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MAGNÉTICA – A briga pela sobrevivência

Não é todo dia que ouvimos a história de uma banda que nasceu efetivamente após uma briga. Claro, ouvimos quase que diariamente a história de bandas que sobrevivem brigando diariamente após o sucesso, mas daí a dizer que uma briga ajudou na efetivação da banda, aí é novidade. Mas, ouvindo o debut Homo Sapiens Brasiliensis e o novo EP Frankenstein, percebemos que as brigas pararam por ali, e que a banda – hoje com sua formação reduzida a um trio – segue estável e segura, prometendo inclusive um novo EP. Com a palavra, o guitarrista e vocalista Rafael Musa.

Segundo consta, o Magnética teve o mais estranho dos inícios de jornada. Como foi isso?

Rafael Musa: Ao montarmos a banda em 2013, foi quase impossível marcar o primeiro ensaio. O vocalista na época estava passando por problemas pessoais e sempre desmarcava o ensaio na última hora. Embora bem pacientes no início, o tempo foi passando e começamos a temer que o projeto não saísse do papel. Resolvemos não forçar a barra e ensaiar apenas o instrumental, buscando adiantar os trabalhos para quando ele estivesse bem. Resultado: ele se irritou e achou que a banda estava traindo-o, o deixando de lado e desrespeitando seu problema de saúde. Tanto que, logo após o primeiro ensaio (sem o vocalista), tivemos uma reunião com ele e o pau comeu. Felizmente, cada um expôs a sua opinião e insatisfação e finalmente demos início ao projeto.

Segundo consta, a banda nasceu com o intuito de prestar uma homenagem aos grandes atos do rock dos anos 80 e afins. Como moldaram esse desejo em composições próprias?

Rafael: Sempre foi desejo meu ter uma banda de rock autoral. A banda realmente nasceu cover, mas foi um combinado na época para nos conhecermos. Caso sentíssemos que fosse possível, iríamos dar início ao trabalho autoral e isso aconteceu rapidamente. Músicas como Crianças e Homo sapiens brasiliensis já foram trabalhadas ainda na época cover quando a banda ainda se chamava Star Rats. Por fim, pegamos gosto e hoje nosso trabalho é 100% autoral. Tanto que mudamos de nome.

No ano passado foi lançado Homo sapiens brasiliensis, o primeiro álbum do Magnética. Como rolou o processo de composição?

Rafael: Foi um processo bem difícil, pois refletiu o crescimento, amadurecimento e autoconhecimento de cada um dos membros da banda. Algumas músicas foram feitas em parceria, do tipo ‘um faz a música e o outro a letra’. Eu sempre trazia as minhas músicas prontas na guitarra (algumas já com letra e melodia), mas deixava a linha de bateria e de baixo para os respectivos músicos. Apenas interferia quando via que a música estava indo por um caminho muito diferente do que havia pensado inicialmente.  Outros músicos traziam suas composições quase prontas, cabendo aos músicos basicamente a execução. É claro que a banda de vez em quando dá seus pitacos, mas respeitamos o compositor principal (da música ou letra) e cabe a ele a decisão final.

Falando especificamente sobre a faixa que dá nome ao disco, o que inspirou a letra, e qual é a mensagem contida na música?

Rafael: Na verdade a música foi composta em 2011, um tempo no qual a Magnética nem existia. Ela trata não só da corrupção presente na política brasileira, mas também da apatia do povo, pouco politizado e que não sabe lutar pelos seus direitos. O processo de politização de um povo é lento e complicado. Pelo menos hoje sabemos um pouco mais sobre política e um pouco menos sobre a seleção brasileira de futebol.

Outra música que chama a atenção no debut é Descãonhecido, que muda completamente a vibração do álbum, eu diria até com uma pegada meio Engenheiros do Hawaii.

Rafael: Esta música é baseada em fatos reais. Em uma viagem dentre tantas que faço (sou professor de física e trabalho em várias cidades), vi um cachorro sendo atropelado em uma rodovia em São José do Rio Preto. É frequente e triste ver animais mortos nas pistas. Mas desta vez foi diferente e aquela cena me marcou muito. Devido ao fluxo, não pude parar e tive de seguir, fazer o retorno logo a frente para só então voltar e tentar procurar e ajudá-lo. Já era noite, não consegui encontrá-lo e aquilo ficou na minha cabeça. Só consegui entender e processar aquela dor quando compus a música.

Após o lançamento de Homo sapiens brasiliensis, o Magnética passou por uma grande reformulação. O que era um quinteto se tornou um trio.

Rafael: Aquela primeira briga pós primeiro ensaio marcou muito a banda nos anos seguintes e a tensão existente culminou com a saída do vocalista do primeiro álbum. Posteriormente, por outros motivos, um dos guitarristas também saiu do projeto. Uma vez que eu era um dos principais compositores e já tínhamos várias músicas compostas por mim sendo trabalhadas pela banda, foi natural fazermos esta escolha. Assumi os vocais e resolvemos seguir como um trio, tendo de vez em quando um guitarrista de apoio.

O novo EP, Frankenstein, é o primeiro fruto dessa nova formação. Além da citada diferença, o que existe de novo no som do Magnética nesse novo registro?

Rafael: O primeiro álbum demorou muito para ser finalizado e apresenta músicas bem diferentes entre si, não somente na parte instrumental como também nas letras. Afinal, temos 3 compositores neste debut. Acredito que os novos trabalhos serão mais coesos, com conceitos mais bem definidos e Frankenstein é uma amostra disso.

Como tem sido assumir os vocais principais? Essa mudança exige uma nova maneira no tratamento das linhas de guitarra?

Rafael: Sendo um dos responsáveis pelos backing vocals, eu vinha fazendo aulas desde 2016. Acabei pegando gosto e vislumbrando um futuro como vocalista, mesmo que em outros projetos. Com a saída do primeiro vocalista, não tive outra saída a não ser assumir a bronca e sinto ter sido algo muito positivo. Não só para mim, como para o projeto. Quanto às linhas de guitarra, entendo que o processo deva ser compor com a guitarra na mão e produzir as melodias dos vocais junto à execução do riff. Compor separamente, como fazia antes, não faz mais parte do processo. É muito trabalhoso juntar depois linhas melódicas  muitas vezes tão diferentes.

Frankenstein possui apenas quatro músicas, e soa como uma ‘apresentação’ do novo line-up. Então, vale a pergunta: existem planos para um full-length em breve?

Rafael: Resolvemos lançar este trabalho assim por dois motivos. Em primeiro lugar, a saída do primeiro vocalista foi durante o lançamento do primeiro álbum e sentíamos que precisávamos mostrar ao nosso público que o projeto estava vivo e forte. Além disso, tínhamos em andamento outras 4 músicas cujo conceito destoava bastante do presente nas músicas do álbum Frankenstein e resolvemos separá-las em dois com 4 faixas cada. Logo mais lançaremos este novo trabalho. Refletirá um momento diferente da banda, com composições sobre relacionamentos afetivos, desilusões e desamores.

O que podem nos contar sobre as letras desse novo EP?

Rafael: É um álbum que expõe e critica o comportamento histórico humano em suas ações cotidianas. Sua fraqueza aliada às incertezas do mundo moderno transformam o homem em um ser meticuloso e cheio de interesses pessoais. Escravo das consequências de suas próprias escolhas, se mostra, na maioria das vezes, não preparado psicologicamente para elas. Além disso, o álbum trata e repudia a violência física e sexual contra mulheres. Traz dados estatísticos alarmantes que expõe esta infeliz realidade brasileira.

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