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GLAM FEST BRASIL: CRAZY LIXX | PRETTY BOY FLOYD | STEVIE RACHELLE (TUFF) – SÃO PAULO (SP)

Carioca Club - 17 de março de 2023

Por Leandro Nogueira Coppi

Fotos: Dani Moreira

São Paulo vivenciou uma tarde/noite glamorosa no último dia 17 de março no Carioca Club. Promovida pela Dark Dimensions, a edição de estreia da Glam Fest Brasil promoveu o retorno da banda Pretty Boy Floyd e do compatriota americano Stevie Rachelle (vocalista do Tuff), e também do Crazy Lixx, um dos expoentes do prolífico hard rock sueco. Para a abertura, o evento trouxe de Porto Alegre (RS) a banda Goaten. A princípio, a Glam Fest Brasil proporcionaria também a estreia do Enuff Z’ Nuff em solo brasileiro, no entanto, infelizmente não foi dessa vez que o grupo de Blue Island, Illinois (EUA), desembarcou em terras brasilis – sorte daqueles (como esse que vos escreve) que viram o baixista, vocalista e líder Chip Z’ Nuff tocar em São Paulo em 2009 com a banda solo do ex-Guns N’ Roses Steven Adler, e o baterista original Vik Foxx quebrar um galho para o próprio Pretty Boy Floyd no ano seguinte.

Sinceramente, meu pensamento era de que a estreia da Glam Fest Brasil seria um fiasco sem precedentes em termos de público, visto que, convenhamos, fãs de hard rock dificilmente comparecem em peso a shows de bandas não muito populares como essas em questão. No entanto, considerando que fazia muito tempo que as três bandas não passavam por aqui, era possível haver um público formado por muita gente que não tinha idade para assisti-las nas visitas anteriores e que agora não perderiam a chance de vê-las pela primeira vez. Apesar de até determinado momento a quantidade de gente no evento ter sido realmente decepcionante, no final das contas pelo menos a pista ficou legal –não ficou lotada, mas longe de aparentar estar praticamente vazia. Em um local menor do que o Carioca, talvez teríamos uma boa impressão de casa cheia.

Pontualmente às 17h o Goaten, grupo formado em 2018 e integrado atualmente por Francis Lima (vocal e baixo), Rafael DrinkWine (bateria) e Daniel Limas (guitarra), inaugurou a festa. Pena que tocaram para pouca gente, visto que muitas pessoas ainda nem tinham chegado e outras tantas seguem a cultura de ficar do lado de fora durante shows de bandas nacionais de abertura. Isso não é de todo modo uma crítica, afinal, embora fosse bacana se o público de modo geral valorizasse a importância de se prestigiar o trabalho de artistas brasileiros, há de se compreender que cada indivíduo tem o direito de assistir o que e quando quiser, sem pressão – entretanto, saúdo quem tem/teve a pré-disposição de entrar mais cedo para conferir todas as atrações, sem distinção.

Apesar de o mote do evento focar no hard rock e no sleaze glam, o trio gaúcho veio com uma sonoridade galgada no heavy tradicional da década de 80 e com temática ocultista – embora os músicos sejam sim fãs de sleaze glam e certos riffs e outros arranjos respinguem hard ‘n’ heavy. Atualmente, o Goaten divulga seu álbum completo de estreia, Midnight Conjuring, que foi lançado em novembro de 2023. No entanto, a abertura veio com um resgate de 2019, Mistress of Illusion, single que foi reinserido em 2020 no EP The Following. A amostra do ‘full lenght’ começou mesmo com uma dobradinha formada por Finally Tree e pela contagiante e visceral Metal Blade – título esse que inevitavelmente remete à lendária gravadora americana independente de mesmo nome, de propriedade de Brian Slagel. 

Uma das coisas legais do show do Goaten foi que, mesmo que tivessem ali poucas pessoas o assistindo, Rafael, Daniel e Francis – que ostentava um belíssimo contrabaixo de shape e braço na cor “verde Poison/Overkill/Type O Negative” – não se deixaram abater e tocaram com muita energia e disposição – principalmente Francis e DrinkWine. Ponto para a banda!

Prosseguindo, o grupo priorizou o debut no setlist, porém não descartou alguns outros singles antigos e nem seu segundo EP, Crimson Moonlight, de 2021. Destaque para a ótima e climática Bells, música presente em Midnight Conjuring e que há três anos figurou na trilha sonora do filme The Macabre, da produtora Grime House Films. Senti falta no set da bela balada When Midnight Comes – fica então a dica ao grupo para inclui-la em seus próximos shows, pois vai dar bom!

Com um público um pouco maior, porém longe de sua totalidade, Stevie Rachelle, a voz do Tuff desde 1987 quando assumiu o posto deixado por Jim Gillette (ex-marido de Lita Ford), que foi montar o pavoroso Nitro, surgiu no palco. Rachelle veio acompanhado de seus brothers brazucas Bento Mello (baixo), Gabriel Haddad (bateria) – parceiros de Sioux 66 e que em 2023 tocaram para o também vocalista americano Danny Vaughn (Tyketto, Waysted) – e Leo Gonn (guitarra – Chromeskull, Desert Dance).

Apesar do setlist baseado em grande parte do álbum de estreia do Tuff, What Comes Around Goes Around, de 1991, Rachelle deu início com uma dobradinha oriunda do trabalho seguinte, Fist First (1994), formada pela visceral God Bless This Mess, que é uma das músicas mais legais da banda, e pela agitada In Dogs We Trust. Comunicativo como de costume, antes da próxima Stevie Rachelle perguntou aos fãs como eles estavam se sentindo. Ele também ressaltou que essa era a sua sétima visita ao Brasil em 18 anos e que em todas as vezes que vem ao país ele toca na “ótima São Paulo”. O frontman também perguntou quantos ali tinham uma cópia do disco What Comes Around Goes Around. Ao ver que muitos acenaram positivamente, anunciou: “Então suponho que vocês estejam prontos para descer até a Ruck A Pit Bridge” – em referência à música de mesmo nome, que foi acompanhada nas palmas pela plateia no ‘break’ que surgiu no decorrer.

Apesar de surgido em 1985 na improvável Phoenix, Arizona, e de não ter conquistado o mesmo sucesso de bandas como Mötley Crüe, Skid Row, Bon Jovi, Ratt, Twisted Sister, Quiet Riot, Poison e Guns N’ Roses, por exemplo, o Tuff se tornou conhecido no circuito musical de Los Angeles e ainda hoje ostenta o status de banda cult em alguns países (incluindo o Brasil), sendo detentora de uma base fiel de fãs. Fruto disso também pelo papel significativo de Rachelle no cenário sleaze/hard, inclusive pelo trabalho jornalístico exercido com seu conhecido site de notícias, Metal Sludge, e também por ter ajudado a dar sobrevida ao gênero (claro, com muito menos holofotes do que haviam no passado) no início dos anos 2000, pós-ressaca da nebulosa segunda metade dos anos 90, na qual o hard rock foi sumariamente ignorado e enterrado pela mídia e até mesmo por grande parte dos fãs.

Após Ruck A Pit Bridge, Stevie Rachelle apresentou seus parças ao público, ressaltando que os conheceu há anos. Depois disso, contou uma história bacana sobre como veio a ideia da letra da próxima música: “Eu percebia que não importava para onde eu fosse, seja na Alemanha, na Austrália, na Inglaterra ou em Los Angeles, em qualquer lugar do mundo havia uma coisa que todos amavam: heavy metal; amavam hard rock; amavam o estilo musical dos anos 80. E havia uma coisa que todos tinham em comum: sua escolha para roupas era a cor preta. E de volta à Sunset Strip, em 1988, minha banda Tuff disse: ‘Vamos criar uma música para todas essas pessoas, chamada Good Guys Wear Black (Bons garotos vestem preto)!”. Depois dessa, Rachelle agradeceu aos organizadores do evento e teve um gesto bacana ao pedir ao público que fizesse barulho para todos os “bartenders, garçons, funcionários, seguranças, técnicos de iluminação, de som, de monitor e stage manager”. Por fim, ele avisou que eles iriam desacelerar um pouco. Daí então, ele e banda mandaram a que considero uma das baladas mais bonitas do hard rock, I Hate Kissing You Goodbye. Essa foi cantada em uníssono, com o público mostrando que estava mais afiado com a letra do que o próprio Rachelle, que riu de ter esquecido trecho de uma das estrofes. Isso foi engraçado.

Para a sequência, vieram a boa semi-balada So Many Seasons – nessa Rachelle saiu tirando diversas palhetas do bolso da calça e distribuindo aos fãs – e a pouco lembrada (exceto pelos fãs ‘die-hard’) Summertime Goodbye. Já se aproximando do fim do show, Stevie, fã confesso de Rob Halford/Judas Priest, surpreendeu com um cover da contagiante You’ve Got Another Thing Comin’. Ao final dessa, ‘vendeu seu peixe’ orientando o público a conferir seu merchandising. Nesse momento ele brincou com o rapaz que estava responsável por seu estande e cutucou os músicos que cobram dinheiro de ‘meet ‘n’ greet’. Disse que ao final ele estaria no merchan conhecendo e tirando fotos de graça com quem quisesse. Em sua fala, Rachelle não poupou uma diretaça para Steve Summers, ao salientar que os produtos do Tuff estavam à venda sob qualquer forma de pagamento, ao contrário dos do Pretty Boy Floyd, que estavam à venda somente mediante ‘cash’ ou via PayPal.

Prosseguindo, Rachelle recordou uma história sobre ele e os integrantes da formação clássica do Tuff: “A coisa que eu mais amo é que eu, Todd (Chaisson, baixista), Jorge (De Saint, guitarrista) e Michael (Lean, baterista), na Sunset Strip, em 1987, logo após Mötley Crüe, Ratt, Dokken, Guns N’ Roses, Faster Pussycat e Poison, escrevemos uma música sobre a próxima onda de músicos”. E brincou: “E agora, não tenho mais 21 anos, eu sei. Tenho 27 – mais 31! (58). Mas olho ao redor e vejo alguns jovens aqui”. Nesse momento ele sacaneou um rapaz não tão jovem na pista: “Você não! Você tem o mesmo corte de cabelo que eu (ou seja, careca!)”. E anunciou: “Mas vejo a nova geração de fãs, e como esse cara, vocês fazem isso funcionar. Vocês fazem isso continuar. Vocês são toda a nova geração”. Ele falava de The All New Generation, uma das músicas mais comemoradas da noite. Curiosa e coincidentemente, a letra dessa música cita o nome de várias bandas e artistas, e quando a mesma foi regravada em 2012 para a releitura do álbum What Comes Around Goes Around – reintitulado por Rachelle como What Comes Around Goes Around Again -, ela foi atualizada liricamente (fazendo jus ao título) e uma das novas bandas mencionadas foi o próprio Crazy Lixx (junto de Buckcherry, Murderdolls, Reckless Love, Vains of Jenna (extinta banda sueca que era empresariada por Rachelle) e Black Veil Brides).

A despedida de Stevie Rachelle se deu com a esperada American Hair Band, música essa que ele intencionalmente “roubartilhou” a ideia de American Bad Ass de Kid Rock e em cima da mesma base de Sad But True do Metallica e da mesma melodia hip-hop no vocal, modificou a letra vociferando contra o movimento grunge e fazendo uma ode ao hard rock, com citações de nomes de músicas, álbuns, bandas e músicos do gênero – ah, e com direito a brincadeira com o Pretty Boy Floyd de Steve Summers: “I’m the singer from Tuff not Pretty Boy Floyd”. Essa foi, sem dúvidas, uma das melhores apresentações de Stevie Rachelle em São Paulo. Após a tradicional foto com a plateia, o cantor americano comunicou que no sábado seguinte iria tocar na GlamSlam Party, festa essa que aconteceu na Jai Club. 

Com a casa já praticamente em sua totalidade de público, o Pretty Boy Floyd surgiu no palco assim que a introdução mecânica foi disparada. Apesar de ter sido formada em Hollywood (em 1987), a banda foi abraçada na Sunset Strip de Los Angeles. Ela leva em seu nome (que inspirou a turma bem humorada do Ugly Kid Joe) o apelido do ladrão americano Charles Arthur Floyd. Vestido todo de preto, maquiado até o pescoço (literalmente), usando bandana e portando dois óculos escuros, um aviador tradicional e um Oakley cravejado de spikes, o vocalista canastrão Steve “Sex” Summers chegou por último no palco. Nessa que era a sua terceira visita a São Paulo (e ao Brasil), ele veio acompanhado dos estreantes em solo tupiquim Dizzy Aster (guitarra, Jet Black Romance), DieTrich Thrall (baixo) e Nick Mason – não o baterista do Pink Floyd, mas o que entre 2012 e 2015 passou pelo próprio Tuff. O início foi dado com a acelerada Your Mama Won’t Know, primeira de muitas músicas que seriam executadas do clássico álbum de estreia dos reis do sleaze glam, Leather Boyz with Electric Toyz, de 1989. 

Logo em seguida, o PBF levantou o público com seu conhecido cover do Mötley Crüe para a insólita Toast of the Town, música essa que Nikki Sixx, Vince Neil, Mick Mars e Tommy Lee lançaram antes do debut, Too Fast For Love (1981), especificamente como lado B do single Stick to Your Guns. Se movimentando bastante, Summers dava trabalho para o conhecido técnico de som e stage manager Henry Ho, que a todo momento precisava ir ao palco desenrolar o cabo do microfone que enroscava nas caixas de retorno a cada vez que o frontman se metia a ir cantar na beira, próximo aos fãs.

De todas as vezes que Steve Summers veio à São Paulo, essa, sem dúvidas, estava sendo a sua melhor apresentação, tanto em termos de performance quanto cantando – arriscou até alguns agudos e mandou bem na maioria deles. Muito melhor principalmente do que foi o seu show de estreia em São Paulo em 2006. Naquela vez, Summers veio sozinho e, assim como o próprio Stevie Rachelle, teve como banda de apoio o Bastardz. Na ocasião sua atuação foi desastrosa. Visivelmente chapado Summers cometeu atos vexatórios e irresponsáveis no palco, como, por exemplo, atirar ao chão o (caro) equipamento do profissional que filmava o show (no caso, Marcelo Rossi, vocalista e baixista do hoje extinto Exxóttca).

Dando prosseguimento ao recente show, Summers e Cia. tocaram aquela que certamente era uma das músicas mais aguardadas de todo o evento, a faixa-título do mencionado primeiro álbum do Pretty Boy Floyd, o hino do sleaze glam Leather Boyz with Electric Toyz. Nessa, Summers foi acompanhado a plenos pulmões pelos fãs e pela plateia de modo geral, tanto que em algumas partes Dizzy e DieTrich nem precisavam cantar, tão alto estava o coro do público. Falando em Dizzy Aster, o guitarrista tem um visual legal e bem sleazy mesmo, lembrando o do ex-guitarrista e cofundador Kristy Krash Majors, que, tempos depois de passar pelo Brasil com o PBF em 2010 (tendo o mencionado Vains of Jenna como banda de abertura), saiu do grupo e hoje vive atacando Summers de forma pesada nas redes sociais. De fato, é algo de baixo nível mesmo, com direito a bullying, fotos e vídeos constrangedores para atingir a autoestima do vocalista, além de acusações constantes sobre falsificações de autógrafos de ex-membros no intuito de levantar uma grana com merchan, apropriação indébita do nome da banda e uso de seus backing vocals como trilhas pré-gravadas nos shows atuais. Em tempo, esse lance de ‘backing tracks’ será falado no decorrer desta matéria.

Em Rock and Roll (Is Gonna Set the Night on Fire) os fãs deram outro show cantando muito alto. Aliás, eles quebraram o galho de Summers, que nessa não estava dando conta de alcançar as notas altas. Depois de Summers dizer, “O Brasil é muito bonito. É tudo o que eu pensava que fosse, como nos filmes pornôs: meninas latinas brasileiras muito bonitas”, o Pretty Boy mandou a modorrenta Wild Angels, balada dispensável que não faz sombra à I Wanna Be With You – tanto que quebrou um pouco o ritmo do show. Sorte que a ótima Good Girls Gone Bad, faixa do EP A Tale of Sex, Designer Drugs, and the Death of Rock n’ Roll, de 1998, e que ressurgiu no ano seguinte na compilação Porn Stars, retomou a energia. E o clima esquentou ainda mais com as indispensáveis 48 HoursRock and Roll Outlaws The Last Kiss, trinca de Leather Boyz… que antecedeu a bela I Wanna Be With You, que foi um dos hits e videoclipes do debut. Um momento engraçado do show foi quando Steve Summers arrancou gargalhadas de quem percebeu seu tombo de bunda no palco no decorrer de uma das músicas.

Ainda havia tempo para mais duas músicas. A próxima foi um presente para os fãs ‘die hard’ do Pretty Boy Floyd: Restless, música pouco constante no setlist da banda, oriunda da citada compilação Porn Stars. Para fechar sua festa, mesmo sendo domingo a banda mandou a festiva Saturday Night, uma das melhores músicas de Leather Boyz with Electric Toyz. Com Steve “Sex” Summers mostrando mais profissionalismo do que em suas duas passagens anteriores e tendo ao lado três músicos competentes, o Pretty Boy Floyd fez não apenas o seu melhor show em São Paulo até hoje, como o mais contagiante da noite (ao menos na opinião desse repórter).

Se para os fãs de hard/sleaze mais veteranos a ansiedade era para ver Stevie Rachelle e Pretty Boy Floyd em ação, para boa parte do público mais jovem a expectativa era para o show do Crazy Lixx. Acho altamente positivo que haja tantos interessados pelo som da banda, ainda que, particularmente, em termos de Suécia, eu prefira várias outras, contemporâneas dos caras, principalmente Hardcore Superstar (que desde 2008 conta com o guitarrista Vic Zino, que veio do próprio Crazy Lixx para o lugar de Thomas Silver), Backyard Babies, Crashdïet e H.E.A.T, por exemplo. Mas, claro, eu também estava curioso para ver a banda, afinal, havia em mim a esperança de ao menos ao vivo ser contagiado de uma vez por todas pelo som do Crazy Lixx. Com o palco ornado por alguns adereços, a banda chegou tocando uma de suas músicas mais conhecidas, Whiskey Tango Foxtrot, do terceiro álbum, Riot Avenue, de 2012. Desde essa primeira música até quase metade do show, a qualidade de som não estava favorecendo os suecos: instrumental abafado e guitarras baixas. Apesar disso, os cofundadores do Crazy Lixx, Danny Rexon (vocal e principal compositor) e Joél Cirera (bateria), o baixista Jens Anderson e os guitarristas Chrisse Olsson e Jens Lundgren – dupla que ainda não estava na banda no show anterior em São Paulo, mas sim Edd Liam e Andy Zata -, tinha a seu favor a adoração e apoio dos fãs, que não pareciam se importar com esse (importante) detalhe técnico.

Dias antes de o Crazy Lixx retornar ao Brasil, Rexon disse em entrevista à ROADIE CREW (leia aqui) que o grupo prepararia um setlist bastante variado. E cumpriu, descartando apenas músicas do debut Loud Minority (2007) – curiosamente, único não lançado pela Frontiers Records. Mostrando energia e carisma, o grupo agitou o público desfilando algumas músicas acachapantes, tais como a ‘hardona’ Silent Thunder, a veloz Rise Above, a ‘defleppardiana’ Walk the Wire e Wild Child, música que integra a trilha sonora do filme de terror estrelado por Nicolas Cage, Willy’s Wonderland (no Brasil, Parque Maldito – 2021). E por falar em trilhas sonoras, o quinteto mandou também XIII, música que assim como as não tocadas Live Before I Die Killer (todas do quinto álbum, Ruff Justice), figura na do jogo Friday the 13th: The Game. Não à toa, nessa Rexon cantou usando a máscara de Jason Voorhees, o famoso vilão da franquia Sexta-Feira 13.

Tirando a já falada qualidade de som que nas primeiras músicas insistia em soar irregular, tudo ia muito bem, exceto um detalhe que incomodou não só a mim quanto à algumas outras pessoas que também comentavam sobre… Como mencionei anteriormente que no decorrer dessa matéria eu iria falar sobre algo tão em voga hoje em dia, os tais ‘backing tracks’, eles rolaram descaradamente no show do Crazy Lixx. Falo especificamente dos backing vocals do grupo escandinavo. Eles soavam perfeitos, praticamente iguais ao que ouvimos nos álbuns da banda, ou seja, bem afinados e cantados sem uma mísera falha. Era de se estranhar, e bastava direcionar o olhar para os parceiros de Rexon, principalmente nos refrãos, que ficava fácil notar quando alguns deles por vezes esqueciam de começar a cantar (dublar) o início de suas partes ou simplesmente nem estavam todos posicionados nos microfones cantando aquilo que estávamos ouvindo sair das caixas de som. Oras, se um artista quer fazer uso de trilhas pré-gravadas – embora eu prefira ouvi-lo cantando de verdade, mesmo que não demonstre a mesma qualidade, fôlego ou afinação do que supostamente fez em estúdio -, que pelo menos saiba disfarçar e se prepare para estar sempre em sincronia labial com elas.

Prosseguindo, um mês antes de retornar à América do Sul, o Crazy Lixx lançou o álbum Two Shots at Glory, uma compilação que soma regravações de certas músicas de seu catálogo com algumas faixas inéditas. Presente nessa compilação está o cover de Sword and Stone, música que caiu muito bem para o Crazy Lixx e que foi uma das mais legais do show. Originalmente, Sword and Stone foi composta por Paul Stanley, Bruce Kulick e o produtor/compositor Desmond Child para o álbum Crazy Nights do KISS. Descartada desse disco lançado em 1987, ela apareceu dois anos depois como single do Bonfire, gravada durante as sessões do terceiro álbum de estúdio, Point Blank – essa versão do grupo alemão de hard rock foi incluída na trilha sonora do filme de terror Shocker, de Wes Craven, que também contou com colaborações de bandas e artistas como Iggy Pop, Saraya, Megadeth e Dangerous Toys.

O show do Crazy Lixx foi legal sim, porém não mais do que os do Pretty Boy Floyd e Stevie Rachelle. Ficou marcado como um dos últimos do baterista Joél Cirera, que já antecipou que após a apresentação que o grupo fará no dia 11 de maio em Copenhague, Dinamarca, se despedirá do Crazy Lixx. Ao final de quase uma hora e meia de show, os integrantes, assim como os das demais bandas fizeram após suas performances, foram para o camarim e depois apareceram na pista do Carioca Club para confraternizar com os fãs, atendendo aos pedidos de selfies e autógrafos – que bom seria se todo evento desse essa oportunidade ao público, ainda mais quando o acesso aos músicos não é cobrado, como costuma acontecer nos ‘meet and greet’ da vida. 

Falando em público, apesar de não ter lotado o Carioca Club dessa vez, fica a torcida para que a produtora Dark Dimensions siga apostando na Glam Fest Brasil, fomentando e influenciando o cenário sleaze glam/hard rock. Certamente, isso proporcionaria maior visibilidade e novos adeptos a esses dois gêneros, que voltariam a se fortalecer no país.

Crazy Lixx – setlist

  1. Whiskey Tango Foxtrot
  2. Hell Raising Women
  3. Rock and A Hard Place
  4. XIII
  5. Silent Thunder
  6. Rise Above
  7. Sword and Stone
  8. Girls of the 80’s
  9. Walk the Wire
  10. Wild Child
  11. Two Shots at Glory
  12. Blame it On Love
  13. 21 Til I Die
  14. Anthem For America
  15. Never Die (Forever Wild)

Pretty Boy Floyd – setlist

  1. Your Mama Won’t Know
  2. Toast of the Town (cover do Mötley Crüe)
  3. Leather Boyz with Electric Toyz
  4. Rock and Roll (Is Gonna Set the Night On Fire)
  5. Wild Angels
  6. Good Girl Gone Bad
  7. 48 Hours
  8. Rock and Roll Outlaws
  9. The Last Kiss
  10. I Wanna Be With You
  11.  Restless
  12. Saturday Night

Stevie Rachelle (Tuff) – setlist

  1. God Bless This Mess
  2. In Dogs We Trust
  3. Ruck A Pit Bridge
  4. Good Guys Wear Black
  5. I Hate Kissing You Goodbye
  6. So Many Seasons
  7. Summertime Goodbye
  8. You’ve Got Another Thing Comin’ (cover do Judas Priest)
  9. The All New Generation
  10. American Hair Band

Goaten – setlist:

       Intro

  1. Mistress of Illusion
  2. Finally Free
  3. Metal Blade
  4. Gypsies in the Night
  5. Nature of the Century
  6. Pride or Dust
  7. Phantom Chaser
  8. Sacrifice
  9. Bells
  10. Hunting the Damned

 

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