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MASTER – São Paulo (SP)

27 de março de 2024 – Red Star Studio

Por Samuel Souza

Fotos: Dani Moreira

Capitaneado pelo boa-praça Paul Speckmann, o trio Master iniciou em São Paulo, no dia 27 de março, uma quinta-feira de clima agradável, a extensa turnê “On The Seventh Day…”, abrangendo mais de 25 datas na América Latina, prestigiando 14 delas aqui no Brasil. Quando você estiver lendo esta resenha, eles já terão passado por uns quatro estados no Nordeste, destacando a presença no tradicional festival Abril Pro Rock, em Recife (PE). Esse giro segue ao lado dos brasileiros do Escarnium, cujo vocalista e guitarrista Victor Elian lidera a SpeedFreak, uma agência de shows sediada na Alemanha, que articula tours por todo o globo. Em parceria com a On Fire Booking Agency, promoveram essa noite subterrânea que ainda reuniu os veteranos do Andralls e, de última hora, os paulistanos do RedNHell, que infelizmente, devido ao trânsito e ao horário mais cedo, às 19h30, perdemos de conferir.

Quando chegamos ao local, o estúdio Red Star, situado na popular região das lojas de instrumentos musicais da Teodoro Sampaio, já era visível a galera das camisas pretas fazendo os devidos esquentas do lado de fora, o que deu a entender que muita gente deixou de ver a primeira banda. Vale destacar a ótima estrutura do local, com área externa com bar e boas opções de cervejas e hambúrgueres feitos ali na churrasqueira a carvão. Um corredor longo abarcava o espaço destinado para os merchans das atrações daquela noite, que também dava acesso ao ambiente com um excelente isolamento acústico, praticamente sem poder ouvir quase nada do som lá de dentro. Ou seja, se você ficasse conversando lorota lá fora, iria passar batido para quem estivesse no palco.

Nossa interação lá fora e conhecendo melhor o espaço foi rápida, pois o Andralls já entoava os primeiros riffs e, apesar de uma quinta-feira, reuniu um bom número de fiéis headbangers… Creio que um pouco mais que 100 cabeças estavam ali para quebrar pescoços e se jogar uns contra os outros. E foi isso que de fato aconteceu! Iniciando com “Rotten Money” do segundo álbum, “Force Against Mind” (2003), o Andralls já dava a entender que estão mais do que afiados.

Os anos de estrada com certeza são um ponto nessa direção e o fato de fazerem um thrash metal com aquela pegada mais brutal entre o fim dos anos 80 e começo dos 90, o seu chamado “fasthrash”, requer uma qualidade de entrega acima da média. E caramba, como o som do local contribuiu para isso! Pesado, encorpado e com boas timbragens, era impossível não bater cabeça. Do último álbum de estúdio “Bleeding for Thrash”, tocaram a forte “We Are the Only Ones”, com uma quebradeira e intensidade sem fim. Recuperaram “Hate”, faixa de abertura do primeiro álbum completo, conhecida por muitos ali e bastante bem recebida, seguida por uma canção frequente deles, a veloz e quebrada “Cocaine”.

O mais interessante de mencionar nessa noite foi o clima também amistoso e os muitos rostos conhecidos, além da interação divertida entre os próprios membros da banda, em especial, as brincadeiras com o baterista Alexandre “Xandão” Brito, um figuraça bruto, que no penúltimo som “Beyond the Chaos”, simplesmente massacrou a caixa do seu instrumento, rasgando assim a pele. Um breve intervalo para troca de caixa e, então, a participação de Alex Coelho (vocal e guitarra), Guilherme Goto (guitarra), Renato Carvalho (baixo) e Xandão encerrou com a clássica “Andralls On Fire”. O Andralls é uma banda que realmente merece todo o reconhecimento por tantos serviços prestados ao underground e pela forma como executa sua música com tanta intensidade.

Agora uma leve pausa para molhar as palavras, trocar algumas figurinhas e olhar com mais atenção as mesas de merchandising, devidamente disputadas, já que lá fora caía uma chuva que limitava o acesso na parte externa. Não demorou muito e os baianos do Escarnium, contando com o músico David Ferreira do Vomepotro, na segunda guitarra, e que vai acompanhar a banda por toda a turnê, sobem ao palco para destilar seu sombrio e denso Death Metal. Com uma abordagem mais contemporânea, ainda que brutal, a massa sonora da banda é um reflexo turvo e grotesco do abismo das almas perdidas. Essa profusão catatônica é latente em “Far Beyond Primitive” do mais recente álbum “Dysthymia” lançado em 2022, uma faixa que reúne elementos rápidos e essa textura carregada de dissabor cru, tal é do mesmo play e na sequência que veio “Deluged in Miasma”, um primor de Metal da Morte.

David se encaixou bem na banda, ainda que nas primeiras músicas sua guitarra estivesse meio que estourando, contornou sem grandes problemas. Com segurança e precisão, correspondeu à altura até as partes mais complexas e cheias de contratempos, dado ao pouco tempo que teve para ensaiar e tirar as músicas, segundo ele próprio em conversa ali no backstage. E por falar em contratempos e levadas bruscas, o baterista Nestor Carrera alia técnica apurada com ferocidade, como podemos testemunhar em “Inglorious Demise”.

Outro ponto de destaque foi a volta do baixista Gabriel Dantas, que deixou a banda há mais de 10 anos, engrossando o caldo na cozinha. O público não cansava de saudar o quarteto, afinal de contas, o impacto das suas músicas de fato gera essa conexão e os pulsos cerrados ao alto solidificam isso. Em contrapartida, toda a banda respondia firmemente à energia que vinha da audiência, ainda que de poucas palavras, Victor não deixou de reconhecer a presença de todos, anunciando em seguida a nova música “The Pyrocene’s Might”, um primor caótico e absurdo em forma de death metal. Essas partes mais cadenciadas e pesadas que a banda explora têm todo aquele clima fúnebre e perturbador que aspira morte e desolação. O fim se aproxima com a execução de “While the Furnace Burns”, faixa que abre o excelente álbum “Interitus” e assegurou ao Escarnium uma ótima apresentação e como o Metal Extremo brasileiro se mantém firme na vanguarda. Bruto e belo!

Da primeira geração do death metal, Paul Speckmann já carrega em si há muitos anos a velha imagem de um bandoleiro à la ZZ Top do mal e aos extremos. Essa sua veia rock’n’roll contracenando com o metal mais extremo, é muito perceptível na sonoridade do próprio Master que promove essa junção entre o tradicional, a crueza e o lado mais genuíno de fazer música orgânica. E foi bacana ver no Red Star a turma empolgada que lotou o ambiente para ver sua banda em ação, trazendo um set list especial, focado nos dois primeiros álbuns, o auto-intitulado e “On the Seventh Day God Created…”. Inevitavelmente, além da vibração constante, as rodas se estenderam por todo o show, que iniciou com a própria canção “Master” do disco homônimo, seguindo das matadoras “Pledge of Allegiance” e “Terrorizer”.

Sem respiro ou descanso, era vez da trinca certeira do segundo álbum com “Judgement of Will”, “Submerged in Sin” e “Used”, uma canção que lembra em muito algumas coisas antigas do Napalm Death. Essa talvez foi uma das que mais o público reverberou o refrão, já que é de alguma forma “pegajoso”.

Pesado e cirúrgico, o mais exaltado do trio certamente foi o baterista Peter Bajci, que ingressou na banda há apenas dois anos, após uma pausa de 12 anos! O tcheco tocava com fúria e batendo forte. Essa energia lá em cima funciona bem para um trio, pois vai preenchendo uma lacuna ou outra. Mas isso também não quer dizer que o trabalho feito por Alex “93” Nejezchleba não seja imprescindível. O cara também segura bem as contas, toca de uma forma um pouco despojada, porém a crueza dos seus riffs é uma avalanche sonora violenta. Ele tem um jeito meio “hardcore” de tocar, digamos assim. A camisa do The Exploited que usava denunciava sua pegada!

O calor tomou conta do local e as incessantes rodas deram a tônica, mas o trio resolveu frear um pouco e fez uma jam desconcertante com irreconhecíveis passagens de som de alguma coisa ou outra. Hidratações feitas, voltam ao primeiro álbum com “Unknown Soldier”, para na sequência a porradaria comer solta com a icônica “Funeral Bitch”, música que dava o nome da primeira encarnação do Master lá no início dos anos 80. E nesse espectro atemporal, os caras ainda mandaram uma versão para “Re-Entry and Destruction”, um outro corte musical que Mr. Speckmann também materializou em sua jornada no submundo da música extrema batizada de Death Strike.

Estávamos passando mais da metade do show, que a maioria dos fãs achou longo e de bom tamanho, o que pegou muitos de surpresa. E haja fôlego, pois o que ouvíamos em seguida terminava por enterrar a todos: “The Truth” e “Mangled Dehumanization”, todas do debut, foram bordoadas seguras de como o death metal tradicional, sem firulas e agressivamente rápido, quebra qualquer coisa pela frente. Essa verve rápida, sem dúvida, vem também das influências punks mais violentas que o líder não esconde. E se influência aqui não é uma mera figura de linguagem, com muita bagagem e história para contar (N.R.: Paul está escrevendo um livro, conforme contou pra gente na entrevista que fizemos com ele aqui), logo após o que seria a despedida deles com “Pay to Die”, com o batera Bajci levantando e indo para a lateral do palco visivelmente já cansado e derretendo de suor, tivemos mais uma grata surpresa: logo nos primeiros acordes do baixo distorcido, percebemos que se tratava de “Children of the Grave”, o cover presente no prestigiado desta noite primeiro álbum, foi cantada em uníssono e finalizou uma apresentação eletrizante de uma banda veterana e com sinais claros que ainda há muita lenha pra queimar.

Ao final do evento, uma longa fila se concentrou na mesa de merchandising do Master, com muitos fãs aproveitando para fazer aquele registro fotográfico, com Paul Speckmann atendendo amigavelmente a todos. A noite em si foi uma celebração da dedicação e paixão dos músicos e dos fãs, onde cada banda trouxe sua essência única ao palco, mostrando a riqueza e diversidade que a cena musical underground, seja daqui ou lá de fora, possui. Que venham mais noites como essa, onde a música pesada e autêntica reine supremamente.

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