Ex-policial que matou assassino de DIMEBAG DARRELL relembra o ocorrido: “Não me arrependo”

James Niggemeyer, ex-policial de Columbus, em Ohio, voltou a falar sobre a noite de 8 de dezembro de 2004, quando matou a tiros Nathan Gale, responsável pelo ataque durante um show do Damageplan no clube Alrosa Villa. O incidente terminou com a morte de quatro pessoas, entre elas o guitarrista Dimebag, e deixou outras três feridas.

Em entrevista a Bill Bailey, do Today’s Boondoggle Podcast, Niggemeyer contou detalhes de sua chegada ao local, explicou por que utilizou uma espingarda Remington 870 em vez de sua pistola e falou sobre as consequências psicológicas do episódio, que acabaram encerrando sua carreira como policial.

Na noite do ataque, Niggemeyer estava iniciando seu turno, que começava às 22h. Seu distrito ficava mais distante da subestação policial e, por isso, ele costumava sair antes dos demais agentes. Pouco depois de deixar o local, recebeu pelo rádio a informação sobre um atirador no Alrosa Villa.

O policial era um dos poucos agentes de seu distrito que carregavam uma espingarda Remington 870 calibre 12 na viatura. Ele explicou que tinha familiaridade com a arma desde a adolescência, quando começou a utilizá-la para caça.

“Muitas pessoas me perguntam: ‘Por que você usou uma espingarda em vez da pistola?’. Primeiro, porque eu estou mais familiarizado com a espingarda e, segundo, porque atiro melhor com ela. Essa é uma pergunta que me fazem muito.”

Niggemeyer chegou ao clube menos de três minutos depois da primeira ligação para o serviço de emergência. Ele era o único policial no local naquele momento e entrou pela porta dos fundos, seguindo as indicações de pessoas que estavam do lado de fora. Como nunca havia estado no Alrosa Villa, não conhecia a disposição do estabelecimento.

“Quando entrei pela porta dos fundos, onde tinham me dito para ir, vi o refém, ou o suspeito segurando um refém. Nós não sabíamos que ele estava segurando um refém. Isso não havia sido transmitido pelo rádio.”

Segundo Niggemeyer, o treinamento policial, sua experiência militar e os anos de caça contribuíram para sua reação naquele momento.

“Literalmente, tudo estava preto, exceto o suspeito e o refém. Foi uma verdadeira visão de túnel. Eu literalmente não ouvia nem via mais nada.”

O cenário mudou quando Gale colocou a arma contra a cabeça do refém. Niggemeyer decidiu que não poderia esperar pela chegada dos outros policiais.

“Como ele estava segurando o refém pelo pescoço e tinha a arma contra a cabeça dele, senti que não poderia simplesmente ficar esperando pelo reforço. Foi uma culminação de tudo o que vivi durante minha vida.”

Posicionado a aproximadamente seis metros do atirador, Niggemeyer disparou uma única vez com sua Remington 870. O tiro atingiu Gale, que morreu instantaneamente. O assassino ainda tinha 35 munições quando foi morto.

O impacto psicológico

Depois do ataque, Niggemeyer permaneceu trabalhando como policial de patrulha por aproximadamente três anos. Com o passar do tempo, entretanto, os efeitos psicológicos do episódio se tornaram cada vez mais intensos.

Ele contou que passou a sofrer ataques de pânico e pesadelos constantes e chegou a ser hospitalizado. Os problemas acabaram levando o departamento a aposentá-lo por razões médicas.

“Fui hospitalizado por causa dos ataques de pânico. Essa foi a coisa que mais me afetou, os ataques de pânico, e depois os pesadelos constantes. Demorou muito tempo para o meu cérebro simplesmente desligar.”

Niggemeyer também relatou que os episódios podiam ocorrer mesmo em situações cotidianas.

“Eu podia estar aqui em um dia normal, como conversando com você, e simplesmente entrava em um ataque de pânico completo. Eu não conseguia respirar.”

Inicialmente, ele foi transferido para a seção de roubos, onde passou a trabalhar como detetive. Posteriormente, os médicos e o departamento concluíram que ele não deveria continuar atuando como policial de primeira resposta.

Apesar das consequências, Niggemeyer afirma não se arrepender de ter feito o disparo que encerrou o ataque.

“Isso afetou minha mente, mas também afetou meu corpo, a ponto de o departamento me aposentar por razões médicas. Então, sim, isso encerrou minha carreira. Algo que eu fazia e que todos dizem que eu fazia extremamente bem acabou encerrando minha carreira. Mas não me arrependo nem por um minuto. Fico feliz por ter conseguido detê-lo antes que muitas outras pessoas fossem feridas.”

Ele não sabia quem era Dimebag

Um dos aspectos que Niggemeyer descobriu somente depois do ataque foi a identidade das vítimas. Como havia acabado de iniciar seu turno e nunca tinha estado no Alrosa Villa, ele não sabia qual banda estava se apresentando naquela noite.

Embora conhecesse o Pantera, o ex-policial não era fã de heavy metal. Ele explicou que cresceu ouvindo principalmente música country e rock clássico, citando AC/DC, Scorpions e Foreigner entre os grupos que conhecia.

“Eu nunca fui fã de metal, mas tinha ouvido falar de Pantera, Metallica e coisas desse tipo.”

Segundo Niggemeyer, ele só descobriu que Dimebag estava entre os mortos cerca de meia hora depois do ataque, por meio das comunicações de rádio e das primeiras notícias que começaram a circular.

“Eu não fazia ideia até talvez meia hora depois.”

Após o episódio, Niggemeyer recebeu diversas mensagens de apoio de fãs do Pantera. Ele também recebeu uma carta da mãe de Gale, que escreveu algumas semanas depois do ataque.

“Ela me escreveu algumas semanas depois e disse que entendia que eu estava apenas fazendo meu trabalho. E que não guardava nenhum rancor de mim.”

Ao todo, quatro pessoas foram mortas e três ficaram feridas. O disparo de James Niggemeyer, realizado poucos minutos depois do início do ataque, encerrou a ação do atirador e impediu que a carnificina continuasse.

? Clique aqui e siga o CANAL “Roadie Crew” no WhatsApp

? Clique aqui e faça parte do GRUPO da ROADIE CREW no WhatsApp

Compartilhe:
Follow by Email
Facebook
Twitter
Youtube
Youtube
Instagram
Whatsapp
LinkedIn
Telegram

MATÉRIAS RELACIONADAS

DESTAQUES

ROADIE CREW #293
Julho/Agosto

SIGA-NOS

61,6k

59k

16,9k

1k

24,6k

Escute todos os PodCats no

PODCAST