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EPICA – 26 de outubro de 2019 – São Paulo/SP

Há alguns meses, quando conversei com o guitarrista Mark Jansen e a vocalista Simone Simons sobre a então vindoura turnê em comemoração aos dez anos do clássico Design Your Universe, era perceptível a animação da banda com os próximos shows. Afinal, o álbum citado muito rapidamente se tornou um dos favoritos de sua enorme e fiel legião de fãs, suas músicas são realmente cativantes, e a própria banda relembrou o momento de concepção deste álbum como um dos pontos de virada na sua carreira, o que, convenhamos, é fácil de compreender. Apenas para contextualizar, o bom leitor deve recordar que pouco antes do álbum ficar pronto, o Epica passou por uma baixa séria em sua formação: apesar do sucesso estrondoso de The Divine Conspiracy (2007), o guitarrista Ad Sluijter tinha decidido abandonar o barco. Como resposta, a banda, que já tinha antes oficializado a permanência do ex-baterista do God Dethroned, Ariën van Weesenbeek, oficializou também a entrada do ex-guitarrista da tradicional banda de death metal dos Países Baixos, o que parecia ir de controle ao gosto pessoal e aos anseios musicais de Mark Jansen.

Contando com Jansen, um fã ardoroso de death metal, e dois experientes músicos de death metal em sua formação, o então novo álbum do Epica tinha tudo para romper os paradigmas, e foi apenas com muito esforço criativo, boas ideias e arranjos meticulosos que eles conseguiram equilibrar o extremo e o melódico. E o resultado disso, você já sabe, um álbum firme, forte, pesado e ao mesmo tempo sensível, um clássico que se destacou em sua época e que permaneceu como um marco na carreira destes holandeses e de todos que o ouviram. Então, vamos lá, a turnê Design Your Universe – 10th Anniversary está longe de ser uma turnê ‘caça-níqueis’, é quase uma obrigação, uma prova de respeito de uma banda aos seus fãs e a sua carreira.

Com o cenário devidamente montado, Jansen, Simons e Cia. começaram sua jornada com shows com ingressos esgotados na Holanda, na França, em Israel e na Rússia, e então iniciaram sua turnê latino-americana em 21 de outubro no México. Após a boa acolhida por lá, finalmente eles estariam de volta ao Brasil, e o show na Capital Paulista foi o primeiro dos dois ocorridos no nosso país, que sempre arranca elogios e sorrisos da banda ao ser mencionado.

Ao chegar ao Tropical Butantã, mais uma vez pude perceber o motivo de tanto carinho do Epica pelos brasileiros. Mesmo visitando o nosso país por anos consecutivos, o público continua se apresentando em grande volume aos shows, provando que sim, é possível fazer eventos de música pesada funcionar no nosso país, apesar das dificuldades que todos conhecemos bem. E, as 20:30, quase que pontualmente, a banda começou a ‘abençoar’ os muitos presentes com a sua música.

O início repetiu o que eles vêm fazendo em sua turnê atual. A introdução Samandhi serviu para os músicos irem tomando os seus postos, enquanto se preparavam para dar de fato o pontapé inicial da apresentação com a ótima Resign To Surrender. As fortes linhas de teclado mostraram logo cedo que Coen Janssen estava pronto a dar o seu melhor, algo que se sentiu também da parte dos guitarristas Mark Jansen e Isaac Delahaye, com suas linhas vigorosas e melódicas. Se a primeira amostra dos vocais guturais de Jansen provocaram uma sensação calorosa no público, a aparição sublime de Simone Simons em seus primeiros versos provocou ondas de convulsão, e logo percebemos o que diferencia um show do Epica em São Paulo de qualquer outro show deles em qualquer outra parte do mundo: a conexão com o público daqui é única, incomparável (sério, até o solo de guitarra foi ‘cantado’ por muitos dos presentes. Você não precisa de muito mais do que isso para saber que um show está tendo sucesso, certo?).

Ariën Van Weesenbeek teve a sua primeira chance de brilhar logo em seguida. Após o primeiro ato de comunicação da banda com a plateia (Simone saldando os presentes com um ‘Oi Brasil’, e dizendo achar isso interessante, já que ‘Hoy’ é a forma de saudação comum na região da Holanda de onde ela vem), a banda seguiu detonando com Unleashed, mais uma do álbum aniversariante. Linhas complexas de bateria, teclados melódicos e riffs de guitarra abafados, a versão de estúdio desta canção já é de arrepiar, mas ao vivo… A sensação é incrível, e a banda, afiada e extremamente ensaiada, não deixou o nível baixar em nem um único momento. Essa ótima sensação continuou com os riffs colados no thrash metal de Martyr Of The Free Word, que quase levou o público ao chão com sua ‘quebrada’ de ritmo abrupta, onde as linhas de guitarra se destacam ao lado da voz serena de Simone. Chamou muita atenção uma parte não prevista do show, quando alguém da plateia entregou para a vocalista uma Bandeira Arco-Íris, que Simone envolveu sobre os próprios ombros enquanto dava seguimento à música. Ver uma das maiores representantes da música pesada moderna envolvida nesta bandeira tão carregada de significado, e durante uma música chamada Martyr Of The Free Word, deu um toque levemente irônico ao show, dado o momento em que vivemos no nosso país, onde todos odeiam todos e parece ser pecado ou desacato seguir o próprio coração. Só esse momento já teria valido a apresentação, mas ainda havia muito para acontecer.

 

Mark saudou a plateia e apresentou Our Destiny, outra que conta com excelentes linhas de teclado, justamente o impulso que Coen precisava para brilhar ainda mais. Kingdom Of Heaven arrancou gritos eufóricos da multidão, e então Quietus chegou para colocar o aclamado Consign To Oblivion (2005) no jogo, e obviamente a resposta foi incrível. Mantendo o clima em alta (Jansen parecia incapaz de parar de sorrir), vieram In All Conscience, The Price Of Freedom  e a incrível Burn To A Cinder, mas foi com a bela e tocante Tides Of Time que eles conseguiram um novo ápice em seu show. A performance incrível de Simone aliada a um Coen Janssen especialmente inspirado nesta noite, tudo contribuiu para um momento único, daqueles que fazem entender o amor que a banda tem pelo nosso país, e vice-versa.

Aproveitando o momento perfeito, a antiga, perfeita e inevitável Cry For The Moon (The Phantom Agony, 2003) começou a dar os toques finais à apresentação, e Design Your Universe teria feito as honras, não fosse a existência do ‘bis’ – que neste caso, realmente era algo que esperávamos. Assim, os riffs pesados de Sancta Terra (The Divine Conspiracy, 2007) ainda se fizeram ecoar pela alma dos presentes, assim como as ótimas melodias do duo teclado/guitarras em Beyond The Matrix (The Holographic Principle, 2016) e, agora sim, o incrível encerramento, com a faixa-título do álbum de 2005, Consign To Oblivion.

 

Com um show que teve euforia, alegria, emoção (e até ‘mosh’) o Epica passou mais uma vez por São Paulo. E estamos falando em shows recentes, incluindo a apresentação em março do ano passado. E adivinhe, para a surpresa de ninguém, o show do último sábado foi ‘sold out’. Está aí uma prova de que, quando a banda respeita seu público, respeita a imprensa, trabalha incansavelmente na criação de boas músicas e de um bom show, quando a organização trabalha com o mesmo respeito e dedicação, sim, você consegue fazer shows de sucesso em nosso país, não importa quantas vezes a banda já tenha estado por aqui. Um bom alento em uma época em que de cem show anunciados, setenta são cancelados. Parabéns ao Epica e aos seus fãs, parabéns para a organização do evento e todos os envolvidos em mais este show memorável dos holandeses, foi incrível. E fica um agradecimento especial para Costábile Salzano Jr., um profissional que compreende o papel da imprensa, e que sempre faz o máximo para garantir que possamos realizar o nosso trabalho. Que um show assim volte a acontecer logo!

   

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