos letras, a única coisa que realmente buscamos é que elas combinem com a atmosfera da música, o instrumental e as letras têm que falar a mesma língua. Uma música sombria pede uma letra sombria, e assim por diante. No fim, tudo tem que soar coeso, e essa é outra característica que buscamos para a nossa música, não importa quão variada ela seja.

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