A música pesada será o ponto de partida para discutir recuperação física e emocional no documentário Heavy Healing, que chegará ao formato digital em 22 de setembro de 2026 pela MVD Entertainment Group. O filme reúne músicos, fãs e profissionais da indústria que relatam como o heavy metal, o hardcore punk e outras vertentes agressivas serviram como fonte de força durante períodos marcados por doenças graves, problemas de saúde e dificuldades emocionais.
A produção parte de uma crítica a um discurso antigo segundo o qual gêneros como metal e hardcore seriam apenas barulho e poderiam exercer influência negativa sobre a saúde física e mental. Em sentido oposto, Heavy Healing apresenta histórias de pessoas que encontraram nessas músicas uma ferramenta para enfrentar momentos particularmente difíceis.
Entre os problemas abordados estão câncer, ansiedade, depressão, acidentes vasculares cerebrais, ataques cardíacos, paralisia cerebral, doenças sanguíneas, diabetes e HIV/AIDS. Os depoimentos procuram mostrar não apenas o papel da música durante a recuperação, mas também a relação emocional construída entre artistas e público em situações de vulnerabilidade.
Músicos e profissionais participam do filme
O documentário conta com depoimentos de nomes ligados a diferentes gerações e segmentos da música pesada. Entre eles estão Jesse Leach (Killswitch Engage), Lou Koller (Sick Of It All), Jaret Reddick (Bowling For Soup), Mike IX Williams (Eyehategod), Vinnie Stigma (Agnostic Front), Eddie “Sutton” Pomponio (Leeway), Jesse Malin (Heart Attack, D-Generation) e Jimi Hazel (24-7 Spyz).
Também participam Michael Alago, ex-executivo de A&R que trabalhou com Metallica e White Zombie, Michael “Kaves” McLeer (Lordz Of Brooklyn), Jimmy G. Drescher (Murphy’s Law), Brian “Mitts” Daniels, ex-Madball, e Adam Blake (H2O).
Um dos principais envolvidos no projeto é Seth Abrams, veterano do mercado musical e uma das pessoas cuja experiência pessoal deu origem à ideia do documentário.
“Passei por várias situações médicas graves que mudaram minha vida. Quando você deixa de lado o apoio dos médicos, da família e dos amigos, é a música que ajuda você a atravessar tudo isso. No meu caso, recorri especificamente a You Can’t Bring Me Down, do Suicidal Tendencies. Heavy Healing dá voz àqueles que dependeram da música pesada e agressiva para se recuperar de diferentes situações, sejam elas médicas, emocionais ou as duas coisas”, afirmou Abrams.
Experiência pessoal está na origem do projeto
A trajetória de Seth Abrams foi determinante para o desenvolvimento de Heavy Healing. Aos 34 anos, ele sofreu uma dissecção da aorta, seguida por um acidente vascular cerebral que provocou paralisia do lado esquerdo do corpo. O episódio acabou plantando a primeira semente para a realização do documentário.
Em 2019, Abrams enfrentou ainda convulsões e uma infecção cerebral que afetou sua memória de curto prazo. Durante o processo de recuperação, voltou a recorrer à música pesada, tanto em gravações quanto em apresentações ao vivo, como uma forma de auxílio para atravessar as consequências dos problemas de saúde.

Estreia na direção
A direção é de Howie Abrams, que possui mais de quatro décadas de experiência trabalhando com artistas da cena pesada. Ao longo da carreira, ocupou funções de A&R, gerenciamento de produtos e publicação musical em empresas como In-Effect Records, Roadrunner Records, Jive Records/Zomba Music e Warner Chappell.
A partir de 2013, ele também passou a atuar no mercado editorial e teve dez livros publicados, entre eles biografias de H.R., do Bad Brains, Vinnie Stigma, do Agnostic Front, e dos irmãos Koller, do Sick Of It All, além de The ABCs Of Metallica.
Howie Abrams também trabalhou com nomes como Shelter, Vision Of Disorder, Nuclear Assault, Sepultura, Type O Negative e Misfits, além de ter produzido programas para as redes MSG e Fuse. Heavy Healing marca sua estreia como diretor de cinema.
“Como alguém que trabalhou com bandas underground durante mais de quatro décadas, encontrei músicos demais obrigados a lidar com algum tipo de doença ou transtorno. É incrível ver como eles conseguiram recorrer à música extrema com a qual crescemos para permanecer motivados e se recuperar. Esperamos que outras pessoas também possam encontrar nessa música a mesma inspiração que nossos entrevistados encontraram”, declarou.
A equipe inclui ainda Jammi York, fotógrafo e videomaker freelancer de Nova York que atua há mais de duas décadas. Seu trabalho inclui registros de shows, retratos de celebridades, moda e acontecimentos internacionais, incluindo protestos na Nicarágua e o conflito em andamento na Ucrânia.
Heavy Healing será lançado digitalmente em 22 de setembro de 2026. Veja o trailer oficial:
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