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FESTA DE 3 ANOS DO LADO DIREITO DO PALCO: KORZUS | TEST | MISFATS – São Paulo (SP)

5 de maio de 2024 - La Iglesia

Por Daniel Agapito

Fotos: Mazzei

Criado por dois amigos de longa data, Glauber Magalhães e Antônio “Novato” Pock Marques, o canal Lado Direito do Palco tem tido uma ascensão meteórica nos últimos três anos, marcando presença em eventos desde os menores shows underground ao Summer Breeze. Inicialmente, faziam vídeos em estúdio compartilhando histórias e vivências de uma vida dedicada ao metal para um público que mesmo não sendo dos maiores, foi sempre devoto. Agora, poucos anos depois, estão presentes em tudo quanto é show, com Novato até sendo convidado para acompanhar o Sepultura pelo Brasil nesta turnê de despedida deles. Agora eles contam com uma equipe maior, com os dois e um time de fotógrafos, e continuam incentivando a ida do público aos shows, as rodas e no geral, mantêm a cultura dos shows viva.

Para comemorar este marco importante na história do canal, fizeram uma festa no La Iglesia, casa de shows intimista no bairro de Pinheiros, zona sul da capital paulistana. Para esquentar o público, eles convocaram a enérgica dupla de grindcore Test, conhecida por seus shows e discos inovadores (e também amigos do canal há algum tempo), o Misfats, cover do Misfits com o próprio Glauber na bateria, e o lendário Korzus, que faria seu primeiro show na casa. Sendo logo após o show de Bruce Dickinson no Vibra e em um final de semana em que muitos ainda se recuperavam do Summer, aquela noite prometia ser bastante alto astral, uma verdadeira festa.

Já disse algumas vezes – e digo de novo -, todos deveriam ver pelo menos um show do Test na vida. O Test é aquela banda que no começo do show você não entende nada e no final parece que está no começo, mas você sai impressionado. A mistura flamejante de grindcore, death metal, sludge e mais um monte de sonoridades é algo realmente admirável. A dupla Barata (bateria) e João Kombi (guitarra, vocal) subiu no palco sem falar nada e simplesmente começou a mostrar um pouco do melhor que o grind tem a oferecer. Uma das razões que digo que todos tinham que ver ao menos um show do Test é o fato de que eles não têm setlist fixo, então cada show deles é personalizado, de certa forma.

Formados em 2010, viraram nome conhecido no underground nacional pelo conceito da banda em si, tocar em qualquer lugar de qualquer jeito. Na mesma semana da data no Iglesia, fizeram seu 900° show, no FFFront, casa intimista no bairro de Sumarezinho. Conseguiram também bastante atenção da mídia quando montaram um show no meio da rua na saída do último dia do Summer Breeze (28/4, domingo). A dupla não só tem virado marco do grind nacional, como também tem conseguido criar certo nome na cena internacional, fazendo mais de 10 turnês por terras gringas.

Quem já foi à um show do Test já sabe mais ou menos o que esperar, os dois sobem no palco, sem falar muito com os fãs, tocam exaustivamente e saem. Mesmo não parecendo – pela falta de acessibilidade do som -, tanto João quanto Barata são mestres no que fazem, com um nível altíssimo. Por exemplo, houve uma hora em que Barata simplesmente tirou um chimbal e montou de novo, enquanto ainda tocava. O mesmo também passou por volta de um minuto literalmente rufando os tambores, batendo na caixa sem parar, ocasionando gritos como “chupa Eloy” e “loucura, loucura, loucura”. Iggor Cavalera considerá-lo um dos 10 melhores bateristas de todos os tempos realmente faz muito sentido. Kombi também não fica para trás, conseguindo usufruir perfeitamente de sua pedaleira bem ao estilo DIY (do it yourself) e guitarra mais “minimalista”. Juntos, eles conseguem extrair uma sonoridade realmente única.

Sobre o show, Novato falou posteriormente no Instagram: “Ter o Test na festa de três anos do Lado Direito do Palco foi muito especial. É difícil explicar e poucos vão entender, mas nossa escola New York Against Belzebu / Naked City / Anal Cunt tinha que estar representada nessa mistura louca que é o LddP, e só o Test podia ‘abrir os trabalhos’. Valeu João e Barata! Vida longa ao TeST”.

Os próximos a assumir o palco foram os Misfats. Liderados pelo carismático Ghoulrdo, já animaram a festa logo de cara com a clássica Hybrid Moments. O show deles passou por vários grandes clássicos dos mestres do horror punk que eles homenageiam, e ainda por cima viu a abertura da primeira (de muitas) roda punk, apesar do espaço pequeno da casa. Mantendo o tema “comida”, assumiram o palco distribuindo doces aos fãs, jogando mais e mais balas e pirulitos à medida em que o tempo passava. Enquanto a banda mandava clássico seguido de clássico, Attitude, Skulls, Saturday Night, Some Kinda Hate, She… Todos – tanto fãs quanto banda – mostravam estar felizes e sorriso na cara.

Os horror punks a serviço do horror e das calorias, como diria o próprio vocalista, animaram legal o público, abrindo diversas rodas e incentivando muitos moshs. Fora atiçar os fãs com muito Misfits, o show também serviu para demonstrar as habilidades “baterísticas” do próprio Glauber, agora de delineador e com o cabelo estilo Misfits. O membro-fundador do Lado Direito executou todas as obras de Jerry Only e companhia perfeitamente. Outro aspecto da performance que merece destaque foi a interação com os fãs. Ghoulrdo incluia várias pequenas piadas entre uma música e outra, falando algumas vezes, inclusive, para parar o show porque “ser gordo cansa”.

Já passado grande parte do setlist, Novato foi chamado ao palco para dar um discurso frente aos fãs do canal, dizendo que em um de seus aniversários na época da adolescência, ganhou um presente que iria mudar sua vida: um disco de vinil e um pouco de dinheiro a mais. O disco era a brilhante obra prima Arise (1991); muito relevante, visto que Novato foi convidado pelo próprio Sepultura este ano para acompanhar as datas nacionais da turnê “Celebrating Life Through Death”. Com o dinheiro a mais que tinha ganho, foi à uma loja de discos e comprou o Mass Illusion (1991) do Korzus, banda que ainda tocaria naquela noite. Assim sendo, a festa não só celebrava um marco importante na vida do Lado Direito do Palco, mas também reunia bandas muito significativas para os dois criadores do canal. Tendo terminado seu discurso, Novato avisou quem estava à frente do palco que iria pular. Dito e feito: o fundador do canal deu um baita mosh para cima do público que assistia calmamente seu discurso.

O Misfats animou mais ainda os fãs que esperavam o Korzus, apresentando um pouco do melhor que os Misfits têm a oferecer. No total, foram tocadas dezesseis músicas, com Die, Die My Darling, Halloween, London Dungeon, We Are 138 e Last Caress estando entre as ainda não citadas. Adotando as palavras de Glauber, a festa já estava “foda para caralho” e ainda “faltava o Korzus”.

Esse não seria apenas o primeiro show dos thrashers no Iglesia, mas também a primeira performance do Korzus após a saída de Antônio Araújo, guitarrista que ficou dezesseis anos com eles e se despediu de maneira amigável no Summer Breeze. Substituindo Araújo estava Jean Patton, que recentemente saiu do Project46, também de maneira amigável. A expectativa para o Korzus já estava lá no alto desde que as portas do Iglesia abriram, dado que a imponente bateria de Rodrigo Oliveira, com dois bumbos, vários tambores e uma boa quantidade de pratos, podia ser vista desde sempre, contrastando diretamente com a que foi usada por Barata que tinha um pouco mais que o mínimo. Quando assumiram o palco, foram recebidos calorosamente pelo público que havia saído de casa naquela noite de domingo para ver um metal de qualidade, com sede de roda punk.

Fomentando a frenesi dos fãs, iniciaram com Guilty Silence, já ocasionando o tão famigerado vórtice humano em sentido anti-horário (circle pit). Era gente correndo e se empurrando na roda, gente pulando do palco, gente batendo cabeça como se não houvesse amanhã – se há maneira melhor de passar uma noite de domingo, desconheço. Uma amostra da força do repertório moderno dos headbangers seguiu – a envolvente Raise Your Soul, What Are You Looking For (como sempre com interação do público no refrão, “I see your death, what are you looking for”), Discipline of Hate e Never Die, ambas do álbum que leva o nome da primeira e Vampiro, dedicada à todos que fingem querer seu bem. A alegria do povo que pulava do palco durou pouco. Marcello Pompeu proibiu os moshs, pois o palco era pequeno e os integrantes da banda eram velhos, então para a segurança dos integrantes da banda, o frontman pediu para que a diversão ficasse mais na pista mesmo. Chegou até a pedir para que colocassem algumas cadeiras na frente do palco, já que a diferença de altura entre o palco e o chão era curta: “Sobe na cadeira e faz o mosh dali, não muda nada”, comentou o vocalista, com tom cômico.

Apesar dos moshs agora estarem cortados, dizer que todos se divertiam é chover no molhado. As rodas seguiam vertiginosas, alguns ‘crowdsurfs’ apareciam e a cantoria dos fãs ocasionalmente se igualava à da banda (em termos de volume). Era realmente uma festa. I Am Your God, Respect, Truth, Internally e o medley formado por The World is a Stage, Pay For Your Lies e Lost Man continuaram a folia, mantendo o astral nas nuvens. Quando Pompeu anunciou que iriam tocar uma mais antiga, grande parte do público (que surpreendentemente estava bem dividido entre fãs mais novos e mais velhos) virou a atenção ao palco. O vocalista anunciou Agony, um dos grandes destaques de Mass Illusion, quase fazendo o Iglesia ir abaixo. A roda dobrou de tamanho, agora dominando grande parte da casa, os que estavam na nela corriam em velocidade preocupantemente rápida, porém mais importante de tudo, tanto Novato quanto Glauber e o resto da equipe do Lado Direito (Yasmin, Pedro e Lara) estavam no pit, com sorrisos no rosto.

O “último ato” do show foi marcado por três das músicas favoritas dos fãs. Correria, justamente descrita pelo vocalista como “a música que vocês quiseram ouvir à noite inteira”, iniciou a tríade de faixas que concluiria a festa. Para não me repetir ad nauseum, já adianto que a roda continuou vertiginosa pelo resto do show; Guerreiros do Metal foi cantada tão alto pelo público presente quanto pela banda, ambos sendo bem definidos pelo título da música – vendo a reação dos fãs, antes de começar a Guerreiros, Pompeu falou que liberaria o mosh na última música, deixando todos na espreita, de olho no palco; E a tão desejada música derradeira foi a icônica Raining Blood, do Slayer. Não preciso nem dizer que houve uma quantidade absurda de moshs e que a roda só crescia, coisas do tipo. Honestamente, foi um absurdo. Público e bandas estão de parabéns.

Realçando o clima de festa, Novato saiu distribuindo pedaços de bolo no final do show do Korzus. As bandas em si que se apresentaram foram certamente de qualidade, mas o que realmente importou naquela noite foi que havia um bom grupo de pessoas reunidas em um domingo à noite para celebrar um marco importante na história da vida de duas pessoas que dedicaram a vida ao metal, ao fortalecimento da cena. Vida longa ao Lado Direito do Palco e que venham mais trinta anos!

Finalizo com uma citação do próprio Novato, em depoimento ao After do Caos: “A gente não sabe brincar, né? Então, fizemos a festa para destruir, mesmo, para quebrar tudo!”.

Setlist Misfats:

Hybrid Moments

Attitude

Skulls

Saturday Night

Some Kinda Hate

Descending Angel / Dig Up Her Bones

She

Where Eagles Dare

Die, Die My Darling

Halloween

London Dungeon

We Are 138

I Turned Into a Martian

Hate Breeders

Astro Zombies

Last Caress

Setlist Korzus:

Guilty Silence

Raise Your Soul

What Are You Looking For

Discipline of Hate

Never Die

Vampiro

I Am Your God

Respect

Truth

Internally

Trio

Agony

Correria

Guerreiros do Metal

Raining Blood

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