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“Andre Matos – Maestro do Rock (Episódio 2)” – a ascensão

Por Guilherme Spiazzi

Fotos: Chibbas e Guilherme Spiazzi

Acostumados a ir em shows e assistir a videoclipes e a documentários pela TV ou internet, pode não ser comum a todos nós a ideia de sair de casa para sentir a música de maneira diferente. Eu refletia sobre isso rumo ao teatro e, enquanto naquele vagão de metrô, avistei ao fundo dois jovens em pé conversando. Um deles vestia uma camiseta do Shaman.

Entre nós, presumi haver cerca de duas décadas de distância. Viper e Angra já haviam feito história, e o Shaman iniciava a sua jornada quando os dois jovens provavelmente nasceram. As estações iam passando como faixas de um disco e passados tantos anos desde que Andre Matos surgiu, as suas músicas ainda ecoam, pensei. Foi quando próximo do desembarque, eu me aproximei deles para perguntar se o nosso destino era o mesmo.

No caminho, fomos conversando sobre as nossas impressões acerca da primeira parte do documentário que conta a história de vida do saudoso vocalista, pianista, compositor e maestro. Nas suas falas, eu percebi o entusiasmo da descoberta, o sentimento da perda e o pesar de nunca terem tido a chance de vê-lo cantar ao vivo. Chegando ao teatro, eu pensei: “essa geração tem todas as músicas do mundo na palma da mão, mas foi justamente o trabalho de Andre Matos que os encantou… Ainda bem!”.

Foto: Guilherme Spiazzi

Logo na entrada do Teatro J. Safra, estava lá o piano que o músico usou para compor e estudar durante toda a sua carreira. Naquelas teclas amareladas pelo tempo, era possível ver as marcas dos seus dedos. Marcas de Carry On, Lisbon, Fairy Tale e tantas outras composições que agora pertence ao tempo. A presença do instrumento e a performance do pianista e afinador Thomas Wladek, amigo de Andre Matos, tocando trechos de músicas do compositor foram um presente exclusivo para os fãs que estiveram numa das duas noites de exibição em São Paulo. Numa breve conversa sobre o lançamento com Eco Moliterno, publicitário e primo de Matos, ele revelou o sentimento “[..] misto de emoções em extremos opostos. Felicidade e saudade”.

Foto: Guilherme Spiazzi

Com o público acomodado no Teatro, o produtor Thiago Rahal Mauro, Moliterno e Daniel Matos – irmão de Andre, abriram a noite dando uma calorosa saudação. Nas suas falas, pudemos perceber a satisfação deles de apresentar esse trabalho lançado de forma totalmente independente. Como muito bem observado por Mauro, o documentário é “feito de fãs para fãs”.

Realmente, como um todo, o documentário é um trabalho que vai além da simples atividade laboral. O que temos é o resultado de muitas horas de histórias e depoimentos condensados em pouco mais de 120 minutos, nesse segundo capítulo. “Essa loucura é só para quem é louco pelo Andre”, ressaltou Moliterno.

Foto: Chibbas

Com direção de Anderson Bellini, a continuação narra a trajetória do músico durante década de 1990. Do embrião do Angra até a ruptura total, a peça perpassa a entrada de Matos na faculdade de Música Santa Marcelina, a sua relação com o erudito, a sua paixão pelo palco, as amizades, os desafios, os desencontros e a busca por novos horizontes musicais, com uma riqueza de detalhes nunca exibidos.

Ali, podemos ver como Rafael Bittencourt e Matos, que vinham de universos musicais que proporcionavam ideias diferentes, superarem as diferenças a partir de uma ligação inicial muito forte. Dessa união, surgiu um grupo que ousou levar um metal enriquecido por uma personalidade brasileira para o mundo, imbuído de muito orgulho. Entretanto, vemos que nem tudo foram flores. Sobretudo quando o momento de gravarem Angels Cry (1993) foi se aproximando.

É interessante perceber todas as movimentações internas que ocorreram antes da estreia da banda. Quem diria que naquela época a maturidade de Andre “Zaza” Hernandes (ex-guitarrista) poderia ter mudado o curso da banda de forma positiva. Ou ainda, você consegue imaginar Bittencourt sendo proibido de entrar em estúdio ou ainda, fora da banda? Pois é… Marco Antunes (ex-baterista) depõe de peito aberto sobre essa fase inicial e não guarda nada quando relata o que sentiu quando foi tirado da banda durante as gravações do debut. A partir de diferentes visões, é possível ver as movimentações internas como num tabuleiro de xadrez.

Além da habilidade técnica, temos uma visão melhor de como uma banda profissional trabalha o equilíbrio entre a sua veia musical e o mercado. Ao mesmo tempo em que Angels Cry foi produzido focando num único mercado específico, Holy Land (1996) desafiou a ordem, fazendo com que essa caravela navegasse livre, determinada a conquistar novos territórios. Esses são pontos que, por mais que sejam subjacentes à história de Matos, proporcionam noções de profissionalização na música que merecem ser ouvidas com muita atenção.

O documentário segue a cronologia dos lançamentos do Angra, trazendo revelações impressionantes acerca da vida do cantor e a sua relação com a banda, narradas por diferentes pessoas. Familiares, amigos, produtores, ex-parceiros de estrada e ex-companheiros de banda dão os seus pontos de vista, dando vida e forma a história. O conflito entre a vida pessoal e a vida profissional; o trabalho e a fama; os desencontros e as descobertas; os desafios e as conquistas ajudam a entender por que Matos é o que é. Declarações de grandes nomes como Blaze Bayley, Kai Hansen e Rob Halford enriquecem ao comprovar a magnitude de Matos e do Angra. Quem diria que em 1998 o Angra ajudaria no impulsionamento da carreira solo de Bruce Dickinson?

Sucesso no Japão e na França, além do Brasil, o Angra infelizmente foi vítima de desencontros e desentendimentos que foram se acumulando ao longo dos anos. O estopim, uma questão acerca da reprodução e venda dos discos da banda, que na época era de responsabilidade do empresário do grupo, abalaram a confiança. Dessa forma, os depoimentos nos ajudam a entender que diferentes pontos de vista em relação ao caso levaram a ruptura total do Angra no final daquela década. Para Matos, estar bem consigo sempre esteve acima de tudo e não seriam os negócios da música que mudariam a sua conduta. Dentro dele havia coragem suficiente para largar tudo recomeçar novamente. É assim que essa segunda parte se encerra, dando o direcionamento do que veremos no terceiro episódio.

Foto: Chibbas

O nosso maestro deixou um valioso legado musical, agora eternizado por essa obra, que nas palavras do jovem expectador Daniel Cavalcante foi “esclarecedor! Matos mostrou que acima de tudo, o que realmente importava era a sua honra e a sua moral!”. Assista!

Foto: Chibbas
Foto: Guilherme Spiazzi
Foto: Guilherme Spiazzi
Foto: Chibbas
Foto: Chibbas

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