
Texto e fotos por Écio Souza Diniz
Formado em 1969 em Houston, Texas (EUA), o ZZ Top consolidou um estilo de blues rock enxuto que se tornou referência na música pesada norte‑americana. Discos como Tres Hombres (1973), Degüello (1979) e Eliminator (1983) aparecem de forma recorrente em listas de álbuns essenciais, destacando‑se tanto pelo impacto comercial quanto pela influência sobre guitarristas e bandas posteriores. A atual “The Big One! Tour” funciona como afirmação de sobrevivência artística após a morte do baixista Dusty Hill em 2021 (substituído desde então por seu técnico de longa data, Elwood Francis) e como celebração pública dessa prestigiada trajetória.
Nesse clima de celebração, Francis, Billy Gibbons (guitarra e vocal) e Michael Monahan (bateria, substituto temporário de Frank Beard, afastado por problemas de saúde) em sua passagem com shows em diferentes regiões da Espanha, se apresentaram no BARTS Festival. O referido festival é um ciclo de concertos de verão realizado ao ar livre no Poble Espanyol de Barcelona, criado para herdar e expandir o espírito musical da mítica e antiga sala BARTS (Barcelona Arts on Stage), que foi um icônico teatro e espaço de shows que, entre 2013 e 2022, funcionou como um dos principais centros culturais de música, comédia e artes cênicas da cidade.

A realização do show num palco principal montado no centro do Poble Espanyol também era um atrativo à parte para aqueles que nunca haviam visitado o complexo deste local. Trata-se de uma área que abriga um fascinante museu arquitetônico ao ar livre em Barcelona, que reúne réplicas em tamanho real de ruas, praças e edifícios típicos de várias regiões da Espanha. Com isso, as pessoas que iam assistir ao show podiam também disfrutar de lazer e cultura, combinados também em artesanato tradicional e restaurantes. A infraestrutura servindo ao mencionado palco principal também deve ser citada devido à sua ótima disposição de balcões de bebida e comida, banheiros e atendimento médico emergencial circundando a área do público.

Iniciando pontualmente às 21h30, quando começava o entardecer, é iniciado nos alto falantes a entrada da banda já arrancando gritos do público. Interessante notar que a audiência do show correspondia em grande parte a fãs veteranos da banda, mas também bastante gente de gerações mais jovens, o que mostra que o bom gosto por este tipo de música está tendo suficiente reposição para posteridade. Além disso, o público de quase cinco mil pessoas que ali estava era realmente dedicado, pois o horário do show coincidia com boa parte do jogo final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina. Mas embora alguns dessem aquela olhada no jogo nos seus celulares aqui e ali, a banda teve seu holofote garantido.

Começando com a sensacional Got Me Under Pressure, de Eliminator, os texanos já entraram com sua afirmação positiva de autoridade no que tocam. Aliás, não por coincidência, a maioria dos momentos mais energéticos e com participação massiva do público foram em outros mega hits de Eliminator: Gimme All Your Lovin’, Legs e Sharp Dressed Men, que teve seu o refrão ecoando pelo local. A interação entre Francis e Gibbons também era um entretenimento, sobretudo nas conhecidas coreografias de “duo motor”. Francis também se destacou com seu descomunal baixo de 15 cordas, que chamava a atenção a vários metros de distância. Gibbons em algumas ocasiões interagiu com público, arriscando um espanhol básico, o que foi interessante e divertido também.

Também houve momentos entusiasmados com Gibbons instigando a participação massiva do público em temas como I’m Bad, I’m Nationwide e Cheap Sunglasses (ambas de Degüello) e My Head’s in Mississippi (de Recycler, 1990). Claro que não podia a faltar a tríade máxima de Tres Hombres: Waitin’ for the Bus, Jesus Just Left Chicago e o fechamento com La Grange.
Após essa ótima dose de rock’n’roll dada pelo ZZ Top, ainda com as músicas na cabeça, fomos devolvidos à realidade do momento para terminar de seguir o jogo da final, ao qual o show foi a trilha sonora da satisfação para os espanhóis que ali estavam.

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