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Fique em Casa (e ouça isso) #1: Álbuns de 2020

Em tempos de pandemia e de isolamento social para conter a disseminação do vírus, encontrar maneiras criativas e mentalmente saudáveis para as nossas horas em casa é uma preocupação muito válida. Mas não queremos que você enlouqueça tentando decidir o que fazer, então, preparamos algumas sugestões. Nessa primeira lista, organizamos apenas lançamentos de 2020, apenas álbuns que já foram lançados, e que você pode ouvir neste exato momento, se assim desejar. Por isso, não espere que o novo álbum do TESTAMENT esteja nesta lista (o álbum chega em 3 de abril), nem tantos outros lançamentos muito aguardados, pelo simples fato de que eles ainda não estão nas plataformas de streaming ou lojas de discos. Também não está na lista Ordinary Man, o novo álbum do OZZY OSBOURNE, pois considerei que, para amar ou odiar, você provavelmente já ouviu o disco. E, nunca é demais lembrar: se puder, fique em casa! Vamos então para a nossa primeira lista, que muito em breve ganhará um novo capítulo.

LUCIFER – III (Century Media)

Como o título do álbum entrega, esse é o terceiro capítulo da saga da vocalista alemã Johanna Sadonis com o seu LUCIFER, e o segundo ao lado do parceiro (e marido) Nicke Andersson (ENTOMBED, IMPERIAL STATE ELECTRIC, HELLACOPTERS). Considerando Lucifer II (2018), este novo álbum é apenas uma evolução natural, e considerando o primeiro capítulo da jornada (Lucifer I, 2015) é uma completa mudança de rota, já que na época a banda estava muito mais próxima do doom metal. Você vai adorar os singles Ghosts, Midnight Phantom e Leather Demon, mas também não tenho dúvida que vai se deliciar com as incríveis linhas de voz em Pacific Blues e Cemetery Eyes, que fecha o álbum. Sem dúvida, um dos melhores lançamentos do ano até agora, e um daqueles que não creio que saiam da lista até o final do ano.

IN THIS MOMENT – MOTHER (Roadrunner Records)

Já vou começar avisando, esse é o álbum mais ‘diferentão’ dessa lista, e alguns ouvintes mais radicais certamente não vão se interessar pela música que Maria Brink (voz) e seus companheiros produzem. O sétimo registro do IN THIS MOMENT mantém as principais características da banda, o tom moderno e por vezes soturno que sempre os caracterizou, além de linhas de guitarra bastante interessantes, e uma criatividade acima da média. Você talvez queira passar longe da versão estranha de We Will Rock You (QUEEN), mas poderá gostar bastante da melódica faixa que dá nome ao disco, das ótimas e discretas linhas de guitarra em Legacy, assim como a ‘modernosa’ As Above, So Below. Resumidamente, um álbum que não é para todos os ouvidos, mas que cumpre a sua proposta com louvor.

DARK FORTRESS – SPECTRES FROM THE OLD WORLD (Century Media)

Certo, chegou a hora de uma mudança completa de rota, partir para o black metal melódico tradicionalíssimo dos alemães do DARK FORTRESS. Claro que, considerando que esta é uma das bandas mais célebres e criativas do estilo, e levando ainda em conta que seis anos haviam se passado desde o último álbum (Venereal Dawn, 2014), esse era obviamente um dos registros mais aguardados do ano pelos fãs de metal extremo. E, ao ser lançado, o álbum fez valer a espera. Logo de cara, eles mostram como se faz uma introdução de verdade, Nascente é uma música de verdade para abrir o álbum, para colocar o ouvinte no clima, e não uma pilha de barulhos esquisitos que só estão ali para tomar espaço. Ademais, The Spider In The Web, Pali Aike, Pulling At Threads e a longa e densa Swan Song fazem as honras da casa.

KONVENT – PURITAN MASOCHISM (Napalm Records)

A banda é nova, nascida na Dinamarca em 2015, e este é justamente o seu primeiro álbum oficial. Ou seja, uma novidade, e uma ótima novidade se você é fã de doom metal. Com nuances que vão desde o som tradicional do estilo, e partindo para uma proposta muito próxima do death metal, a banda cria uma aura densa e poderosa, sobre a qual constrói torres sonoras de puro caos e desespero, como você ouve já na faixa de abertura, Purithan Masochism, que destaca tanto as linhas de voz (extremas), quando os ótimos riffs de guitarra (tradicionais). Confira o álbum por completo, mas dedique atenção especial para as ótimas Trust e Waste, com ótimas linhas de baixo.

GOD DETHRONED – ILLUMINATI (Metal Blade)

Um dos nomes mais tradicionais do death metal nos Países Baixos, o GOD DETHRONED sempre foi conhecido por aliar brutalidade com ótimas melodias, algo que foi mantido com todas as honras neste novo e décimo-primeiro álbum de estúdio. Conhecido também pela vocação de abordar temas históricos em suas composições, Henri Sattler novamente buscou inspiração no passado para este novo álbum, concebido logo após a banda finalizar sua trilogia sobre a Primeira Guerra Mundial. Em conversa com este repórter em 2017, Sattler já havia adiantado que manteria a História no próximo álbum, mas que buscaria um tópico que pudesse intercalar com o misticismo, algo que tanto os fãs quanto ele mesmo sentiam falta. Pois bem, o guitarrista/vocalista acertou na mosca, e aqui temos mais um ótimo álbum de uma das melhores bandas do cenário.

DEMONS & WIZARDS – III (Century Media)

Pois é, mais um álbum chamado III na nossa lista, como vemos, a criatividade anda atiçada no nosso meio… Brincadeiras à parte, a verdade é que o novo álbum do DEMONS & WIZARDS é extremamente criativo, e vai muito além de ser uma cópia dos seus dois antecessores, que colocaram o projeto em nível de destaque em todo o planeta. E só isso já bastaria para adorar um álbum que traz os vocais de Hansi Kürsch (BLIND GUARDIAN) e a guitarra de Jon Schaffer (ICED EARTH). Quer dizer, vamos lá, qual era a chance disso dar errado?! Como o colega Daniel Dutra salientou tão bem em sua análise, a banda está soando muito mais tradicional do que melódica neste novo álbum, e isso também é algo que vale a pena ser conferido, especialmente quando você coloca o peso dos riffs em perspectiva. Confira sem medo.

DEATHWHITE – GRAVE IMAGE (Season Of Mist)

O nome da banda, o nome do álbum, a imagem da capa, tudo entrega o fato de que você está diante de um álbum extremamente emotivo e voltado para o interior do artista. E felizmente é isso mesmo, o DEATHWHITE continua sendo aquela banda incrível que conhecemos em For A Black Tomorrow, de 2017. As linhas vocais extremamente melódicas e com apelo gótico, a temática lúgubre e as linhas de guitarra densas e viajantes colocam esta banda na vanguarda de seu estilo, e garantem uma experiência auditiva ótima para o atual momento que vivemos no mundo. Não deixe de ouvir Funeral Ground, Further From Salvation, Plague Of Virtue e a faixa-título, cada uma delas garante uma emoção diferente, e cada uma é melhor que a outra.

TEMPLE OF VOID – THE WORLD THAT WAS (Shadow Kingdom Records)

Sério mesmo que você pensou que eu faria uma lista sem um bocado de death metal tradicional? Claro que não, certo? Pois bem, direto de Detroit (EUA), esse quinteto é especialista em unir death metal com elementos de doom, uma fórmula que conhecemos muito bem de pioneiros como o INCANTATION, ou de novas forças, como o GENOCIDE PACT e o poderoso ORTHOSTAT, de Santa Catarina. O TEMPLE OF VOID ganha o ouvinte já no início de A Beast Among Us que tem um riff que remete o ouvinte aos tempos de Domination, do MORBID ANGEL. Porém, é Self-Schism que fisga o fã de death metal de uma vez, e faz você ficar atendo até o último segundo de The World That Was, que fecha o álbum. Este já é o terceiro álbum completo desta banda, e a terceira vez que eles sobem de patamar. Não deixe de ouvir.

MY DYING BRIDE – THE GHOST OF ORION (Nuclear Blast)

Sendo muito honesto, o MY DYING BRIDE nunca lançou um álbum ruim, e mesmo o questionado 34.788%… Complete (1998) tem muito mais para ser ouvido do que a maior parte das bandas conseguirá fazer em suas carreiras. Isso talvez se deva ao fato de que cada novo álbum é uma nova viagem ao interior da mente e da alma desses ingleses, algo que nunca poderá ser copiado ou repetido. E, considerando tudo o que cerca a concepção deste The Ghost Of Orion, Aaron Stainthorpe (voz, letras) tinha muito em que mergulhar para conceber essas canções. O clima é naturalmente emotivo e carregado, com ótimas incursões de vocais limpos e extremos, além de riffs cirúrgicos de guitarra, que sempre soam pesados e intensos, mas que nunca mascara ou descaracteriza a emoção que a música busca evidenciar. Trabalho de quem entende do riscado. Ah, e quanto ao violino… Só posso dizer que este é um disco soberbo, e que você precisa ouvi-lo o mais rápido possível.

PSYCHOTIC WALTZ – THE GOD-SHAPED VOID (InsideOut Music)

Um dos álbuns que eu mais cobiçava em ver lançado, o novo álbum dos reis do metal progressivo, um novo álbum completo do PSYCHOTIC WALTZ, após uma espera de vinte e quatro anos! Pois é, finalmente aconteceu, e desde que o lyric vídeo de Devils And Angels começou a aparecer na internet, percebi que a espera tinha sido compensada. Todos aqueles elementos que amamos estão ali, em profusão. O clima etéreo, às vezes volátil e instável, as linhas instrumentais que se confundem e entrelaçam, os elementos melódicos e a ótima técnica instrumental, tudo em uma única música. E o álbum ainda tem outras dez, tão boas quanto esta, e que não saem da minha cabeça desde que ouvi pela primeira vez. Vá sem medo, e aproveite para ouvir os demais álbuns dessa banda incrível.

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