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Entrevistas

HATE

CONTAGEM REGRESSIVA PARA O INFERNO TUPINIQUIM

Às vésperas da segunda vinda do Hate ao Brasil, a ROADIE CREW conversou com o vocalista/guitarrista Adam The First Sinner para saber de suas expectativas quanto ao retorno ao país. E o papo foi além: Sinner também contou novidades sobre o próximo álbum, que será gravado em breve, e a relação da banda com os ‘corpse paints’. Nas linhas abaixo, um aquecimento para os vindouros shows dos poloneses.

O que espera ao vir ao Brasil para alguns shows?
Adam The First Sinner:
 Esta será nossa segunda visita ao Brasil. Desta vez iremos fazer quatro apresentações: em São Paulo, Curitiba, Rio de janeiro e São José dos Campos. Devo dizer que estamos ansiosos para tocar aí, já que temos muito apoio no seu país, além dos amigos. Será uma boa ocasião para encontrá-los! Além disso, temos também um evento do lançamento oficial no Brasil de nosso último álbum, Erebos, via Sadístico Records. Então, iremos também para reforçar o lançamento.

Como será o set list? Vocês tocarão novas músicas?
Adam: 
Tocaremos algumas músicas antigas, dos anos 90, mais um punhado de canções mais novas, dos três últimos álbuns, AnaclasisMorphosis Erebos. É possível que também executemos algum cover ou alguma nova composição de nosso próximo álbum. Logo, pode ser a estreia de uma nova faixa.

Em quais países o público do Hate é mais insano? Houve algum fato grotesco ou engraçado durante uma turnê, que vocês sempre se lembrarão?
Adam: 
Nos últimos cinco anos, estivemos viajando muito, tocando em inúmeras turnês por Europa, Rússia, América do Norte e também pela América do Sul. Então, tivemos muitas histórias divertidas, grotescas e até mesmo perigosas. Estar em uma banda é por vezes divertido, mas também acontecem fatos inesperados. Durante nossa turnê pela Rússia em 2008, nosso guitarrista Destroyer quebrou o braço na terceira noite! Era apenas o começo da tour, que deveria durar pelo menos duas semanas. Logicamente que ele ficou impossibilitado de tocar com o braço engessado. Tivemos que tomar uma rápida decisão: se continuaríamos com os shows ou cancelaríamos o resto da turnê. Acabamos decidindo tocar como trio. Cada noite que subíamos ao palco, nós o víamos no meio da plateia bebendo cerveja alegremente.

Já faz vinte anos desde o lançamento da primeira demo do Hate, Abhorrence. Como você vê a trajetória do grupo, daquela época aos dias atuais?
Adam: 
Já se passaram quase vinte anos de luta e mudanças numerosas de formação, então, nem tudo foi fácil. Mas valeu a pena, porque agora tenho uma banda com a qual sempre sonhei. O line-up parece estável, estamos juntos há mais de cinco anos. Tocamos muito por aí, gravamos dois álbuns juntos… Estou satisfeito com nossa trajetória. E não somos apenas músicos, mas um bando de amigos, também. É realmente uma banda de bons indivíduos. Musicalmente, tenho aprendido muito nesses anos e minhas composições se desenvolveram, do Brutal Death para uma mistura de diferentes estilos de Metal, Industrial e Ambient. Nosso objetivo é progredir a cada álbum e desenvolver nosso estilo em diferentes direções. Os temas de minhas letras sempre foram o satanismo e o misticismo obscuro, e nunca renunciei a isso. Portanto, em relação à nossa mensagem, ainda trata de antirreligião e atitude antivida. A maioria de minhas letras é filosófica e geralmente pode ser interpretada de poucos modos.

A cena underground polonesa tem crescido muito nos últimos anos, com estilos mais técnicos do que os do Death Metal tradicional. Qual a sua opinião sobre isso? Além de vocês, Vader, Behemoth e Decapitated, que outras bandas destacaria?
Adam:
 A cena polonesa de Metal é realmente forte e diversificada atualmente. As bandas mais conhecidas são obviamente as que você mencionou, mas existem várias outras, como Pandemonium, Darzamat, Blindead, a progressiva Riverside e outras. Quando falamos sobre conjuntos extremos, não podemos afirmar que eles representam o mesmo estilo; alguns são mais técnicos e outros, mais melódicos e atmosféricos. Então, na minha época, não havia nada do sobre ‘o jeito polonês de tocar Metal’. Para nós, a técnica foi sempre um meio de atingir alguns objetivos e não o objetivo em si. A parte mais importante para nós é a música e a atmosfera que ela traz, não a técnica. Também é importante o por quê de você tocar e não apenas como você o faz. A maioria das bandas da Polônia colocam a técnica como prioridade. Então, isso provavelmente é algo que nos diferencia das outras.

A propósito, quais bandas brasileiras você conhece? Não vale mencionar  Sepultura e Krisiun! (risos)
Adam:
 Só consegui conhecer duas bandas que abrirão o nossos shows por aí: Chaos Synopsis e Unearthly. Eles parecem ser nossos fãs e apoiadores. Isso é algo que realmente curtimos, então será um prazer encontrá-los e dividir o palco com esse pessoal.

O álbum Erebos é mais trabalhado e produzido e não tão direto quanto o trabalho anterior, Morphosis. Essa será a tendência daqui para frente?
Adam: 
Estamos trabalhando no novo material, que será gravado neste verão (N.R.: do Hemisfério Norte). Já tenho seis músicas prontas e posso dizer que será nosso álbum mais épico e diversificado, que incluirá as melhores qualidades do Death e do Black Metal, mas também do Industrial, Ambient, Heavy Metal e coisas com ‘groove’. Terá também alguns sons orientais e coros. Com esse novo trabalho, queremos expandir nosso estilo sem abrir mão do extremismo. Conto que o álbum seja realmente importante em nossa carreira e, honestamente, mal posso esperar para começar as gravações.

Ainda sobre isso, o Hate sempre se renova a cada álbum. Isso é sempre bom para a banda? O quão desafiador é criar novos sons, sem abrir mão da proposta original da banda, que é tocar Metal extremo?
Adam:
 É um caminho natural de desenvolvimento. Tudo o que queremos é progresso. Não estamos interessados em gravar o mesmo álbum sempre, então nossa música é envolvente em cada disco. Claro que há pessoas que criticam essa abordagem, mas a maioria dos fãs aprova porque sempre pode descobrir algo novo em nossa música.

Às vezes vocês tocam usando ‘corpse paint’ e às vezes não. Por quê? Como decidem isso?
Adam: 
Na verdade, sempre usamos ‘corpse paints’ quando estamos no palco. Houve apenas uma exceção: o ‘Metal Feast Festival’, na Alemanha, há poucos anos, quando chegamos tarde ao evento devido a um acidente em que nos envolvemos na estrada. Felizmente, ninguém se machucou, mas chegamos ao festival poucos minutos antes do nosso show. Então, não houve tempo para nos maquiarmos. Tivemos que subir ao palco assim que saímos do ônibus. Quanto você pergunta sobre os ‘corpse paints’ que usamos, devo dizer que é um elemento muito importante nas nossas apresentações. Pintarmo-nos é como um ritual para nós e ajuda na concentração logo antes do show. Além disso, usar ‘corpse paints’ te faz se tornar mais alguém e extrair energia de outros lugares. É difícil explicar, mas acredito que haja um certo misticismo nisso. Você está no palco, mas por alguns momentos se sente como se estivesse em algum outro lugar, conectado com alguma poderosa fonte de energia.

Quais são os próximos planos do Hate? Quando lançarão um novo CD ou DVD?
Adam: 
Como já disse, o próximo álbum será gravado em junho/julho e deverá estar pronto para ser lançado no meio do segundo semestre, via Napalm Records. Mas antes de entrar em estúdio, vamos tocar no ‘Metalfest Open Air’, um grande festival itinerante. Serão oito shows em seis países da Europa. É uma grande oportunidade para tocarmos para um grande público de metalheads.

Para encerrar, por favor, deixe uma mensagem para os fãs brasileiros.
Adam: 
Muito obrigado pela entrevista. Vocês serão muito bem-vindos aos nossos shows. Podem esperar por nada menos do que uma apresentação infernal.

Colaboraram Rodolfo Carrega e Ian Rittmeister Mazzeu

 

 

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