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MICHALE GRAVES – São Paulo (SP)

Carioca Club - 3 de dezembro de 2022

Por Nelson Souza Lima

Fotos: Caike Scheffer

Não tinha como dar errado. Quem foi ao Carioca Club no sábado, 3 de dezembro, conferir Michale Graves viu a combinação perfeita dos ingredientes que fazem um ótimo show de rock: vocalista carismático, banda afiada, setlist irretocável e público incendiário. O ex-Misfits voltou ao Brasil, após três anos, para alegria dos fãs que, se não lotaram a casa da zona oeste paulistana, também não fizeram feio e retribuíram com inúmeras rodas, muitos “oh, oh, ohs”, além de cantar as músicas a plenos pulmões.

Depois de se apresentar no Chile, Uruguai e Argentina, Graves fez em São Paulo a única apresentação em nosso país durante a “American Monster II – South American Tour 2022”. Isso poucos dias após outro ex-Misfits, o guitarrista Doyle Wolfgang von Frankestein, tocar na capital paulista como uma das atrações do “Oxigênio Festival” (veja resenha AQUI – https://roadiecrew.com/oxigenio-festival-sao-paulo-sp/). Como já vinha sendo alardeado há tempos, o vocalista mostrou praticamente na íntegra os álbuns American Psycho (1997) e Famous Monsters (1999), quando fez parte da icônica banda americana de horror punk, formada ainda nos anos 1970.

O esquenta ficou por conta do Furia Inc., um dos grandes nomes do metal brasuca, que agora tem à frente o vocalista Bernard “Ber” Aghazarm (Afterlife – A7X Cover Brasil e ex-Tier) ao lado dos irmãos Gustavo Romão (guitarra) e Neto Romão (bateria) e de Fish Nothing (baixo). O quarteto, que atualmente promove o single Reborn, esbanjou competência e técnica adquiridas em uma trajetória de quase dez anos de estrada. Numa pontualidade britânica, eles começaram sua avalanche sonora às 17h40 e, em pouco mais de quarenta minutos, tocaram músicas dos álbuns Murder Nature (2014) e Raw (2019).

Ber Aghazarm tem um vocal potente e guturais que se encaixam perfeitamente no som do Furia Inc., evidenciando ter sido uma boa escolha para substituir Victor Cutrale. O vocalista agradeceu aos fãs que chegaram cedo para conferir a banda, disse estarem honrados de abrir o show de Michale Graves e detonou canções como Raw, The Endless Void, Crash, Pitchblack Downfall, The Cage, Light the Fire e Slaves to the Blood, além da nova, Reborn. O produtor e guitarrista Rogério Wecko (Laboratori, Brutal Brega, Threat) fez uma participação especial na sequência bacana de covers. Mandaram bem com American Jesus (Bad Religion), God Save the Queen (Sex Pistols) e Poison Heart (Ramones). Ponto para a banda, que conseguiu criar uma roda no meio da plateia. Ao final, Ber Aghazarm agradeceu o público, fez merchan e chamou a galera pra gritar por Michale Graves.

“Noite inesquecível! Fizemos um show enérgico com uma ótima resposta do público. Nossa nova formação está intensa e entrosada, acredito que esteja agradando a todos. A resposta é nítida! Ficamos muito felizes em tocar com o Michale Graves, artista com história e que certamente influenciou uma geração, inclusive o Furia Inc. Que venham outros grandes shows! Ano que começaremos com música nova e novos planos”, declarou o guitarrista Gustavo Romão.

Agora era esperar pelo americano e seu set infernal. Porém, problemas técnicos provocaram um atraso comprometendo a apresentação.  Previsto para 19h, o show começou cinquenta minutos depois. Isso não incomodou e deu mais gás aos fãs, que quase vieram abaixo quando as cortinas se abriram e Justin Parks (guitarra), Ricardo “Richie” Vazquez (baixo) e Tito Rojas (bateria) deram os primeiros acordes de American Psycho. Mas o pandemônio mesmo teve início com a entrada de Michale Graves que, com sua tradicional skull make e vestindo camisa de força, provocou delírio geral.

Logo de cara uma enorme roda se abriu e se intensificou à medida que a avalanche sonora rolava. Uma sequência insana com Speak of the Devil, Dig Up Her Bones e Black Light foi o cartão de visita de uma apresentação matadora. Não foram poucos os que conseguiram subir no palco para selfies com Graves. A cada música, os “oh, oh, ohs” se tornavam mais intensos. A música do Misfits pede isso e a interação entre banda e público é algo quase como um ritual. Na verdade, é um ritual.

O carisma de Graves fica evidente nas inúmeras declarações de amor aos fãs brasileiros e até cuidados com as garotas. Quando ele percebeu que havia muitas delas praticamente espremidas na frente do palco perguntou se estavam bem. Após tocar Don’t Open ‘til Doomsday, que encerra American Psycho, a banda deixou o palco por alguns momentos para se preparar para o segundo ato: Famous Monsters. Este disco traz clássicos que funcionam incrivelmente bem ao vivo. A sequência, com The Forbidden Zone, Lost In Space, Dust To Dust, Crawling Eye e Scream é irresistível. Impossível ficar parado.

A mais cadenciada Saturday Night dá uma desacelerada, mas é uma canção que bate no coração. Inclusive, um casal que veio de São Miguel Arcanjo, cidade na região de Sorocaba, me falou que começaram a namorar na adolescência curtindo muito essa música. Saturday Night é mais leve, mas o motor acelerou de novo com Living Hell, Them e Hunting Humans. Infelizmente não foi possível realizarem um encore em virtude do atraso inicial. O show teve de encerrar para a programação do Carioca Club ter sequência. Mesmo assim, este foi mais uma noite inesquecível promovida pela produtora Dark Dimensions, que ficou no coração de Graves e dos fãs.

 

Setlist – Michale Graves:

American Psycho

Speak of the Devil

Dig Up Her Bones

Black Light

Resurrection

This Island Earth

Day of the Dead

The Haunting

Lost in Space

Dust to Dust

Don’t Open ‘til Doomsday

Scream

Crawling Eye

Saturday Night

Living Hell

Them

Hunting Humans

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