Mesmo prestes a encerrar a trajetória do Sepultura, Andreas Kisser segue atento ao que acontece na cena atual do heavy metal. Em entrevista concedida a Paolo Phoenix, da Magenta TV, durante o Wacken Open Air, na Alemanha, o guitarrista afirmou que o Gojira está entre as bandas que conseguiram apresentar uma nova forma de construir riffs, criando uma identidade sonora própria.

Ao ser perguntado qual foi o último riff de uma banda mais recente que o fez pensar “uau, esse é um grande riff”, Andreas apontou imediatamente os franceses.
“Acho que o Gojira. É uma banda com um trabalho de guitarra muito original. De certa forma, eles construíram sua mensagem em torno desse novo elemento, usando tapping e esse tipo de groove. É difícil descrever, mas acredito que trouxeram algo novo para a criação de riffs e para a forma de tocar guitarra, sem dúvida.”
Para o músico, essa originalidade é justamente o que diferencia bandas que conseguem deixar sua marca na história. Mais do que criar riffs pesados, o importante é desenvolver uma linguagem reconhecível, capaz de influenciar outros guitarristas.
Na mesma entrevista, Andreas também comentou o que considera essencial para que um riff se torne inesquecível. Segundo ele, a resposta está muito mais na emoção do que na técnica.
“Essa é uma pergunta difícil. Definitivamente não é um elemento técnico. É algo que toca você. Para mim, são riffs como Number of the Beast, do Iron Maiden, ou Fight Fire with Fire, do Metallica. É algo que realmente me impulsiona e me leva para outro nível.”
O guitarrista acrescentou que grandes riffs carregam uma autenticidade que vai além da execução.
“Claro que você aprende como tocar, como fazer a palhetada e tudo mais, mas existe algo além da técnica. Você sente que aquilo foi escrito com sinceridade. Quase consegue imaginar James, Lars, Kirk e Cliff criando aquele riff em uma sala pequena pela primeira vez. Dá para imaginar a empolgação deles? É essa empolgação que sentimos ao ouvir. É algo que não dá para explicar.”
O Sepultura segue cumprindo sua turnê de despedida, que será encerrada em 7 de novembro de 2026, na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, com a companhia de Metal Allegiance, Krisiun e Sacred Reich como bandas de abertura. Além do show final, a banda prepara um álbum ao vivo gravado ao longo da excursão, reunindo 40 músicas registradas em 40 cidades diferentes.

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