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JESTERS OF DESTINY: UMA NOVA CARTADA DO DESTINO

Década de 1980, para muitos a ‘Era de Ouro’ do heavy metal. Muitos motivos vinham para corroborar todo esse otimismo, e iam do nascimento de novas bandas (e com elas de novos subgêneros musicais) ao lançamento quase que diário de novos ótimos discos, que encontravam espaço na programação das rádios e até dos canais de televisão. Naqueles dias, poucos lugares no mundo eram mais atrativos para novos jovens músicos quanto a ensolarada Los Angeles, na Califórnia. Dona de uma vida noturna vibrante, ela também tinha um cenário musical firmemente estabelecido – e variado, já que a história ia desde os clássicos do rock psicodélico até os nomes viscerais do hardcore e do thrash metal. Foi justamente nesta época e cenário que nasceu o Jesters Of Destiny, um dos muitos ótimos nomes que iluminaram os ‘outdoors’ de LA, mas que tiveram uma ‘primeira encarnação’ muito mais curta do que o esperado (a banda originalmente esteve ativa entre 1983 e 1988). Depois de passar muitos anos ao largo, o guitarrista Ray Violet e o baixista/vocalista Bruce Duff finalmente decidiram voltar à ativa em 2015, e o mais novo álbum, Distorting Everything (2022), já é o segundo desde o retorno. Conversamos com a dupla, que nos contou mais de sua história. 

Sei que já faz muito tempo, mas vocês ainda lembram a razão de terem nomeado a banda como Jesters Of Destiny? 

Ray Violet: Acho que o Bruce vai ter que assumir essa resposta. Eu tinha sugerido Tooth & Nail, mas fui voto vencido (risos). 

Bruce Duff: Realmente já faz muito tempo, eu não lembro ao certo. Provavelmente naquela época eu tinha uma resposta bem bolada para isso, e só Deus sabe se era verdade, mas nem faço mais ideia (risos gerais). Eu não sei, muito provavelmente foi uma dessas ideias que você tem durante um sonho, e então acorda e anota em algum lugar, algo do tipo. Você sabe, algo no subconsciente. 

Ray: A verdade é que Bruce também é um escritor, então ele naturalmente é muito bom com palavras e sentenças, você sabe. Então, sempre foi muito confortável para nós deixar esse trabalho com ele, pois sabíamos que viria com algo bom. O nome da banda, letras, os títulos dos nossos discos, ele é ótimo com isso. 

Bruce: Ajuda muito quando você é vocalista. Quer dizer, quando você escreve o que vai cantar, você sabe sobre o que vai cantar, e isso ajuda muito na hora da performance. 

O Jesters Of Destiny teve seu início na primeira metade dos anos 80, na Califórnia, um cenário riquíssimo para o rock, com uma abrangência absurda. O que os tornava diferentes das demais bandas da época? 

Bruce: Acho que o nosso lance era que estávamos juntando as partes de todos os tipos de música que gostávamos de ouvir. Nós tínhamos as nossas primeiras músicas nas mãos, e realmente acho que elas eram um pouco diferentes do convencional, mas nunca entramos no processo de composição pensando em algo como ‘o que devemos fazer para ser diferentes, como podemos ser diferentes dos outros?’, nada assim. Aquelas músicas eram simplesmente o que tínhamos conseguido fazer com as nossas ideias. Nós tínhamos esse projeto de gravação, tínhamos algumas ideias para músicas bem comerciais que vínhamos trabalhando para conseguir algum destaque nas rádios ou na TV, fazendo alguns experimentos musicais só para se divertir, então Ray começou a dizer que aquelas ideias soavam bem juntas. Veja, nem estávamos tentando fazer nada a sério, mas como aquelas ideias soavam bem juntas, resolvemos realmente montar uma banda e começamos a escrever músicas juntos, reunir as ideias em canções. É por isso que digo que nem foi algo intencional, a nossa música foi mais o resultado da combinação das músicas que estávamos ouvindo na época, e talvez essas referências fossem diferentes para as outras bandas. 

Distorting Everything – Ektro Records – IMP

Por exemplo? 

Bruce: Prince, ele estava lá e fazendo muito sucesso, todo mundo estava ouvindo as músicas dele, mas nem todo mundo trazia aquelas referências para o rock. Então, nós pegamos isso, misturamos com algo do velho rock psicodélico. Aliás, mais ou menos naquela mesma época em que estávamos começando, estava acontecendo um interessante movimento musical, que era mais comum e popular aqui em Los Angeles do que em outras cidades, o Paisley Underground. Era como uma renovação da música psicodélica, e eu ia sempre assistir aquelas bandas, gente como The Dream Syndicate, The Fuzztones e outros, eu adorava aquilo. Não tinha nada a ver com metal, embora as bandas se vestissem de preto e tivessem cabelos longos (risos). Tinha muita coisa diferente rolando na época, então acho que só combinamos com o momento, de alguma maneira. 

Ray: Se você ouvir uma música como Diggin’ That Grave (faixa de abertura do álbum de estreia do Jesters Of Destiny, Fun At The Funeral, de 1986) e for até aquela parte no meio da música, vai perceber que aquela parte foi basicamente composta à partir de uma música do Norris Cole (N.R: astro do reggae da Jamaica), ela parte de uma parte bem estruturada para uma forma mais livre, por assim dizer. Eu e Bruce sempre tivemos essa atitude de músicos diante da música, de ‘performers’, melhor dizendo. Tudo o que gravamos sempre foi registrado do início ao fim, sem pausas ou cortes. Apenas se cometermos um erro muito grave é que vamos regravar uma parte ou sobrepor algum elemento, então, tenha certeza de uma coisa: Tudo o que você ouviu do Jesters Of Destiny, do início até os dias de hoje, é basicamente música gravada ao vivo. Tem a emoção do momento, é como nossos dedos quiseram tocar a música naquele momento. Então, sair do comum, tocar uma ‘jam’ fora do contexto da música é algo natural para nós, pois aprendemos a tocar como ‘performers’, e não como peças de cerâmica. 

Quanto o metal e o punk foram importantes nessa mistura que vocês promoveram? 

Ray: Bem, nós viemos de uma área em que ambos os movimentos estavam crescendo muito naqueles dias. O punk era algo que gostava muito, mas pelo menos para mim o metal era algo ainda maior, era o que ouvia todo o tempo! Então o metal acabou se tornando uma parte muito grande na nossa música, desde que pudéssemos tocá-lo à nossa maneira, com essa atitude meio que de jam, sabe? O problema na época era encontrar um baterista que nos acompanhasse (risos). 

Bruce: Quando tocávamos ao vivo a música era naturalmente ainda mais inesperada do que no disco (disco). Nos shows, alguém sempre tinha a incumbência de dar o sinal para que a banda voltasse aos trilhos em uma música, pois adorávamos partir para jams, deixávamos as coisas correrem meio livres, pois isso tinha a ver com a nossa música. Sabe, uma vez o Jon Sutherland, que era o cara da publicidade da Metal Blade e um dos caras mais influentes do metal na época, me disse: “Vocês são muito punks para serem metal, e muito metal para serem punks”, e acho que era meio que verdade (risos). Talvez tenha sido mais complicado assimilar nossa imagem por conta disso, mas quanto olho os flyers antigos dos nossos shows, vejo que tocamos com uma gama muito grande de bandas de todos os estilos, então acho que tinha um lado muito bom nisso também. 

Em 1986 vocês lançaram sua estreia com o álbum Fun At The Funeral, e em seguida lançaram o EP de covers In A Nostalgic Mood (1987), que contém a sua versão para Electric Funeral, do Black Sabbath. O engraçado é que vocês se tornaram conhecidos no Brasil principalmente por conta dessa versão, que constava no tributo Eternal Masters, um dos muitos tributos dedicados a grandes nomes lançados por aqui na época. A parte ruim é que, por mais que o interesse dos fãs brasileiros tivesse sido despertado, naquela época o Jesters Of Destiny já nem existia mais. Vocês conheciam essa história? 

Bruce: Não, eu nem fazia ideia, mas que loucura (risos gerais). Poxa, então já tivemos uma chance de sucesso no Brasil? Só com uma banda chamada Jesters Of Destiny (N.R: algo como ‘bobos da corte do destino) para acontecer uma oportunidade dessas quando a banda já tinha acabado (risos gerais). A nossa música sempre foi algo complicado, era difícil estar nas paradas de sucesso e eu realmente não sei explicar o motivo. Na época nós tivemos ótima cobertura em revistas como a Metal Hammer e a Kerrang!, mas ainda assim as coisas nunca se tornaram grandes para nós. Lembro que tínhamos um público consideravelmente maior na Finlândia e na Alemanha do que jamais tivemos nos Estados Unidos, e eu nem imagino a razão disso. 

Ray: Especialmente na Alemanha nós conseguimos um bom público. Mas a coisa que sempre foi mais complicada para nós foi conseguir fazer que as pessoas conhecessem a nossa banda, que elas tivessem interesse em ter um primeiro contato com a nossa música. Existem muitas bandas, tantas que é realmente difícil dar uma chance para todas, então sempre foi uma luta muito grande nesse sentido, por isso nunca tivemos uma turnê mundial ou algo do tipo. Teria sido ótimo, ouvimos grandes histórias dos nossos amigos que conseguiram tocar no Brasil, América Latina, Japão e outros países, mas isso nunca aconteceu para nós, e eu não guardo nenhum ressentimento, pois sei que estávamos fazendo música boa, as pessoas apenas não tiveram a chance de conhecê-la em tempo. 

Bruce: Mas eu conheço essa coletânea sim, ela foi lançada aqui nos Estados Unidos também. É verdade, nós já tínhamos nos separado quando aquela coletânea tributo ao Black Sabbath foi lançada em 1994, e ela foi lançada pela Priority Records, que era a gravadora responsável pelo lançamento de artistas de hip-hop como NWA, Ice Cube e coisas do tipo, eles tinham essa pequena subsidiária que estava interessada nesses discos de tributo, que faziam certo sucesso na época. Bom, vários projetos assim foram feitos, mas no geral o selo dizia ‘ei, vamos fazer um tributo ao Alice Cooper’, e então eles chamavam um monte de bandas para fazer isso, novas gravações daqueles clássicos todos, então eles davam uns dez mil dólares para cada banda e montavam o álbum. Não foi isso que a Priority fez, eles simplesmente procuraram por um monte de versões do Black Sabbath que já estavam prontas e gravadas e que só precisassem licenciar para juntar em um mesmo álbum, para que custasse o menos possível para eles (risos). De fato, a maior parte das cópias que vi desse tributo são em fitas K7, e eram vendidas em paradas de caminhão (risos). Essa era a ideia, vender um produto barato para que caminhoneiros pudessem ouvir aquelas músicas enquanto atravessavam o país dirigindo. Não lembro de ter visto aquele disco em fita ou CD em qualquer loja de discos nem uma única vez na minha vida, era sempre nessas lojas de conveniência e paradas de caminhão ao longo da estrada. É incrível pensar que conseguimos um certo nome no Brasil com esse tributo (risos). 

Ray: Espero que não tenha passado tempo demais e os brasileiros ainda lembrem de nós (risos gerais). 

De qualquer forma, vão lembrar agora, com o lançamento de Distorting Everything. 

Bruce: Isso seria ótimo! Veja, a nossa música não mudou tanto assim, pois a nossa atitude diante da música ainda é a mesma. 

Ray: Só estamos mais velhos, e aprendemos novos truques (risos). 

Bruce: Sim, mas ainda gostamos de fazer jams, deixar a música fluir livre e misturar psicodelia com música pesada como sempre fizemos. Sempre fomos assim, temos a música pesada e a psicodélica como norteadores, mas sempre tivemos uma faixa cover, algo de reggae, um pouco de blues e tudo, enfim misturado na nossa música. A única diferença é que desta vez nós pensamos ‘vamos pular todas essas introduções e partir direto para o que interessa, vamos fazer um disco bem direto de hard rock’, então foi isso que fizemos e por isso o álbum se chama Distorting Everything. Então, se quiserem um pouco de música pesada e divertida, deem-nos uma chance, e podemos divertir vocês por alguns minutos (risos).

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