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MASTER: EXALTANDO O BRASIL

Pioneiro do death metal, grupo americano iniciará um extenso giro pela América do Sul em março

Por Samuel Souza

Pioneiro do death metal, o Master está prestes a iniciar um extenso giro pela América do Sul, com destaque para 14 apresentações no Brasil, com pontapé inicial dia 27 de março, em São Paulo, promovida pela SpeedFreak Agency. O trio segue a turnê “On The Seventh Day…” ao lado dos brasileiros do Escarnium. Nesta entrevista exclusiva para a ROADIE CREW, o icônico baixista e vocalista Paul Speckmann comenta um pouco sobre as expectativas para os shows no país, além de compartilhar alguns detalhes sobre a sonoridade única do mais recente álbum, “Saints Dispelled”, lançado sob a nova gravadora, Hammerheart Records. Com uma carreira extensa, o Master mantém sua identidade musical e relevância no underground, e a série de shows por aqui é uma oportunidade para os verdadeiros fãs prestigiarem a autenticidade de uma banda que tem carinho especial pelo Brasil.

O Master está prestes a embarcar em uma extensa turnê pela América do Sul, com destaque para 14 datas no Brasil. O que motivou essa escolha específica, e quais são as expectativas da banda para esses shows por aqui?
Paul Speckmann:
Simples! Conheci esse cara do Brasil, chamado Victor Elian, no Club Muggefug em Cottbus, Alemanha. Ele me contou uma história do nosso encontro em 2010, na primeira turnê brasileira de sete semanas do Master. Ele disse que se mudou para a Alemanha alguns anos depois de uma conversa em que eu disse a ele que a Europa é o lugar para se estar, e após vários anos, ele fez a mudança. Conversando com ele, me senti à vontade, e pouco depois do nosso segundo encontro, Victor mencionou que realizava turnês no Brasil com bastante regularidade. Então, depois que ele me contatou com uma oferta, decidi que era hora de voltar ao adorável país de vocês. Tivemos o prazer de visitar várias vezes com Edu e NervoChaos, além de algumas visitas com Tiago Claro e a TC7 Productions. As expectativas são altas, como sempre; os shows costumam ser lotados, e há um nível de energia especial no Brasil como em nenhum outro lugar!

Em relação a essa tour, vocês planejam tocar os álbuns “Master” (1990) e “On the Seventh Day God Created… Master” (1992) na íntegra?
Paul Speckmann:
Não exatamente, não. Será um set misto destes dois primeiros registros, o álbum completo e várias faixas – basicamente, minhas favoritas do “Seventh Day”.

Como foi revisitar esses álbuns clássicos, e por que escolhê-los especificamente para a turnê?
Paul Speckmann:
Para ser honesto, temos que tocar muitos clássicos ao redor do mundo para satisfazer nossos fãs, mas nessa situação, decidi adicionar vários que não tocamos regularmente! Muitas vezes, quando você toca álbuns específicos ao vivo, traz os antigos fãs de volta, então veremos se o que eles dizem é realmente verdade!

Para nós, fãs brasileiros, estes dois discos tiveram impacto significante aqui, pois a distribuição era visível a todos que estavam na cena naquela época. Você lembra de ter recebido algum feedback dessa audiência dos álbuns aqui no Brasil?
Paul Speckmann:
Não, nunca ouvimos uma palavra sobre o feedback no Brasil. Suponho que, se tivéssemos, poderíamos ter vindo ao Brasil mais cedo! Na época, a Nuclear Blast estava mais preocupada com outras bandas como Pungent Stench, Disharmonic Orchestra e outras bandas mais recentes no selo!

Com uma carreira tão extensa, você acumulou uma vasta experiência em turnês. Como você compara elas hoje com as experiências do Master nos primeiros anos?
Paul Speckmann:
Hoje, as turnês são mais divertidas de muitas maneiras, e viajar é muito mais fácil do que em 2010, por exemplo. Na turnê de 2010, viajamos pelo continente brasileiro em uma van, e isso foi um pesadelo total. Foram 7 semanas de caos total, tocando apenas nos fins de semana e ficando em casas e alguns hotéis durante os dias de semana. Certamente, foi a experiência de uma vida, mas não a mais fácil para mim e para os caras. Gostaria de mencionar o fato de que essa foi a primeira turnê real para o nosso atual baterista Peter Bajci, que se juntou recentemente à banda há 2 anos, após um hiato de 12 anos!

Há alguma lembrança ou show específico que destaca como um momento especial na jornada da banda?
Paul Speckmann:
Vou guardar isso para o livro, pois há muitas memórias e histórias para contar! Como qualquer banda, o Master teve seus momentos de triunfos e fracassos, além de testemunhar a morte no Brasil de uma banda na Death Toll Records chamada After Death! (Nota: dois integrantes, de 18 e 21 anos, da banda morreram afogados em Aracaju/SE, em 2010, quando ambas estavam em tour pelo Brasil).

Eu lembro bem desse lamentável ocorrido. E assisti o Master no Maranhão naquele giro. Até aproveito para perguntar se, naquele momento, pensaram em desistir da tour?
Paul Speckmann:
Não, nunca houve qualquer pensamento de desistir da turnê. No meu mundo, o show sempre continua! Isso foi um momento trágico, e eu nunca esquecerei esse dia, e também deixar os membros restantes no dia seguinte ou algo assim foi também uma grande tragédia para todos os envolvidos! Isso nunca deveria ter acontecido, mas é claro que ser jovem e em sua primeira turnê, sem muita visão ampla das coisas, provou ser a ruína deles! Fazer turnês pode ser algo muito perigoso!

Mas, certamente, o Master tem mais histórias vitoriosas. O fato da banda manter a identidade musical traz, de qualquer forma, um impacto revigorante para os verdadeiros fãs. Este novo álbum, por exemplo, gostei bastante e ele chega também agora quando vocês mudam para a Hammerheart Records. Já pode ver mudanças significativas com eles em relação aos selos anteriores?
Paul Speckmann: 
Sim, claro, este é um selo que realmente se preocupa com o Master, e esta é a grande diferença! Além disso, a chave principal para o sucesso deste lançamento mais recente é a distribuição da Napalm Records! O Master não teve uma distribuição adequada desde os dias da Nuclear Blast em 1990! Eu sei que outros selos fizeram o que puderam, mas ser uma banda apenas por encomenda pelo correio fez com que as vendas do Master sofressem por anos com os selos anteriores. Lançamos muitos discos muito bons, e ninguém ouviu falar deles!

A mistura entre death e thrash metal à moda antiga e uma certa pegada punk é uma característica marcante do novo álbum, “Saints Dispelled”. Pode nos contar mais sobre como você equilibrou esses elementos para criar uma sonoridade coesa que é algo forte neste trabalho?
Paul Speckmann:
Nunca penso nessas coisas quando escrevo e gravo discos. Pego o violão e escrevo riffs, e quando chega a hora de gravar um álbum, passo por centenas de horas de gravações no meu telefone mais recente agora, além de gravações anteriores naqueles gravadores digitais portatil e de fita cassete antigos. Então, nunca penso em um equilíbrio; depois de organizar os riffs, vou para o estúdio de ensaio e mostro aos caras as músicas, normalmente na guitarra primeiro. Geralmente, temos que encurtar as faixas, como, por exemplo, a última música tem 8 minutos de duração! Para ser honesto, a maioria das músicas que escrevi para o “Saints Dispelled” tinha entre 5 e 8 minutos, mas, felizmente, as encurtamos!

A faixa ‘The Wiseman’ traz um toque oriental ao álbum, com motivos árabes sutis. Qual foi a inspiração por trás dessa escolha e como você acha que ela contribui para a diversidade do álbum?
Paul Speckmann:
Novamente, há uma história simples para isso. Eu rio de quantas pessoas fazem algo do nada! Entrei no estúdio uma tarde para continuar as partes de guitarra que eu iria gravar para o novo álbum, e vi um tambor oriental interessante e legal. Você o toca com baquetas semelhantes a um xilofone! Chama-se Sela Majesty Handpan C# Kurd13 312. Então, o guitarrista Alex Nejezchleba sugeriu que isso poderia ser algo legal para tocar junto com minha guitarra e com a trilha de baixo, então ele experimentou, e eu gostei. Alex é um músico multi-talentoso com certeza!

Em ‘Find Your Life’, percebe-se um riff básico com raízes no death metal, mas o solo de guitarra é inspirado no Slayer. Pode compartilhar mais sobre suas influências específicas ao criar essa faixa?
Paul Speckmann:
Novamente, não há influência nesta faixa; é nada além de pura coincidência. Eu nunca escrevo faixas pensando em nenhuma banda específica. Eu escrevo músicas para o Master. Como acontece com qualquer banda, algumas influências entram naturalmente nas músicas, depois de ouvir outras bandas ao longo dos anos! Mas eu não consigo acreditar que alguma banda esteja apenas tentando roubar um riff.

A atitude, digamos, de rock’n’roll, é uma característica notável em todas as músicas do álbum. Como você acredita que essa virtude contribui para a identidade do Master e para a experiência auditiva dos fãs?
Paul Speckmann:
Eu sou um cara do Rock’n’Roll, e eu pessoalmente escrevo músicas exclusivamente para mim mesmo e espero que as pessoas gostem das nossas canções, mas, no final das contas, se eu estiver satisfeito com elas, é isso que realmente importa! O Master sempre teve sua própria identidade, com certeza.

A produção do álbum segue a linha anacrônica, remetendo aos anos 80/90. Como essa escolha de produção afetou o resultado final do álbum, especialmente considerando o cenário musical contemporâneo?
Paul Speckmann:
Olha, as resenhas são positivas em sua maioria, mas, como de costume, há alguns idiotas invejosos reclamando! A realidade é que os fãs e as pessoas que realmente importam na cena sabem o que esperar do Master! É simples, quando você coloca uma gravação do Black Sabbath, você sabe imediatamente quem é, o mesmo pode ser dito do Master. Chama-se estilo!

Como você equilibrou a autenticidade com as expectativas sonoras de quem, por exemplo, veio conhecer a banda agora ou esteve distante dos discos do Master durante alguns anos?
Paul Speckmann:
Por que eu perderia meu tempo me preocupando com isso? O Master cria gravações e, como qualquer banda, espera a melhor resposta dos fãs, mas certamente não vou gravar “On The Seventh Day” repetidamente, como muitas bandas fazem! Parece que muitas bandas bem-sucedidas aderem à última tendência; eu prefiro permanecer underground e me ater às minhas convicções, por assim dizer!

Sendo o 15º álbum do Master, quais são suas expectativas em relação à recepção dos fãs, e como você espera que ele se destaque em relação aos álbuns anteriores?
Paul Speckmann:
Os fãs, assim como os críticos, parecem estar entusiasmados com esse novo opus, então o tempo dirá. Quanto às comparações, nunca me preocupo com essa bobagem; os álbuns são um registro testemunhal do que está acontecendo no mundo em um determinado momento da história, assim como a história da minha vida!

Uma curiosidade: é verdade que você fez audições para tocar na banda Trouble, e foi aceito, mas não aceitou depois o convite. Acredito que essa história é bem interessante!
Paul Speckmann:
 Esta é uma história verdadeira, mas vou guardá-la para o livro!

Para finalizar, deixe um recado para os fãs brasileiros e claro, aproveite o espaço para informar algo mais que não abordamos.
Paul Speckmann:
Estamos ansiosos para voltar a um de nossos países favoritos que realmente apoiam o Metal, e esperamos ver muitos fãs retornarem que visitaram nossos shows ao longo dos anos, e agradecemos sinceramente por apoiar a banda com uma entrevista, mais informações podem ser encontradas em speckmetal.net Nos vemos na estrada!

Datas da tour no Brasil:
27/03/2024 – SÃO PAULO/SP
28/03/2024 – BELÉM/PA
29/03/2024 – SÃO LUÍS/MA
30/03/2024 – RECIFE/PE
31/03/2024 – FORTALEZA/CE
03/04/2024 – ARACAJU/SE
04/04/2024 – SALVADOR/BA
05/04/2024 – VILA VELHA/ES
06/04/2024 – BELO HORIZONTE/MG
07/04/2024 – RIO DE JANEIRO/RJ
10/04/2024 – PIRACICABA/SP
11/04/2024 – LONDRINA/PR
12/04/2024 – MARINGÁ/PR
13/04/2024 – CURITIBA/PR

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