Depois de quase quatro décadas na estrada, Paul Mazurkiewicz, baterista e membro fundador do Cannibal Corpse, não romantiza mais a rotina de turnês: ficar longe de casa e dividir um ônibus com várias pessoas se tornou mais desgastante com o passar dos anos.
Em entrevista recente a “Reckless” Rexx Ruger, do Pod Scum, o músico de 58 anos reconheceu que a experiência de viajar com a banda é muito diferente daquela vivida nos primeiros anos do Cannibal Corpse.
“Seríamos mentirosos se disséssemos que ainda é tão empolgante e cheio de energia quanto nos primeiros dias. Claro que não. Mas é o que temos que fazer. Faz parte do nosso trabalho e ainda queremos estar lá, tocando para os fãs”, afirmou.
A convivência constante no ônibus também pesa mais atualmente. Depois de tantos anos de carreira, Mazurkiewicz está acostumado à vida doméstica e aos períodos ao lado da família. Voltar repentinamente à dinâmica das turnês significa abrir mão dessa rotina e compartilhar novamente um espaço limitado com várias pessoas.
“Você chega em casa, se acostuma a estar em casa, sozinho ou com sua família, sua esposa ou namorada, e então precisa sair para a estrada e viver como nos velhos tempos. É difícil. Mas fazemos funcionar.”
Para conseguir lidar melhor com a rotina, o baterista passou a dar ainda mais importância a hábitos básicos. Alimentação adequada, hidratação, sono e atividade física estão entre as prioridades. Ele também procura caminhar diariamente, tanto para se exercitar quanto para ter algum tempo longe do ônibus e dos demais integrantes da equipe.
“Faço caminhadas todos os dias, para fazer um pouco de exercício e também conseguir sair, manter a sanidade. Porque fica um pouco difícil quando você está no ônibus com, digamos, dez caras.”
O clima também interfere. Mazurkiewicz, que vive na Flórida há mais de 30 anos, prefere as turnês que permitem aproveitar o lado de fora do ônibus.
“É ótimo quando o clima permite. Eu moro na Flórida e sou floridiano agora. Quando você sai em uma turnê de inverno, precisa se agasalhar, talvez esteja nevando, ou chovendo, e você simplesmente não consegue fazer nada. Eu gosto de poder sair, aproveitar o ar fresco, ficar longe das pessoas e caminhar.”
A própria frequência das excursões também mudou. Segundo Mazurkiewicz, o Cannibal Corpse já não precisa necessariamente passar tanto tempo na estrada quanto fazia no passado. Para ele, concentrar melhor as atividades pode ser uma maneira de tornar esse período mais sustentável.
A preocupação com a passagem do tempo também aparece quando o assunto é a bateria. Em entrevista concedida em agosto ao Laughing Monkey With Shawn Ratches, Mazurkiewicz afirmou que, apesar de ainda se sentir bem fisicamente, precisa se dedicar mais aos treinos para manter o desempenho.
“Provavelmente preciso praticar muito mais do que jamais pratiquei, apenas para sustentar e manter. Preciso fazer isso com mais regularidade do que nunca.”
O músico destacou ainda a importância de dormir bem, alimentar-se corretamente, manter-se hidratado e fazer exercícios. Ele continua, inclusive, jogando hóquei no gelo.
Mas, para Mazurkiewicz, praticar bateria é o ponto central para continuar tocando no nível exigido pelo Cannibal Corpse. A diferença é que a energia que antes vinha naturalmente agora precisa ser trabalhada.
“Não tenho mais 30 anos. Você não tem aquela adrenalina natural fluindo. Ou eu não tenho, pelo menos. Ainda tenho energia, mas ela está diminuindo, é claro, e realmente preciso trabalhar para mantê-la.”
O baterista também admite que não sabe por quanto tempo conseguirá sustentar a intensidade atual. Aos 58 anos, ele já olha para a próxima década com uma pergunta que seria impensável no início da carreira: será possível continuar executando o repertório do Cannibal Corpse com a mesma força aos 68 anos?
“Vou conseguir fazer daqui a dez anos o que faço agora? Não sei. Ninguém sabe. Daqui a dez anos terei 68 anos. Vou conseguir subir ao palco aos 68, 70 anos, detonando e fazendo Hammer Smashed Face com convicção, com a sensação de que consigo fazer isso sem morrer ou sentir que vou desmaiar? Só o tempo dirá.”

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