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PAUL McCARTNEY – São Paulo (SP)

Allianz Parque – 7, 9 e 10 de novembro de 2023

Por Antonio Carlos Monteiro

Fotos: Marcos Hermes

O anúncio de mais uma passagem de Paul McCartney pelo Brasil, a “Got Back Tour”, chegou a suscitar alguns questionamentos: será que vale a pena ir a mais um show de Paul? Afinal, a gente já sabe praticamente tudo que vai acontecer. A gente sabe que mais ou menos 70% das músicas são as mesmas há algumas décadas; a gente sabe que em Something Paul vai começar apenas com voz e ukelele para na hora do solo a banda entrar pesando a mão; a gente sabe que ele vai ser erguido a uns 5 metros do chão, apenas com seu violão, para entoar Blackbird; a gente sabe que vai ter um show de pirotecnia em Live and Let Die; a gente sabe que o batera Abe Laboriel Jr. vai fazer uma dancinha animada e divertida em Dance Tonight; a gente sabe que vai cantar o “nanana” de Hey Jude com olhos marejados; e a gente sabe que o final vai ser com aquela trinca imbatível, Golden Slumbers, Carry that Weight e The End emendadas. Então, será que vale mesmo a pena sair de casa pra ver o mesmo que já vimos tantas e tantas vezes?

Seja como for, este repórter (e mais umas 50 mil pessoas em cada dia) estava a postos em 9 e 10 de dezembro para assistir tudo isso de novo – e algumas novidades, é bom deixar claro. E também para conferir a quantas andava a voz de Paul, que continua, a despeito de seus 81 anos, cantando o repertório nos tons originais. Na verdade, Paul não desafina. A dificuldade dele limita-se a atingir as notas mais altas, já que no resto ele vai muitíssimo bem. E logo nas primeiras músicas (ele revezou a abertura entre A Hard Day’s Night e Can’t Buy Me Love) já deu pra perceber alguns truques pra mascarar o problema: primeiro de tudo, o batera Abe Laboriel Jr., que também é um vocalista fantástico, acompanha Paul em praticamente todas as músicas. Além disso, em alguns momentos o volume do instrumental cresce, deixando a voz em segundo plano. E em outros temas Paul encontra outras soluções, como deixar as linhas vocais originais para os demais integrantes da banda – banda essa que o acompanha há muito tempo: Abe, Rusty Anderson (guitarra), Brian Ray (guitarra e baixo) e Wix Wickens (teclados e que também acumula a função de diretor musical do espetáculo). Enfim, é muito melhor uma verdade dolorida do que uma mentira mal contada.

Uma das maiores novidades dessa tour veio justamente na banda: o quinteto recebeu o muito bem vindo reforço do Hot City Horns, trio de metais que deu um molho muito especial a alguns temas – e logo na primeira participação eles apareceram quase no meio da plateia, numa solução muito bem sacada.

Depois das primeiras canções, Paul disse que ia “falar um pouquinho de português”. E falou mesmo. Ao longo das mais de duas horas e meia de show, ele desfilou “e aí, mano?”, “beleza, meu?”, “meu parça” e até “o pai tá on”. Nem precisa dizer que o estádio vinha abaixo a cada uma dessas manifestações.

No fim das contas, apesar de alguns hits pontuais, como Jet, a já citada Live and Let Die e Band on the Run, o que pega mesmo é o repertório dos Beatles – e não deixa de ser incrível como uma banda que encerrou atividades há mais de 50 anos ainda move multidões. Drive My Car, Getting Better, In Spite of All the Danger (música gravado em 1958, quando a banda ainda se chamava Quarrymen e não contava com Ringo Starr), a ovacionada Love Me Do, Get Back, Let it Be e Day Tripper são algumas das que promovem verdadeiras catarses coletivas quando executadas.

O show do dia 10 teve um participante extra: Paul cantava os primeiros versos de Can’t Buy Me Love quando começou a chover. Na verdade, não foi exatamente uma chuva, foi uma espécie de ensaio geral do dilúvio, o que acabou espantando muita gente da pista. Mas nem pense que isso desanimou quem ficou. Pelo contrário, parece que gerou mais gás ainda em cada um que lá estava. Detalhe: variando de intensidade, a chuva permaneceu, firme e forte, até o final do show. Acho que ela também queria ver Paul McCartney…

Após aquela paradinha falsa que não engana mais ninguém, a banda volta ao palco empunhando bandeiras da Grã-Bretanha, do Brasil e do movimento LGTBQIA+, para ódio e desespero de alguns.

E logo em seguida, mais um momento tocante em I’ve Got a Feeling: um dueto entre Paul e John Lennon, que apareceu em som e imagens retiradas do famoso “Rooftop Concert”, o último show dos Beatles, acontecido no teto da Apple, em janeiro de 1969. Isso só foi possível com o uso de Inteligência Artificial, o que possibilitou ao diretor Peter Jackson (o mesmo do filme “Get Back”) isolar a voz de John. O resultado, pra lá de emocionante (além de perfeito tecnicamente), com a imagem de John no telão cantando a música, já foi eleito por Paul como um de seus preferidos na atual turnê – encerrada a canção, ele chegou a comentar como era emocionante voltar a cantar com John depois de tanto tempo. No dia 9, após I’ve Got a Feeling a plateia começou espontaneamente a cantar Give Peace a Chance, sendo acompanhada pela banda – outro momento muito tocante, em especial por tudo que a humanidade vive no momento.

Após reproduzirem a sequência final de Abbey Road (1969), verdadeiro último disco dos Beatles, com direito a solo rápido de bateria e Paul, Rusty e Brian se revezando em solos de guitarra (sim, sem baixo nesse momento), a lindinha the End encerra a noite.

Muitos boatos começaram a circular dando conta de que esta seria a última tour de Paul McCartney. O que de certa forma ele desmentiu quando, antes de deixar o palco, disse, em português: “até a próxima”. E aí aquela pergunta lá do início deste texto teve sua resposta: como vale a pena assistir um show de Paul McCartney! Volte em breve, parça!

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