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ANIMALS AS LEADERS – São Paulo (SP)

Carioca Club – 5 de dezembro de 2022

Por Marcelo Gomes

Fotos: Roberto Sant’Anna

Segunda-feira, dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo, chuva, trânsito… Enfim, um combo do apocalipse para atrapalhar o show, certo? Errado! No último dia 5 de dezembro, o Carioca Club (SP) recebeu o Animals As Leaders promovendo seu mais recente trabalho, Parrhesia (2022) e o projeto Casagrande & Hanyzs para provar o contrário.

Eloy Casagrande, como todos sabem, é o baterista do Sepultura, acabou conhecendo João Hanyzs pelas redes sociais num desafio para quem conseguisse criar algo com sua levada na bateria. Hanyzs acabou chamando a atenção de Eloy e eles, então, criaram o projeto de musical instrumental que leva o nome dos dois, Casagrande & Hanyzs. Pouco tempo depois, lançaram o EP, Edge of Chaos (2021). Dado o horário do show (20h20), a dupla subiu ao palco com uma configuração diferente do habitual. Os dois mais ao centro do palco e com a bateria meio de lado. Assim, começam o show com Tentative e Hope Refuge, ambas de Edge of Chaos.

O público acompanhou incrédulo a performance dos jovens instrumentistas. Não é para menos, pois eles deram um show de virtuose e bom gosto em suas complexas composições. Bem recepcionados, Eloy então foi ao microfone para agradecer a presença de todos e anunciar as próximas músicas. A primeira delas foi Unlikely, composição inédita que Eloy pediu para que o público mentalizasse algo improvável enquanto eles executavam a música. Em Nowhere, mentalizar o agora, o momento. E nem mesmo quando o computador parou em To Not Belong atrapalhou a performance da dupla, que foi muito aplaudida. Mais uma vez, Eloy foi ao microfone agradecer o público, ao Animals As Leaders e a produtora (Overload) pelo convite.

Para finalizar, mandaram uma versão com arranjos diferentes de Telephone (Lady Gaga) e terminam com Resolution. Com 40 minutos de show, Casagrande & Hanyzs conseguiu mostrar a que veio, teve uma recepção calorosa e sob muitos aplausos se despediram do público.

Meia hora de intervalo e o Animals As Leaders subiu ao palco do Carioca Club para alegria dos presentes. O trio formado por Tosin Abasi (guitarra), Javier Reyes (guitarra) e Matt Garstka (bateria) veio promover seu mais recente trabalho, Parrhesia. O set começou com Tooth & Claw, de The Joy of Motion (2014), um djent super técnico que deixaria qualquer fã de Dream Theater boquiaberto. Seguiram com Arithmophobia e Ectogenesis. O público vibrou com o ritmo completo, a variação de harmonias e melodias, criando climas diferentes que prenderam a atenção de todos.

Tosin então foi ao microfone para dizer que estavam muito felizes por estarem de volta. Para promover Parrhesia, o trio mandou quatro faixas em sequência. Começaram com Conflict Cartography e antes de começar o próximo som, Javier prestou uma homenagem ao Sepultura tocando trechos de Refuse/Resist já que, além de Eloy, o baixista Paulo Xisto estava no recinto. Seguiram com Thoughts And Prayers e Tosin depois falou da vitória do Brasil sobre a Coréia do Sul (4 a 1) e disse que não estava surpreso, mas parabenizou o Brasil. Vieram mais duas novas, Gestaltzerfall e Gordian Naught. Os fãs vibravam a cada momento do que parecia ser humanamente impossível de ser executado e, pasmem, começaram a abrir rodas. Nunca imaginei testemunhar algo do tipo, mas não era para menos, pois as músicas desafiadoras e empolgantes geraram alguma reação não ortodoxa por parte dos presentes.

Sempre com um sorriso no rosto, Tosin parecia estar maravilhado pela reação calorosa. Então, foi novamente ao microfone e simplesmente falou ‘Circle Pit’, antes de tocar a poderosa Microagressions. Cada nota tocada parecia uma agressão, a ponto puxar um ‘hey, hey’ no meio da música, com partes na velocidade da luz e, claro, as rodas. Wave of Babies começou mais tranquila, acompanhada pelas palmas dos fãs, mas logo veio um groove que tirou todos do chão. Tosin, então, fez elogios ao Eloy & Hanyzs: “Eles são demais, gostaria de levá-los para os outros shows da turnê”, disse o guitarrista.

Depois vieram Nephele e Red Miso. Physical Education, por sua vez, já começou com o público gritando “hey” e pulando. Realmente foi impressionante ver a reação do público, que se manteve eufórico em Monomyth. O fechamento veio com The Woven Web, com aquele baita groove e slap bass para ninguém botar defeito. Os músicos se despediram sob muitos aplausos, mas a pedidos de mais uma, Tosin agradeceu dizendo que São Paulo era um dos seus lugares favoritos no mundo porque o público é incrível. Então, para fechar com louvor a aula tocaram, para delírio dos ensandecidos fãs, a insana Cafo.

O Animals As Leaders fez um show no qual quem tem a pretensão de ser músico e foi ver, se inspirar ou desistir de vez. Não tem meio termo, os caras além de talentosos são músicos fora da curva. É espantoso ouvir a complexidade das músicas e ver a calma com que executam suas partes com perfeição. O mesmo pode se dizer dos prodígios Casagrande & Hanyzs que, em pouco tempo, conseguiram produzir um material de alto nível e bom gosto. O público que compareceu em peso teve não um show, mas uma aula de música instrumental.

Setlist – Casagrande & Hanyzs:

01)  Tentative

02) Hope Refuge

03) Unlikely

04) Nowhere

05) To Not Belong

06) Telephone (Lady Gaga)

07) Resolution

Setlist – Animals As Leaders:

01) Tooth & Claw

02) Arithmophobia

03) Ectogenesis

04) Conflict Cartography

05) Thoughts and Prayers

06) Gestaltzerfall

07) Gordian Naught

08) Micro Aggressions

09) Wave of Babies

10) Nephele

11) Red Miso

12) Physical Education

13) Monomyth

14) The Woven Web

15) Cafo

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