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LIGHTNING BOLT – São Paulo (SP)

25 de Fevereiro de 2024 – Fabrique Club

Por Daniel Agapito

Fotos: Belmilson dos Santos

A música experimental não é, nunca foi e nunca será algo acessível. Intrinsecamente desafiadora e provocativa, ela assumiu o centro das atenções na noite do dia 25 de fevereiro. Marcando sua estreia no Brasil, a dupla americana de noise punk experimental, Lightning Bolt, encabeçava a programação, acompanhada pelo Test (SP) e Deafkids (RJ). Originalmente planejado para incluir também o Petbrick, projeto paralelo de Iggor Cavalera e Wayne Adams (Big Lad, Death Pedals), o evento sofreu alterações de última hora, com mudança de data e local, passando do Carioca Club para o Fabrique Club. Não obstante, o domingo ainda prometia ser um grande dia para a música experimental.

Por volta das 18h30, subiu ao palco um dos grupos musicais certamente mais interessantes do Brasil, o Test. Apresentando uma real enxurrada sonora, a dupla de João Kombi (vocais e guitarra) e Barata (bateria) conseguiram capturar a atenção do público paulistano em questão de segundos. Mesmo não tendo um setlist ortodoxo, conseguiram maravilhar todos os que estavam presentes com seu grind experimental. Com grande parte das luzes da casa estando apagadas, e os integrantes passando o show um de frente ao outro, raramente falando de maneira direta com quem estava presente, foi criada uma atmosfera realmente diferenciada, algo difícil de descrever.

Houve também certa interação com o público, mas de maneira diferente da maioria dos shows. Como em outras performances do grupo, ambos os integrantes pararam de tocar em um momento aparentemente aleatório, só voltando quando um fã gritou “canta mais”! A banda conseguiu personificar perfeitamente o ditado “menos é mais” – mesmo com Kombi tocando uma guitarra com quatro cordas e Barata usando uma configuração de bateria não tão elaborada, conseguiram usufruir completamente do que tinham, alcançando altas sonoridades e (mesmo que não pareça) demonstrando toda a habilidade técnica que ambos possuem.

A performance foi finalizada com João Kombi convidando todos os que estavam ali para ir ao seu show – novamente ao lado do Deafkids e agora com a banda de hardcore Mee, que acontecerá na próxima sexta-feira (1/3) na Porta Maldita, no bairro de Pinheiros. Após descerem do palco, era possível encontrá-los tomando conta de seu estande de merchandise, dispostos a conversar com todos que por lá passavam.

Não só pelas habilidades técnicas dos membros, mas também pela sensação de caos organizado sendo muito bem trabalhada pela banda, os shows do Test são sempre muito interessantes e definitivamente únicos, diferentes de tudo que está por aí. Caso não tenha visto um show deles, é interessante procurar, até gravações ao vivo, mesmo não necessariamente gostando da sonoridade apresentada pela dupla. É impressionante.

Já às 19h30, foi a vez do Deafkids assumir o palco do Fabrique Club. Apresentando uma sonoridade bastante experimental, usando diversos tambores, flautas e uma bela dose de efeitos digitais, o trio conseguiu fazer um show que estica os limites da música convencional, assim como o Test, mas de maneira mais maximalista, contrastando com o minimalismo inerente da dupla de Kombi e Barata.

A performance dos cariocas conseguiu também hipnotizar os que estavam presentes, com suas músicas cíclicas e que remetem ao mito de Sísifo, sendo bastante cíclicas e baseadas em loops. Mesmo com as estruturas de cada faixa sendo diferenciadas, conseguiram prender bem a atenção do público, que agora já estava mais descontraído e chegou a fazer pequenos moshes na frente do palco. Um dos grandes destaques da noite foi quando tocaram seu hit “Selva Pulsátil”, que fez o público ir à loucura, fazendo com que o bate-cabeça já bem forte ficasse de outro nível.

Um dos grandes elementos que diferenciam o power trio carioca de uma banda como o Test, por exemplo, é sua instrumentação. Fora a abundância de efeitos digitais usados por todos os membros, era comum usarem tambores de diversos tipos, flautas andinas, diversos timbres de sintetizadores. A discrepância sonora entre instrumentos como os já mencionados tambores e flautas (comumente encontrados em músicas com características mais tribais e remetentes a culturas passadas) e os diversos efeitos e sintetizadores (inegavelmente um grande feito moderno em relação à música) criaram um contraste pouco visto com outros grupos; música realmente experimental.

Pouco depois das 21h, com as cortinas ainda fechadas, e o Fabrique Club já bem cheio, o som inconfundível do baixo de Brian Gibson ecoou pela casa, divergindo a atenção de todos para o palco. As cortinas foram abertas 10 minutos depois, e o Lightning Bolt iniciou a noite com a eletrizante “The Metal East”. No segundo em que os vocais começaram, era possível ver a primeira roda punk substancial daquele domingo. O clima já estava lá em cima desde o começo do show, o público estava absolutamente enérgico.

Vale constatar que diferente de seus shows no Sesc Jundiaí, que aconteceram dois dias antes, não fizeram sua performance no estilo “guerrilha” pelo qual são conhecidos (palco central na pista, em meio aos fãs). Ao invés disso, tocaram no palco. Mesmo assim, conseguiram entregar uma noite de entretenimento e diversão ao público, repleta de energia.

Logo na segunda música, o mosh havia virado um caos – pessoas pulando, correndo e um bate-cabeça inesgotável. Vimos também o primeiro de alguns stagedives, algo que se repetiria durante a noite. Um dos fãs presentes chegou a jogar uma camiseta ao palco, que acabou derrubando um dos microfones da bateria. Estava um caos. Toda essa energia do público certamente era retribuída pelo baterista, Brian Chippendale, que batia em seu instrumento de maneira vertiginosa, enquanto cantava simultaneamente.

Diferente dos outros shows, houve interação com o público de maneira convencional, com o baterista elogiando o público, falando do som (dizendo que na dúvida, era sempre melhor aumentar tudo) e notavelmente dizendo que usaria equipamentos especiais que só usa três vezes por ano.

Tendo tocado mais ou menos 45 minutos, Chippendale retirou o apetrecho que segurava seu microfone, levantou de sua bateria, pegou uma camiseta que estava no palco e mostrou aos fãs, subsequentemente apertando a mão de alguns que estavam na fileira da frente. Todo esse cuidado com o público, mesmo sendo sua primeira vez em terras brasileiras, mostrou claramente toda sua experiência com shows e foi um dos fatores que justificou seu status como uma das maiores do estilo. Um dos outros grandes componentes que embasam seu posto na história do noise punk é inegavelmente a habilidade técnica de ambos os integrantes.

Com o relógio se aproximando das 22h, Brian Gibson deixava seu baixo de lado e se retirava do palco. Já Chippendale desceu do palco e foi andando até o fundo da casa, interagindo com diversos fãs. Esta duração de apenas uma hora, mesmo sendo considerada curta por alguns, foi completamente justificável, dado a energia que os americanos despenderam acima do palco. No total, foram tocadas sete músicas, destacando seus 30 anos de carreira.

Mesmo com a real qualidade musical daquela noite de domingo podendo ser disputada por vários, quem esteve lá pode concordar que todas as bandas que se apresentaram fizeram shows no mínimo interessantes. Como já foi dito, a música experimental não é e nunca foi nem será algo acessível, algo que todos gostem, algo com sucesso comercial marcante, seja intencional ou não. Não é um som para todos. Ainda assim, as três performances que aconteceram foram muito boas, mostrando as diferentes qualidades de cada grupo. O Test, mesmo só tendo meia hora para tocar, conseguiu expressar toda sua fúria e exibir sua técnica, usando de tudo de seu setup minimalista. Deafkids, por sua vez, já apresentaram uma abordagem diferente, mais calcada no poder dos efeitos, mostrando que existem diversas maneiras de usar distorção, delay, reverb, wah, chorus, etc. Já o Lightning Bolt justificou seu status como um dos grandes do estilo. No próprio flyer do show, e em grande parte do marketing feito, estava uma citação da revista The Guardian em relação à experiência ao vivo do Lightning Bolt: “um dos mais impressionantes de todos os tempos”. Não resta dúvida de que impressionou.

Setlist DEAFKIDS:

  1. Máquina Persuasiva
  2. Selva Pulsátil
  3. Templo do Caos
  4. A Caça
  5. Pacto de Máscaras
  6. Tentáculos
  7. Psy Op
  8. Raíz Negativa (Não-Vontade)

Setlist Lightning Bolt:

  1. Metal East
  2. Over the River and Through the Woods
  3. Air Conditioning
  4. Blow to the Head
  5. Megaghost
  6. Horsepower
  7. Ride the Skies

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