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NAPALM DEATH – Throes of Joy in the Jaws of Defeatism [9,0/10]

Quando você começou a acompanhar o NAPALM DEATH? E quando foi que você desistiu de seguir a carreira deles? Ou, talvez, você nunca abandou a trilha dessa seminal banda britânica? No fim das contas, a sua avaliação deste Throes Of Joy In The Jaws Of Defeatism vai depender das respostas que você der para as perguntas anteriores. Afinal, a palavra em voga no universo do Napalm Death sempre foi ‘transformação’. Pois veja, a carreira deles teve o seu primeiro grande suspiro com o lançamento de seu debut clássico, Scum, de 1987, um álbum notório por sua violência sonora, velocidade e extremismo, um marco definitivo para a música pesada, e que, dentre outras peculiaridades, destaca o fato de ter cada um dos lados do velho vinil gravado por uma formação diferente.

Para a gravação do álbum seguinte, From Enslavement To Obliteration (1988), a formação já havia mudado novamente, o baixista Shane Embury chegava ao time para não mais sair, e já no terceiro álbum, Harmony Corruption (1990) a banda ganharia ainda mais novos ‘elementos-chave’ na sua transformação musical, seja com os guitarristas Jesse Pintado (ex-TERRORIZER, falecido em 2006) e Mitch Harris (DEFECATION, RIGHTEOUS PIGS), seja com o vocalista Mark “Barney” Greenway, que estreava logo após uma curta (e muito bem sucedida) passagem por um dos pilares do death metal britânico, o BENEDICTION, que ficou registrada para a eternidade no álbum Subconscious Terror, que celebra três décadas justamente em 2020 (assim como o anteriormente mencionado Harmony Corruption). Se naquele princípio de década eles apostavam em uma sonoridade muito mais voltada para o death metal do que para o antigo grindcore, o resto da década foi dedicado a um experimentalismo sem precedentes. O Napalm Death permaneceu se transformando, e flertou com todos os elementos sonoros imagináveis, gerou aplausos de uns e fúria de outros com álbuns como Diatribes (1996) e Words From The Exit Wound (1998), e retornou com um tom mais firme e perceptível de sua velha fórmula grindcore em Smear Campaign (2006), mas sem nunca deixar para trás a vontade, o talento e a tendência para o experimentalismo. E é bom ter isso em mente logo ao começar a ouvir este novo registro de estúdio.

Afinal, assim que a pútrida e feroz Fuck The Factoid começa a rasgar os alto-falantes, você talvez vá procurar referências nos primeiros álbuns desses ingleses. Aliás, essa é uma bela pedida, pode ir fundo, sem erro. A ‘rifferama’ intensa e o ritmo intencionalmente senil de Backlash Just Because irá manter o ouvinte nessa mesma linha de raciocínio, sempre com o lado extremo da música da banda à frente, saltando aos ouvidos em uma música devotada ao puro extremismo. Aliás, em entrevista exclusiva para este repórter (que em breve você lerá nas páginas da ROADIE CREW), Greenway declarou que essa será sempre a constante na música do Napalm Death: não importa a fórmula ou as influências, o Napalm Death sempre manterá o extremismo na sua música.

O ataque cerrado segue com That Curse Of Being In Thrall, que por sua vez, traz muitos daqueles elementos crust/punk que sempre fizeram tão bem à fórmula do Napalm Death, e que farão você revisitar suas prateleiras em busca dos velhos clássicos de bandas como DISRUPT, ANTI-CIMEX e NAUSEA. Ou seja, até aqui nenhum susto para aqueles que ignoraram tudo o que a banda fez desde Utopia Banished (1992).

Porém, com Contagion eles começam a abrir sua velha e eficaz ‘caixa de ferramentas’. Com sua pegada focada no punk/metal, eles começam a explorar elementos breves de industrial e noise, fazendo uma mistura maluca do velho crossover de bandas como THE ACCÜSED e CRYPTIC SLAUGHTER com o industrial ‘noventista’ de MINISTRY e NAILBOMB, tudo em doses homeopáticas, ajustadas ainda para a boa digestão do ouvinte. Mais dura e complexa para ouvidos pouco acostumados ao experimentalismo, Joie De Ne Pas Vivre é um dos destaques do lado ‘esquisitão’ deste álbum. Esquisita, esquizofrênica, tão perigosa quanto devastadora, tem seus vocais em certos momentos beirando o black metal, mas sempre com uma aura completamente voltada ao avant-garde, uma viagem musical única em um álbum em si tão diferenciado.

Invigorating Clutch é outra que não tem como passar despercebida. Com elementos góticos no início, ela lembra um pouco a aura das bandas death rock dos anos 1980, em especial as idolatradas CHRISTIAN DEATH, SIOUXSIE AND THE BANSHEES e 45 GRAVE, mas tudo mergulhado em atitude punk, com riff simples e repetitivo, além de vocais extremos, rasgados, uma mistura visceral que não funciona no papel, mas que ficou genial em forma de música! Para aliviar os seus velhos ossos, Zero Gravitas Chamber retoma os elementos clássicos da música do Napalm Death, e não causa sustos. Um prazer e uma pena, ao mesmo tempo.

Se Fluxing The Muscle é dinâmica, repleta de ‘groove’, bastante moderna e pesada, Amoral chega para eriçar os pelos dos ouvidos musicalmente conservadores. A pegada claramente pop, quase dançante, remete muito mais para algo que bandas como PUBLIC IMAGE LTD., MINISTRY e KILLING JOKE fariam, do que para algo do Napalm Death, e por isso ela pode muito bem ser a melhor do disco, quem diria!

A faixa-título é o que passa mais próximo de um ‘Napalm Death raíz’, e as ótimas linhas instrumentais de Acting In Gourged Faith também se destacam nessa multidão de ótimos temas, organizados em forma de álbum musical. Para fechar, outro desafio, com A Bellyful Of Salt And Spleen, repleta de ruídos e elementos estranhos, coisa que a essa altura já podemos dizer que convém a este álbum incrível. Ou seja, mais um grande álbum do Napalm Death, que simplesmente se nega a entregar o esperado.

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