No último dia 27 de setembro, data em que se completaram 39 anos da morte de Cliff Burton, o produtor Flemming Rasmussen e sua esposa participaram do evento “Talk With the Masters” no Cliff Burton Museum, em Ljungby, Suécia. Durante a conversa, Rasmussen voltou a comentar sobre sua experiência com o Metallica na época de gravação dos álbuns Ride The Lightning (1984), Master Of Puppets (1986) e …And Justice For All (1988).
A ausência quase total do baixo de Jason Newsted no disco de 1988 continua sendo um dos tópicos mais debatidos pelos fãs. Em entrevista ao Chris Akin Presents em 2024, Rasmussen contou que se surpreendeu ao ouvir a primeira versão da mixagem. “Lars (Ulrich) me mostrou e disse que era o mix final. Eu respondi: ‘Não, isso não é. Não tem baixo.’ Ele disse: ‘Está ali, no fundo das guitarras.’ Eu retruquei: ‘Não, não está’”, relembrou o produtor.
Rasmussen explicou que não teve participação na decisão final, já que a mixagem foi feita por Steve Thompson e Michael Barbiero, sob orientação de Lars Ulrich e James Hetfield. Em outra entrevista, ao documentarista Daniel Sarkissian, o produtor chegou a especular que a exclusão do baixo poderia ter sido uma forma de provocar Newsted: “Eles odiavam o fato de ele ser apenas um fã, que não se impunha. Talvez esperassem uma reação dele — e como não veio, o disco acabou ficando assim”.
Ao longo dos anos, membros da banda também comentaram o assunto. Hetfield já defendeu o resultado final, dizendo que o objetivo era fazer “o melhor disco possível”, mas que o desgaste das longas turnês afetou a audição do grupo durante as sessões. Em suas palavras, “nossos ouvidos estavam fritos. Acabávamos aumentando cada vez mais o agudo, e o grave simplesmente sumiu”. O vocalista também rejeitou a ideia de remixar o álbum para ressaltar o baixo: “Por que mudar a história? É como querer fazer a Mona Lisa sorrir melhor”.
Kirk Hammett também tentou justificar a sonoridade em entrevista à Decibel, alegando que as frequências de Newsted colidiam com a guitarra de Hetfield, o que levou a banda a baixar o baixo na mixagem. Já Steve Thompson, um dos responsáveis pela engenharia de som, declarou em 2015 ao Ultimate Guitar que apenas seguiu as instruções de Ulrich e que não deveria ser responsabilizado pela ausência de graves.
Mesmo com as críticas, …And Justice For All se tornou um marco na carreira do Metallica, com faixas como One e Blackened, além de consolidar a banda como um dos principais nomes do metal mundial. Para muitos fãs, o álbum segue sendo lembrado tanto por sua força musical quanto pela polêmica em torno de sua produção.
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