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CONAN – COM TODO O PESO DO MUNDO!

Construindo uma reputação extremamente sólida no universo do doom metal, o Conan vem chamando muita atenção não apenas no cenário inglês, mas em todo o mundo com os seus riffs gordos e sujos, cortesia sempre do idealizador, vocalista e guitarrista Jon Davis, nosso convidado nessa conversa. Com quatro álbuns completos lançados (o mais recente deles, Existential Void Guardian, é de 2018), eles lançaram seu terceiro registro ao vivo em 2021, Live At The Freak Valley. E é até esse ponto que vai a nossa conversa, então, se você espera ansiosamente pelo lançamento do novo Evidence Of Immortality no mês que vêm, aguarde também por uma nova entrevista, mas aproveite esse meio tempo para se embrenhar no sujo e lamacento universo doom do incrível Conan! 

Olá Jon, é bom falar com você. Como estão as coisas na Inglaterra nesse momento? 

Jon Davis: Estão estranhas. Quer dizer, uma hora dizem para você ficar trancado em casa, na outra dizem que você pode sair. No momento, estão dizendo para ficar em casa, então é isso que estou fazendo. Tem sido uma época bem esquisita, para dizer o mínimo, mas felizmente eu estou muito bem, não estou doente e nem nada do tipo. Com tudo o que está acontecendo por aí, isso já é uma grande conquista, eu acho. 

É verdade. Bem, levando tudo em consideração, é ótimo saber que vocês estão com novo material na praça. O álbum ao vivo Live At Freak Valley acaba de ser lançado, e ele me parece um ótimo material tanto para aqueles que seguem a banda há anos, quanto para aqueles que querem uma boa introdução a sua música. 

Jon: Ah sim, concordo absolutamente com isso! Bem, discos ao vivo não são uma novidade completa para nós, este já é nosso terceiro álbum ao vivo. Lançamos nosso primeiro álbum em 2012 (Monnos), e logo depois veio o primeiro ao vivo (Mount Wrath: Live at Roadburn 2012). Depois, lançamos nosso segundo álbum completo em 2014 (Blood Eagle), e então nosso segundo disco ao vivo (Live at Bannermans Bar – August 2012). Pelo ritmo, deveríamos ter lançado outro ao vivo depois de Revengeance (2016), mas isso não aconteceu. Fato é que, depois de Existential Void Guardian (2018) aqui estamos nós de novo, mantendo a tradição em dia, com um novo álbum ao vivo. E acho que foi uma ótima ideia termos gravado nossa apresentação no Freak Valley Festival, pois foi uma ótima apresentação, diante de um ótimo público, e com um repertório maior do que o anterior, pode-se dizer. Então sim, é um ótimo ponto de entrada para os novos fãs, e creio que aqueles que nos seguem desde o começo não ficarão desapontados. 

Porém, o lançamento desse álbum agora não significa que deverão passar ainda vários anos até termos novas músicas, certo? 

Jon: Não, de forma alguma. A verdade é que já estamos trabalhando no nosso novo álbum de estúdio, e ele poderá sair ainda em 2021, mas acho muito mais provável que saia apenas em 2022, por conta do momento que vivemos (N.R: Intitulado Evidence Of Immortality, o novo álbum do Conan teve seu lançamento confirmado pela Napalm Records para 19 de agosto). Então, ouçam o nosso novo ao vivo, e vejam como soamos no palco, já que por enquanto é isso que podemos fazer. Em breve teremos novas músicas, e espero que possamos nos ver por aí. 

Falaremos sobre o novo álbum quando chegar o momento, mas acredito que ele virá sem grandes transformações na sua fórmula musical, certo? 

Jon: Certo. Não gosto de transformações na nossa música, ela tem sido basicamente a mesma coisa desde que ainda éramos uma banda no estágio das demos: riffs extremamente pesados e gordos, andamentos lentos e carrancudos, e todo o peso do mundo emanando em cada linha de voz. É simples assim, e é exatamente assim que sempre iremos soar. 

É ótimo saber disso. Aproveitando a ocasião, Live At Freak Valley resgata peças clássicas do início da sua jornada, então gostaria que recordasse parte da sua jornada nessa entrevista. 

Jon: Claro, vamos lá. A ideia inicial veio um pouco antes, mas o Conan nasceu de fato em 2006. Naquela época éramos apenas eu e um velho amigo, chamado Richie Grundy. Naquela época, eu já tocava guitarra e cantava, e ele tocava bateria, um arranjo bem simples para um som bem simples. Bem, passamos um bom tempo apenas praticando e aprendendo a tocar direito (risos), e escrevemos o esqueleto de algumas das nossas primeiras composições, como Krull e Satsumo, essa última inclusive entrou no Live At The Freak Valley. Bem, juntamos as quatro músicas que tínhamos em um EP, que chamamos Battle In The Swamp, gravado em 2007. Mas foi aí que as coisas começaram a dar errado. 

A banda passou por uma pausa na época, certo? 

Jon: Certo. Na época eu já sabia que não daria a banda por terminada, pelo que lembro, isso nem passou na minha cabeça, mas precisava de um tempo para colocar as coisas no lugar. Bem, eu e Richie gravamos o EP, mas por conta dos nossos horários de trabalho, era impossível subir num palco e fazer um show, o que sempre foi meu objetivo principal, desde o início. Não tive escolha a não ser colocar as coisas no gelo enquanto procurava um novo baterista. Testei alguns bateristas e as coisas não deram certo até conhecer Paul O’Neill, que é um ótimo baterista. Ele já tinha certa reputação no cenário, era ótimo quando precisávamos alternar o tempo no meio das canções, e tecnicamente ele também era muito bom, então bastou entrar para a banda e ele imediatamente ajudou a moldar as músicas e a abordagem que usamos hoje. Acho que éramos uma banda mais crua no começo, simplesmente porque as músicas eram mais simples, talvez básicas demais. Com a ajuda inicial de Paul as músicas começaram a mudar, e depois, com a entrada de John McNulty elas começaram a ganhar ainda mais força. As coisas pareciam estar andando, mas no início de 2008, decidi pausar tudo mais uma vez. 

Essa nova pausa durou quanto tempo? 

Jon: Acho que cerca de um ano. Em 2009 comecei a remontar o time. 

Live At Freak Valley – Napalm Records – IMP

E como isso funcionou? 

Jon: Bem, John tinha um projeto chamado Horn nesse meio tempo, e eles eram bons, uma banda bem pesada. Fato é que as coisas não estavam acontecendo para eles, e perto do fim daquela banda, comecei a falar com Paul sobre um retorno do Conan, pois sentíamos que existia muito a ser feito sob esse nome. Bem, nós estávamos ensaiando juntos, e quanto o Horn acabou, foi um passo natural chamar John, que felizmente concordou em se unir ao Conan. 

Se bem me lembro, o plano na época era regravar a demo Battle In The Swamp, mas vocês acabaram com o EP Horseback Battle Hammer. 

Jon: Sim, foi isso mesmo. Boa memória. Claro que Horseback Battle Hammer tem Krull e Satsumo, duas músicas conhecidas da época da Battle In The Swamp, mas o fato é que o EP acabou se tornando algo maior do que imaginávamos que ele poderia ser. Na época, trabalhamos no Foel Studio, com a produção de Chris Fielding. Quem diria (risos gerais, Chris é o baixista do Conan desde 2014). E foi engraçado o quão bem ele conseguiu trabalhar com a escassa informação que demos a ele quando entramos no estúdio. Tudo o que dissemos foi ‘queremos que essas músicas soem como doom metal’. E ele conseguiu fazer um ótimo trabalho, pois aquele disco realmente soa muito doom (risos). 

Sim, e tanto na sonoridade quanto nas músicas e na capa ele já se encaixa na identidade que o Conan teria até hoje. 

Jon: É verdade. Bem, tínhamos uma ideia muito simples do que queríamos com a banda, mas era uma ideia bastante firme. Quer dizer, sabíamos muito bem o que queríamos, e guiamos cada etapa até o resultado almejado. Acho que é importante isso, saber desde o princípio aonde você quer chegar. 

Tanto sabiam onde queriam chegar que o próximo passo, o álbum Monnos, foi basicamente uma continuação de Horseback Battle Hammer. 

Jon: Exatamente, e não poderia ser diferente, já que tudo no registro anterior tinha nos agradado, o som, o ambiente, tudo. Então, quando chegou a hora de gravarmos nosso próximo disco, lá estávamos nós no Foes Studio de novo, e mais uma vez com Chris na produção. E eu usei todo o equipamento que uso ao vivo nas gravações daquele álbum, e não apenas um rack, como é comum acontecer. Chris nem sequer achou estranho, para ele estava tudo muito normal que quiséssemos soar mais altos do que o inferno (risos). Ele definitivamente era o cara certo (risos). Foi uma ótima experiência, fizemos um álbum com seis canções e com quase quarenta minutos, não dá para ser muito mais doom do que isso. O ambiente foi ótimo, e rendeu algumas canções clássicas, que temos que tocar ao vivo até hoje. 

Sim, dentre elas a minha favorita no seu catálogo, Hawk As Weapon. Aliás, adoro a maneira como você anuncia essa música nos shows. 

Jon: Ah sim, essa é a favorita de muitos dos nossos fãs, muitos mesmo. Eu também amo essa canção, e adoro tocá-la ao vivo. É tão pesada e intensa, tem uma vibração densa, difícil explicar. Quando a forma como apresento ela ao vivo “essa canção é sobre a morte nos céus”, bem, é exatamente isso que ela é, pesada, trágica, terrível como o ataque de um falcão, seja nos tempos medievais – a ave impulsionada pelo seu falcoeiro, seja nos nossos dias, com o helicóptero de guerra (N.R: refere-se ao modelo Sikorsky UH-60 Black Hawk). 

Obrigado pela conversa e pela ‘aula de história’, e espero logo ter a chance de falar sobre seu novo álbum. Espero vê-los por aqui em breve. 

Jon: Muito obrigado pelo interesse em nossa música, foi ótimo falar com vocês. Bem, se as coisas correrem bem, devemos nos ver no Brasil em breve, na verdade, já deveríamos ter tocado por aí em 2020 (N.R: a banda era uma das atrações do Setembro Negro em 2020, que obviamente precisou ser adiado por conta da pandemia. O Conan, como a maior parte das bandas anunciadas para a edição de 2020, permanece como atração do Festival, que deverá acontecer agora em setembro). Se tudo correr como deve, estaremos por aí, e talvez até com o novo álbum em mãos. Vamos ver, e com certeza nos falamos em breve. Um grande abraço! 

 

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