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Entrevistas

BLACK SABBATH

Minutos preciosos com e sem Tony Iommi

Data: 4 de outubro. Local: Estádio Monumental, em Santiago, Chile. Data: 6 de outubro: Local: Estádio Ciudad de La Plata, em La Plata, Argentina. Depois de passar por Estados Unidos e Canadá, o Black Sabbath teve um mês de descanso antes de descer para a América do Sul e recomeçar um esquema que, mesmo numa turnê relativamente curta, compreende shows dia sim, dia não. A perna brasileira é exatamente assim. Depois do show realizado em Porto Alegre nesta quarta-feira, há mais três pela frente: São Paulo (Campo de Marte, 11), Rio de Janeiro (Apoteose, 13) e Belo Horizonte (Esplanada do Mineirão, 15). A rotina que envolve aeroportos, hotéis e locais das apresentações é, sim, cansativa, ainda mais para senhores que já passaram da casa dos 60 anos. E é ainda mais exaustiva se um deles vem sendo submetido a um tratamento de linfoma há quase dois anos – o câncer foi descoberto em janeiro de 2012, para ser mais exato.

Está explicada a razão por que Tony Iommi não participou da coletiva para a imprensa brasileira, realizada na última terça-feira, 8 de outubro, num luxuoso hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro. O guitarrista já não havia feito a divulgação do novo álbum, o excelente 13, lançado em junho último. Portanto, o fato de ele não estar se sentindo bem no dia, preferindo permanecer no quarto, não significa necessariamente que ele tenha passado mal. Mas vá entender o que se passa na cabeça de quem faz uma manchete assim. Enfim, Ozzy Osbourne e Geezer Butler foram os responsáveis por atender os jornalistas, e em 25 minutos divagaram sobre o passado, resumiram assuntos que já foram mais do que explorados (como a ausência de Bill Ward) e proporcionaram respostas interessantes a perguntas interessantes.

Apesar do pedido para que o assunto Tony Iommi não virasse pauta, afinal, não é segredo o seu estado de saúde, houve quem perguntasse o que houve com o guitarrista. Ingenuidade à parte, um dos momentos mais reveladores, digamos assim, foi quando Geezer explicou por que a banda decidiu lançar tão rapidamente um registro ao vivo da atual a turnê. “Tínhamos todas as condições necessárias para realizar a gravação na Austrália”, disse o baixista a respeito de Live… Gathered in Their Masses, que chega às lojas no dia 26 de novembro – no Brasil, será lançado nas versões DVD, Blu-Ray e DVD + CD. “Mas resolvemos gravar logo no início porque não sabemos até quando esta turnê vai durar”, completou, deixando clara a preocupação em fazer o máximo possível enquanto Iommi estiver em condições de tocar ao vivo– os shows na Rod Laver Arena, em Melbourne, aconteceram em 29 de abril e 1º de maio, e o set list teve leves alterações em relação ao atual: Loner e Methademic, do novo álbum, saíram para as entradas de Age of Reason (também de 13) e Under the Sun/Every Day Comes and Goes (do álbum Vol. 4, 1972), e Dirty Women (de Technical Ecstasy, 1976).

Tópicos recorrentes também fizeram parte da bateria de perguntas, e a polêmica envolvendo Bill Ward acabou sendo a principal. Rolou a questão contratual (leia-se dinheiro), e meses depois Ozzy deixou claro que o baterista original não tinha condições físicas para aguentar a maratona de turnês. “É claro que eu gostaria muito que tivesse gravado o disco, que estivesse aqui, mas isso é o melhor que podemos fazer, e estamos satisfeitos”, resumiu o vocalista. Geezer, por sua vez, também foi educadamente direto ao falar das trocas. “Tommy (Clufetos) já havia tocado com Ozzy, então foi natural tê-lo conosco. E ele está com a banda desde os primeiros shows antes de entrarmos para gravar, mas Rick (Rubin) conhecia o Brad (Wilk, Rage Against the Machine, ex-Audioslave) e preferiu usá-lo no disco”. Sobre o produtor, aliás, o baixista também foi diplomático. “Ele conhece o Ozzy há muito tempo, e já sabíamos que o chamaríamos na hora de gravar um novo álbum”.

Assunto mais comentado nos primeiros dias de semana, a bandeira do Brasil usada por Ozzy durante o show na Argentina abriu as portas para o bom humor que reinou durante a entrevista. “Teve isso?”, perguntou Geezer, olhando para o vocalista. “Eu sei que jogaram uma bandeira do Peru no palco”. Dando de ombros para a polêmica, como alguém que desconhece a acirrada rivalidade entre brasileiros e argentinos, o Madman botou um divertido ponto final na história. “Isso é normal nos shows. Jogam bandeiras no palco, e foi um acidente. Mas o Rock é algo universal, não há fronteiras quando falamos de música. Além disso, eu não costumo me lembrar da porra do lugar onde estou mesmo”.

Foi a deixa para Ozzy roubar o show. Perguntado se a música God is Dead? havia trazido para o grupo algum problema com a igreja, o vocalista soltou um “nós não seríamos o Black Sabbath se não houvesse polêmica” – Geezer, por sua vez, tentou minimizar. “Isso acontecia mais no passado. Hoje as coisas são um pouco diferentes”. Passado. Os dois brincaram ao falar das lembranças de quando gravaram o clássico Sabbath Bloody Sabbath, que em 2013 completa 40 anos. “Sim, foi divertido. Havia muitas drogas”, disse o baixista. “E por causa disso eu não me lembro de muita coisa”, completou o vocalista. Presente. Geezer não precisou se esforçar muito para explicar a diferença de sair em turnê agora para quando a banca começou, no fim da década de 60. Estava na cara, na mesa ao lado dos dois: água mineral, chás e frutas. “Vivemos intensamente aqueles anos. Muito sexo, drogas e Rock and Roll. Mas hoje a rotina é chá, refrigerantes e voltar correndo para o quarto do hotel”.

“Não estarei vivo”, respondeu Geezer sobre o que espera da música daqui a 40 anos. “Mas eu estarei”, rebateu Ozzy, arrancando mais gargalhas. E se o Black Sabbath é hoje uma das poucas bandas de Heavy Metal que ainda lotam arenas e estádios apenas com o nome, qual o futuro que o vocalista visualiza quando estas poucas bandas, todas com pelo menos 30 anos de carreira, não estiverem mais na ativa? “Sempre ouvimos falar que o Rock e o Heavy Metal vão acabar, mas quer saber? Não vão. Sempre haverá público para as bandas, sempre haverá gente interessada nos discos e nos shows. É por isso que, mais de 40 anos depois, gravamos um álbum que foi número 1 em vários países”, respondeu o vocalista de maneira bem diplomática. E depois de uma vida cheia de excessos e conquistas, o Madman sabe bem quais foram a melhor e a pior experiência que teve. “A melhor foi quando descobri o LSD. A pior, certamente quando usei LSD”, disse diante de um Geezer Butler que ria e assinou embaixo. “Eu também”.

 

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