A baixista Becky Baldwin revelou à Guitar World como acabou envolvida na gravação do novo álbum solo de Tony Iommi. Fã declarada do Black Sabbath e admiradora de Geezer Butler, ela recebeu inicialmente um convite para registrar apenas duas faixas, mas a parceria acabou se estendendo para todo o disco.
O convite chegou por e-mail, diretamente do empresário de Iommi. Baldwin estava em casa quando recebeu a mensagem e, a princípio, nem acreditou que fosse verdadeira.
A experiência, porém, começou de maneira bastante tensa. Ao chegar ao estúdio, ela recebeu uma das músicas e foi imediatamente convidada a tocar junto, sem praticamente nenhum tempo para preparação.
“Quando cheguei ao estúdio, eles colocaram uma das músicas para mim. Acho que era World Alone. Perguntaram o que eu achava, e eu adorei imediatamente. Ótimo riff, ótima melodia e os vocais soavam fantásticos.”
Em seguida, veio o desafio.
“Eles rebobinaram a faixa e disseram: ‘Agora toque junto’. Foi aterrorizante. Eles esperavam que eu tocasse na frente de alguém que admiro enormemente, sem absolutamente nenhum tempo de preparação.”
Iommi deu liberdade para que a baixista encontrasse sua própria abordagem. Quando ela perguntou se deveria simplesmente dobrar os riffs do guitarrista ou criar algo diferente, a resposta foi direta.
“Tony simplesmente disse: ‘Toque o que você acha que naturalmente gravaria se não estivéssemos aqui’. Então pensei: ‘Certo… o que o Geezer Butler faria?’ Estudo o jeito de tocar do Geezer há anos e sei que Tony gosta do estilo dele, então comecei por aí.”
A situação foi especialmente desafiadora porque Baldwin prefere estudar cuidadosamente cada música antes de gravá-la.
“Resolver músicas instantaneamente não é minha maior habilidade. Gosto de analisar as coisas com cuidado, voltar às seções, fazer anotações e realmente aprendê-las. Ter tudo isso tirado de mim, combinado com a pressão da situação, fez com que eu sentisse que estava desmoronando.”
Mesmo acreditando que sua performance não estava boa, ela continuou sendo chamada de volta ao estúdio.
“Durante todo o tempo eu estava convencida de que não estava tocando bem, mas eles continuavam me chamando de volta. Antes que eu percebesse, estava tocando baixo no álbum inteiro. E aquela primeira performance acabou sendo a tomada usada em World Alone.”
O convite de Tony Iommi
Como dito, o contato partiu do empresário de Iommi. Baldwin conta que estava sentada no sofá de casa quando recebeu o e-mail e inicialmente pensou que poderia ser algum engano.
“Quando você vê a prévia na caixa de entrada e ela menciona Tony Iommi, pensa: ‘Espere… o que é isso?’. Continuei lendo e dizia que Tony estava trabalhando em músicas novas e queria que eu fosse ao estúdio. Meu primeiro pensamento foi que não poderia ser real.”
Ela verificou o remetente, pesquisou o site da empresa e confirmou que se tratava realmente da equipe do guitarrista.
“Enviei imediatamente meu número, e o empresário de Tony me ligou.”
A conversa foi muito mais casual do que ela imaginava.
“Ele simplesmente perguntou se eu teria interesse em ir ao estúdio. É claro que eu tinha interesse! Sou fã há mais de 20 anos e passei uma enorme quantidade de tempo estudando a história do heavy metal e o quanto do gênero existe por causa do Black Sabbath.”
Para Baldwin, portanto, não havia possibilidade de recusar.
“Nunca haveria outra resposta além de sim.”

De fã a integrante da gravação
Ao chegar ao estúdio, Baldwin encontrou o próprio Iommi e precisou lidar com uma situação curiosa: conhecer pessoalmente alguém cuja carreira ela acompanhava havia muitos anos.
“Tony perguntou o que eu estava fazendo, e eu também queria fazer um monte de perguntas para ele. Mas é estranho quando você está conversando com alguém que sente que já conhece, porque leu todas as entrevistas e todos os artigos que essa pessoa já fez.”
Depois da primeira sessão, a realidade daquilo que havia acabado de acontecer começou a aparecer.
“Saí dirigindo da casa de Tony, parei o carro e fiquei ali por um minuto tentando processar tudo o que tinha acontecido. Lembro de ter gravado um pequeno vídeo no celular, apenas falando sobre o que estava pensando. Nunca assisti novamente, mas queria registrar aquele momento enquanto ainda estava fresco.”
As sessões seguintes foram mais tranquilas. Baldwin explicou que normalmente precisa conviver com as músicas antes de gravá-las, fazendo anotações e preparando diferentes ideias. A equipe entendeu a situação e, posteriormente, passou a enviar algumas demos de cada vez para que ela pudesse se preparar.
O motivo para não terem enviado o material antecipadamente era justamente o sigilo em torno do novo trabalho de Iommi.
A influência de Geezer Butler
A presença da influência de Geezer Butler no trabalho de Baldwin é inevitável. O baixista do Black Sabbath está entre suas maiores referências, e ela não tentou esconder isso durante as gravações.
“Naturalmente, há muito de Geezer na minha maneira de tocar baixo, porque ele sempre foi uma das minhas maiores influências. É simplesmente assim que toco, então acho que os ouvintes perceberão essa influência.”
Ao mesmo tempo, ela destaca que o resultado não pretende reproduzir exatamente a sonoridade dos discos clássicos do Black Sabbath.
“O baixo não está tão proeminente na mixagem quanto nos discos clássicos do Black Sabbath. Isso faz parte da maneira como as produções modernas são feitas. O baixo tende a ocupar um espaço diferente nas mixagens atuais em comparação com os álbuns dos anos 1970.”
Segundo Baldwin, o novo disco representa, portanto, uma interpretação mais contemporânea da sonoridade que os fãs podem esperar de um trabalho de Iommi.
A internet abriu o caminho
A trajetória de Baldwin até o estúdio de Iommi não aconteceu de uma hora para outra. A baixista cresceu em Wiltshire, na Inglaterra, e começou a publicar na internet vídeos tocando versões de músicas clássicas do metal enquanto também fazia shows em pequenos locais pelo Reino Unido e pela Europa.
Para ela, a internet foi fundamental para criar oportunidades que dificilmente teria encontrado de outra maneira.
“Crescendo em Wiltshire, eu não tinha muitos locais próximos trazendo as bandas que queria ver. Realmente não havia um caminho para tocar com esse tipo de músico. A internet mudou isso.”
A estratégia combinou presença digital com trabalho nos palcos.
“Comecei a publicar covers de baixo de metal clássico na internet enquanto também tocava em todos os pequenos locais que conseguia pelo Reino Unido e pela Europa. Com o tempo, as pessoas perceberam que eu realmente amava essa música. Eu não era apenas uma personalidade da internet; também estava lá, fazendo shows de verdade.”
A participação no Mercyful Fate representou outro momento importante em sua carreira e ajudou a mostrar que músicos mais jovens poderiam integrar formações de nomes históricos do metal.
Agora, além do trabalho com Iommi, Baldwin tem uma agenda movimentada. Ela prevê festivais com suas bandas Fury e Delilah Bon, além de trabalhar em um novo álbum do Fury. Também existe a possibilidade de uma nova turnê do Mercyful Fate.
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