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MAX & IGGOR CAVALERA / KORZUS / VENOMOUS – 16 de junho de 2019, São Paulo/SP

O sucesso da turnê “Return Beneath Arise” foi tanto, que Max Cavalera deu um tempo na de Ritual, álbum que lançou com o Soulfly em outubro de 2018, e, apenas sete meses depois, ele e seu irmão Iggor retornaram com ela ao Brasil. No último dia 16, os Cavalera passaram por São Paulo e outra vez brindaram os fãs tocando boa parte dos clássicos Beneath the Remains, que em abril completou 30 anos, e Arise (1991), dois dos álbuns mais venerados que gravaram com o Sepultura. Para animar o baile, duas outras atrações nacionais de peso se juntaram à Max & Iggor Cavalera. Uma delas foi o Venomous, que atualmente divulga Defiant, seu bem aceito álbum de estreia, que figurou na lista da ROADIE CREW dos 20 maiores lançamentos nacionais de metal de 2018 – publicada na edição #240 (janeiro, 2019). A outra, ninguém menos do que o veterano Korzus. Também em noite de celebração, esse importante expoente do thrash metal sul-americano comemorou os 15 anos de Ties of Blood, tocando-o quase que por inteiro.

O Venomous foi quem deu início à pancadaria sonora. Tigas Pereira (vocal, ex-Hollow Head e Darrua), Renato Castro (baixo), Lucas Prado (bateria, ex-Jugger) e os guitarristas Gui Calegari (ex-Inrage) e Ivan Landgraf entraram exibindo a fúria de seu death metal melódico tocando um de seus novos singles, Penitence. Peso, melodia e andamentos variados mostraram forte influência de Arch Enemy nessa música que integra a playlist “Metal Brasuca” da CD Baby no Spotify. Com a experiência de quem passou com a “Defiance Tour” por Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Polônia e República Tcheca em 2018, e de quem já dividiu palco com os ‘death metallers’ poloneses do Vader e com a banda ucraniana Jinjer, o Venomous dominou o palco e obteve o respeito do público, que já se fazia presente em bom número na Audio Club.

Em Within the Silence, que foi o segundo videoclipe de Defiant (o primeiro foi o da música A New Beginning), o Venomous desfilou peso e melodia. O quinteto apresentou também mais um novo single, Black Embrace, que em estúdio marcou a estreia de Castro – essa música deverá estar no próximo álbum, agendado para ser lançado neste segundo semestre. O vocal versátil de Tigas, que variava entre timbres rasgados e gritados, e o trabalho consistente de Castro e Prado na cozinha chamavam a atenção, porém a afinidade visceral e criativa de Calegari e Landgraf roubava a cena. O que essa dupla fez em Martyr, que também ganhou videoclipe (com imagens da turnê europeia), foi um absurdo.

Recentemente, o Venomous ganhou projeção com o clipe de Nothing to Say, que contou com Mayara Puertas (Torture Squad/Regurgimentação Necrovaginal Sangrenta), Fernanda Lira (Nervosa) e o guitarrista Guilherme Mateus (Bruno Sutter). Se tivesse tocado a versão cascuda que fez para essa música eternizada pelo Angra no inigualável Holy Land (1996), teria sido uma bela homenagem à André Matos, que dias antes foi vítima fatal de um ataque cardíaco. É compreensível, no entanto, que a banda não quis parecer se aproveitar da situação. De qualquer forma, Overkill (Motörhead) foi dedicada ao Korzus e aos Cavalera, e agitou o público. Green Hell finalizou o show escancarando influências da música regional brasileira, remetendo ao que os próprios Sepultura e Angra, e também o Overdose, fizeram nos anos 90. O Venomous se prepara agora para tocar no “MegaRock”, festival que rolará em julho, em Foz do Iguaçu (PR).

Não demorou e uma macabra introdução começou a ecoar nos PAs, enquanto o inferno vermelho, proporcionado pela iluminação, deixava o clima ainda mais sombrio. Assim, a estratégica entrada do Korzus foi triunfal, de arrepiar. Rodrigo Oliveira surgiu no kit de batera; Em seguida, Heros Trench e Antônio Araújo (guitarras) apareceram pelas laterais do palco; Pouco depois, aumentando a histeria do público, vieram os dois membros originais, Dick Siebert e o frontman Marcello Pompeu, que entrou abraçando o baixista pelos ombros. Com banda e público conectados por ‘laços de sangue’, o Korzus deu início ao repertório de Ties of Blood. Guilty Silence e Respect fizeram a pista ferver. Na primeira pausa, os headbangers, em coro, bradavam o nome do Korzus. Pompeu agradeceu, depois de comentar: “É muita satisfação estar aqui essa noite com vocês, em São Paulo, fazendo esse puta show. Ties of Blood na íntegra, uma coisa muito louca…”. E foi atendido pelos fãs, que em What Are You Looking For cantaram alto a parte do refrão que diz “I see your death”. Eles foram correspondidos por Pompeu, que rebatia cantando o nome da música.

Menos de dois minutos foram suficientes para o Korzus tocar o terror executando Screaming for Death. Ao final, Pompeu discursou, dizendo que quando adversidades e pessoas mal-intencionadas surgem pelo caminho, o importante é não ceder. Foi o gancho para Never Get Me Down, música que fala exatamente disso. Estranhamente, no decorrer dessa, foi ouvido um estampido que parecia som de bomba caseira. Felizmente não passou de um susto. Ouvir Ties of Blood sendo tocando quase que em sua totalidade valeu, inclusive, para notarmos o quanto algumas músicas menos valorizadas dele fluem bem ao vivo. Um exemplo foi Punisher. Particularmente, não me recordo de já ter presenciado o Korzus tocando-a – bem que poderia passar a constar no setlist regular. Punisher dispõe de um final cadenciado muito bonito, em que o instrumental, com solos emocionantes de Antônio e Heros, respectivamente, lembra a atmosfera de algumas músicas do Testament.

E por falar em emoção, foi esse o sentimento em Evil Sight, música que originalmente contou com um ótimo duo entre Marcello Pompeu e André Matos. Pompeu falou da tristeza que foi a notícia do falecimento do cantor e que na amizade entre eles não havia contato frequente, porém quando se viam as conversas duravam horas, como aconteceu no último encontro, em que viraram a madrugada. Ele explicou que o conceito dos ‘laços de sangue’ levou o Korzus a convidar alguns músicos em Ties of Blood, e lamentou que, além de Matos, outros dois deles também faleceram: Redson, vocalista do Cólera, e Hélcio Aguirra, guitarrista do Golpe de Estado. Pompeu revelou que ele e seus companheiros ficaram pensando no que fazer para homenageá-los, e causou comoção ao dizer: “A gente convidou tanto o André Matos, quanto o Hélcio Aguirra para estarem aqui essa noite, cantando e tocando com a gente e pra vocês. Mesmo não os vendo, vocês vão ouvir o André Matos (cantando) e a guitarra do Hélcio chorar”. Evil Sight teve o acompanhado da voz de Matos e da guitarra de Hélcio sampleados. Quase no final dela, Pompeu pediu que todos fizessem um minuto de silêncio. Foi um momento bonito, respeitado pela plateia – exceto por um Zé ruela, que teimou tagarelar, mesmo uma garota pedindo que o sujeito calasse a boca.

Levantando novamente o astral de todos, Pompeu comentou: “Falar de Korzus e de Ties of Blood… A gente não pode fazer isso sem apresentar o grande músico que nos acompanhou por 25 anos”. O engraçado é que o ex-integrante Sílvio Golfetti entrou no palco antes de ser anunciado. Rindo, Pompeu deu a letra: “Então, vamos correr!”. Foi a deixa para Correria, música gravada no disco com o convidado Andreas Kisser (Sepultura), e que é sempre uma das que mais agitam ao vivo. Golfetti tocou com a guitarra de Araújo, que foi ao encontro de Trench, acompanhá-lo nos backing vocals. Ao final, Pompeu brincou e sugeriu que a banda passasse a ter três guitarristas e a se chamar “Iron Korzus”. Brincou também ao dizer: “A próxima é a mais difícil de tocar do disco. Corre o risco de a gente fazer merda”. No entanto, Cruelty foi executada sem tropeços, tanto que, no final, os músicos comemoraram por terem conseguido tocá-la.

 Ties of Blood, It Wasn’t Me, The Sadist (uma das que os fãs mais agitaram no circle pit) e Who’s Going to Be the Next? (com direito a ‘wall of death’ organizado por Pompeu) vieram numa só rajada e, sem intervalos, fecharam Ties of Blood. Só não dá pra dizermos que essa foi a íntegra do álbum, porque não foi tocada a derradeira Peça Perdão, que, em estúdio, teve como convidados o citado Redson, Boka e João Gordo (Ratos de Porão). Outra que ficou de fora e estava programada foi Raining Blood, do Slayer. O comunicativo Pompeu agradeceu a todos e alertou: “A gente não ‘tá’ morto. Se prepara que vai ter pedrada na orelha!”. Deu a entender que, em breve, teremos um novo disco do Korzus na praça. Encerrando a apresentação, Pompeu, Heros, Antônio, Dick e Rodrigo se despediram tocando Truth, carro-chefe do álbum sucessor de Ties of Blood: Discipline of Hate (2010).

Quarenta e cinco minutos depois, a balbúrdia recomeçou quando a introdução de Beneath the Remains explodiu no som mecânico. Foi o prenúncio do que viria relacionado ao álbum de mesmo nome. Max & Iggor Cavalera, de novo acompanhados de Marc Rizzo (guitarra) e do ex-Havok Mike Leon (baixo), invadiram o palco e causaram o caos tocando a própria Beneath the Remains. Teve até paradinha mortal, mas não passou de um leve refresco para os headbangers que agitavam insanamente na pista e nos camarotes. Ao falar da próxima, Max relembrou: “Essa aqui foi a que fizemos o primeiro videoclipe da gente, andando nas ruas de São Paulo”. Não houve uma alma sequer que não cantasse Inner Self. No ‘breakdown’, a pista tremeu com o circle pit formado. O clima seguiu quente em Stronger Than Hate. Nessa, com letra de Kelly Shaefer (vocalista do Atheist), assim como no show do ano passado, no desfecho feito só pelo baixo, Leon emendou um breve solo. Esse cara é um animal no palco. Seguro, agita e sorri o tempo todo. Falando em “sorrir”, o mesmo pode ser dito de Rizzo (tá, forcei no trocadilho), embora seja “chover no molhado” tecer elogios a esse guitarrista, que é sempre afiado em suas performances e certeiro nos riffs e solos.

Pedindo para o público fazer “mãos de fogo”, Max deu início ao coro: “Mass Hypnosis/Mass Hypnosis”. O público obedeceu ao comando. Teve até “ôôôô”, imitando o riff inicial dessa que é uma das músicas mais emblemáticas de Beneath the Remains. Particularmente, sempre que a ouço, lembro-me de assistir pela TV a reprise do show que o Sepultura havia feito à tarde em sua histórica primeira participação no “Rock in Rio”. Antes da próxima, Max fez as honrarias: “Bem vindos novamente à Beneath the Remains. 1989… 2019…”. E completou: “A nossa promessa pra essa noite é que seja uma noite inesquecível de metal pra São Paulo. Pra sempre!”. Daí então, ele solicitou que todos cantassem junto a cortante Slaves of Pain, outra em que Rizzo esteve impecável. Ao final dela, Max ficou embromando com um riff, que se desdobrou em Primitive Future. Assim acabou a primeira parte do show, sem Sarcastic Existence, Lobotomy e Hungry.

Concentrado, Iggor, que trajava uma camisa oficial de goleiro do nosso Palmeiras, permaneceu no palco, enquanto outra introdução começou rolar. Foi a premissa para a sequência do show, agora dedicada à Arise. Quando Max retornou ao palco, agora de camiseta do Discharge, gritou “Under São Paulo Black Sky We Shall Arise”, e tornou a pista um pandemônio. Depois dessa, com outra vinheta rolando ao fundo, ele abençoou à todos com água e anunciou Dead Embryonic Sells. Quase no final dessa, Max entregou sua palheta à um fã, e encerrou a música apenas ao microfone, que acabou usando para extrair alguns ruídos das cordas de sua guitarra. Virado para o palco, parecendo estar admirando alguma entidade, disse: “Eu queria dedicar esse show à memória de todo mundo que está aqui com a gente. 30 anos de metal (errou Max, faz mais tempo) eu e o Iggor Cavalera, desde a época de BH. O primeiro show em São Paulo, altas memórias pra quem tava lá…”. E pediu, anunciando: “Essa aqui é minha música preferida do Arise. Quero que todo mundo, daqui até ali no final do caralho, cante comigo: “Creation of insane rule / All we hear: Desperate Cry”. Na parte final dela, bastante estendida, Max Cavalera apresentou Iggor e, parecendo estar possuído, pediu várias vezes que todos gritassem.

Altered State começou com sua vinheta introdutória original. Em dado momento, teve uma caída na qual a banda ficou repetindo uma base sinistra por alguns minutos. Max fez outro pedido aos ‘thrash maniacs’: “Gritem como se não houvesse amanhã. Gritem como se fosse o fim do mundo. Apocalíptico, caralho!”. Aí ele solicitou que as luzes fossem apagadas e comemorou: “Escuridão Total. Agora ficou macabro. O bicho tá macabro agora!”. Nesse momento, foi hilário ver uma das moças da segurança em frente ao palco apavorada. Max aproveitou o clima sombrio cantando com o público as frases iniciais de War Pigs (Black Sabbath). Finalizando Arise, vieram Infected Voice e Orgasmatron, com Max agora em sua camiseta do Motörhead. Nesse cover, em dado momento ele largou a guitarra e, acompanhado apenas por Iggor fazendo um ritmo cadenciado, ficou gritando o nome de Lemmy com os fãs, pra depois declamar o final da letra, antes de encerrar a música do jeito que a conhecemos.

Na volta para o bis, com Max trajando uma camiseta do Nails, a banda emendou o início de Raining Blood (Slayer), que ficou de fora do set do Korzus, à clássica Troops of Doom, do primeiro ‘full lenght’ do Sepultura, Morbid Visions (1986). De maneira engraçada, Max relembrou de quando ele e o irmão eram pequenos, em 1985, e não puderam ir ao primeiro “Rock in Rio”, porque “era do diabo e o Ozzy estava lá e toda aquela porrada do capeta”. Disse também que tentaram assistir pela TV, mas “o tio filha da puta ficava mudando de canal pra ver a novela”. Nessa hora foi engraçado ver a dona Vânia Cavalera, mãe de Max e Iggor, rindo do camarote. Iggor não se conteve e também riu. Depois dessa história, veio o inusitado cover de Dirty Deeds Done Dirt Cheap, do AC/DC, grupo que tocou na citada edição. Nessa, Max puxou uma fã pra bangear com ele. Dando prosseguimento, o quarteto mandou Refuse/Resist, do mundialmente aclamado Chaos A.D. (1993) – com direito a wall of death e Max fazendo a divisão das gangues: “do lado direito os canibais assassinos; do lado esquerdo os narcotraficantes assassinos”. Já sem o mesmo fôlego e força na voz, Max comandou o primitivo hino Roots Bloody Roots, do impactante Roots (1996), dedicando-o à sua mãe.

E se você pensa que acabou, Max e Iggor voltaram para um segundo bis. Sozinhos, “relembrando a época do quarto/quintal punk/rock/metal de BH”, fizeram uma versão garagem para Hear Nothing See Nothing Say Nothing do Discharge (com Max solando!) e Polícia do Titãs. Passada essa dobradinha, Max pediu aplausos ao Korzus e lhe dedicou o trecho tocado de Black Magic, outra do Slayer. Com Rizzo e Leon de volta aos seus postos, o quarteto, enfim, finalizou o longo show com um medley que repetiu trechos de Beneath the Remains, Arise (também com Max declamando parte da letra) e Dead Embryonic Cells.

 Ao final do show, Max Cavalera apresentou a banda. O legal foi que ele se referiu ao irmão como Igor Skullcrusher e a si mesmo como Max Possessed, pseudônimos que usavam no início da carreira do Sepultura. Rapidamente, ele se retirou do palco, assim como Rizzo e Leon, e retornou vestido como o seu brother, ou seja, com uma camisa do Verdão (só que de jogador linha). E foi assim que Possessed e Skullcrusher se despediram de seus fãs paulistanos. Que grande noite foi essa! Três ótimos shows, que mostraram a força do metal pesado brasileiro. Quanto à esse texto, eu sei que você deve ter achado longo demais, mas, acredite, foi uma noite tão especial, com tantas emoções e detalhes, que não dava mesmo pra eu ser econômico.

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