Para DAVE LOMBARDO, blast beat foi criado por bateristas de jazz: “Eles faziam tudo primeiro”

O blast beat, um tipo de batida rápida característica de estilos extremos do heavy metal como black metal, death metal e grindcore, teve suas origens ligadas ao jazz, segundo relatos de músicos que ajudaram a consolidá-lo no rock pesado. Em recente entrevista ao site Ultimate Guitar, o ex-baterista do Slayer, Dave Lombardo, comentou sobre a origem do estilo: “Ouvi rumores de ‘blast beat’, então seria algo como o bumbo duplo rolando e a caixa batendo junto, nas mesmas notas de 32 avos, ou como você quiser descrever. Ouvi dizer que foram bateristas de jazz, o que acredito, porque eles faziam tudo primeiro, antes de qualquer um. Depois ouvi… talvez tenha sido o Mick Harris, do Napalm Death, nos primeiros dias da banda.”

Lombardo afirmou ter incorporado o blast beat em seu trabalho a partir do projeto Fantômas, em 2000, antes mesmo de aplicá-lo no Slayer. Ele explicou que o estilo consiste basicamente em um rolo de batidas alternadas entre a caixa e o bumbo, com a mão no hi-hat ou ride acompanhando o bumbo em uníssono.

O baterista do Anthrax, Charlie Benante, também se destacou na consolidação do blast beat. Ele recordou que seu trabalho com o projeto hardcore/metal dos anos 1980, Stormtroopers of Death (S.O.D.), foi decisivo: “Havia uma música chamada Milk, e o riff era muito rápido. Danny Lilker, o baixista, disse que queria que fosse mais uma espécie de remar rápido… Então basicamente era um blast de um pé. Quando gravamos, nos divertimos muito. Ao vivo, isso evoluiu para o que hoje se conhece como blast beat.”

Benante enfatizou que, embora não tenha inventado o estilo, a gravação de S.O.D. foi a primeira a registrar o blast beat de forma estruturada: “Outras bandas, como D.R.I. e Mayhem, já faziam algo parecido, mas na nossa gravação de Milk, o blast beat foi fixado e influenciou muitas bandas depois.” Ele também lembrou que, com o tempo, o blast beat se espalhou pelo metal extremo, sendo adotado por bandas como Morbid Angel, Cannibal Corpse e grupos de black metal, ganhando variações de execução, incluindo o uso de ambos os pés de forma independente.

Sobre a influência do jazz, Benante citou um vídeo antigo de 1964 mostrando um baterista de jazz tocando algo semelhante, mas ponderou: “Não acredito que todos começaram a fazer blast beats por causa desse baterista de jazz. Muito do que se popularizou veio do disco do S.O.D.

O baterista ainda destacou momentos em que o blast beat atingiu novos níveis de complexidade, como na gravação de Puritanical Euphoric Misanthropia, do Dimmu Borgir, com Nick Barker, que segundo Benante abriu portas para novas formas de exploração do estilo. Há quem mencione ainda o ex-Morbid Angel Pete “Commando” Sandoval e o ex-Sarcófago D.D. Crazy.

O blast beat, que nasceu em experimentações de jazz e ganhou forma no hardcore dos anos 1980, tornou-se hoje um elemento central da linguagem da bateria extrema, influenciando gerações de músicos e fãs.

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Foto: Stephanie Cabral
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