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BLACK LABEL SOCIETY – 06 de abril de 2019, São Paulo/SP

Tropical Butantã – São Paulo/SP

Uma coisa é mais do que certa: está para nascer algum guitarrista que seja capaz de oferecer um show mais empolgante, cativante e completo do que o lendário Zakk Wylde. E, se você levar em consideração a quantidade absurda de riffs fantásticos que esse estadunidense de New Jersey criou ao longo das últimas décadas, a coisa pende ainda mais para o mesmo lado da balança. Ah, e isso sem falar nos solos, que é claro, também são uma especialidade dele. Com tudo isso ao seu lado, e com uma discografia sólida construída com o Black Label Society, era de se esperar que o Tropical Butantã fosse receber um bom público no último sábado, 6 de abril, e o que vimos foi ainda muito além das expectativas.

Para dar início à festa, o show curto do trio Acid Tree, uma das grandes revelações do metal nacional. Apostando em um som que traz muito do metal progressivo, mas que alia muitos outros elementos em sua musicalidade (não raros elementos da música brasileira e psicodélica fazem parte da mistura), Ed Marsen (vocal e guitarra), Giorgio Karatchuk (bateria) e Ivo Fantini (baixo) vêm construindo sua discografia, que hoje já conta com duas peças indispensáveis ao ouvinte de boa música: Arken (2017) marcou a estreia dos paulistanos, e Awake The Iron deu sequência ao estardalhaço no ano passado. Enquanto aguardamos novas músicas do trio, o show de abertura para o Black Label Society foi muito mais do que um ‘aperitivo’. Confiantes, entrosados e muito bem preparados, os três conseguiram usar o pouco tempo a seu favor, e entregaram uma apresentação firme e coesa, onde a bela Arkan foi o grande destaque, seja pelas suas linhas instrumentais variadas, seja pela iluminação que realmente trabalhou ao lado da banda na criação de um clima mais envolvente e introspectivo. E olha que eu nem sabia que isso era possível antes de um show do Black Label Society.

Encerrada a apresentação dos paulistanos, era vez da banda de Los Angeles (EUA) subir ao palco, e isso demorou um tanto mais do que o esperado. O começo foi empolgante: Não teve quem não sentisse as pernas bambear quando subiu a enorme cortina que ocultava o palco, com a logo do Black Label Society em tamanho gigante. A cortina foi fotografada mais vezes do que muitas bandas que tocaram em solo paulistano, e isso já era sinal do quão empolgados os fãs estavam. Também foi sinal de empolgação ouvir a plateia em peso cantando aos berros o refrão de Walk (Pantera), que tocava no ‘som mecânico’ para aquecer o público entre os shows. Nem a demora de 45 minutos foi o suficiente para diminuir o ânimo, e quando a já tradicional introdução Whola Lotta Sabbath (uma mistura de Whole Lotta Love do Led Zeppelin com War Pigs, do Black Sabbath) começou a rolar, todos já sabiam o que iria acontecer. E foi então que as paredes começaram a tremer.

Como que sob o estrondo de um canhão, a cortina caiu, e de trás dela surgiu o Black Label Society, já detonando com a intempestiva Genocide Junkies (1919 Eternal, 2002). Impossível não se sentir abalado pelo riff principal desta canção, e após tanta espera, ouvir a voz de Wylde entoando aqueles primeiros versos, “Loaded, stormin’ out of control”, soava como um sonho, um sonho barulhento e causticante. Funeral Bell (The Blessed Hellride, 2003) veio na sequência com seu riff midtempo, e linhas vocais que lembram o antigo White Zombie. Toda vez que ouço Funeral Bell em um show do BLS tenho a mesma sensação, aquela que me diz que seria maravilhoso ouvir o riff esmagador de Graveyard Disciples na sequência, mas novamente não foi isso o que aconteceu. O andamento mais lento e contido de Suffering Overdue veio preparando o terreno para a hecatombe que chegaria a seguir, com Bleed For Me. Tudo bem que 1919 Eternal pode não ser o favorito de muitos, mas é impressionante quanta força o repertório desse álbum tem junto aos fãs, e o que vimos durante Bleed For Me foi um espetáculo de banda e público, uma explosão de empolgação e furor que só a música é capaz de gerar.

Sem enrolação, Heart Of Darkness foi a escolhida para representar o álbum de 2014, Catacombs of the Black Vatican. Sim, eu preferiria ter ouvido as guitarras setentistas de Damn The Flood ecoando no salão, ou ainda o riff esmagador de I’ve Gone Away, mas Heart Of Dakness não decepcionou, e se a recepção não foi a mesma da canção que a antecedeu, foi mais mérito de uma do que demérito de outra – a verdade é que qualquer música que fosse tocada depois de Bleed For Me não teria a mesma acolhida, e disso sabíamos de antemão. Então, como que para recuperar o clima de êxtase, mais um clássico cravou as unhas na cara dos fãs: Suicide Messiah, de Mafia (2005), chegou com um incrível efeito de luzes e fumaça, um verdadeiro vulcão em erupção que conseguiu deixar a plateia ainda mais agitada do que antes. Na sequência, aproveitando o ótimo clima, uma trinca do mais novo álbum da banda, Grimmest Hits, do ano passado: Trampled Down Below, All That Once Shined e Room Of Nightmares vieram em sequência, e mostraram que o novo álbum tem sim o potencial de se tornar um dos favoritos dos fãs, embora o título do disco tenha confundido muitos na época, que pensaram se tratar de uma coletânea (digamos que a qualidade das músicas também permite essa confusão).

De volta ao mundo dos antigos clássicos, Bridge to Cross (última de 1919 Eternal tocada nesta noite) trouxe um clima mais pensativo e calmo para a apresentação, o que foi bem útil considerando que as próximas, Spoke In The Wheel (única do álbum de estreia, Sonic Brew, 1999) e a emocionante In This River demandavam esse clima para ter o seu efeito completo sobre os presentes. Sim, além de um ótimo repertório, músicos extremamente competentes e uma performance invejável, o Black Label Society ainda faz um show inteligente, onde tudo parece ter sido pensado para conseguir o melhor resultado. Que bom que ainda existem bandas assim!

Sem mais tempo para o piano, Zakk voltou a empunhar a guitarra para a incrível sequência The Blessed Hellride, A Love Unreal e Fire It Up, e sabíamos que estávamos muito próximos do fim da festa. O tradicional duelo entre Zakk e seu parceiro de guitarra Dario Lorina em Concrete Jungle e o riff esmagador de Stillborn marcaram o fechamento da noite, que, dependendo da vontade dos presentes e do extenso repertório da banda, poderia ter durado até o amanhecer do dia seguinte. E quer saber, teria sido legal ‘prolongar’ a noite, pois muitas outras canções fundamentais ficaram de fora. Já que isso não foi possível, que o Black Label Society, essa banda que incrivelmente sempre lota os locais onde toca, não demore para voltar.

 

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