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BLUES PILLS: DE MALAS PRONTAS RUMO AO BRASIL

Depois de 11 anos e três discos de estúdio, banda sueca finalmente vem ao país para mostrar por que é um dos melhores nomes do ‘novo’ rock’n’roll

Foto: Patric Ullaeus/Divulgação

A felicidade com a retomada dos shows no Brasil ganhou mais um ingrediente: a estreia do Blues Pills no país. No dia 29 de outubro, no Carioca Club, em São Paulo, Elin Larsson (vocal), Zack Anderson (guitarra), Kristoffer Schander (baixo) e André Kvarnström (bateria) vão ratificar o que os fãs da banda sueca já sabem: é um das melhores nomes da nova geração que resgata a essência do rock’n’roll – incluído aí a raiz de tudo: o blues – para um público contemporâneo. Você pode se preparar ouvindo os três álbuns de estúdio – “Blues Pills” (2014), “Lady in Gold” (2016) e “Holy Moly!” (2020) – e assistindo a “Lady in Gold: Live in Paris” (2017), principalmente, para ter uma prova de fogo do quarteto; mas também pode aumentar a ansiedade acompanhando a entrevista a seguir, com a simpaticíssima Elin. Entre os muitos sorrisos, ela falou do único show em solo brasileiro e muito mais. Confira!

Como você está? E como tem passado pela pandemia?
Elin Larsson: Eu estou bem! De certa forma, a pandemia me fez bem porque me ajudou a ter uma perspectiva sobre a vida em geral. É maravilhoso poder tocar ao vivo novamente, viajar e compor músicas, e agora estou bem mais agradecida por pode fazer tudo isso.

Então, qual foi a sensação ao finalmente poder sair em turnê, quando já era seguro o suficiente?
Elin: Foi incrível! A melhor sensação! Foi um pouco estranho no começo, depois de passar tanto tempo sem ver ninguém, e tem sido um pouco difícil em função da alta dos preços das coisas, porque isso atingiu também o preço dos ingressos. Outra coisa é que, com tantos shows acontecendo basicamente ao mesmo tempo, muita gente escolhe um em detrimento do outro. Mas nós fizemos ótimos shows nesse verão, e eu reaprendi a socializar (risos). Depois de algumas apresentações, eu me lembrei de como a vida é, por isso devo dizer que tive o melhor verão de todos. Nós nos divertimos muito.

Eu a entrevistei no início de 2020 para falar sobre “Holy Moly!”, e aí veio a pandemia, o lançamento do álbum foi adiado… Naquela época, como você e o resto da banda lidaram com a situação?
Elin: Foi péssimo! Nós nos dedicamos tanto àquele disco, nós mesmos o gravamos, então foi horrível! (risos) Eventualmente, comecei a trabalhar numa escola como professora de música, precisei me adaptar porque não haveria como sobreviver com a nossa música tendo uma pausa tão grande em função da Covid, então todos nós tivemos que buscar outras coisas para fazer dinheiro e pagar nossas contas. É claro que isso tudo também nos levou a compor muitas músicas.

E chegou a hora de o Blues Pills finalmente fazer seu primeiro show no Brasil, no fim de outubro. Como estão as expectativas?
Elin: As expectativas são imensas, e vai ser tão incrível… É a realização de um sonho! Parece que o público na América do Sul, e especialmente no Brasil, curte música e é tão louco quanto eu, então essa é uma das minhas expectativas (risos). É claro que também tem a comida deliciosa, pessoas incríveis, natureza, tudo! Eu tenho muitas expectativas! (risos)

André Kvarnström, Elin Larsson, Kristoffer Schander e Zack Anderson (Foto: Patric Ullaeus/Divulgação)

E o que você sabe sobre o Brasil e a nossa cultura? Há algum lugar que você está ansiosa para visitar ou algo que gostaria de saber?
Elin: A comida! Minha colega de trabalho na escola é de São Paulo, então ela me deu várias dicas de restaurantes para conhecer! Não vou conseguir lembrar os nomes, porque meu português é muito ruim (risos), E o que eu realmente quero vivenciar é o estar aí e sentir a energia, conhecer pessoas, especialmente pessoas com quem eu tenho contato há muito tempo e que considero amigas, apesar de nunca termos nos visto pessoalmente. Qual comida você acha que eu devo experimentar?

Você come carne?
Elin: Não. Sou vegetariana.

Sem problemas. Você come pizza?
Elin: Sim. Amo pizza!

São Paulo tem as melhores pizzarias do Brasil. Só não coloque ketchup na pizza… (risos)
Elin: Ah, não! Eu nunca faço isso! E você sabe se estará quente quando chegarmos aí?

Já estamos na primavera aqui, então provavelmente estará um pouco mais quente, sim.
Elin: Ah, isso é ótimo!

Elin Larsson (Foto: Patric Ullaeus/Divulgação)

E como é a primeira vez do Blues Pills no Brasil, o que vocês estão preparando? O que os fãs podem esperar?
Elin: Estamos planejando isso há muito tempo, então provavelmente tocaremos um set um pouco mais longo, justamente por ser o nosso primeiro show. Estamos de férias, pois acabamos as apresentações de verão e ainda vamos nos encontrar para definir isso, mas certamente daremos tudo de nós nesse show!

Eu gostaria de falar sobre a música “Proud Woman”, que aposto que vocês vão tocar no Brasil. Depois de dois anos de seu lançamento, como tem sido a resposta à mensagem? Não só pelas mulheres fãs de Blues Pills, mas também pelos homens…
Elin: Acredito que tem sido boa, porque muitos caras cantam junto, e eu fico dizendo ‘yeah!’ (risos). Começamos os shows com “Proud Woman” agora no verão, e gosto muito dela! É uma música política, uma declaração do nosso poder, e, apesar de ela ser ótima no disco, fica ainda melhor quando a tocamos ao vivo, porque todos cantam junto. Inclusive os homens. Eu gosto demais disso!

N.R.: Neste momento, a conversa segue para a importância da mensagem de “Proud Woman” no Brasil, onde a violência contra a mulher, incluindo feminicídio, tem aumentado nos últimos quatro anos. Por alguns minutos, a conversa sai da pauta para o processo eleitoral brasileiro, e Elin mostra ter conhecimento do que está acontecendo no país: “Estou sabendo disso, e esse presidente de vocês é ainda pior do que Donald Trump. Não sei se deveria estar falando isso, mas como ele foi eleito? Como as pessoas podem votar em alguém como ele?”.

Vamos falar de coisa boa, porque eu gostaria de perguntar sobre a sua colaboração com o Spiders em “Moonage Daydream”, do saudoso David Bowie. Como aconteceu?
Elin: Nós somos muito amigos e, como faríamos alguns shows na Suécia, pensamos: ‘Deveríamos gravar uma música juntos’, e assim escolhemos “Moonage Daydream” porque combina conosco. Aliás, nós capturamos os movimentos do Bowie, de quando ele dançava nos shows, e dançamos no mesmo momento (risos). Todos nós no Blues Pills somos muito amigos do pessoal do Spiders e também queríamos fazer algo para empolgar ainda mais os shows, além de entrar na mentalidade de socializar novamente. Gosto muito de gravar covers porque é divertido e não tem tanta pressão como lançar algo novo, então farei isso mais vezes.

E tem o dueto com Fynn Claus Grabke, do The Picturebooks. Como você acabou cantando na música “Too Soft to Live and Too Hard to Die”?
Elin: Eu fui a primeira pessoa com quem eles entraram em contato para o projeto do disco “The Major Minor Collective”, então me mandaram todas as músicas. Sobre uma delas, os caras da gravadora disseram: ‘Para essa aqui, nós pensamos mesmo em você’, e era uma muito boa, também, mas acho que ela acabou sendo gravada pela Lzzy Hale (N.R.: vocalista e guitarrista do Halestorm), porque quando ouvi a parte instrumental de “Too Soft to Live and Too Hard to Die” eu me apaixonei pelo peso. É uma música tão direta e pesada, e a melodia apareceu na minha cabeça! Isso aconteceu no meio da pandemia, e eles vieram da Alemanha para a Suécia, passaram um fim de semana comigo e minha família para gravarmos. Fizemos mais algumas músicas juntos, mas escolhemos esta para o disco. São caras adoráveis, e sinto como se fossem meus irmãos!

E, claro, tem a nova versão de “California”, que é uma das minhas favoritas em “Holy Moly!”. Quem teve a ideia, incluindo o convite a Marc Broussard?
Elin: Ah, obrigada! Isso tem a ver com que conversamos antes, de a pandemia ter estourado assim que lançamos o disco. “California” seria o terceiro single, mas tudo fechou e parou, e a gente se fodeu (risos). Quando voltamos a fazer turnês, pensamos: ‘Essa música é tão incrível… É uma pena que não tenha recebido a atenção que merecia’, então contatamos alguns bons vocalistas, e o Marc foi um dos primeiros a nos responder. Eu amo os seus vocais, que são surreais, e ele realmente gostou de “California”. O mais legal é que o Marc não ganhou nada fazendo isso conosco, porque ele apenas gostou muito da canção, o que é perceptível em sua performance. Dá pra notar que ele levanta a música! Quando Marc mandou a parte dele, eu disse: ‘Ele deveria cantar tudo!’ (risos). Fiquei muito feliz e orgulhosa da colaboração dele, que é um artista incrível. Nunca tínhamos feito nada nesse lado soul, então ficou muito especial.

De fato, esse lado da música soul acrescenta à mistura de estilos do Blues Pills, e você ainda tem feito isso por fora…
Elin: E é muito inspirador! Eu amo a minha banda, mas trabalhar com outros músicos é sempre bom. Tem a troca de ideias e de maneiras de tocar, e eu me inspiro com essas experiências. Por exemplo, a segunda estrofe e o refrão da versão de “California” com o Marc são uma mentalidade totalmente diferente do que eu pensava quando a compusemos, então foi muito legal ver, como mesmo sendo diferente, tudo se conectou. O mesmo aconteceu com Fynn. Para mim, enquanto compositora e musicista, é preciso ser curioso e estar interessado para seguir em frente e, assim, não sedimentar uma forma de fazer as coisas.

Bom, vejo que daqui a pouco teremos um disco solo de Elin Larsson…
Elin: (rindo) Eu componho muitas músicas diferentes, e há muitas canções pop, para falar a verdade, mas não saberia colocar todas elas num único álbum. Provavelmente, eu perguntaria a outros artistas do estilo se elas são boas (risos). E você tem razão, porque mesmo no Blues Pills temos gêneros diferentes na mistura, e isso torna tudo mais interessante.

E eu costumo dizer que é isso que faz o Blues Pills, uma banda de blues rock, ser tão bem aceita entre o público de heavy metal…
Elin: É uma situação estranha, né? (risos) Mas eu amo! Nossos fãs são demais, mesmo.

E vocês estão atualmente gravando o novo álbum. O que você pode dizer sobre isso?
Elin: Nós já terminamos de gravar três músicas. Estamos com um produtor que trabalha com artistas do mainstream, e está funcionando muito bem. Nós chegamos com o rock, e ele, com a visão mainstream, e algumas dessas canções são as mais pesadas que gravamos até hoje! Gravamos as três ao vivo porque somos conhecidos por sermos uma boa banda no palco, então quisemos manter essa energia no disco. O problema é que temos faixas demais compostas, e fica difícil escolher qual delas trabalhar. Tudo obra da pandemia, porque gravamos demos demais e agora temos que escolher (risos).

Obrigado pelo papo, Elin, e que seja a primeira de muitas vindas do Blues Pills ao Brasil.
Elin: Obrigada a você pela entrevista. E obrigada a todos no Brasil pelo apoio. Mal posso esperar para vê-los, porque vai ser incrível!

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